dezembro 11, 2009

NOVIDADES CLEAN FEED - DEZEMBRO 2009

A editora portuguesa Clean Feed continua em grande ritmo, tendo acabado de sair mais uma excelente fornada de discos:

Tony Malaby's Apparitions - "Voladores" (CF165)
Tony Malaby (saxofone tenor), Drew Gress (contrabaixo), John Hollenbeck (percussão) e Tom Rainey (bateria)

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The Godforgottens - "Never Forgotten Always Remembered" (CF 164)
Sten Sandell (piano), Magnus Broo (trompete), Johan Berthling (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria)

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Nicolas Masson Parallels - "Thirty Six Ghosts" (CF 163)
Nicolas Masson (saxofone tenor), Colin Vallon (piano), Patrice Moret (contrabaixo) e Lionel Friedli (bateria)

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Michael Attias - "Renku in Coimbra" (CD 162)
Michael Attias (saxofone alto), Russ Lossing (piano), John Hebert (contrabaixo) e Satoshi Takeishi (bateria)

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Empty Cage Quartet - "Gravity" (CF 161)
Jason Mears (palhetas), Kris Tiner (trompete), Ivan Johnson (contrabaixo) e Paul Kikuchi (bateria)

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Will Holshouser Trio - "Palace Ghosts and Drunken Hymns" (CF 160)
Will Holshouser (acordeão) David Phillips (contrabaixo), Ron Horton (trompete) e Bernardo Sassetti (piano)

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Mais informação em http://www.cleanfeed-records.com.

Publicado por António Branco às 06:33 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 21, 2009

NOBUYASU FURUYA TRIO FLANÇA "BENDOWA"

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Já está disponível "Bendowa", o disco de estreia na Clean Feed (http://www.cleanfeed-records.com) do trio do multi-instrumentista japonês Nobuyasu Furuya (saxofone tenor, clarinete baixo, flauta), com Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria, percussão).

Com a sua abordagem zen da "new thing", o trio tem feito a diferença. Lança agora o seu primeiro disco, "Bendowa", em memória de um monge do século XIII.

Música intensa e, ao mesmo tempo, profundamente espiritual.

Publicado por António Branco às 06:03 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 10, 2009

ASSIM FALAVA JAZZATUSTRA

O pianista Júlio Resende está a lançar o seu segundo disco, "Assim Falava Jazzatustra", uma edição da Clean Feed.

O novo disco é formado por composições da autoria do pianista e por um tema dos Pink Floyd: "Shine on you Crazy Diamond" interpretados pelo Júlio Resende International 4tet, do qual fazem parte os saxofonista Perico Sambeat e Desidério Lázaro, o contrabaixista Ole Morten Vagan e o baterista Joel Silva.

Este álbum foi gravado ao vivo na Fábrica de Braço de Prata, lugar de residência artistíca de Júlio Resende

Para lançamento do disco está previsto um conjunto de vários concertos:

10 Setembro - Festival Jazz.pt (às 23h30, no Hot Clube) em Lisboa
11 Setembro - Auditório Municipal de Olhão, 21:30 - Algarve
12 Setembro - OndaJazz em Lisboa,2330h.
13 Setembro - Jardim da Estrela no âmbito do OutJazz Fest, às 1630h - Lisboa

Júlio tem também presença assegurada no Clean Feed Fest NY IV, que decorre na Big Apple entre 16 e 20 deste mês.

Mais informação em www.julioresende.com.

Publicado por António Branco às 07:18 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 07, 2009

JOANA RIOS LANÇA "3 DESEJOS" NO SÃO LUIZ

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Joana Rios

A cantora Joana Rios apresenta o seu novo disco, intitulado “3 Desejos”, nos próximos dias 18 e 19 de Setembro, no Jardim de Inverno, do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. Depois de "Universos Paralelos", a cantora evoca neste novo disco tanto as suas raízes na música popular como as influências de cariz erudito.

Nesses concertos a cantora será acompanhada por João Carlos (trompa), Catarina Anacleto (violoncelo), Rodolfo Neves (trompete e fliscórnio), Lars Arens (trombone e eufónio), Filipe Raposo (piano, fender rhodes e acordeão), António Quintino (contrabaixo) e Carlos Miguel (bateria e percussões).

Nascida em 1976, Joana Rios é uma cantora e compositora portuguesa de referência da nova geração, com dois discos editados. A sua carreira iniciou-se aos 17 anos, começando por cantar standards e bossas, tendo posteriormente sido aluna na Academia de Amadores de Música, Conservatório e Hot Clube, onde leccionou até ao final do ano lectivo 2007/2008. Tomou então a decisão de se dedicar totalmente à sua carreira de cantora, que já começou a dar os seus frutos.

Estão também para escuta on-line, 5 músicas no myspace da Joana Rios, em www.myspace.com/joanarios.

Publicado por António Branco às 06:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 15, 2008

CARLOS MARTINS APRESENTA NOVO CD "ÁGUA"

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Carlos Martins

O saxofonista Carlos Martins apresenta hoje (23h00) no Hot Clube de Portugal (Praça da Alegria, Lisboa), o seu novo disco "Água".

Neste concerto de lançamento estarão presentes Carlos Martins (saxofones tenor e soprano), Alexandre Frazão (bateria), André Fernandes (guitarra), Bernardo Sassetti - piano ; Júlio Resende (piano) e Nelson Cascais (contrabaixo).

Como dia Carlos Martins: “Ser músico de jazz é ter confiança no acaso. É aceitar a disciplina necessária para manusear o instrumento como se domina uma linguagem É acreditar no erro como fonte de inspiração. É compreender o outro e aceitá-lo. É um diálogo permanente, sem palavras, do som e das cores que pintam os estados de espírito. É mesmo inventar esses estados em conjunto libertando-nos do eu sendo assim cada um mais o que realmente é. Como um quinteto a solo neste disco respiramos o mesmo ar e acertamos os nossos gestos e sonoridades fingindo o que deveras somos, um conjunto de impressões e solidões partilhadas. E fazemos disso a música que produzimos e se a música gostar de nós faz-nos ser outras pessoas, com mais alegria. Trocamos identidades para dar à música o que tanto desejamos: a liberdade.

Publicado por António Branco às 05:30 AM | Comentários (1) | TrackBack

junho 25, 2008

ANTÓNIO PINHO VARGAS REGRESSA AO JAZZ COM "SOLO"

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António Pinho Vargas

É hoje editado "Solo", o disco que marca o regresso do pianista e compositor António Pinho Vargas ao jazz, com o primeiro disco em 12 anos.

"Solo" reúne novas leituras de algumas das suas peças mais conhecidas, como “Tom Waits”, “Dança dos Pássaros” e “As Mãos”.

Este é apenas o primeiro de dois álbuns duplos, reunindo os discos “Imperfeições 1” e “Imperfeições 2”, sendo que as “Imperfeições 3” e as “Imperfeições 4” serão editadas em 2009.

O disco "Solo" será apresentado ao vivo no próximo dia 5 de Julho, em concerto, também a solo, no Centro Cultural de Belém.

"Jazz ou lá o que isso é: esta é a expressão com que António Pinho Vargas costuma designar a sua produção na Música Improvisada. E, embora ele trace uma separação muito clara entre esta e a sua composição na Música Erudita, a que tem dedicado a maior parte dos últimos 12 anos, a verdade é que as melodias - as duas que apresenta pela primeira vez mas também as que logo reconhecemos ou as que mais mudaram com um intimismo reforçado -, reduzidas agora ao despojamento do piano, nos fazem muitas vezes pensar em Bach ou em Chopin, e não apenas nas gravações a solo de Keith Jarrett, uma influência inevitável para um pianista da sua geração. Oscilando entre a melancolia e a exaltação, o que, aliás, sempre marcou os seus discos, “Solo” trouxe o desafio acrescido de reencarnar num único instrumento as várias vozes que se faziam ouvir nas interpretações que conhecíamos sobretudo em quarteto. Mas ofereceu-lhe também uma liberdade acrescida que lhe permite evoluir em poucos segundos desde o enunciado quase sem tempo da melodia até à fruição rítmica. Algumas músicas traziam com elas uma maior responsabilidade e chegou a pensar em não as recriar. Mas à medida que as revisitou– no caso de uma ou outra teve de ir ouvir a gravação original -, ganhou optimismo. E os quatro dias e picos da gravação de José Fortes no CCB deram-lhe as asas que desejava e acabou por registar todas as 36 músicas que tinha planeado. Por isso mesmo, “Solo”, que agrupa os seus trechos mais conhecidos, como “Tom Waits”, “Dança dos Pássaros” ou “as Mãos”, será apenas o primeiro de dois álbuns duplos, reunindo os discos “Imperfeições 1” e “Imperfeições 2”, ficando as “Imperfeições 3” e as “Imperfeições 4” guardadas para edição em 2009. Editado esta quarta-feira, dia 25, “Solo” é sem dúvida o mais íntimo dos seus discos. Mas é também fruto dum grande entusiasmo e energia criativa. E são precisamente essa energia e esse intimismo que o público poderá presenciar no primeiro concerto a solo de António Pinho Vargas, dia 5 de Julho, no Pequeno Auditório do CCB. Porquê no Pequeno Auditório? É o regresso ao local do crime, foi lá que o disco foi gravado..." (texto da organização)

Publicado por António Branco às 10:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 29, 2008

BRAXTON EM CAIXA MOSAIC

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A Mosaic vai editar uma caixa de 10 CD's do multi-instrumentista e compositor Anthony Braxton, do período Arista/Freedom.

Alguns dos discos a incluir serão "Montreux/Berlin", "New York Fall 1974", "Five Pieces 1975", "Creative Orchestra Music 1976", "Alto Saxophone Improvisations 1979", "For Trio" e "For Two Pianos.

Ficamos ansiosamente à espera deste colosso.

Publicado por António Branco às 05:19 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 07, 2008

NOVO DISCO DE MARTA HUGON À VENDA

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Marta Hugon

Está a partir de hoje disponível nas lojas o novo disco – o segundo – de Marta Hugon, intitulado “Story Teller”.

Neste disco, acompanham a cantora o pianista Filipe Melo, o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista André Sousa Machado. Como convidados especiais juntam-se André Fernandes (guitarra) e João Moreira (trompete).

Depois de “Tender Trap” (a estreia, em 2005), Marta Hugon mostra porque é uma das mais interessantes vozes nacionais da actualidade, não se deixando seduzir por exageros inconsequentes e demonstrando um talento genuíno.

O novo disco é uma mistura de leituras de standards e de temas do universo pop-rock, unidos sob o denominador comum da linguagem jazzística que lhes confere, ao mesmo tempo, uma evidente sofisticação e uma simplicidade sempre difícil de alcançar.

Publicado por António Branco às 06:30 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 16, 2008

"GIVEN SOUL", DE HUGO ALVES, EM DESTAQUE

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O último disco do trompetista Hugo Alves está a dar voltas ao mundo!

"Given Soul" (Actus, 2007) valeu a Hugo Alves ser capa na revista canadiana "BC Jazz Magazine", como featured artist, em Julho de 2007.

Em Outubro foi seleccionado pelo sítio SmoothJazz.com com o tema "Pequenos Momentos", que assim o levou a centenas de rádios on-line por todo o mundo.

Também a rádio Francesa RCV (Lille) incluiu o tema "Vento Na Água" numa das suas playlists de jazz, que também tem distribuição por outras rádios associadas.

Mais uma prova de que - afinal - o jazz nacional também é capaz de dar cartas lá fora...

Publicado por António Branco às 06:27 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 11, 2008

"SURFACE" ENTRE OS MELHORES DE 2007 PARA BOB RUSCH

O disco "Surface" (European Echoes, 2007), do saxofonista Rodrigo Amado - com Carlos "Zíngaro" (violino), Thomas Ulrich (violoncelo) e Ken Filiano (contrabaixo) - , foi escolhido pelo crítico Bob Rusch (Cadence) como um dos melhores editados no ano transacto:

1 Mark Murphy Love Is What Stays Verve
2 Benjamin Koppel Babop Cowbell
3 Brooklyn Repertory Ensemble Pragmatic Optimism 360
4 Rodrigo Amado Surface European Echoes
5 Sam Newsome Monk Abstractions Sam Newsome
6 Steve Lacy & Roswell Rudd Early and Late Cuneiform
7 Alan Barnes & Scott Hamilton Zootcase Woodville
8 Hanna Richardson Live at the Fleece Lala
9 Joe Fonda & Ramon Lopez Silent Cascade Konnex
10 Irene Schweizer-Hamid Drake-Fred Anderson Willisau & Taktlos Intak

Mais informação aqui: http://www.villagevoice.com/music/0801,dockers,78775,22.html

Publicado por António Branco às 07:53 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 09, 2008

SOFIA RIBEIRO & MARC DEMUTH 4TETO LANÇAM "ORIK"

Sofia Ribeiro & Marc Demuth 4teto -

A cantora Sofia Ribeiro (segundo prémio do concurso internacional "Young Jazz Singers 2005", em Bruxelas) tem novo disco - intitulado "Orik" - com o quarteto do contrabaixista luxemburguês Marc Demuth.

Paralelamente a um percurso de sucesso em duo que resultou na gravação do seu primeiro CD "Dança da Solidão", Sofia Ribeiro e Marc Demuth têm-se dedicado a um projecto em quinteto, aliando-se a músicos da cena jazzística Europeia. Este grupo, que já se apresentou em inúmeros clubes e festivais em Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, Alemanha e Estados Unidos, lança agora o CD, gravado ao vivo no L'Inouï (Luxemburgo). Apresentam-nos um projecto com novas cores e sonoridades, com originais de Marc e Sofia, assim como temas de compositores diversos tais como Milton Nascimento, Pixinguinha e Baden Powell.

A cantora vai apresentar o novo CD de 10 a 16 de Janeiro de 2008, passando pela Antena 2.

10 de Janeiro (quinta) Tertúlia Castelense 22h00 (Maia)
11 de Janeiro Sexta Centro de Artes do Espectáculo 21h30 (Portalegre)
12 de Janeiro Sábado Centro Cultural Vila Flor 22h00 (Guimarães)
14 de Janeiro Byblos Livrarias/Amoreiras C. Aberto Antena 2, 19h00 (Lisboa)
15 de Janeiro Goethe Institut 19h30 (Lisboa)
16 de Janeiro Quarta Centro Cultural de la Villa 19h30 (Madrid)

Para mais informações: www.sofiaribeiro.com ou www.myspace.com/sofiaribeiro.

Publicado por António Branco às 05:13 AM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 11, 2007

ANDRÉ FERNANDES LANÇA "CUBO"

André Fernandes

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novembro 27, 2007

LIVE AT THE MONTEREY JAZZ FESTIVAL

Em 2008, o festival de jazz de Monterey completa 50 anos de existência. Com o propósito de recordar actuações de nomes históricos no prestigiado festival californiano, a Monterey Jazz Festival Records lançou recentemente gravações inéditas ao vivo de Louis Armstrong, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e Sarah Vaughan.

Os amantes do jazz da Bay Area de São Francisco não escondiam as suas dúvidas quando ouviam dizer que o promotor Jimmy Lyons estaria a preparar um festival de jazz para ter lugar em Monterey. Seria possível realizar naquela solarenga e pacata cidade californiana um evento capaz de rivalizar com o de Newport, em Rhode Island, organizado por George Wein e inaugurado quatro anos antes? Lyons, ajudado pelo escritor e crítico de jazz Ralph J. Gleason e por um punhado de músicos e empresários locais, provou que sim. A ideia era que Monterey se afirmasse como um contraponto a Newport, apostando em trunfos como a apresentação de novos músicos e de novas formações. A primeira edição do Monterey Jazz Festival teve lugar em Outubro de 1958, há quase meio século. Desde então, ano após ano, Monterey cimentou a sua posição no panorama dos festivais norte-americanos de jazz, sendo hoje um dos mais prestigiados eventos jazzísticos nos Estados Unidos. A organização – através da Monterey Jazz Festival Records – lançou recentemente cinco discos com material inédito, que registam para a posteridade a passagem pelo festival de gigantes do jazz, até agora apenas na memória de quem e elas assistiu. A missão da editora passa por realçar o legado artístico e promover as metas educacionais do festival, através de gravações que documentam o passado histórico do mesmo. Os lucros obtidos com a venda destes CD´s são destinados a apoiar o seu programa educacional, centrado na formação de jovens músicos de jazz de todo o mundo. Os eleitos nesta primeira fornada são Louis Armstrong, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e Sarah Vaughan. Avancemos cronologicamente.

Louis Armstrong – “Live at the 1958 Monterey Jazz Festival”

Louis Armstrong – “Live at the 1958 Monterey Jazz Festival”
Louis Armstrong (trompete, voz); Trummy Young (trombone, voz); Peanuts Hucko (clarinete); Billy Kyle (piano); Mort Herbert (contrabaixo); Danny Barcelona (bateria); Velma Middleton (voz)
Data de gravação: 3 de Outubro de 1958

O primeiro dos discos agora lançados – o de Louis Armstrong – foi gravado na noite inaugural do festival, 3 de Outubro de 1958. Para essa mesma noite esteve igualmente prevista a actuação do lendário Sidney Bechet – Lyons tinha em mente um encontro histórico entre os dois músicos – mas tal não se veio a concretizar devido ao débil estado de saúde de Bechet. Dizzy Gillespie, investido no papel de mestre-de-cerimónias, apresenta Satchmo como “o maior, o rei”. Em pleno pico de popularidade, Armstrong – então a caminho dos 60 – apostou nos clássicos de sempre como “St. Louis Blues”, “Mack the Knife”, “When the Saints Go Marchin´ In” ou “Blueberry Hill” (recebida em euforia pelo público), virou-se também para ícones do swing (“Perdido”, “Stompin´ at the Savoy”), atacou uma versão supersónica de “Tiger Rag”. Fez-se acompanhar por uma formação que incluía um Billy Kyle em grande forma e um Michael “Peanuts” Hucko a soar como nunca (ouçam-no em “After You´ve Gone”).

Miles Davis Quintet – “Live at the 1963 Monterey Jazz Festival”

Miles Davis Quintet – “Live at the 1963 Monterey Jazz Festival”
Miles Davis (trompete); George Coleman (saxofone tenor); Herbie Hancock (piano); Ron Carter (contrabaixo); Tony Williams (bateria)
Data de gravação: 20 de Setembro de 1963

O segundo CD documenta a passagem pelo festival de Monterey – em 20 de Setembro de 1963 – do quinteto de Miles Davis, com George Coleman, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams, este último então apenas com dezasseis anos de idade. Após um período marcado pela estagnação criativa e pela dificuldade em manter um grupo estável – que se seguiu à rotura com John Coltrane –, e depois das negas de vários músicos, como Steve Kuhn e Victor Feldman, Miles apostou em jovens promissores, ainda pouco conhecidos, que pretendia moldar à sua imagem. Escusado será dizer que tal formato encaixava que nem uma luva no que Jimmy Lyons queria para o festival. Ao aquecimento (“Waiting for Miles”), juntam-se versões longas de standards bem conhecidos, que o trompetista gostava de retocar; “Autumn Leaves” (que inclui um notável solo de Ron Carter) e “Stella by Starlight” (delicadíssima balada, numa demonstração exemplar de todo o lirismo e contenção de Miles). Ouviram-se ainda o magnífico “So What” e “Walkin´”, em que Tony Williams se dava a conhecer ao mundo, com uma memorável prestação. A encerrar, “The Theme” evocou a magia da secção rítmica Kelly/Chambers/Cobb. Curiosa a não inclusão de “Milestones” (pelo menos no disco), tema que à época constituía um momento central nas actuações do quinteto.

Thelonious Monk – “Live at the 1964 Monterey Jazz Festival”

Thelonious Monk – “Live at the 1964 Monterey Jazz Festival”
Thelonious Monk (piano); Charlie Rouse (saxofone tenor); Steve Swallow (contrabaixo); Ben Riley (bateria); Buddy Collette (saxofone, flauta, direcção); Lou Blackburn (trombone); Jack Nimitz (saxofone barítono); Bobby Bryant (trompete); Melvin Moore (trompete)
Data de gravação: 20 de Setembro de 1964

Na noite de 20 de Setembro de 1964, Thelonious Monk – que também tinha tocado na edição do ano anterior – subiu ao palco de Monterey para um concerto inesquecível. Com o seu estilo muito peculiar, Monk continuava a dividir opiniões. Fora do palco era tímido e reservado; em cima dele, exuberante e intenso. Na ocasião, actuou em formato de quarteto, com Charlie Rouse (saxofone tenor), Steve Swallow (contrabaixo) e Ben Riley (bateria). Para o jovem Swallow, então no quarteto de Art Farmer – com quem tocou também nessa edição do festival – , foi um momento único, visto que, até então, nunca tivera tido qualquer contacto prévio com Monk (embora tivesse estudado a sua música) e, daí em diante, não mais viria a ter. O disco começa com “Blue Monk” – o pianista expõe o tema, até que Rouse dele se apodera com um pujante solo. Em “Evidence” está patente o pianismo borbulhante de Monk, mesmo que algo na sombra, fazendo contraponto aberto ao saxofonista. Em “Bright Mississippi” dá espaço ao contrabaixista, que rubrica um solo inspirado. “Rhythm-a-Ning” assenta mais uma vez nos jogos Monk-Rouse, com Riley a assegurar um tempo endiabrado. Nos últimos dois temas do disco (“Think Of One” e “Straight, No Chaser”) ao quarteto junta-se o Monterey Jazz Festival Workshop, com Bobby Bryant e Melvin Moore (trompete), Lou Blackburn (trombone), Jack Nimitz (saxofone barítono) e Buddy Collette (saxofone e flauta), que, a pedido de Monk, fez os arranjos, muito ao jeito de big band.
Dizzy Gillespie – “Live at the 1965 Monterey Jazz Festival”

Dizzy Gillespie – “Live at the 1965 Monterey Jazz Festival”
Dizzy Gillespie (trompete, voz); James Moody (flauta, saxofone tenor); Kenny Barron (piano); Christopher White (contrabaixo); Rudy Collins (bateria); Big Black (congas)
Data de gravação: 19 de Setembro de 1965

Dizzy Gillespie era presença habitual em Monterey. Lá tocou, imagine-se, em 19 ocasiões, marca que partilha com Clark Terry. Mesmo quando não integrava o cartaz do festival, era costume aparecer no palco e tocar com os músicos presentes. Quem lhe poderia resistir? O disco em mãos diz respeito à gravação efectuada a 19 de Setembro de 1965, na terceira noite de actuação da formação, a melhor, rezam as crónicas. Para a ocasião, Gillespie alargou o seu habitual quinteto para sexteto, com a inclusão de Big Back, nas congas. O grupo lança-se na interpretação do frenético “Trinidad, Goodbye”, da autoria do pianista Kenny Barron, de onde se destaca o excelente solo de James Moody no tenor, a que se segue uma inspirada intervenção do líder, com o contrabaixista Christopher White e o baterista Rudy Collins a assegurar a base rítmica ideal. Gillespie dedica a balada “Day After” a Billie Holiday, tocando de forma livre e relaxada, demonstrando total confiança na banda que o acompanha. O lado de “entertainer” surge com o calypso bem-humorado de “Poor Joe” e depois com o “Dizzy´s Comedy Sketch”, que leva o público ao delírio. Estava a jogar em casa. Segue-se uma versão formidável de “A Night In Tunisia” (antecedida de referências à situação política que então se vivia no Norte de África), com Moody na flauta, Collins e Black a garantir uma vibração irresistível. Dizzy também está verdadeiramente brilhante, oferecendo uma nova perspectiva sobre um dos temas mais emblemáticos do seu repertório. “Ungawa” traz o perfume das Caraíbas e a breve rendição a “Chega de Saudade (No More Blues)” (da dupla Jobim/Moraes), que encerra o disco, reitera a paixão de Gillespie pela música do Brasil. Nota negativa para a deficiente qualidade da gravação, com altos e baixos, e com a proeminência, algo maçadora, das congas, a arreliar a atenta audição dos restantes instrumentos.

Sarah Vaughan – “Live at the 1971 Monterey Jazz Festival”

Sarah Vaughan – “Live at the 1971 Monterey Jazz Festival”
Sarah Vaughan (voz); Bill Mays (piano); Bob Magnusson (contrabaixo); Jimmy Cobb (bateria); Jazz at the Philharmonic All-Stars: Bill Harris (trombone); Roy Eldridge (trompete); Clark Terry (fliscórnio, voz); Eddie “Lockjaw” Davis (saxofone tenor); Zoot Sims (saxofone tenor); Benny Carter (saxofone alto); Mundell Love (contrabaixo); John Lewis (piano); Louie Bellson (bateria)
Data de gravação: 19 de Setembro de 1971

Na última noite da 14ª edição do festival de jazz de Monterey, em 1971, a estrela maior era Sarah Vaughan, então em plena meia-idade. Mas o programa incluía ainda outro motivo de interesse: o regresso do Jazz At The Philharmonic (JATP), projecto itinerante criado por Norman Granz que reuniu estrelas do jazz entre 1944 e 1957. Gerador de expectativa adicional era o facto de Sassy nunca ter participado no JATP – apesar de ter gravado amiúde para Granz – aguardando-se que algo especial resultasse daquela tardia reunião. Apresentada pelo próprio Norman Granz, Sarah Vaughan – ainda na plenitude das suas capacidades vocais – fez-se acompanhar pelo pianista Bill Mays, o contrabaixista Bob Magnusson e o baterista Jimmy Cobb. Começou com o histórico “I Remember You”, em toada lenta, com uma voz mais profunda e grave do que nos alvores da carreira. Prosseguiu demonstrando a sua notável abrangência vocal, em temas como “The Lamp Is Low”, “´Round Midnight” e “There Will Never Be Another You”. Curiosa a transformação jazzística de “And I Love Her”, da dupla Lennon/McCartney, em “And I Love Him”. A imaginação de “Scattin´ The Blues” aproxima-a do universo de Ella. Para o final em apoteose, sobe ao palco uma verdadeira constelação – Benny Carter, Roy Eldridge, Clark Terry, Bill Harris, Eddie “Lockjaw” Davis, Zoot Sims, Mundell Love, John Lewis e Louie Bellson – para uma longa “Monterey Jam”.

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novembro 26, 2007

JOANA RIOS LANÇA HOJE "UNIVERSOS PARALELOS"

Joana Rios -

É hoje lançado o novo disco da cantora Joana Rios, intitulado "Universos Parelelos". A sessão de lançamento é no BBC, em Lisboa. O disco - com selo Música das Esferas - já está nas lojas.

Acompanham a cantora neste novo disco Filipe Raposo, no piano, Hugo Antunes, no contrabaixo, e Vicky na bateria.

A digressão nacional e internacional de apresentação do disco terá início no próximo dia 11 de Janeiro, em Leiria.

Mais informações em www.joanarios.com.

Publicado por António Branco às 06:55 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 07, 2007

MIGUEL MARTINS LANÇA "THE NEWCOMER"

Miguel Martins

O guitarrista Miguel Martins apresenta esta noite nas Lux Jazz Sessions o seu novo disco, "The New Comer", exclusivamente constituído por repertório original.

No disco, com selo Klimaxrecords, acompanham Martins dois nomes de peso do jazz nacional, o contrabaixista Carlos Barretto e o percussionista José Salgueiro.

"O mês de Novembro nas Lux Jazz Sessions é inaugurado com o trio que o guitarrista Miguel Martins partilha com o contrabaixista Carlos Barretto e com o baterista José Salgueiro, que levará ao Lux o seu álbum de estreia, “The New Comer”, edição deste ano, composto exclusivamente por repertório original. Um disco no qual o trio procura engendrar, através da improvisação assente na confiança e química entre os músicos, formas alternativas de intervenção social, que se traduzem em imagens sonoras que levem a audiência a um escape para realidades paralelas, usando para isso motivações free jazz, fibra rock e imaginários world. O frontman Miguel Martins nasceu em 1976 em Faro e iniciou a sua carreira como músico profissional a meio da década de 90. Desde então foi colaborando com nomes maiores do jazz português, como Carlos Bica, Zé Eduardo, Pedro Madaleno, Nelson Cascais ou Laurent Filipe. Em 1998 fundou o quinteto Portujazz, que contou com a participação intermitente de músicos como Johannes Krieger, Yuri Daniel, Bruno Pedroso, Alexandre Frazão ou Hugo Alves, tendo sido extinto em 2003. Nos seus já mais de dez anos de actividade profissional, actuou em inúmeros festivais e clubes de jazz por todo o país e em Espanha e, entre outras manifestações do seu amor pela música improvisada, deu lições de guitarra e workshops em diversas escolas de jazz." (texto da organização)

Mais informação em: www.luxjazzsessions.com.

Publicado por António Branco às 06:15 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 25, 2007

JOHN COLTRANE 81 ANOS

Se fosse vivo, John Coltrane teria completado 81 anos no passado domingo, 23 de Setembro.

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John Coltrane

Obrigado, José Menezes, pelo alerta. Mea Culpa...

Publicado por António Branco às 01:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 26, 2007

"RENUNCIATION" - DAVID S. WARE QUARTET

David S. Ware Quartet -

Acabo de saber do lançamento do disco do finado quarteto do saxofonista David S. Ware - ("Renunciation"), na AUM Fidelity - gravado no Vision Festival (Nova Iorque), no ano passado, no qual tive a feliz oportunidade de estar presente.

Foi um momento único, que me ficará gravado para sempre. Nunca mais esquecerei a música, a atmosfera circundante, o olhar daquele Homem. E agora o disco...

Publicado por António Branco às 06:23 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 01, 2007

NOVO DISCO DO TRIO DE ALBERTO CONDE

Alberto Conde Trio
Alberto Conde Trio

No próximo sábado, 3 de Março, é apresentado no Centro Cultural Caixanova de Vigo, pelas 20h30, o novo disco do trio do pianista e compositor Alberto Conde, intitulado "Andaina". A ele juntam-se o contrabaixista Baldo Martínez e o baterista e percussionista Nirankar Khalsa. Como artistas convidados, participam Cuchús Pimentel (guitarra flamenca) e Maite Dono (voz).

"Alberto Conde y Baldo Martínez interesados en intercambiar la sus experiencias y apoyados por Nirankar Khalsa [ percusionista - baterísta afroamericano ] consiguen crear una música fresca y original, que desvela los sentidos. Esta formación, que está participando activamente en diversos festivales del panorama español, posee un trabajo, dentro del campo del jazz y de las Noticias Músicas, extenso y rico en formas y contenidos. Cada uno de los integrantes del trío tiene su propia formación artística, una larga trayectoria musical y 20 años de incansable labor sus costas. "Andaina" es un trabajo musical donde nuevamente en la búsqueda de la integración estilística, la Música gallega viaja a través del Jazz en composiciones y arreglos para trío, creando una atmósfera abierta, con sencillas melodías, espontaneidad, expresividad y variedad de rítmos. Música gallega enriquecida con la música afroamericana. En esta ocasión, se suma la colaboración de dos artístas, el guitarrista flamenco Cuchús Pimentel y la cálida voz de Maite Dono, su participación aporta nuevos colores a este particular y al mismo tiempo universal paixase musical."

Mais informações em http://www.albertoconde.com.

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janeiro 17, 2007

SARA VALENTE LANÇA "BLUE IN GREEN"

Sara Valente -

Já se encontra à venda na FNAC o CD de estreia da cantora Sara Valente, intitulado “Blue in Green”.

Neste disco, Sara Valente propõe uma abordagem própria a alguns temas originalmente instrumentais de Miles Davis ou Wayne Shorter, bem como de alguns standards.

Em "Blue In Green" participam João Maurílio, Nelson Cascais, Paulo Bandeira e Gonçalo Marques

Mais informações sobre Sara Valente em www.saravalentejazz.com.

Publicado por António Branco às 07:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 23, 2006

ARTHUR JONES - SCORPIO

ArthurJones -

ArthurJones - "Scorpio"
Arthur Jones (sax alto), Beb Guérin (contrabaixo) e Claude Delcloo (bateria).

Uma grande prenda de Natal! ... Pérola rara... que faltava... mas que encontrei finalmente! (obrigado E. Chagas)

Publicado por António Branco às 06:39 AM | Comentários (0)

dezembro 14, 2006

"THIS LIFE" ENTRE OS MELHORES DE 2006

Mário Franco Quintet -

O disco "This Life" (Tone Of A Pitch, 2006) do quinteto do contrabaixista Mário Franco - com a participação do saxofonista norte-americano David Binney - , foi considerado pelo crítico Philip DiPietro como um dos 10 melhores álbuns do ano, no site Jazzhouse.org.

O mesmo escriba publicou a sua recensão elogiosa no site All About Jazz, que, com a devida vénia, trancrevemos de seguida:

"Such is the case with this release from Mário Franco, a forty-something bassist/leader from Portugal. It's uncanny that last year, another unheard-of bassist’s date from the Portuguese Tone of a Pitch imprint accomplished the same. Similarly, this music is not particularly built around the skills of the leader as a virtuoso player, nor does it display any overt musical signs of geographical origin. From the first wah-enhanced inhalation of “This Life,” journeying to the pristine drum-n-bass exhortations of the perfect-take “Eterno Imperfeito” (”Imperfect Tense”), to the closing andante tarantella of “Web Woman,” a consummate aesthetic rearranges and recalibrates, in real time, the interjection of modern color in small-group composition and arranging. To posit that the presence of a player of Dave Binney’s stature and flat-out technical skill is well-nigh inconsequential in terms of the overall vibe—and in turn, success—of this project gives an indication of just how momentous a trip Franco takes us on here. But Binney's ensemble playing is faultless and his ravenous contributions as arch-soloist on “This Life,” “Chegada” and “Backstage Home” further propel him toward altoist of the year status, during one he’s engorged with accomplishment. Speaking of accomplishment, Binney is not the session's MVP, nor is the formidable American organ stylist-of-the-moment Jesse Chandler; that honor goes to the thirty-year-old guitarist and label founder Andre Fernandes, who’s simply everywhere in the mix, all of it compellingly ear-grabbing. His is the first solo on the record, an attack-less interlacement, half then double-timed, nonchalantly yet hyper-attentively over the barlines. This sound is modern execution and tone, stripped of jazz cliche, yet belongs here the most. “Heranca” (”Inheritance”) features his purposeful phrase fragmentation evolving into linear statements, spiced by the trademark use of pitch-bended intervals achieved by use of a harmonizer pedal. I’ve heard this attempted before by a few fearless jazzers, but nobody “plays” the pedal as adeptly as Fernandes. Above all, this recording is a showcase for Franco’s concept, unabashed in its incorporation of modern rock flavor into pure, unadulterated elegance and beauty. “Tentativa” (”Attempt”) is his smashingly successful attempt at combining electric keyboard-influenced space rock with acoustic instrumentation, bridged to the future by a loping melody phrased by Fernandes, who paranormally recalls rock’s greatest departed acid experimentalist. This track is a microcosm of everything jamband music could be, but so often is not. “Eterno Imperfeito” might confirm a listener's intuition that Franco should enjoy success as a composer of music for dance companies, which he already does for no less than the Spanish National Ballet. This one flows and spins in ways not allowed in that world, to the benefit and enchantment of all of us fortunate enough to dance along in Franco’s compositional and stylistic embrace."

[texto retirado de http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=23711]

Publicado por António Branco às 07:10 AM | Comentários (0)

dezembro 06, 2006

NOVO DISCO DE BERNARDO SASSETTI À VENDA

Bernardo Sassetti -

Já está à venda o novo disco do pianista Bernardo Sassetti, intitulado "Unreal: Sidewalk Cartoon".

Ao lado do pianista, participam no disco músicos grados do panorama nacional, como Alexandre Frazão, António Augusto de Aguiar, José Salgueiro, Perico Sambeat e Sérgio Carolino, entre outros.

O novo disco será apresentado ao vivo no Teatro Municipal São Luiz, nos dias 14,15,21, 22 e 23 de Dezembro às 21h00.

Mais informações sobre este disco aqui.

Publicado por António Branco às 04:40 PM | Comentários (2)

setembro 15, 2006

RODRIGO AMADO LANÇA "TEATRO" NA EUROPEAN ECHOES

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(imagem retirada de Jazz e Arredores)

O primeiro disco a sair na nova editora European Echoes, fundada e dirigida pelo saxofonista português. Rodrigo Amado, chama-se “Teatro” e inclui quatro temas gravados no Teatro Nacional de São João, no Porto, numa sessão que precedeu o concerto que o trio de Rodrigo Amado (saxofones tenor e barítono), Kent Kessler (contrabaixo) e Paal Nielssen- Love (bateria) deu, em Fevereiro de 2004, no ciclo de música improvisada Spectrum.

Depois de já este ano ter editado, com os Lisbon Improvisation Players, na Clean Feed, “Spiritualized”, Rodrigo Amado continua em grande…

Publicado por António Branco às 07:45 AM | Comentários (0)

agosto 18, 2006

NOVO DISCO QUINTETO MÁRIO FRANCO + DAVID BINNEY

Quinteto Mário Franco + David Binney -

Já está disponível "This Life", o novo disco do quinteto de Mário Franco (contrabaixo) - com Jesse Chandler (órgão, piano), André Fernandes (guitarra), João Gomes (Fender Rhodes, samplers) e João Lencastre (bateria) - e que conta com a participação especial do saxofonista norte-americano David Binney.

Mais informações em www.toneofapitch.com.

Publicado por António Branco às 09:35 AM | Comentários (0)

março 28, 2006

NOVIDADES MOSAIC

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A Mosaic Records, conhecida pelas suas sumptuosas edições, prepara o lançamento de um conjunto de cd´s em formato simples, o que acontece pela primeira vez na sua história.

De entre os discos a lançar brevemente, geram em mim especial expectativa "The Cosmic Scene", de Duke Ellington - de 1958, editado por alturas do lançamento do primeiro satélite norte-americano - e "Of Course, Of Course", de Charles Lloyd.

A lista completa das novidades é a que se segue:

Duke Ellington - "The Cosmic Scene"

Bud Freeman - "Chicago/ Austin High School"

Al Cohn/Perkins/Kamuca - "The Brothers"

JJ Johnson - "J.J."

Art Blakey - "Hard Bop"

Charles Lloyd - "Of Course, Of Course"

Mais informações sobre estes discos estão diponíveis em www.mosaicrecords.com.

Publicado por António Branco às 07:34 AM | Comentários (0)

março 13, 2006

SOFIA RIBEIRO APRESENTA DISCO DE ESTREIA

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A cantora Sofia Ribeiro (que ficou recentemente classificada em segundo lugar no concurso internacional "Young Jazz Singers", que se disputou em Bruxelas em Outubro de 2005) e o contrabaixista luxemburguês Marc Demuth acabam de lançar o novo disco "Dança da Solidão".

Com este disco, o duo propõe-nos uma viagem intimistapor temas bem conhecidos do jazz, bossa-nova, pop e fado, passando por compositores tão diversos como Milton Nascimento, Cole Porter, Pixinguinha, Janita Salomé e Carl Perkins, com arranjos originais adaptados a esta formação peculiar de voz e contrabaixo.

A partir de uma cumplicidade musical iniciada em Barcelona há dois anos, os dois têm vindo a construir um projecto já com numerosas prestações em clubes de jazz e festivais por toda a Europa e EUA..

Nota biográfica de Sofia Ribeiro

"Sofia Ribeiro nasceu em Lisboa em 1978. Estudou canto jazz na Escola de Jazz do Porto e na Escola Superior de M·sica e Artes do Espect·culo do Porto, com Maria João e Fay Claassen. Frequentou a Escola Superior de Música da Catalunya (Barcelona) durante um ano, através do programa Erasmus. Actualmente a estudar no Berklee College of Music em Boston, a cantora actua frequentemente no estrangeiro, tendo já passado por palcos no Luxemburgo, Bélgica, França, Holanda, Alemanha, Espanha e E.U.A."

Sofia Ribeiro e Marc Demuth estão a organizar realizar uma digressão pelo país, para apresentação do novo disco, ao longo deste mês de Março, na qual estão previstas passagens pelos seguintes locais:

16 de Março (Porto) - Teatro Helena Sá e Costa (21h45)
17 de Março (Porto) - FNAC Santa Catarina (18h00)
18 de Março (Maia) - Tertúlia Castelense (23h00)
22 de Março (Lisboa) - FNAC Chiado (18h30)
23 de Março (Lisboa) - Hot Clube de Portugal (23h)
24 de Março (Mira) - Contrabaixo Bar (22h30)

Publicado por António Branco às 08:12 AM | Comentários (0)

março 10, 2006

VASCO AGOSTINHO EDITA FRESCO

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Já está disponível no site da editora nacional Tone Of A Pitch, o muito aguardado e merecido disco de estreia do guitarrista Vasco Agostinho, intitulado "Fresco".

Acompanham Agostinho, o saxofonista Jorge Reis, o contrabaixista Hugo Antunes e o baterista Bruno Pedroso.

Publicado por António Branco às 03:51 PM | Comentários (0)

março 06, 2006

JACINTA APRESENTA DAYDREAM

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É hoje colocado à venda o novo álbum da cantora Jacinta, intitulado "Daydream", mais uma vez com o selo da prestigiada Blue Note.

“Day Dream” foi gravado em Nova Iorque com um conjunto de músicos, do qual se destaca o saxofonista Greg Osby, que também assumiu a produção do disco.

O repertório do novo disco é na sua grande maioria composto por temas de Duke Ellington (com letras em português de Tiago Torres da Silva), mas também são incluídos temas de Thelonious Monk e Cole Porter. Jacinta canta, pela primeira vez em disco, temas em português, designadamente “Canção de Embalar” (José Afonso), “Luiza” (Tom Jobim) e “Jogral” (Djavan).

Publicado por António Branco às 04:23 PM | Comentários (0)

janeiro 25, 2006

JOANA MACHADO APRESENTA "CRUde"

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Joana Machado (© Ricardo Andrade)

Já está disponível o disco de estreia da cantora Joana Machado, intitulado "CRUde", uma edição Tone Of A Pitch.

A acompanha-la estão Afonso Pais (guitarra e arranjos), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria).

"CRUde" será apresentado amanhã, 26 de Janeiro, pelas no 21h30, Santiago Alquimista (Rua de Santiago, em Lisboa).

Mais informações sobre Joana Machado em joanamachadojazz.com.

Publicado por António Branco às 08:36 AM | Comentários (0)

janeiro 20, 2006

PUEBLOS NO ALL ABOUT JAZZ

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É sempre interessante analisar a forma como os críticos internacionais olham para o jazz que se faz em Portugal. Esse interesse transforma-se em regozijo quando vemos que a opinião é bastante positiva.

A recensão que a seguir se transcreve (retirada daqui) foi escrita por Marc Meyers no site All About Jazz a propósito de "Pueblos", o excelente disco do quarteto liderado pelo saxofonista Jorge Reis - com André Fernandes na guitarra, Nelson Cascais no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria - uma edição da portuguesa Tone Of A Pitch.

"Saxophonist Jorge Reis and his fellow musicians are very capable, and at times they're inspired, as on the soaring second piece on Pueblos, simply titled “S.” The lilt in their music may have its source in their Portuguese culture, but they also establish a firm, thrusting swing.
Reis has a full, glowing sound on both of his horns, and he swings reliably. On “In Mami” he reaches inspired heights, while on “Saggara” he attains a floating yet powerful lyricism. As a composer, Reis, who wrote half of the eight compositions on Pueblos, favors long, angular phrases, seemingly reflecting the influence of Dave Douglas. In fact, not only is Douglas one of the dedicatees on the album, but Reis also performs a deeply introspective rendition of one of the great trumpeter's compositions, “Magic Triangle.” Overall, Reis proves to be yet another first-rate jazz musician whose origins are outside the United States.
The sidemen on the album make solid, fitting contributions to the music. Guitarist Andre Fernandes is consistent in the inventiveness of his improvising. He plays long, singing lines with a clear, clean sound and original, swinging ideas. Bassist Nelson Cascais and drummer Andre Sousa Machado are an excellent rhythm section, giving the Latin rhythms an attractive airiness, swinging with conviction and improvising well during their solos. It is notable that these musicians don't imitate anybody; they have transcended their influences and established their own identities. Jorge Reis, for one, would never be mistaken for anyone else.
In fact, individuality is but one of the assets that make this album sound so attractive. Jorge Reis and his sidemen are creative and swinging improvisers, and Pueblos represents a high water mark in jazz from Portugal.
"

Mais uma prova, se precisa fosse, de que o jazz feito em Portugal, independentemente da orientação estética, começa a ser escutado com outros ouvidos lá fora, em especial do outro lado do Atlântico...

Publicado por António Branco às 08:13 AM | Comentários (0)

dezembro 06, 2005

NOVIDADES DA CLEAN FEED

Aqui ficam as novidades natalícias da Clean Feed:

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Zé Eduardo/ Jack Walrath Quartet - "Bad Guys" (Clean Feed, 2005)

Jack Walrath (trompete), Jesus Santandreu (saxofone tenor), Marc Miralta (bateria), Zé Eduardo (contrabaixo)

"Back in the day, American jazz musicians toured Europe as “a single,” hooking up with local rhythm sections. In the years immediately following World War II, this was a dicey proposition, as improvisers who required a flexible well-versed unit to realize their potential were often confronted with musicians with more eagerness than chops. This continued to be a problem well into the 1960s, Eric Dolphy’s recordings with Europeans being a case in point. The Swedes were wanting, while the Dutch (especially Misha Mengelberg and Han Bennink) got it. Of course, there were exceptions to the rule; Dexter Gordon’s consistently rewarding recordings with Danes like NHØP and Alex Riel being Exhibit A. It was not until the last quarter of the 20th Century, however, that it was a given that a European unit would meet all the demands placed upon them by the best American musicians. Jack Walrath’s music demands a lot from whoever plays it. Generally, the trumpeter’s compositions reflect both an encyclopedic knowledge of the tradition and a Mingus-informed but ultimately original approach to convey protean emotional intelligence, which produce themes that can move back and forth between light and shadow, sometimes at a saunter, sometimes at a sprint. Then, there are the occasions when Walrath simply throws it down: Here’s a concept full of taxing formal elements; there’s an additional layer of quotations and allusions requiring real jazz literacy; and there’s multiple complex emotions that must be precisely projected, which can be spliced together at a jolting pace. Deal with it. There is a lot to deal with on this encounter between Walrath and three exceptional Iberian musicians: tenor saxophonist Jesus Santandreu and drummer Marc Miralta , both of whom are Spanish, and the Portuguese bassist Ze Eduardo. Beyond the numerous merits of the music, this album is a needed reminder that Walrath has fallen into the void the US jazz industry, knowingly or not, creates for middle-aged musicians. It was only a decade ago that the trumpeter was the subject of thoughtful, glowing feature articles in the glossy US jazz magazines, pegged to major label CD releases (or, more precisely, the advertising for said CDs). The irony is that artists tend to fall off the industry radar as their art is ripening. That is certainly the case with Walrath, whose playing and writing here is as erudite, soulful and laugh-out-loud funny as ever (...)" Ler mais.

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Michael Attias - "Credo" (Clean Feed, 2005)

Chris Lightcap (contrabaixo), Igal Foni (bateria), Mark Taylor (frhn), Michael Attias (saxofones), Reut Regev (trombone), Sam Bardfeld (violino)

"Avignon, Summer of ’95, rooftop of an old farmhouse. Lain across the stone in the afternoon sun is some sheet music I picked up off a pew in the deserted Cathedral of Notre-Dame des Doms where I’d gone that Sunday morning hoping to hear a Frescobaldi mass sung and instead found this piece of paper with the Credo section in rudimentary sing-along notation. I brought it back across the Rhone and spent the rest of that Sunday afternoon refurbishing its rhythmic contours on my alto. The sun shines on the stone, the song resounds in the ruins of the Marquis de Sade’s castle a hundred miles away. “Deo de Deum, Lumen de lumine.” Get the Latin text and sing along! One year later, I stay up all night in Igal Foni’s kitchen in Tel Aviv writing a first version of the Credo arrangement you hear on this disc. He and clarinetist Harold Rubin have put together a group for a tour across Israel. It’s the first time I play music in the country where I was born. Everywhere I go in the world, including those places where I have citizenship (3) people ask me “where are you from?” Only the sand, the sea, the air, the scent of jasmine leaves in the street recognize me as theirs. Chris Lightcap and I have just arrived from NYC. He’s already a heavy musician. Reut’s new to all of us. At 18 years of age, she blows us all away with the maturity of her conception. Igal I’d known since Paris 1992. He’s my elder Leo brother and the first drummer I ever wrote for, a close friend, and one of the most talented musicians I know. That summer, the Credo got played from Mount Carmel to the Red Sea (…)". Ler mais

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Joe Fiedler Trio - "Plays the Music of Albert Manelsdorff" (Clean Feed, 2005)

Joe Fiedler (trombone), John Hebert (contrabaixo), Mark Ferber (bateria)

"It is difficult to imagine, given his reputation as one of the most important jazz trombonists of the past thirty or forty years, that nobody has recorded a tribute album of the tunes of the great German jazz trombonist, Albert Mangelsdorff. That is, until now. Lest anyone have slept during the past decades of modern jazz, Albert Mangelsdorff just happens to be the leading European jazz trombonist tracing all the way back to the 1960s. "This ambitious – some might call it audacious – project from New York-based trombonist Joe Fiedler directly confronts several of the better known of these tricky and difficult tunes, and puts his individual stamp on each one. Fiedler is the perfect person to perform the Mangelsdorff book. As a trombonist, and an extraordinary one, Fiedler exploits Mangelsdorff’s sophisticated, complex writing, which focuses on the expansive possibilities of the horn. Fiedler has a total command of the technique of multi-phonics (the ability to play and sing a note simultaneously, leading to the illusion of self-harmonizing) that characterizes much of Mangelsdorff’s work, and like his German role model, Fiedler is a brilliant soloist in his own right, something that comes through clearly on these tracks. Too, the younger trombonist understands that the best form of flattery comes not from aping but from reinterpreting, something Fiedler is careful to do here. Finally, Fiedler studied the compositions thoroughly, and practiced extensively to meet the challenges posed by them, including jumping octaves in a single phrase, and focusing on the upper register for extended periods (...)" Ler mais.

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Filipe Melo Trio - "Debut" (Clean Feed, 2005)

Filipe Melo (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), Bruno Santos (guitarra)

"The Portuguese jazz scene has experienced an unprecedented high level of activity as of late. Both the number of musicians and the quality of their music has substantially risen, and jazz recordings have been reflecting that evolution. One of the most amazing aspects of the Portuguese market, which is still small, but ever expanding, is the variety of projects that are currently being worked on. Debut appears in this context. Filipe Melo has chosen Bruno Santos and Bernardo Moreira to join him on this date. The group's formation has a very specific setting: piano, guitar and double bass: a choice that creates the mood of a chamber music ensemble. The drumless trio is the ultimate test for a group of this kind. By choosing two well-known musicians from the Portuguese jazz scene, Filipe Melo has put together a group with a strong personality. In fact, each of these three musicians leads his own projects. These musicians have also recorded their own albums. The repertoire is varied and attractive: standards, Stevie Wonder, Clare Fischer, Bud Powell, Wes Montgomery, Quincy Jones, George Gershwin, and an original blues by the pianist. Without any prejudice, Filipe Melo, who is one of the few to master the references of that style, takes over the jazz universe that he loves. Yet, he displays a very distinctive personal mark in his phrasing, in the arrangements he writes, and in the group's own sound. A groups’s musical personality should not be imposed by exterior considerations; it should simply correspond to a genuine expressive impulse. So it is very important to have a great deal of conviction in order to sound musical and genuine. That is precisely the case with Filipe Melo. The many references to these kinds of groups do not frighten him. Debut is not the expression of a certain style, but of a pure and simple joy in music (...)" Ler mais.

Publicado por António Branco às 08:33 AM | Comentários (1)

dezembro 05, 2005

ALICE

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Apenas algumas semanas depois “Ascent”, é hoje colocada à venda a banda sonora que Bernardo Sassetti compôs para o “Alice”, filme do realizador Marco Martins, com Nuno Lopes e Beatriz Batarda nos principais papéis. O filme foi vencedor do Prémio Regrads Jeunes, na edição 2005 do Festival de Cannes.

Recorde-se a que Sassetti já havia composto a banda sonora de diversos filmes, de entre os quais “Facas e Anjos”, de Eduardo Guedes, “O Milagre Segundo Salomé”, de Mário Barroso, e “Quaresma”, de José Álvaro Morais.

A banda sonora de “Alice” é interpretada por um trio de piano, clarinete e contrabaixo e tem a chancela da Trem Azul.

Publicado por António Branco às 11:42 AM | Comentários (2)

novembro 09, 2005

CACUS

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Provenientes de universos musicais distintos, mas partilhando vincadas afinidades estéticas, o guitarrista José Peixoto e o violinista Carlos Zíngaro voltam a cruzar-se quase 20 anos depois do projecto Shish (com Paulo Curado e José Martins) neste “Cacus”, disco acabado de editar pela Zona Música.

Com um importante caminho trilhado na música popular portuguesa, nas suas diversas vertentes, José Peixoto (Shish, Cal Viva, La Batalla, Madredeus), o mentor do projecto e autor das 13 peças incluídas neste disco, convidou Carlos Zíngaro, o músico experimental português mais conhecido lá fora, para juntar outro instrumento à base de guitarra por si previamente arquitectada.

Aspecto interessante é o facto de contribuição de Peixoto ter sido gravada cerca de meio ano antes da de Zíngaro, e de ambas terem sido registadas em casa, o que atesta um desejo de subverter a lógica do processo de gravação em estúdio.

Depois de uma série de colaborações com contrabaixistas, Zíngaro concretizou a sua vontade de trabalhar com um guitarrista, facto praticamente ausente do seu longo e multifacetado percurso musical.

São todas essas afinidades que unem os músicos e que ajudam a erguer um edifício musical estimulante e de grande liberdade criativa, que nos transporta para os domínios da exploração das sonoridades e dos timbres. Trata-se de improvisação quase totalmente livre, depois remontada, procurando novas soluções musicais, diversas das habitualmente praticadas pelos dois músicos.

Neste disco, de audição apaixonante, escuta-se o silêncio, descobrem-se referências a lugares distantes, a paisagens áridas (ouça-se repetidamente o magnífico tema de abertura). Experimenta-se a força telúrica que ecoa do fundo dos tempos.

Ao mesmo tempo estranho e belo, um disco a ouvir com todos os sentidos.

Publicado por António Branco às 07:31 AM | Comentários (1)

outubro 18, 2005

NIMBUS

Acaba de me chegar às mãos (e aos ouvidos, bem entendido) "Nimbus", disco duplo que regista o trabalho desenvolvido pelos alunos do curso de 2004-2005 do Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra (SPJ), sob a orientação musical de Abe Rábade e Paco Charlín. Levando a cabo um trabalho notável ao nível da formação de novos músicos de jazz na Galiza, o SPJ é muito mais do que um curso intensivo de jazz, que tem lugar de Outubro a Junho, em Pontevedra. É, hoje em dia, uma das principais forças motrizes do jazz no norte da península ibérica, constituindo-se como um viveiro de novos talentos, capazes de se lançarem noutros voos. A tarefa do SPJ tem passado igualmente pelo estabelecimentos de profícuos laços com o lado de cá da fronteira, numa sempre salutar troca de experiências e sonoridades.

Depois de "Cruzada" (curso de 2002-2003) e de "Gajaezzia" (curso de 2003-2004), surge agora este "Nimbus", gravado no Teatro Principal de Pontevedra, a 4 e 5 de Junho último. Este disco revela-nos a elevada maturidade musical patenteada por boa parte dos jovens músicos que aqui participam, apostados em elevar o nível qualitativo do jazz galego e peninsular.

O primeiro cd começa logo com uma das mais interessantes peças aqui reunidas, uma peça do pianista Alberto Vilas, intitulado "Cro-Magnon 05". De certa forma devedora do universo metheniano, com a sua melodia clara e insinuante, centra-se no brilahntismo interpretativo de Virxilio da Silva, na guitarra, e de Javier Soto, no saxofone tenor. Interessante é também a leitura de "The Source", de Chris Potter, revelando um todo entrosado e dinâmico, assim como bons apontamentos solísticos, em especial de Toño Otero, no saxofone tenor. Evocativo do espírito west coast, com o seu swing luminoso, "Spring Roots", peça da autoria de Abe Rábade, como se disse um dos mentores musicais do SPJ. O bolero "Tres Palabras", já trabalhado por pesos pesados como Charlie Haden ou Brad Mehldau, ganha aqui uma nova aura, na voz límpida de Mónica de Nut.

No segundo cd as coisas também começam bem, com uma interessante visita ao histórico "Inner Urge", de Joe Henderson, de onde se salienta a inspirada contribuição do trompetista Javier Pereiro. O standard "If I Should Loose You" é outro dos momentos altos deste disco, assente na fórmula guitarra-contrabaixo-bateria, que, descarnando o tema, resulta muito bem. Da longa rendição a "Freedom Jazz Dance", de Eddie Harris, destaca-se o eficaz arranjo de Rábade, de onde sobressai o trabalho do pianista Xan Campos (outro dos nomes a reter).

Menção especial para Alberto Vilas e Virxilio da Silva que, para além das capacidades como instrumentistas, acabam por surpreender também como compositores, augurando-se-lhes um futuro risonho.

O SPJ está outra vez de parabéns por mais esta demonstração de espírito empreendedor na divulgação do jazz e de perseverança no formação de jovens músicos. Os resultados estão bem à vista.

Publicado por António Branco às 08:18 AM | Comentários (1)

setembro 27, 2005

NOVIDADES ECM SETEMBRO 2005

Eis algumas das novidades da ECM, dirigida por Manfred Eicher:

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Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble " The Eleventh Hour" (ECM 1924)
Evan Parker (saxofone soprano saxophone, voz), Philipp Wachsmann (violino, electrónica), Paul Lytton (percussão, electrónica), Agustí Fernandez (piano, piano preaparado), Adam Linson (contrabaixo), Lawrence Casserley (processamento de sinal, percussão, voz), Joel Ryan (sample e processaemto de sinal), Walter Prati (computadores), Richard Barrett, Paul Obermayer (teclados, electrónica) e Marco Vecchi (projecão de som).

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Bobo Stenson w/ Anders Jormin and Paul Motian - "Goodbye" (ECM 1904)
Bobo Stenson (piano), Anders Jormin (contrabaixo) e Paul Motian (bateria).

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Manu Katché - "Neighbourhood" (ECM 1896)
Tomasz Stanko (trompete), Jan Garbarek (saxofones), Marcin Wasilewski (piano), Slawomir Kurkiewicz (contrabaixo) e Manu Katché (bateria, percussão).

E também reedições de clássicos da editora, dos quais destacamos :

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David Holland / Barre Phillips - "Music from Two Basses" (ECM 1011)
Barre Phillips (contrabaixo) e Dave Holland (contrabaixo, celo).

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Steve Kuhn - "Trance" (ECM 1052)
Steve Kuhn (piano eléctrico e acústico), Steve Swallow (baixo eléctrico), Jack DeJohnette (bateria) e Sue Evans (percussão).

Esperam-se outras novidades da editora germânica em Outubro e Novembro.

Mais informações em www.ecmrecords.com.

Publicado por António Branco às 01:15 PM | Comentários (1)

agosto 23, 2005

KEYSTONE

O multifacetado trompetista, compositor, arranjador, dinamizador cultural,..., Dave Douglas está de regresso com um novo projecto, intitulado "Keystone".

Neste novo projecto, Douglas apresenta um conjunto de composições inspiradas na vida e obra de Roscoe 'Fatty' Arbuckle, umas das primeiras e menos conhecidas estrelas do cinema mudo norte-americano, em especial da sua fase para a produtora Keystone (1915-1916).

Os novos temas podem ser interpretados num concerto normal ou como banda sonora dos filmes.

O disco, a lançar pela editora de Douglas, a Greenleaf Music, tem data de saída agendada para 20 de Setembro. A estreia ao vivo deste projecto está prevista para 1 de Outubro, no Paramount Theater, Peekskill, Nova Iorque.

Com Douglas nesta sua novo projecto estão Jamie Saft (teclados), Marcus Strickland (saxofones), Brad Jones (baixo), Gene Lake (bateria) e DJ Olive (gira-discos).

Mais informações em: www.greenleafmusic.com/artists/davedouglas

Publicado por António Branco às 08:00 AM | Comentários (0)

agosto 04, 2005

NOVIDADES CLEAN FEED

A editora Clean Feed acaba de lançar uma fornada de novos discos, a saber:

Vinny Golia Quartet - "Sfumato"
Vinny Golia (saxofone soprano, clarinete, flauta), Bobby Bradford (trompete), Ken Filiano (contrabaixo) e Alex Cline (bateria).

MI3 - "We Will Make a Home for You"
Pandelis Karayorgis (fender rhodes), Nate McBride (contrabaixo) e Curt Newton (bateria).

Paal Nilssen-Love Quartet - "Townorchestrahouse"
Evan Parker (saxofones), Sten Sandell (piano), Ingebr Haker Flaten (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria).

Herb Robertson and the Downtown All Stars - "Elaboration"
Herb Robertson (trompete), Tim Berne (saxofone alto), Sylvie Courvoisier (piano), Mark Dresser (contrabaixo) e Tom Rainey (bateria).

JeanMarc Foltz/Bruno Chevillon - "Cette Opacité"
Jean-Marc Foltz (clarinete baixo e Bd) e Bruno Chevillon (contrabaixo).

Mark Dresser - "Unveil"
Mark Dresser (contrabaixo)

Michael Blake Trio - "Right Before Your Very Ears"
Michael Blake (saxofones), Ben Allison (contrabaixo) e Jeff Ballard (bateria).

(as capas dos discos foram retiradas, com a devida vénia, do sítio da Clean Feed, em www.cleanfeed-records.com.

Publicado por António Branco às 09:57 AM

junho 16, 2005

POSTO DE ESCUTA

O "Improvisos Ao Sul" começa hoje a apresentar o fruto da colaboração com a revista jazz.pt.

Aqui ficam as recensões aos discos "Blues Caravan", do sexteto de Buddy Rich, e "Joe Newman Quintet At Count Basie´s", do trompetista Joe Newman.

Buddy Rich And His Sextet - "Blues Caravan" (Verve/Universal)

Buddy Rich (direcção, bateria), Sam Most (flauta), Rolf Ericson (trompete), Mike Manieri (vibrafone), Johnny Morris (piano) e Wyatt Ruther (contrabaixo).

Nova Iorque, 14 e 16/08/1961

Filho de um comediante e de uma cantora de vaudeville, Buddy Rich começou muito cedo a escrever o seu futuro. Com menos de dois anos de idade integrava já a companhia itinerante dos seus pais, com um número chamado Baby Traps, the Drum Wonder.

Bastante jovem, tocou também em pequenas formações de dixieland e de swing. Dotado de excelentes recursos técnicos e de uma inesgotável energia, fez o seu caminho em diversas orquestras: Artie Shaw, Harry James, Benny Carter, Tommy Dorsey. Em todas deixou o seu cunho de baterista talentoso e explosivo, mas também o seu carácter temperamental e irascível. Em 1945, já senhor de uma sólida reputação, criou a sua própria orquestra, numa altura em que a era das big bands se encontrava em franco declínio. Dois anos depois, esgotado o dinheiro (parte do qual emprestado por Frank Sinatra), juntou-se ao colectivo Jazz at the Philharmonic.

O seu apego ao espírito das big bands daria de novo cartas nos anos 60, em plena british rock invasion, quando reformulou a sua orquestra. Embaixador incansável da música norte-americana, andou em digressão um pouco por todo o mundo.

Apesar de todo este percurso indissociavelmente ligado às grandes orquestras, Buddy Rich também deixou interessante obra gravada no campo das pequenas formações. Um bom exemplo disso mesmo é "Blues Caravan", onde revela o seu lado menos orquestral, explorando outras vertentes ao nível dos arranjos.

Disco gravado em Nova Iorque, em Agosto de 1961, mostra Buddy Rich à frente de um sexteto de inusitada formação instrumental, que inclui flauta e vibrafone. Nele encontramos uma leitura luminosa de "Blowin´ The Blues Away" (peça clássica de Horace Silver), pontuada por contribuições do flautista Sam Most, do trompetista sueco Rolf Ericson e do vibrafonista Mike Manieri, que antecedem um devastador solo de Rich, o qual conduz ao clímax final.

Ouçam-se ainda o notável trabalho de escovas em "Last Date", um blues elegante e colorido, e a versão de "Caravan", emblema elligtoniano, cujos solos constituem uma espantosa demonstração da dinâmica e do apurado sentido rítmico de Buddy Rich. O disco encerra com uma inspirada versão de "I Remember Clifford", onde o sexteto alcança a expressão maior do brilho e elegância da sua sonoridade.

Classificação: 7/10

[Texto publicado originalmente na revista jazz.pt, n.º 1, Junho/Julho 2005]


Joe Newman - "Joe Newman Quintet At Count Basie´s" (Verve/Universal)

Joe Newman (trompete), Oliver Nelson (sax tenor), Lloyd Mayers (piano), Art Davis (contrabaixo) e Ed Shaughnessy (bateria)

Nova Iorque, Count Basie´s Club, 1961

Natural de Nova Orleães, Joe Newman foi um dos mais importantes trompetistas da orquestra de Count Basie, onde tocou durante cerca de 12 anos (entre 1943 e 1946 e depois entre 1952 e 1961). Anteriormente, havia estado dois anos com Lionel Hampton, após ter dirigido a orquestra do Alabama State College. Tocou também com Illinois Jacquet e J. C. Heard, entre outros.

Foi especialmente na segunda metade da década de 50 que concentrou as atenções como solista. Desenvolveu uma sonoridade própria, assente na linguagem dos blues, mas que abarcava tanto influências clássicas (foi fortemente influenciado por Armstrong), como também elementos modernos, que o aproximavam de músicos como Frank Wess ou Frank Foster, seus companheiros na orquestra de Basie. O crítico Leonard Feather apelidava a sua abordagem de "neutral-moderna".

Neste disco, gravado em 1961 no Count Basie´s Club, em Nova Iorque, Joe Newman é acompanhado pelo experimentado multi-instrumentista, compositor e arranjador Oliver Nelson no sax tenor, Lloyd Mayers no piano e por uma secção rítmica constituída por Art Davis no contrabaixo e Ed Shaughnessy na bateria.

Dos seis temas que compõem o disco, apenas dois são originais de Newman, o vertiginoso "The Midgets" (uma versão para pequena formação de um tema habitualmente interpretado pela orquestra de Basie, de onde ressaltam inspirados solos de Newman e de Nelson) e "Wednesday´s Blues". Quanto aos standards aqui incluídos, o destaque para a estonteante sequência de solos em "Caravan", para a delicadeza e o brilho de "Love Is Here To Stay" e para "Someone To Love", em jeito de blues lento e pastoso, um dos momentos mais conseguidos de todo o disco. A prova de maturidade musical de um músico que nunca obteve o devido reconhecimento.

Classificação: 7/10

[Texto publicado originalmente na revista jazz.pt, n.º 1, Junho/Julho 2005]

Publicado por António Branco às 08:09 AM

maio 24, 2005

NOVAS AQUISIÇÕES

Aproveitando a Feira do Disco que teve lugar no âmbito da Festa Alentejana, realizada no passado fim de semana em Beja, o "Improvisos Ao Sul" aproveitou para fazer algumas aquisições, a preços muito convidativos:

[Bill Frisell - "In Line" (ECM, 1982)]
Bill Frisell (guitarras eléctricas e acústicas) e Arild Andersen (contrabaixo).

[Terje Rypdal - "What Comes After" (ECM, 1973)]
Terje Rypdal (guitaras, flauta), Barre Phillips (contrabaixo), Erik Niord Larsen (oboé), Sveinung Hovensjø (baixo eléctrico) e Jon Christensen (percussão, órgão).

[Bobby Hutcherson - "Skyline" (Verve, 1999)]
Bobby Hutcherson (vibrafone, marimba), Kenny Garrett (sax alto), Geri Allen (piano), Christian McBride (contrabaixo) e Al Foster (bateria).

[Daniel Humair/François Jeanneau/Henri Texier - "HJT" (Owl Records, 1979)]
François Jeanneau (sax alto, sax tenor, sax soprano), Henri Texier (contrabaixo) e Daniel Humair (bateria).

Publicado por António Branco às 03:12 PM | Comentários (1)

maio 03, 2005

RADIANCE

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[Keith Jarrett – "Radiance" (ECM, 2005)]
Keith Jarrett (piano)

Keith Jarrett está de volta aos discos de piano solo com "Radiance", disco duplo gravado ao vivo no Japão (Osaka e Tóquio), em Outubro de 2002, e colocado hoje à venda no mercado discográfico internacional.

Jarrett refere-se a ele como sendo constituído por "discrete pieces drawn from each previous piece(...). The second piece would not have existed without the first, et cetera."

Publicado por António Branco às 02:44 PM | Comentários (1)

maio 02, 2005

JUNK MAGIC

Com a devida vénia, transcreve-se a crítica ao disco "Junk Magic", de Craig Taborn, da autoria de Nuno Catarino (A Forma do Jazz) publicada no prestigiado sítio espanhol ¡Tomajazz!.

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Craig Taborn "Junk Magic"
Craig Taborn (piano, teclados, samples), Aaron Stewart (sax tenor), Mat Maneri (viola) e David King (bateria).
[Thirsty Ear, 2004]

O catálogo "Blue Series" da editora Thirsty Ear, cuja responsabilidade de gestão cabe ao pianista Matthew Shipp, promove alguns dos projectos mais entusiasmantes da vanguarda do jazz inconformista da actualidade. Sempre a investir na exploração de novos rumos, esta casa não se cansa de apresentar projectos inovadores que ao mesmo tempo são sempre interessantes e prazenteiros. Exemplos comprovados são as gravações dos renascidos Spring Heel Jack (com convidados), do gigante William Parker, do próprio Matthew Shipp (em nome próprio, a liderar o Blue Series Continuum ou em parceria com os Antipop Consortium), que entre outros, já apresentaram resultados excelentes. Uma das mais recentes edições deste catálogo é o registo de uma sessão liderada pelo pianista Craig Taborn. “Junk Magic” é resultado de uma grande empreitada de Taborn em que este se serve da cooperação de Aaron Stewart (sax tenor), Mat Maneri (viola) e David King, membro dos The Bad Plus (bateria).

Obviamente, ou não estivéssemos a falar da Thirsty Ear, aqui a música não se rende a convencionalismos. Apesar deste ser já o seu terceiro disco enquanto líder e o segundo lançamento para esta editora, é a primeira vez que Taborn faz uma abordagem directa às electrónicas. Este é essencialmente um projecto pessoal onde Craig Taborn desenha o mapa com as suas ideias precisas e controla por completo a sua execução: compõe os temas, atira-se ao piano e aos teclados, trata das programações e da pós-produção electrónica. Apesar de Taborn controlar meticulosamente o processo de criação, abre ainda algum espaço para a improvisação dos acompanhantes. Stewart, Maneri e King são cruciais no desenvolvimento dos temas e são determinantes para a originalidade deste disco.

Apresentando um resultado diverso de outras experiências válidas anteriores (Matthew Shipp, por exemplo), a música de “Junk Magic” é fresquíssima. Através de uma fusão natural, garante-se uma aproximação saudável e bem conseguida entre o jazz (vertente free/improv) com as estéticas electrónicas actuais (IDM, ambient, clicks’n’cuts, etc). Em projectos que se propõem fazer algum tipo de fusão entre géneros diferentes é comum sentir-se onde termina um género e começa o outro. Curiosamente, nesta gravação é raro termos esta sensação, já que o intercâmbio de sons é transformado numa massa orgânica una. Com uma naturalidade invulgar, Craig Taborn consegue dois objectivos em simultâneo: criar música inovadora (interessante) e ao mesmo tempo apelativa (saborosa). O futuro promete coisas boas.

[Texto da autoria de Nuno Catarino publicado originalmente aqui]

Publicado por António Branco às 10:10 AM

março 23, 2005

OLHARES SOBRE "A JAZZAR NO ZECA"

Observar a forma como os discos de músicos nacionais são vistos e ouvidos na imprensa internacional é sempre um exercício saudável.

Aqui ficam alguns pontos de vista sobre "A Jazzar no Zeca ", do Zé Eduardo Unit (Clean Feed, 2004).

All About Jazz
This sax/bass/drums disc hasn't left the CD changer all month. While their concept isn't new, their attitude is certainly refreshing. Humor, a quantity in short supply in American music these days is well fed here. Saxophonist Jesus Santandreu knows his Sonny and Dexter. This bass-led trio cover the music of José Afonso, a funky Mingus meets Roy Nathanson sound. Santandreu dabbles in a bit of electronics on "Canto Moço" all with subtle taste. They select music based on the motion possibilities it presents. Forward they move, always forward. An exceptional disc.
(texto de Mark Corroto)

One Final Note
This review would be very different if I was Portuguese, and not just because it would be written in Portuguese. What I miss in Zé Eduardo’s A Jazzar No Zeca is the cultural and political context. Eduardo’s session is devoted to the music of songwriter Jose Afonso, who was, according to the accompanying press release (thankfully in English), at the nexus of cultural and political activism as the Portuguese threw off rightist rule in the 1980s. Eduardo dutifully includes the lyrics to all the songs in the liners, but in Portuguese, so this does me no good. Now from this description it would be fair to imagine A Jazzar No Zeca being in the same vein as Charlie Haden’s Liberation Music Orchestra dates, albeit on a smaller scale. I heard little of that. True Iberian turns of phrase do turn up every now and then, but most listeners unaware of the provenance of the songs would not identify them as originally vocal texts. Eduardo has clearly worked them over, parsing their lines to come up with arrangements that work with no reservations as instrumental pieces. The result is a striking trio session. As heard on "Traz Outro Amigo Tambem" this trio can swing hard, and tenor saxophonist Jesus Santandreu blows post-bop modal lines with vigor. He is entirely conversant of the language of Trane and Rollins, and his expression is fluid. Not that Eduardo is especially interested in flowing, uninterrupted tracks; rather he switches gears with alacrity. The catalog of the styles referenced even in the single tune “Grandola Vila Morena” would grow tedious, and that would be uncharacteristic of the music. Suffice to say there’s some rubato incantation—a device used on a number of tracks—with a sudden burst of what sounds like a political rallying song and even a bit of a march. As I’d expect with a bassist at the helm, all these changes are negotiated smoothly. Drummer Bruno Pedroso also deserves credit. The leader sometimes lopes oddly away from the tempo, playing a counter-song to the saxophone, leaving it to the drummer to keep the time on the mark. Pedroso does just that. I cannot say how true to the spirit of Afonso’s songs these treatments are, though my suspicion is that those who are more knowledgeable will find these renditions engaging. But you don’t need to be an initiate to find that, on the purest musical level, this session is a pleasure.
(texto de David Dupont)

JazzReview
This young Portuguese jazz trio date led by bassist Ze’ Eduardo, looms as one of the true modern jazz surprises of 2004. And while Eduardo nestles in rather tightly with drummer Bruno Pedroso, this release signifies a high-powered affair where everyone receives equal footing. The music is built upon a swiftly executed game-plan consisting of odd-metered (three-way) unison lines, rapid shifts in momentum and variable rhythmic flows. With that, the group covers bop, swing and free-jazz amid hints of rock music and shades of the Caribbean. Tenor saxophonist Jesus Santandreu is a strong front-man, primarily due to an agile delivery, coupled with forceful statements and fluid lines. Essentially, surprises are plentiful here, yet there’s not a trace of anything that might suggest reckless abandon or random tinkering. As they run a tight ship amid loose grooves and soaring thematic statements. The trio navigates tricky time changes. But the musicians also infuse generous doses of soul and passion into the grand scheme of things. These compositions, sans one improvised work by the leader, were penned by Jose Afonso: Someone, this writer is not at all familiar with. Consequently, Mr. Afonso’s works feature lyrically charged themes, brimming with memorable hooks. Vision, insightful execution and strong writing supply the winning formula during this scorching program, topped off with thrills a minute. (Zealously recommended...)
(texto de Glenn Astarita)

Tomajazz
Contrabajo, batería y saxofón tenor. Ésta es la explosiva combinación seleccionada por Clean Feed Records para sacar a la luz un trabajo de una formación no demasiado convencional. Los nombres: Zé Eduardo, Bruno Pedroso y Jesus Santandreu respectivamente. Tres nombres que se encargan de propagar a los cuatro vientos la máxima de este modesto sello portugués: la improvisación. Con sólo observar la formación se adivinan las intenciones de la grabación: elegir una línea melódica simple y dejar que el saxo tenor comience a arañar la superficie del tema hasta conseguir abrir las primeras grietas. Una vez conseguido esto, el resto del trabajo resulta sencillo: la gravedad de las notas del contrabajo continuará la ruptura del tema y la batería terminará por dejar sin caparazón la melodía inicial para que, en una segunda embestida, el tenor termine por dispersar el tema en el aire. Y éste, difuminado en gotas, volverá a converger sobre la melodía inicial tan sólo segundos antes de que el reproductor salte a la siguiente pista. Si bien la anterior fórmula no nos descubre nada del disco (siendo conservador, considero que éste es el pilar sobre el que se construyen el 70% de las grabaciones de jazz desde la aparición del hardbop), son los matices introducidos en cada tema los que consiguen hacer reseñable A Jazzar no Zeca. La contundente tarjeta de presentación “Era de Noite e Levaram”, o los diez minutos de “Grandola Via Morena”, un ejercicio de improvisación estructurado en varios bloques, sobre los cuales Santandreu nos va recordando a un Sonny Rollins desenfadado con melodías de perfil “Blues March”, a un Archie Shepp de timbre gruñón, o a un Coltrane con finales de frase de acento agudo sostenido; ritmos de soul para la batería y wah-wah para el saxofón en “Canto Moço”, o ambientes caribeños en “O Que Faz Falta”; la voz más coltraniana del trío en “Coro da Primavera” y “Cantar Alentejano” o más disonante a lo Ornette Coleman en “Escandinavia-Bar”; y el toque desenfadado de una despedida hasta la próxima grabación de “Clean Free”.No se me ocurre mejor colofón que concluir con la siguiente pregunta: demostrada la respuesta de este trío en el estudio, ¿cuál es el potencial del mismo en directo? Señores, vayan buscando Zé Eduardo en la agenda de conciertos de su ciudad.
(texto de Sergio Masferrer)

Publicado por António Branco às 05:08 PM

março 21, 2005

APANHÓ TAKSI

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"Tocamos sem rodeios. Deixei e deixámos ficar tudo. Tudo ao natural como aconteceu", escreve Hugo Alves nas notas que acompanham o cd do "Taksi Trio", o mais recente projecto do trompetista algarvio, editado com o Alto Patrocínio de Faro Capital Nacional da Cultura 2005.

De facto, é esta a impressão que fica da audição do novo disco, apresentado publicamente no passado dia 12 de Março, no âmbito do BragaJazz 2005. Uma sensação de liberdade e do prazer de tocar esta música livre de amarras. Cumplicidade e espírito colectivo, não são aqui palavras vãs.

Editado quase dois anos depois da estreia discográfica em 2003, com o aclamado “Estranha Natureza”, a fasquia estava alta para o músico lacobrigense. Como seria agora a natureza de Hugo Alves? Multifacetada, certamente. Como a sua actividade, de compositor, músico e director de orquestra, também organizador de eventos e dinamizador cultural. Muito do salto que o Algarve tem estado a dar ao longo dos últimos anos em matéria de jazz, se fica a dever a dois dos músicos que encontramos neste disco: Zé Eduardo e Hugo Alves.

Gravado em casa do trompetista nos derradeiros dias de 2004, este disco, em contexto diferente do anterior, com o downsizing da formação, de quarteto para trio, revela-nos o estado de maturidade musical em que o músico se encontra actualmente. Com a sua sonoridade consequente, cristalina e polida, tanto em trompete como em fliscorne, Hugo Alves surge aqui ladeado pelo contrabaixista Zé Eduardo, nome maior do jazz nacional e primeiro "mestre" de Alves, e do repetente baterista Jorge Moniz, ele que também continua a provar tratar-se já de uma certeza, mais do que uma promessa, no panorama do jazz nacional.

Várias são as atmosferas que aqui se respiram. Do espírito mais vincadamente free de "Elefante Azul" ou de "Simple Three Sounds" (excelente), à desbunda rock´n´roll meets New Orleans (ou será New Orleans meets rock´n´roll?) que é "Pedras de Sal" (grande malha, Alves a usar surdina, com o próprio a confessar a raridade do acontecimento), à emoção de "Tema Só Para Ti", uma tocante balada, a fazer lembrar o sussurrar de Chet Baker. Também a atmosfera claramente mais bop de "Norte Perto" ou "Drumpet II" (a sequela de "Drumpet", incluído na “Estranha Natureza”), dão corpo a um álbum diverso nas abordagens de várias perspectivas jazzísticas, mas íntegro e coeso no seu todo.

As expectativas estavam elevadas, mas Hugo Alves mais uma vez provou a excelência da sua composição e sonoridade. Este disco encerra um jazz livre de catalogações e de rótulos estéreis. Uma lufada de ar fresco. Não o percam de vista.

Publicado por António Branco às 05:06 PM

março 19, 2005

AQUISIÇÕES DE HOJE

O "Improvisos Ao Sul" procurou incansavelmente este disco a quando da passagem do saxofonista jamaicano pelo "Estoril Jazz 2004", sem sucesso. Oito meses volvidos já cá canta (ou toca):

[Mark Shim - "Turbulent Flow" (Blue Note, 2000)]
Mark Shim (sax tenor e soprano), Stefon Harris (vibrafone, marimba), Edward Simon (piano, Fender Rhodes), Drew Gress (contrabaixo) e Eric Harland (bateria)

Ainda embalado pelas excelentes conferências de Manuel Jorge Veloso na Culturgest, encontrei esta pérola:

[Chico Hamilton with Eric Dolphy - "The Orginal Ellington Suite" (Pacific Jazz, 2000)]
Eric Dolphy(sax alto, flauta, clarinete), Nate Gershman (violoncelo), John Pisano (guitarra), Hal Gaylor (contrabaixo) e Chico Hamilton (bateria).

Publicado por António Branco às 04:47 PM

março 17, 2005

STRAIGHT UP AND DOWN TILL ´DAWN

Certamente inspirado pela conferência de ontem ao final da tarde, como sempre magistralmente conduzida por Manuel Jorge Veloso, a que ainda conseguimos assistir, o "Improvisos Ao Sul" aventurou-se noite dentro ao som de Eric Dolphy:

["Out To Lunch", 1964]
Eric Dolphy (sax alto, flauta, clarinete baixo), Freddie Hubbard (trompete), Bobby Hutcherson (vibrafone), Richard Davis (contrabaixo) e Tony Williams (bateria).

["Far Cry", 1960]
Eric Dolphy (sax alto, flauta, clarinete baixo), Booker Little (trompete), Jaki Byard (piano), Ron Carter (contrabaixo) e Roy Haynes (bateria).

["Live At The Five Spot – Vol. 1", 1961]
Eric Dolphy (sax alto, clarinete baixo), Booker Little (trompete), Mal Waldron (piano), Richard Davis (contrabaixo) e Eddie Blackwell (bateria).

Publicado por António Branco às 10:46 AM

fevereiro 23, 2005

FUMO BRANCO

Como o "Improvisos Ao Sul" já aqui tinha dado conta, está disponível desde o final do ano passado o disco de estreia do Quarteto de Miguel Amado, intitulado "Mensagens de Fumo" (Escutar, 2004).

Gravado em Fevereiro de 2004, este disco é composto exclusivamente por temas originais, todos, à excepção de um, da autoria do próprio Miguel Amado.

Compõem o Quarteto de Miguel Amado o próprio no baixo eléctrico, o saxofonista Guto Lucena, o teclista Ruben Alves e o baterista Vicky. Participam ainda os guitarristas Luís Moreno e Francisco Abreu.

O disco começa logo com um excelente "Da Côr do Fogo", onde sobressai o diálogo entre o baixo eléctrico e o saxofone, assente num inteligente uso das electrónicas. Destaque para as ambiências funk do tema que dá título ao disco e de "Mr. Groove Box", e dos traços rock do rápido e nervoso "One Last Day", a fazer lembrar algumas experiências eléctricas jazz-rock-fusão dos anos 70.

Outros dos temas a reter são o luminoso "Amesterdão em Bicicleta", composto por Francisco Abreu e com o próprio na guitarra, e o mais contemplativo "Fallafel", tema construído sobre um riff de baixo, com um excelente solo de Lucena. O disco encerra com "O Vírus", tema marcado pela contaminação electrónica e pelas deambulações livres do saxofone, noutro dos melhores momentos do disco.

Trata-se de um disco que revela um músico maduro, a cimentar a sua posição também como líder.

Mais uma proposta a ter em atenção no cada vez mais rico e diversificado panorama jazzístico nacional.

A propósito de "Mensagens de Fumo", Miguel Amado deu uma pequena entrevista ao "Improvisos Ao Sul".

Improvisos Ao Sul (IAS): "Mensagens de Fumo" é o disco de estreia do seu quarteto. Como o define?

Miguel Amado (MA): No jazz moderno torna-se bastante complicado catalogar um estilo. Como compositor identifico influências em imensas coisas que podem parecer tão distintas. De qualquer maneira penso que se insere numa corrente de jazz contemporâneo. Este grupo já toca ha alguns anos, e no fundo este CD é um apanhado do repertorio que fomos desenvolvendo ao longos desses anos.

IAS: Quais são as suas maiores influências?

MA: Como disse na resposta anterior as minhas influências são muito variadas, e não se resumem de maneira nenhuma, exclusivamente ao jazz. Mas posso deixar alguns nomes com que me identifico, e que ouço com mais frequência: John McLaughlin, Miles Davis, Michael Brecker, Kenny Garret, Chris Potter, Branford Marsalis, etc, etc, etc.

IAS: Como vê o actual panorama jazzístico em Portugal?

MA: Creio que tem crescido consideravelmente o número de bons musicos. Cada vez há mais músicos de alto nível, cada vez há mais discos de músicos portugueses. Devagar isto vai avançando.

IAS: Defina "jazz" numa frase.

MA: Improviso... ou como alguem famoso o definiu: "composição instantânea"

IAS: Quer deixar alguma mensagem de fumo aos leitores deste
blogue?

MA: Bem... ficarei muito satisfeito se o meu disco for ouvido por mais
pessoas... e ja é um bom sinal serem leitores de um blog sobre jazz!

Publicado por António Branco às 07:56 AM

fevereiro 08, 2005

THE BLUE YUSEF LATEEF

Yusef Lateef não gosta da palavra "jazz".

Nunca se restringiu a estilos ou tendências. Sempre foi um músico sem fronteiras. Um explorador.

Yusef Lateef, aliás William Evans, nasceu em Chattanooga, Tennessee, a 10 de Outubro de 1920, e cresceu em Detroit.

Começou a tocar sax tenor aos 17 anos de idade. Desde cedo começou a absorver diferentes sons, diferentes músicas, desde as origens afro-americanas, ao delta do Mississippi, ao extremo oriente.

Tocou com Lucky Millinder, Roy Eldridge e na big band de Dizzy Gillespie, entre 1949 e 1950.

Nos anos 50 ganhou reputação em Detroit, tendo começado a estudar flauta na Wayne State University. Tornou-se então num dos melhores flautistas da história do jazz.

O seu espírito inquieto levou-o a aprofundar o estudo de outros instrumentos pouco habituais numa formação de jazz, de entre os quais o oboé, sendo considerado o melhor solista de jazz de sempre neste instrumento.

A sua carreira discográfica como líder iniciou-se em 1955 para a Savoy, depois Riverside, New Jazz e Prestige.

Mudou-se para Nova Iorque em 1959. Era considerado na cena jazzística pela versatilidade e pela apetência para utilizar instrumentos pouco (ou mesmo nada) habituais no jazz.

No princípio dos anos 60, Yusef Lateef tocou com Charles Mingus, Donald Byrd e Jullian "Cannonball" Adderley, e com a nata da sempre fervilhante cena jazzística nova-iorquina.

Na carreira discográfica de Yusef Lateef são habitualmente considerados dois períodos fortes. O primeiro para a Impulse! (1963 – 1967) e o segundo para a Atlantic (1967 – 1976).

Passou grande parte da década de 80 na Nigéria, como professor. As suas gravações do final dos anos 80 aproximam-se da chamada vaga "new age".

Nos anos 90, Yusef Lateef regressou ao universo das músicas improvisadas, gravando para a sua própria editora (YAL), com nomes com Archie Shepp ou Von Freeman.

De entre os dseus discos mais importantes, merecem destaque "Jazz 'Round The World", "The Gentle Giant", "The Golden Flute" ou "Hush 'N' Thunder", para além de "The Blue Yusef Lateef".

Um dos discos de Yusef Lateef que o "Improvisos Ao Sul" mais aprecia é "The Blue Yusef Lateef", editado originalmente em 1968. Trata-se do segundo de oito discos gravados para a Atlantic, no período 1967 – 1976, e foi gravado em Nova Iorque em Abril de 1968, (à excepção de tema bónus "DB Blues", gravado em 1976). É um disco fortemente influenciado pela carga emocional do blues, filtrados pela sonoridade multicolor, de apurada técnica, e carregada de exotismo de Yusef Lateef.

Com Lateef (que toca uma miríade de instrumentos, que vão desde os habituais sax tenor e flauta até às mais exóticas flauta de bambu, flauta pneumática, koto de Taiwan, tamboura, etc.) estão Sonny Red (sax alto), Blue Mitchell (trompete), Buddy Lucas (harmónica), Kenny Burrell (guitarra), Hugh Lawson (piano), Cecil McBee (contrabaixo), Bob Cranshaw (baixo eléctrico) e Roy Brooks (bateria). Em “DB Blues”, gravado em 1976, Lateef (sax tenor) é acompanhado por Kenny Barron (piano), Bob Cunningham (contrabaixo) e Albert Heath (bateria).

Um dos pontos altos deste disco é, desde logo, o tema de abertura ("Juba Juba"), um lamento inspirado num cântico prisional do Mississipi, marcado pelo ritmo arrastado, a recordar grilhetas e maus tratos. Excelentes os solos de flauta de Lateef e de harmóníca de Buddy Lucas, para além da vocalização sofrida, que evoca o desejo de libertação, a cargo dos "The Sweet Inspirations". Peça dedicada a William Henry Lane, conhecido como "Juba", recordado pela história como o melhor dançarino minstrel do seu tempo.

De entre as peças construídas com base na estrutura clássica do blues, como "Othelia", "Six Miles Next Door" ou "Get Over, Get Off and Get On", destaque para o tempo médio de "Sun Dog", com uma excelente prestação da secção rítmica, a suportar a exposição do tema (com Lateef, Sonny Red e Blue Mitchell) e o solo quente de Lateef.

"Like It Is", peça também embebida na atmosfera do blues, surge adornada por um quarteto de cordas, com Lateef a brilhar, explorando magistralmente toda a melancolia emanada da sonoridade da flauta de bambú.

"Moon Cup" é talvez a peça que mais se afasta do fio condutor que preside à quase totalidade do disco, com a presença delicada do koto a conferir uma ambiência mística e profundamente espiritual. As palavras hipnóticas, ditas pelo próprio Lateef, derivam de um dialecto filipino, e ajudam a construir uma das peças mais interessantes deste disco.

No tema extra, até então inédito e em boa hora incluído nesta reedição de 2003, "DB Blues", Lateef agarra um blues com uma sonoridade encorpada e cheia, tão característica do seu sax tenor.

"The Blue Yusef Lateef" é um disco vivamente recomendado pelo "Improvisos Ao Sul" para todos aqueles que queiram começar explorar o riquíssimo universo musical de Yusef Lateef. Paratodos os outros talvez seja uma boa altura de o voltar a escutar.

Publicado por António Branco às 12:54 PM | Comentários (3)

janeiro 24, 2005

A HERANÇA DE JULIUS HEMPHILL

Confesso que não dei a este disco a atenção devida, aquando do seu lançamento. Vejo (e ouço) agora o que andei a perder.

Trata-se de uma gravação ao vivo efectuada pelo The Julius Hemphill Sextet, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a 1 de Agosto de 2003, primeiro dia da edição desse ano do "Jazz em Agosto". Para os presentes ter-se-á tratado, certamente, de uma experiência musical inolvidável. Para esses, e para todos os outros, eis o documento que atesta para a posteridade a emoção do acontecimento. É precisamente esse o papel dos discos no jazz: capturar a essência irrepetível do momento. Daquele momento.

Em palco, um sexteto de saxofones constituído por músicos de competência e musicalidade inexcedíveis: Marty Ehrlich (sax alto e soprano, direcção musical), Aaron Stewart (sax tenor), Andy Laster (sax alto), Sam Furnace (sax alto e soprano), Alex Harding (sax barítono) e Andrew White (sax tenor).

Dirigido por Marty Ehrilch, seu discípulo dilecto, o sexteto explora o universo musical abrangente e sem fronteiras de Julius Hemphill, abrindo-lhe as portas do futuro.

Neste disco, intitulado "The Hard Blues – Live In Lisbon" (Clean Feed, 2004), o sexteto dá corpo (e sopro) às composições de Hemphill, conferindo-lhes arranjos que denotam uma frescura e um arrojo assinaláveis. Toda a linguagem do jazz está aqui, na sua multiplicidade de formas e expressões.

O disco abre com "Otis´Groove", de balanço irresistível, com um já debilitado Sam Furnace a brilhar a grande alt(o)ra. Marty Ehrilch imprime com o seu soprano um toque de mestre à melancolia emanada de um excelente "Three-Step". No frenético "Band Theme", Andrew White dá-os um extraordinário solo de tenor, um dos mais inspirados de todo o disco. A aproximação aos blues faz-se em "Georgia Blue", com Marty Ehrlich mais uma vez extraordinário, desta vez no sax alto. "Spiritual Chairs" aproxima-nos de Deus. "The Hard Blues" fecha com música de ouro.

Note-se que o espectáculo que resultou neste disco contou ainda com a participação do entretanto falecido Sam Furnace (desaparecido a 27 de Janeiro de 2004), a quem o mesmo é dedicado. "Though he had already curtailed his touring for medical reasons, Sam insisted on coming to Portugal for this concert. (…) We are blessed to have worked with him, and we dedicate this recording to our wonderful friend, this great artist, this keeper of the flame", pode ler-se no texto assinado pelos membros do The Julius Hemphill Sextet.

Nas liner notes que acompanham este disco, António Curvelo escreve "With The Julius Hemphill Sextet, the heritage of Julius Hemphill (and jazz) is extracted from the confines of the museum into a brand new dimension of life".

Um disco vibrante e emocional, cuja audição o "Improvisos Ao Sul" recomenda vivamente.


Julius Hemphill (retirada de www.subitomusic.com)

Algumas palavras sobre Julius Hemphill

Completam-se precisamente hoje 67 anos sobre o nascimento de Julius Hemphill, nome fundamental da história do jazz, por vezes injustamente relegado para uma posição nada condizente com a estatura humana e musical que patenteou ao longo da sua riquíssima carreira.

Julius Hemphill nasceu a 24 de Janeiro de 1938, em Fort Worth (EUA), uma cidade bafejada pela sorte no que a saxofonistas diz respeito, bastando lembrar os nomes de Ornette Coleman, Dewey Redman, Illinois Jacquet, Jimmy Giuffre, Booker Ervin, Arnett Cobb, entre outros, todos nascidos naquela cidade texana.

Mas curiosamente começa por enveredar pelo clarinete, só mais tarde adoptando pelo sax alto.

Bastante jovem, dividia o seu tempo entre a música e o desporto. Começou a ganhar experiência tocando em bandas de blues e de jazz. A carreira musical a sério tem início quando Hemphill se muda para St. Louis, em 1966. Dois anos depois, juntou-se ao Black Artists Group (BAG) construindo com Oliver Lake (sax alto) e Hamiet Bluiett (sax barítono) a base daquilo que viria a ser o World Saxophone Quartet.

Entre as suas influências iniciais contam-se as de Lee Konitz, Lennie Tristano ou Gerry Mulligan.

No início dos anos 70 gravou o seu primeiro disco "Dogon A. D."(1972) para a sua própria editora (M´Bari).

O grande salto dá-se com a mudança para Nova Iorque, em 1973, continuando a explorar territórios próximos do free jazz e da improvisação colectiva, ao lado de nomes com Lester Bowie e Anthony Braxton. Em 1976 foi membro fundador do World Saxophone Quartet, do qual se tornou o principal compositor e arranjador, formação que provou ser possível quatro saxofones swingarem sem necessidade do suporte de uma secção rítmica.

Uma boa forma de apreciar o trabalho inovador do World Saxophone Quartet será escutar os discos "World Saxophone Quartet Plays Duke Elligton", "Dances And Ballads" ou "Rhythm & Blues".

Após deixar o World Saxophone Quartet, em 1989, Julius Hemphill dedicou-se a outros projectos, incluindo abordagens multimédia, expandindo ainda mais as fronteiras da composição.

A primeira aparição do The Julius Hemphill Sextet acontece em "Hemphill´s Long Tongues: A Saxophone Opera", uma obra multimédia que incluía projecções, bailarinos e actores, inspirada na história do "Bohemian Caverns Jazz Club", entre 1943 e 1968. Esta obra foi estreada em Washington, D.C. em 1989 tendo sido apresentada em Nova Iorque no ano seguinte.

Na carreira do The Julius Hemphill Sextet seguiu-se "The Last Supper at Uncle Tom´s Cabin: The Promised Land", escrita para o coreógrafo Bill T. Jones.

Em 1991, Hemphill recebeu um "Bessie Award"; (prémios atribuídos anualmente pelo "Dance Theatre Workshop" e nomeados em honra de Bessie Schonberg, coreógrafa e professora de dança) pelas suas composições para dança "Hemphill´s Long Tongues: A Saxophone Opera" e "The Last Supper at Uncle Tom´s Cabin: The Promised Land".

A estreia discográfica do The Julius Hemphill Sextet só ocorreu em 1992 com o disco "Fat Man And The Hard Blues" (Black Saint), considerado pela revista "Downbeat" como um dos dez melhores discos desse ano.

Outras gravações que merecem destaque na obra de Julius Hemphill são "Live From The New Music Café" (em trio, com o violoncelista Abdul Wadud e o percussionista Joe Bonadio) e "The Oakland Duets" (em duo, com o violoncelista Abdul Wadud).

Entre os discos do The Julius Hemphill Sextet destaque também para "Five-Chord Stud" (Black Saint).

Outras obras importantes de Julius Hemphill são "One Atmosphere (For Ursulla)", para piano e quarteto de cordas (a pianista Ursulla Oppens e o Arditti String Quartet), em 1992, e "Plan B", que juntou o Julius Hemphill Sextet à Richmond Symphony, em 1993.

Em 1994, foi lançado por Tim Berne, também ele aluno de Hemphill, o disco "Diminutive Mysteries (Mostly Hemphill)". Berne foi com Marty Ehrilch os dois mais distintos discípulos de Hemphill.

Em Dezembro de 1994 foi estreada em Minneapolis a obra "A Bitter Glory", composta por Hemphill com libreto de Dalt Wonk, escritor de Nova Orleães.

Na sua música, sempre aberta e livre, cabem elementos do jazz, blues, gospel, funk, R&B.

Julius Hemphill morreu a 2 de Abril de 1995.

Publicado por António Branco às 04:40 PM

janeiro 19, 2005

TRIUNVIRATO

Preparando a próxima emissão radiofónica do "Improvisos Ao Sul", em que centraremos atenções em Max Roach, por ocasião da passagem do seu 81º aniversário, andei a (re)ouvir muitos discos onde o lendário baterista participou.

Neste fabuloso "Money Jungle", juntam-se a clássicos de Duke Ellington ("Solitude", "Warm Valley"), aqui travestidos para o contexto de trio, alguns temas originais nunca antes escutados, como o absolutamente delicioso "Very Special", em que o piano hiper-swingante de Ellington se junta ao contrabaixo encorpado de Charles Mingus e à pulsão rítmica imbatível do veterano baterista.

A propósito deste disco, George Wein escreveu nas liner notes: "Ellington! Mingus! Roach! A triumvirat, not a trio."

Publicado por António Branco às 11:36 AM

janeiro 14, 2005

NUNO CATARINO NO ¡TOMAJAZZ!

Fiquei a saber da estreia de Nuno Catarino (blogger do "A Forma do Jazz") como crítico no prestigiado sítio espanhol ¡Tomajazz!.

O texto inaugural diz respeito ao novo disco do projecto FME - "Undergroud" e é o que, com a devida vénia, a seguir se transcreve:

Ken Vandermark (sax), Nate McBride (contrabaixo), Paal Nilssen-Love (bateria)
Okka Disc, 2004

"¿Cómo dudar de la generosidad de Ken Vandermark? For Joe McPhee. For Paul Lytton. For Joe Morris. For Peter Brötzmann. Cada tema del disco “Underground” publicado por el trío Free Music Ensemble (FME) tiene una dedicatoria, como ya es habitual. Pero la generosidad de Vandermark no se termina en las dedicatorias y se traduce esencialmente en el hecho de compartir de su talento con otros músicos y con los oyentes: Vandermark 5, Spaceways Inc., School Days, Peter Brötzmann Chicago Tentet y Territory Band son algunas de las formaciones por dónde reparte su valioso arte. Y aún siendo, probablemente, el músico más activo de la actualidad, no deja de abrazar nuevos proyectos, de explorar, de homenajear a más personas. Siempre está grabando discos y dando conciertos, compartiendo ideas, improvisación, música...

Ken Vandermark es el legítimo heredero de la tradición. Anthony Braxton, Joe McPhee, Peter Brötzmann lo precedieron y ahora es su turno. Pero esta investidura histórica figurada se transforma, por otro lado, en un evidente aumento del grado de responsabilidad: sobre él recae la obligación de continuar abriendo el camino hecho hasta aquí, de seguir al frente de la exploración. Hasta ahora no le ha ido mal y el futuro le reserva tiempo para muchas aventuras que nosotros ahora ni siquiera imaginamos.

Además de Ken Vandermark (saxos), el grupo FME está integrado por el contrabajista Nate McBride (colega en Tripleplay) y el batería Paal Nilssen-Love (compañero en el octeto Atomic/School Days y con quien también tiene un dúo). El disco “Underground”, segunda grabación de esta formación tras un primer disco homónimo, se divide en cuatro partes. Los temas se extienden en el tiempo durante más minutos de lo que es habitual y, desde un punto de vista formal, este es un cambio obvio: a mayor tiempo, más espacios, menos fronteras. Cada tema se prolonga tranquilamente permitiendo la improvisación de todos. Hay lugar para la improvisación y para el trabajo en equipo. A pesar de que aparentemente no se notan grandes restricciones, tampoco se percibe ningún relajamiento: hay mucha libertad, convenientemente equilibrada, lo que hace que tampoco se noten los individualismos. Cada uno de los cuatro movimientos que conforman el disco (o la “suite”, en un análisis más libre), revela una notable uniformidad de contenido, lo que hace que toda esta sesión sea notablemente homogénea, sin que esto quiera en absoluto significar que sea previsible: al contrario, nunca sabemos qué nos espera a continuación, la improvisación siempre está ahí.

La batería de Nilssen-Love consigue ser precisa, sin innecesarios fuegos artificiales, pero ligera en los momentos de mayor quietud y con fuerza cuando es preciso. El contrabajo interviene siempre a un gran nivel, reclamando volumen para su voz. El saxo de Vandermark, que tiene una voz propia, muestra el camino. Esta música es energía, inteligencia y equilibrio. Y es bien cierto que “the hardest working man in Chicago” (como también le llaman) es generoso. Acompañado de buena gente, Vandermark continúa ofreciéndonos su talento visionario y no hay mayor generosidad que ésta.
Nuno Catarino
"

[Texto de Nuno Catarino, traduzido para espanhol por José Francisco Tapiz e Diego Sánchez Cascado, publicado originalmente aqui]

Publicado por António Branco às 08:24 AM

janeiro 08, 2005

LUX AETERNA

Lux aeterna luceat eis

O tema da luz eterna (lux aeterna) faz parte da liturgia católica sobre a morte.

Tem sido, ao longo dos tempos, objecto de tratamento musical por parte de diversos compositores (como Gyorgy Ligeti), em diferentes contextos.

"Lux Aeterna", serviu também de fonte de inspiração para o guitarrista norueguês Terje Rypdal (n. 1947) neste disco editado em 2002 pela ECM. Não será propriamente um disco de jazz. Mas também não será isso o que realmente interessa (afinal onde começa e termina o jazz?), na mais corrente acepção da palavra, embora haja espaço para divagações solistas.

Terje Rydal tem desenvolvido uma carreira ligada ao jazz, se bem que neste disco explore outros universos. Estão aqui diluídas uma série de influências, que vão desde a música sacra ao riquíssimo imaginário popular norueguês.

Porque a temática da luz eterna? "I must admit that Ligeti´s "Lux Aeterna" has been one of my earlier influencies –and the idea/symbol of the eternal light fits the uplifting aspect of belief of any sort.", escreve Rypdal no texto que acompanha o disco.


Montanhas de Tresfjord, Noruega
(foto de Morten Mordal retirada de www.jeffgower.com)

Esta obra foi encomendada pelo Festival de Jazz de Molde, um dos mais prestigiados da Noruega, para comemorar a instalação de um novo órgão na igreja de Molde. Thorstein Granly, o então director do Festival, depois de ouvir o "Double Concerto", em especial do seu segundo movimento, sugeriu ao guitarrista que continuasse a explorar territórios musicais naquela direcção, tendo em vista já a utilização do novo órgão.

"So I came up with idea of a Triple Concerto, with Iver [Kleive, organista], Palle [Mikkelborg, trompetista] and me as the soloists.”, refere Rydal. Nesta sequência surge o convite à Orquestra de Câmara de Bergen para igualmente participar no disco.

Obra composta por 5 longos movimentos ("Luminous Galaxy", "Fjelldåpen", "Escalator", "Toccata" e "Lux Aeterna"). Nela se respira uma ambiência etérea e tranquila, uma matriz profundamente nórdica. Porém, nota-se alguma falta de soluções musicais, num todo que, a espaços, chega a tornar-se algo repetitivo.

Destaque para as prestações solistas de Palle Mikkelborg, com a sua sonoridade estratosférica (excelente no 3.º Movimento "Escalator") e de Iver Kleive, que explora as capacidades do órgão, das mais límpidas e cristalinas às mais agrestes e demoníacas, em particular no 4º Movimento "Toccata". A Orquestra de Câmara de Bergen são o suporte perfeito para a construção dos ambientes.

A guitarra de Terje Rydal surge límpida no belíssimo 2º Movimento "Fjelldåpen" (dispensavam-se, no entanto, alguns tiques de guitar-hero) e muito mais imaginativa e solta no último movimento.

No 5º e último movimento ("Lux Aeterna") é a vez da voz da soprano Åshlid Stubø Gundersen conferir uma aura mística, a um tema onde a guitarra de Rypdal parece re-adquirir a força e a criatividade de outros tempos, já algo longínquos.

A história do segundo movimento desta obra conta-a o próprio Rypdal: "There is a story behind what is now second movement [Fjelldåpen]. As I write these notes, the mountain Rongja is before me. It´s surrounded by taller peaks, so on top you feel like you´re in a cathedral of moutains. My father was born just below Rongja and we always came here from Oslo in the summer for holidays – here being Tresfjord, close to Molde. For some reason now forgotten I wanted to teach my parents a lesson. I was 9 or 10 years old. I found a track used by sheep – very steep – and climbed the mountain fast. Once on top for a while I felt a very special connection to the mountain (and still do). At first I felt quite brave, but then a forceful wind started to scare me. And this feeling I´ve tried to captures in the second movement – you can hear whwn the wind is coming."

Disco invernoso, transporta-nos para um imaginário povoado por criaturas fantásticas, ventos gelados, rios de água cristalina e montanhas misteriosas. Um combate ao bulício das nossa vidas.

[Citações retiradas do disco "Lux Aeterna", de Terje Rypdal, ECM, 2002]

Publicado por António Branco às 07:15 PM | Comentários (1)

janeiro 04, 2005

BOW RIVER FALLS

Em matéria de produção musical, o ano 2004 de Dave Douglas não ficou marcado apenas pelo lançamento do fabuloso "Strange Liberation".

Em Agosto, o trompetista lançou, juntamente com o nosso bem conhecido clarinetista francês Louis Sclavis (autor de outra das obras maiores de 2004, "Napoli´s Walls", ECM), a violoncelista Peggy Lee e o baterista Dylan van der Schyff (dois nomes cimeiros da cena jazzística de Vancouver e que estiveram entre nós no Verão passado integrando a NOW Orchestra), o disco "Bow River Falls", pela Premonition Records (http://www.premonitionandmusic.com)

A propósito desta gravação, Douglas escreveu:

"So little can be said about music without trampling it underfoot. In music we escape the real world. For as long as the music lasts we live in the sound, in a world that has no physical existence. Conversely, music also brings us more into the world by pointing out the mysteries in life and human experience. Why are we here? What are our relationships to each other? How do we handle ourselves? What is universal truth? I feel that what can be said about music merely helps to put it in a context. Here is some information about the human side of this recording, and about how Bow River Falls came about. This was a true meeting of musicians. First brought together as a quartet by Ken Pickering at the Vancouver Jazz Festival in 1998, each of us subsequently met up in various situations, none documented on record. Louis invited me a few times to join his remarkable quintet in France. Peggy and Dylan, central to the vital creative music scene in Vancouver, both joined a project that I call Mountain Passages. Our first gig involved a hike to 9,000 feet in the Italian Dolomites. Needless to say, there was no recording equipment available".

O disco inclui as seguintes faixas:

1. Blinks
2. Bow River Falls
3. Fete Forraine
4. Window
5. Maputo
6. Petals
7. Retracing 2
8. Dernier Regards/Vol
9. Woman at Point Zero
10. Dark Water
11. Paradox

Mais uma excelente proposta de um dos nomes de proa do jazz actual.

[citação retirada de www.premonitionandmusic.com]

Publicado por António Branco às 10:57 AM | Comentários (1)

dezembro 28, 2004

THE WAY UP


Pat Metheny (retirada de: www.patmethenygroup.com)

Está para breve a edição do novo disco do Pat Metheny Group, intitulado "The Way Up".

Com saída prevista para o próximo mês de Janeiro (não foi especificada pela editora nenhuma data concreta) o novo disco será editado pela Nonesuch Records e é o primeiro disco de Metheny após o solo absoluto acústico caseiro de "One Quiet Night" editado no ano passado.

Após a edição do novo disco, Metheny & Cia (o pianista Lyle Mays, o baixista Steve Rodby, o trompetista Cuong Vu, o baterista Antonio Sanchez e Gregoire Maretna harmónica) partirão em digressão em meados de Fevereiro.

O concerto agendado mais próximo do nosso país é em Paris (a 3 de Junho).

Mais informações em www.patmethenygroup.com

Publicado por António Branco às 04:33 PM

dezembro 21, 2004

LCJO@PALMETTO


Lincoln Center Jazz Orchestra

A editora Palmetto assinou recentemente um contrato discográfico com o Jazz At Lincoln Center para lançar no mercado gravações em estúdio da Lincoln Center Jazz Orchestra, dirigida por Wynton Marsalis.

A primeira das edições é um arranjo para big band (da autoria de Marsalis) de "A Love Supreme", de John Coltrane, e verá a luz do dia já no próximo mês de Janeiro.

Publicado por António Branco às 01:36 PM

dezembro 14, 2004

LUA MADRASTA

O "Improvisos Ao Sul" tem andado à conta deste disco a vaguear pelos desertos norte-americanos.

Pat Metheny & Charlie Haden - "Beyond The Missoury Sky" (Short Stories)"
[Verve, 1997]

Pat Metheny (guitarras e outros instrumentos) e Charlie Haden (contrabaixo).

Publicado por António Branco às 04:19 PM

dezembro 09, 2004

TAKASE & WALLER

Passei boa parte da manhã a escutar este disco.

A pianista japonesa Aki Takase resolveu homenagear a música do pianista/comediante/entertainer Fats Waller, gravando um disco que junta a originais do próprio Waller peças da sua autoria, num todo muito diversificado.

Acompanhada por Eugene Chadbourne (voz, banjo, guitarra), Rudi Mahall (clarinete baixo), Nils Wogram (trombone), Thomas Heberer (trompete) e Paul Lovens (bateria), a pianista serve-nos uma proposta aliciante de junção de elementos do jazz clássico a improvisação livre.

Destaque para as leituras de "Lookin´ good, but feelin bad", "Vipers Drag" e "Handful of Keys", temas de Waller, e "Do you know what it means to miss New Orleans", de Louis Alter.

Dos ambientes evocativos dos anos 20/30 à desconstrução free tudo tem lugar neste extraordinário disco: instrumentos dos primórdios, riqueza tímbrica, solos clássicos, swing, energia. Um mimo.

Publicado por António Branco às 02:54 PM

dezembro 08, 2004

FERIADO HOLLAND

Audições do "Improvisos Ao Sul" neste feriado:


Pat Metheny / Dave Holand / Roy Haynes - "Question And Answer"

Pat Metheny (guitarra), Dave Holland (contrabaixo) e Roy Haynes (bateria).



Dave Holland Quintet - "Not For Nothin´"

Chris Potter (saxofones), Robin Eubanks (trombone), Steve Nelson (vibrafone e marimba), Dave Holland (contrabaixo) e Billy Kilson (bateria).

Publicado por António Branco às 03:03 PM

dezembro 03, 2004

XAVIER & CARTER IN NYC

Já está à venda o novo CD que junta o guitarrista português Joel Xavier ao histórico contrabaixista norte-americano Ron Carter. O CD chama-se "Joel Xavier & Ron Carter, In New York" e foi gravado a 24 de Setembro de 2004 num dos míticos estúdios de Manhattan.

Joel Xavier nasceu com a liberdade a 25 de Abril de 1974, em Lisboa. Começou a estudar guitarra como autodidacta, aos 15 anos, e gravou o seu primeiro disco dois anos depois. Em 1993 venceu o concurso de guitarra da "Namm-Show", em Los Angeles, num total de 70 guitarristas, tendo sido considerado pela crítica americana, como um dos 5 melhores guitarristas do ano nos Estados Unidos. Dando sequência ao seu interesse pelo fado, gravou "Sr. Fado", o seu segundo disco.

Gravou "Latin Groove" no estúdio particular de Arturo Sandoval em Miami com a participação especial de Paquito D`Rivera, Michel Camilo, Larry Coryell e do próprio Sandoval. Tocou, a convite de Chucho Valdês, no Festival Internacional de Jazz de Habana "Jazz Plaza 2000" ao lado de nomes como Herbie Hancock, Nicholas Payton, Roy Hargrove, Chucho Valdés, Danilo Perez, Kenny Barron, Chano Dominguez, etc..

Em 2003 gravou "Lisboa" continuando o projecto musical iniciado em "Lusitano" e convida Toots Thielemans e Carlos do Carmo a participarem nele.

A propósito desta experiência com o jovem guitarrista português, afirmou Ron Carter:

"I have been on hundreds of recording sessions, but not many have been as much fun, or rewarding musically as recording with Joel Xavier."

Publicado por António Branco às 10:32 AM | Comentários (1)

dezembro 01, 2004

O TEMPO DE JOSHUA

Um dos discos que o "Improvisos Ao Sul" mais tem escutado nestes últimos tempos é "Passage Of Time", do quarteto do saxofonista norte-americano Joshua Redman.

Nascido em Berkeley, na Califórnia, a 1 de Fevereiro de 1969, Joshua Redman, filho de um dos monstros-sagrados do saxofone, Dewey Redman, conheceu a popularidade no início da década de 90, sendo considerado o último elo de uma longa cadeia de jovens músicos altamente explorados do ponto de vista comercial, por parte da poderosa indústria musical.

Apadrinhado pela imprensa, Redman surgiu na cena internacional com todas as credenciais para o sucesso: um estilo fortemente influenciado pela escola hard-bop, boa aparência, educação em Harvard, tradição jazzística.

Apesar de tudo o que foi dito a seu respeito, as influências de Joshua Redman nunca se centraram na figura do seu pai, com quem contactava irregularmente, mas mais na sua mãe, que sempre o encorajou a prosseguir uma carreira musical. Foi, aliás, a mãe que o matriculou no Berkeley's Centre For World Music, com apenas 5 anos de idade, para estudar música indiana e indonésia.

Apesar de ter começado bem cedo os estudos musicais, Redman começou por revelar poucas intenções em enveredar por uma carreira profissional na música. Concentrando-se mais numa carreira académica, frequentou a Universidade de Harvard, onde estudou na área das ciências sociais. Foi precisamente aí que começou a escutar e a estudar mais atentamente os grandes mestres do saxofone do pós-guerra. Começou a passar as férias do Verão em Boston, com estudantes do Berklee College Of Music.

Após a conclusão do curso com notas brilhantes, em 1991, Joshua Redman aceitou um lugar em Yale, mas decidiu tirar um ano para se aventurar na borbulhante cena jazzística nova iorquina. Começou a participar em jam sessions e a tocar como sideman. É no Outono desse mesmo ano que Joshua Redman vence o prestigiado "Thelonious Monk International Saxophone Competition", que o catapulta para uma carreira musical, que tantas vezes não havia considerado.

Tornou-se assim numa das novas coqueluches da cena jazzística norte-americana, tocando ao lado de nomes importantes como Elvin Jones, Jack DeJohnette, Paul Motian ou Roy Hargrove.

Em 1992 venceu o prémio para melhor novo artista de jazz, atribuído pelos leitores da "Jazz Times". Em 1993 seria a vez de vencer o prémio para "Hot Jazz Artist" da revista "Rolling Stone" e de ter ficado em primeiro lugar na categoria "Tenor Saxophonist Deserving Of Wider Recognition", pelos críticos da "Downbeat".

Assinou por uma major, e lançou o seu álbum de estreia, homónimo, em Março de 1993, o qual lhe granjeou críticas muito favoráveis. O seu segundo disco, "Wish", foi gravado com um conjunto de nomes incontornáveis do jazz, como Pat Metheny, Charlie Haden e Billy Higgins, e em 1994 tocou com Joe Lovano. Desenvolveu a partir dessa altura uma carreira que tem dado os seus frutos, apesar de Redman não poder ser considerado propriamente como um inovador nato...

Em 2001, Joshua Redman edita "Passage Of Time", disco gravado em Junho do ano anterior, em Nova Iorque, com o seu quarteto, formado pelo pianista Aaron Golberg, o contrabaixista Reuben Rogers e o baterista Gregory Hutchinson, músicos que já tinham espalhado o seu perfume no disco anterior de Redman, "Beyond".

A curta peça que abre o disco, um pungente solo de saxofone chamado "Before", é um discurso carregado de intensa carga espiritual. Notam-se claras influências da linha Coltrane/Sanders, e também algumas reminiscências dos seus estudos de música oriental. O cd começa a tocar e já estamos a levar o primeiro murro no estômago...

Depois da longa peça de matriz hard-bop intitulada "Free Speech", dividida em duas partes, a inspiração continua com a elegância de "Our Minuet" e o intimismo delicado de "Time". A melhor peça do disco chama-se no entanto "Enemies Within", que conta com um Redman inspiradíssimo no seu tenor, acolitado pelo piano de Aaron Golberg carregado de influências latinas e um excelente trabalho da secção rítmica, especialmente de Hutchinson na bateria.

"After" evoca e transfigura a melodia do tema de abertura e fecha o disco com chave de ouro.

A propósito de "Passage Of Time" referiu Redman: "That´s where much of the inspiration and value of the music lies. Not just in the compositions, not in the songs themselves, or in the individual solos or statements. But in the way we converse and communicate in the moment. As a band, how we improvise collectively . always listening, always reacting, woring together to create something. It´s about flow, about the experience of time, of being in it."

Agora que se aguarda um novo disco de originais de Joshua Redman, ainda sem título, previsto para a Primavera de 2005 pela editora Nonesuch, sabe bem escutar este disco, que considero um dos melhores da sua carreira.

Publicado por António Branco às 04:31 PM

novembro 26, 2004

AUDIÇÕES

A banda sonora do "Improvisos Ao Sul" para o fim de semana passará por aqui:

Chris Potter - "Travelling Mercies"
[Verve, 2002]

Chris Potter (sax tenor, clarinete baixo, flauta, samples, órgão, voz), Elizabeth Dotson Westphalen (voz), John Scofield (guitarra), Adam Rogers (guitarra), Scott Colley (contrabaixo), Kevin Hays (piano, teclados), Bill Stewart (bateria) e David Binney (samples).

David Binney - "South"
[ACT, 2003]

David Binney (sax alto e soprano), Chris Potter (sax tenor), Adam Rodgers (guitarra), Uri Caine (piano), Scott Colley (contrabaixo), Brian Blade (bateria) e Jim Black (bateria).

Duas peças de filigrana do jazz actual.

Publicado por António Branco às 09:24 AM

novembro 24, 2004

AZUL É O MAR

Carlos Bica, Frank Möbus, Jim Black, Ray Anderson, Maria João.

Disco em audição intensiva por estas bandas.

Publicado por António Branco às 11:59 AM

novembro 19, 2004

BOUNCIN´ BLANCHARD


Terence Blanchard (foto retirada de: www.terenceblanchard.com)

O "Improvisos Ao Sul" não teve oportunidade de ver e ouvir recentemente o trompetista Terence Blanchard nem em Guimarães nem na Culturgest.

Para minimizar o dano causado, tem andado a escutar intensivamente "Bounce", disco Blue Note de 2003.

Para além da trompete de Blanchard, podemos escutar no disco os saxofones de Brice Winston, a guitarra e a voz de Lionel Loueke, o Hammond-3 e o Fender Rhodes de Robert Glasper, o piano de Aaron Parks, o contrabaixo de Brandon Owens e a bateria de Eric Harland.

"On The Verge", "Azania", "Transform" ou "Footprints" são os temas favoritos.

"Nothing can beat being a jazz musician, playing a club, playing a concert. (.) .When I stood next to Sonny Rollins at Carnegie Hall and listened to him play, that was it for me".

Um disco a ouvir, repetidamente.

Publicado por António Branco às 08:37 AM

novembro 15, 2004

FIRE AND PASSION

A história do jazz é feita de vários Sonny. Sonny Rollins, Sonny Stitt, Sonny Criss e... Sonny Clark.

Sonny Clark, de seu verdadeiro nome Conrad Yeatis Clark nasceu a 21 de Julho de 1931, em Herminie, uma pequena cidade mineira a cerca de 20 Km de Pittsburgh, onde viveu até aos 12 anos, altura em que se mudou para Pittsburgh.

Tal como outras luminárias do jazz, Charlie Parker, Clifford Brown ou Fats Navarro, Sonny Clark morreu cedo, em 1963, com apenas 31 anos de idade.

Fortemente influenciado por pianistas como Bud Powell, desenvolveu um intrincado estilo próprio, caracterizado por um apurado sentido de detalhe harmónico, o que o tornava um dos pianistas mais requisitados pelos saxofonistas e trompetistas do seu tempo.

A pretexto de visitar uma tia, por apenas alguns meses, partiu para a costa oeste, onde encontra Wardell Gray e Oscar Pettiford em São Francisco, onde se estreia em gravações. Pouco depois junta-se à formação liderada pelo clarinetista Buddy DeFranco.

Sendo um músico oriundo da costa este que partiu para o outro lado do continente americano, não deixa de ser interessante averiguar as diferentes existentes entre os músicos das duas costas dos EUA. A este propósito refere Sonny Clark "The fellows out on the West Coast have a diferrent sort of feeling, a different approach too jazz. They swing in their own way. (...) The eastern musicians play with so much fire and passion."

Focou conhecido acima de tudo pelas suas sete gravações para a Blue Note, onde tocou, como líder ou sideman, com nomes como John Coltrane, Art Farmer, Donald Byrd, Jackie McLean, Hank Mobley, Art Taylor, Paul Chambers, Wilbur Ware, "Philly" Joe Jones, entre outros. Entre os discos mais importantes da sua carreira contam-se também "Cool Strutin´" (o preferido de muitos) e "Sonny´s Crib", com John Coltrane. Clark também tocou com Dinah Washington, Serge Chaloff e Sonny Criss.

Considerado por muitos um dos pianistas mais importantes do hard bop, Sonny Clark nunca obteve o devido reconhecimento pelo seu trabalho, nem o sucesso comercial que merecia.

Assumiu-se como líder em 1957. Este disco é o primeiro que Sonny Clark gravou em formato de trio. Conta apenas com versões de standards, não evidenciando desta forma o lado compositor de Clark. A seu lado neste disco estão Paul Chambers no contrabaixo e "Philly" Joe Jones na bateria, ambos soberbos no suporte rítmico e com um vincado papel na construção dos temas.

Neste disco, gravado nos estúdios do incontornável Rudy Van Gelder a 13 de Outubro de 1957, destaque para os trepidantes "Be-Bop" e "Two Bass Hit" (ambos de Dizzy Gillespie), passando pelas deliciosas versões de "Tadd´s Delight" (de Tadd Dameron), "Softly As In A Morning Sunrise", contemplativamente inventiva, e pelo piano solo de "I´ll Remember April", uma balada assombrosamente bela. "Everybody usually plays this tune so fast, but it´s pretty, it´s essentialy a ballad.", conta Clark.

Em minha opinião, estamos perante um disco magnífico, mas estranhamente sub-valorizado e pouco referenciado.

Sonny Clark morreu a 13 de Janeiro de 1963 em Nova Iorque. Cedo demais.

[Excertos retirados das liner notes de "Sonny Clark with Paul Chambers e "Philly" Joe Jones", de Leonard Feather, reed. Rudy Van Gelder Edition, Blue Note, 2002]

Publicado por António Branco às 10:03 PM

novembro 07, 2004

STITT & REDMAN

Os discos a rodar no leitor de CD´s do "Improvisos Ao Sul" neste fim de semana são:

Sonny Stitt - "Stitt Plays Bird"

Dewey Redman - "The Ear of The Beherarer"

Publicado por António Branco às 01:55 PM

novembro 04, 2004

MANUEL MOTA EDITA "QUARTETS"


Manuel Mota
(imagem retirada de: http://rep.no.sapo.pt)

O Eduardo Chagas, no seu Jazz e Arredores, dá conta de que está prestes a ser lançado o novo disco do guitarrista Manuel Mota, intitulado "Quartets".

O disco, que foi apresentado no passado dia 30 de Outubro na Galeria Monumental, em Lisboa, é o primeiro do guitarrista no formato de quarteto e o sétimo no catálogo da Headlights, editora que fundou em 1998). Nele participam Fala Mariam (trombone alto), Margarida Garcia (contrabaixo) e César Burago (carrilhão).

Manuel Mota nasceu em 1970. Entre 1989 e 1997 estudou e experimentou abordagens vanguardistas com guitarra preparada (quase sempre acústica). Desde então tem centrado a sua actividade no desenvolvimento de uma linguagem para guitarra eléctrica fingerstyle.

Em entrevista a Rui Eduardo Paes (que se pode ler na íntegra aqui) afirmou: "Gosto de confrontar o meu trabalho com os de outros músicos, mesmo que muitas vezes os resultados não sejam muito evidentes... É um risco, mas é também enriquecedor. Existe um pacto de confiança e de união, de responsabilidade repartida. É essa a principal diferença em relação ao solo - aí temos o músico, o seu instrumento e os seus demónios".

Publicado por António Branco às 08:39 AM

outubro 30, 2004

ESCOLHAS

O "Improvisos Ao Sul" escolheu como banda sonora para este fim de semana prolongado:

Para a manhã:

Para a tarde:

E para a noite:

Publicado por António Branco às 04:50 PM

outubro 25, 2004

BOSS TENOR


Gene Ammons

Confesso que há muito que não escutava Gene Ammons.

Gene Ammons nasceu a 14 de Abril de 1925, em Chicago (EUA). Era filho do pianista de boogie-woogie Albert Ammons e ficou conhecido pela alcunha de "jug" (rouxinol).

Tocou na orquestra de Billy Eckstine entre 1944 e 1947, a qual contava nas suas fileiras com os maiores jazzman: Charlie Parker, Dexter Gordon, Sonny Stitt, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Fats Navarro e Art Blakey. Em 1949 tocou também na orquestra de Woody Herman.

A abordagem estilística que desenvolveu assenta em elementos de Coleman Hawkins (filtrados através de Bem Webster) e de Lester Young. A partir dos anos 50 integrou uma formação com os, por exemplo, saxofonistas Sonny Sttit e James Moody. No final da década de 50 e na década de 60 esteve preso por diversas vezes, devido à posse e consumo de drogas.

A sua sonoridade "mainstream" era muito encorpada, bastante ligada às características essenciais da sua Chicago natal: borbulhante, trabalhadora, dinâmica, etc.

Na minha opinião, a parte mais interessante da sua carreira ficou registada na editora Prestige, em discos como "Soul Summit" ou "Boss Tenor". Uma forte influência sua ouve-se nas sonoridades desenvolvidas, por exemplo, por Johnny Griffin e Clifford Jordan.

No disco "Boss Tenor", gravado nos estúdios Englewood Cliffs, de Rudy Van Gelder, a 16 de Junho de 1960, Gene Ammons é acompanhado por Tommy Flanagan (piano), Doug Watkins (contrabaixo), Art Taylor (bateria) e Ray Barretto (conga).

"Hittin´ the Jug" é um blues lento, com Flanagan a brilhar na sua doce introdução ao tema, e Ammons a destilar sobriedade, ao bom estilo de Young. Também notável a rendição ao sempre tocante "My Romance", da dupla Rodgers/Hart. Os velhos standards .Canadian Sunset" e "Savoy" ganham aqui nova vida. Destaque também para o clássico de Charlie Parker, "Confirmation", em jeito de tributo.

Nas liner notes, escritas por LeRoi Jones, pode ler-se:

"Ammons´ playing on this side points up, at least to me, how easy and casual real .funk. can be and still be convincing. And this kind of funkiness seems pretty .modern. even thou Gene´s been around for God knows how long."

Que saudades que eu tinha deste disco.

Publicado por António Branco às 02:18 PM

outubro 19, 2004

A BLOWIN´ SESSION

Dia de chuva também por estas paragens.

A banda sonora escolhida para dar um pouco de luz a esta manhã foi "A Blowin´ Session", disco encabeçado pelo sax tenor Johnny Griffin, gravado em Abril de 1957, nos estúdios de Rudy van Gelder, em New Jersey. Trata-se do segundo disco de Griffin para a Blue Note, e, até à data, o único a ser alvo de reedição na série "Rudy Van Gelder Edition"

Uma blowin´ session é uma ocasião, tanto quanto possível espontânea, em que vários músicos, em especial saxofonistas, se juntam para tocar em conjunto. Este disco constitui um exemplo clássico de uma blowin´ session verdadeiramente histórica.

A sessão é suportada pelos saxofonistas Johnny Griffin, técnico, rápido, sinuoso, Hank Mobley, dono de um som redondo e limpo, e... John Coltrane, o mais imprevisível e de sonoridade mais intrigante dos três. No trompete está Lee Morgan, ao piano Wynton Kelly, no contrabaixo Paul Chambers e na bateria Art Blakey. Uma verdadeira constelação, mas de mangas arregaçadas.

Griffin e Blakey estavam na altura nos Jazz Messengers, importante colectivo dirigido pelo baterista. Hank Mobley já por lá tinha passado, estando nessa ocasião no quinteto do pianista Horace Silver, também ele um ex-Messengers. O jovem John Coltrane tinha deixado o quinteto de Miles Davis e preparava-se, ele próprio, para se tornar líder na Blue Note (o seu "Blue Train" viria a ser gravado em Setembro desse ano, também com Morgan e Chambers) e partir para uma carreira que só a morte conseguiu travar. Lee Morgan e Wynton Kelly já tinham ganho reputação no orquestra de Dizzy Gillespie. Paul Chambers vinha também do recém-desmembrado quinteto de Miles Davis.

Neste disco juntam-se dois standards incontornáveis da autoria de Jerome Kern, "The Way You Look Tonight" e "All the Things You Are", escolhidos por serem conhecidos de todos e assim facilitar a improvisação, a dois originais de Griffin, "Ball Bearing" e "Smoke Stack". Esta edição traz ainda um alternate take de "Smoke Stack", até aqui inédito.

No primeiro tema, "The Way You Look Tonight", Johnny Griffin demonstra tudo por que ficou conhecido, virtuosismo, velocidade, apurado sentido melódico e rítmico. Em "Ball Bearing", depois de um começo swingante em uníssono, numa clara evocação ao espírito de big band, começa a solar um efervescente Trane, inconfundível, perturbador, genial. Igualmente fabuloso é "Smoke Stack", um dos pontos altos desta blowin´ session, um blues com um excelente solo de Griffin, rápido e funky, a que se segue Morgan, também ele inspirado e solto. Interessante escutar as emendas que Coltrane introduz na versão alternativa do tema, indo ao encontro da sua própria matriz de improvisação.

Questionado sobre a forma como ele e Coltrane tinham encarado a sessão, Griffin declarou que nenhum dos dois tinha em mente afrontar e "derrotar" o outro (adoro a expressão "outblowing the other"): "That was not Coltrane´s attitude or mine either."

Assim, todos ganhamos.

Publicado por António Branco às 10:34 AM

outubro 15, 2004

UNAMERICAN BARRETTO

É sempre um exercício interessante analisar a forma como os discos de músicos portugueses são vistos lá fora. Em especial, nos EUA, devido não só, e em geral, ao grande contraste cultural (embora esta tenda a diminuir...) como também, e em particular, ao forte peso da matriz jazzística "tradicional".

Desta vez, aqui fica um texto de Ken Waxman, publicado na secção "UnAmerican Activities" do sítio One Final Note, sobre o disco "Lokomotiv", do trio do contrabaixista Carlos Barretto, a que se juntou o sax barítono do francês François Courneloup.

"UnAmerican Activities #3
Carlos Barretto

by Ken Waxman

Who would have imagined that one of the most convincing inside/outside sessions of the year would come from an unheralded—at least in North America—Portuguese combo with a French baritone saxophonist guesting? But it's true.

Estoril-born bassist Carlos Barretto's Lokomotiv (Clean Feed) could be an object lesson in how to produce a CD that swings from the get-go. Yet it never gives the impression that any of the musicians are holding back their freeform tendencies to fit anyone's idea of what the proper idea of jazz is.

You can hear this as early as the title tune where the bassist's intro—delivered with a weightlifter's power—locates itself firmly in the tradition of Charles Mingus' "Haitian Fight Song". It's followed by basement snorts from French baritone saxist François Corneloup. Although his sonorous output here makes many low sax types sound as if they play sopranino, Corneloup also has enough control to showcase R&B-style honks and siren-like multiphonics that almost sound like trumpet lines. His exercise in low pitches is accompanied by a workout on the trap set and bell tree by drummer José Salgueiro, which is subsequently subverted by horse whinnies from Corneloup. Finally the saxman uses his bone-shaking timbres to reach a climax.

A flourishing presence on the Continental scene, Barretto has taken sideman gigs with musicians ranging from mainstream modern pianists George Cables and Kirk Lightsey to more outside folk like soprano saxist Steve Lacy. His own trio has been around since 1997, always featuring guitarist Mário Delgado, a hard-hitting stylist who also works accompanying Portuguese pop singers. Barretto recently returned the favor, playing on Filactera, last year's well-received solo CD by the guitarist, also on Clean Feed. Percussionist Salgueiro also moves back-and-forth between popular and improvised music in Portugal, while the self-taught Gallic saxist Corneloup has worked with trombonist Yves Robert, guitarist Marc Ducret and others, in bands that skirt the mainstream.

Perhaps it's the brotherhood of the reverberant, but the bassist and sax man offer fine work in tandem here. Moving between a more mellow Gerry Mulligan-like style and some freak, flutter-tongued high pitches, Corneloup's more abstract overblowing encourages lumberjack-powered strokes from Barretto, plus some Amerindian tom tom color from Salgueiro. Ballads are no problem either, as on "Klinfrik", where the baritone man trills out tones that move from tenor emulation to full sonorous sounds. Meanwhile the bassist's lines encompass 12-string guitar strumming emulation as well as classic jazz slap bass.

Seemingly too polite to interrupt—or often solo—when the guest is featured on certain tunes, Delgado reserves his best work for his own features. "Casa Branca" has a vibrating groove that seems to come from rock music. On it, his razor-sharp note patterns resemble those of a more modern Grant Green, although his double-timed, lead guitar licks are more contemporary and he lacks the blues-gospel base.

Meanwhile, on his own "O Balão na Cama do Faquir", Delgado sounds as if he's flat picking the tune backwards, and is then met with enough emphasized, unison textures from arco bass and airy baritone that it almost appears as if he's working with string and reed sections. As Corneloup blares away, Barretto speedily double stops and Salgueiro contributes fast conga-style drumming. A tempo change introduced by fuzz tone effects from Delgado puts the piece in the pocket, with funk-based asides from the bassist and baritonist and the guitarist finger wiggling for greater effects.

Whether you're a dyed-in-the-wool mainstreamer or thrill-seeking experimentalist, there will likely be something on Lokomotiv for you."

[Texto de Ken Waxman, retirado, com a devida vénia, do sítio One Final Note, 2004]

Publicado por António Branco às 08:17 AM

outubro 07, 2004

A LUZ DE LAURENT

Apesar das habituais contrariedades, que, afinal de contas, ainda são muitas, o jazz em Portugal (evitei propositadamente usar a expressão "o jazz português") vive hoje, de facto, a melhor fase da sua história.

Uma das provas desta situação encontra-se na quantidade (mas, acima de tudo, na qualidade) das edições discográficas de músicos nacionais editadas a um ritmo nunca antes visto.

Desde o jazz de pendor mais clássico às novas correntes, de tudo se tem tocado e gravado em Portugal nos últimos anos.

O exemplo mais recente deste patamar de qualidade é o novo disco do trompetista, compositor e arranjador Laurent Filipe, intitulado "A Luz" (Clean Feed, 2004).

Músico que dispensa grandes apresentações, Laurent Filipe iniciou a sua carreira de músico com apenas quinze anos. É licenciado em Teoria e Composição Musical, pela Universidade de Kansas e tem um Mestrado em Composição Musical para Cinema, pelo Berklee College of Music. Estudou com os trompetistas Roger Stoner e Greg Hopkins, tendo participado em seminários com Wynton Marsalis. Já actuou como líder do seu próprio grupo e como sideman em clubes e festivais de jazz, tanto nos EUA como na Europa.

Já tocou ao lado de músicos como Aldo Romano, Tete Montoliu, Maceo Parker e Walter Perkins, entre muitos outros. Entre outros prémios, foi galardoado em 1985 com o prémio "Art Farmer Performance Award". Para além do jazz, o seu vasto reportório inclui igualmente trabalhos nas áreas da música tradicional, contemporânea e afro-cubana. Tem composto também bandas sonoras para filmes e documentários. De entre várias os seus discos,destaque maior para "Laura" (Numérica, 1992), "Divertimento For Duke And Monk" (Numérica, 1993), com o Duo Iberia, e "Ad Libitum Vol. 1" (Movieplay/Groove, 1995), com a Orquestra Sons do Mundo. Mais recentemente, foi o responsável pelos excelentes arranjos do disco de estreia da cantora Jacinta "Tribute to Bessie Smith (EMI-Blue Note, 2003).

Neste novo disco, Laurent Filipe (trompete e fliscórnio) é acompanhado por alguns dos melhores músicos nacionais: Mário Delgado (guitarra), Rodrigo Gonçalves (piano), Nelson Cascais (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria).

Os temas são "Notte", "Crepuscule With Keilli", "Funky Planet", "A Luz", "Deceit", "The Nature Of Things", "Mary Chamberlain Goes to SP" e "O´ Alvaro".

Já agora uma dica: no sítio jazzportug@l é possível, durante todo o mês de Outubro, encomendar este CD a um preço especial (. 9,90 acrescidos de . 2,78 para portes de correio).

Mais uma luz a juntar ao cada vez mais iluminado panorama jazzístico nacional.

Publicado por António Branco às 09:09 AM

outubro 05, 2004

ÚLTIMAS AQUISIÇÕES

Como não poderia deixar de ser, o "Improvisos Ao Sul" deslocou-se à VI Mega-Feira Internacional do Disco, que decorre desde a passada sexta-feira e que termina hoje, no piso 2 da Gare do Oriente, em Lisboa, em busca de algumas mais-valias para a colecção, preferencialmente a preços inferiores aos habitualmente praticados nas lojas do costume (escusado será dizer que são elevadíssimos!).

Após uma visita não tão demorada como a pretendida, as aquisições foram as seguintes:

Lester Young / Roy Eldridge / Harry Edison - "Laughing To Keep From Crying"

Disco gravado em 1958, apenas um ano antes da morte de Prez. Integrado na colecção "Verve Master Edition", apresenta, para além dos temas incluídos no LP original, dois temas bónus: "Ballad Medley" (composto por "The Very Thought Of You", "I Want A Little Girl" e "Blue And Sentimental") e ainda "Mean To Me".

O mestre aparece nestas gravações acompanhado por Roy Eldridge e Harry "Sweets" Edison (trompete), Hank Jones (piano), Herb Ellis (guitarra), George Duvivier (contrabaixo) e Mickey Sheen (bateria).

Destaque para os dois temas em que Lester Young toca clarinete ("Salute to Benny" e "They Can´t Take That Away From Me"), pela primeira vez em disco desde os anos 30.

Um disco histórico e intemporal, retirado do vastíssimo catálogo da Verve.

Compra irrecusável, por apenas € 7!

The Will Holshouser Trio - "Reed Song"

"Reed Song" é um disco dos primórdios da aventura editorial da "Cleen Feed" (disco 05 do catálogo).

Apresenta-nos o trio do acordeonista Will Holshouser, acompanhado pelo trompetista Ron Horton (do Jazz Composers Collective), o contrabaixista David Phillips e, em apenas dois temas, o baterista Kevin Norton.

O acordeão não é um instrumento muito habitual no jazz. No entanto existem bons exemplos de utilização deste instrumento em contextos jazzísticos modernos, com é exemplo o excelente disco "A Thousand Evenings", que junta o trompetista Dave Douglas ao acordeonista Guy Klusevsek. Sempre interessante a associação acordeão-trompete, aqui reforçada com a dupla Will Holshauser-Ron Horton.

Disco com uma sonoridade mais próxima da Europa do que dos EUA, com uma ambiência fortemente teatral, onde se vislumbram influências dos universos de Kurt Weill ou Nino Rota. Como se pode ler nas liner notes, da autoria de David Krasnow, "There´s a lot of space between Threepenny Opera and A Man and A Woman, and the Holshouser Trio gets busy covering it".

Destaque para os temas "Nocturnal", "Blue Light Special" e o meu preferido "For The Birds".

Publicado por António Branco às 11:04 AM

outubro 04, 2004

BONS SONHOS

Depois de alguns anos sem discos de originais em nome próprio, para desespero de muitos, está de volta o saxofonista norueguês Jan Garbarek, com um novo trabalho discográfico, intitulado "In Praise of Dreams" (ECM, 2004).

Gravado ao vivo entre Março e Junho de 2003, este disco traz-nos Garbarek (saxofones tenor e soprano, sintetizadores, sampler, percussões), a explorar paisagens sonoras na companhia de Kim Kashkashian (violino) e Manu Katché (bateria e percussões electrónicas).

O disco conta com os seguintes temas:

As seen from above
In praise of dreams
One goes there alone
Knot of place and time
If you go far enough
Scene from afar
Cloud of unknowing
Without visible sign
Iceburn
Conversation with a stone
A tale begun

O "Improvisos Ao Sul", fã incondicional confesso do universo musical de Garbarek, aguarda com particular expectativa estas suas novas aventuras...

Publicado por António Branco às 01:34 PM

setembro 26, 2004

BUZZ

O disco que tem estado no centro das atenções do "Improvisos Ao Sul" durante este fim de semana é "Buzz", o sexto disco como líder do compositor e contrabaixista Ben Allison.

Considerado pela "Downbeat" como um dos "25 rising jazz stars for the future", Ben Allison nasceu em 1966 em New Haven, Connecticut. Tem estado envolvido em diversos projectos, como Peace Pipe, Medicine Wheel, o Kush Trio e o Herbie Nichols Project (liderado em conjunto com o pianista Frank Kimbrough).

Em 1992, com apenas 25 anos de idade, ajudou a formar um dos mais interessantes colectivos musicais ligados ao jazz da actualidade, o Jazz Composers Collective, organização sem fins lucrativos baseada em Nova Iorque, cuja actividade se centra na criação de condições para que os músicos possam desenvolver a sua actividade criativa, de exploração de novos caminhos musicais, e de que é actualmente director artístico e compositor residente.

A estreia discográfica de Ben Allison foi em 1996 com "Seven Arrows", na editora Koch Jazz, a que se seguiram "Medicine Wheel" (1998), "Third Eye" (1999), "Riding the Nuclear Tiger" (2001) e "Peace Pipe" (2002), todos na Palmetto.

Editado em Maio deste ano, "Buzz" é mais um disco do projecto Medicine Wheel, nascido das experiências com o Jazz Composers Collective. Trata-se de um exercício de renovada frescura criativa, construído por músicos de fino recorte estilístico, onde tradição se cruza com modernidade, num todo equilibrado e de grande interesse. Neste disco, ao lado de Allison estão Michael Blake (sax tenor e soprano), Ted Nash (sax tenor e flauta), Clark Gayton (trombone e trombone baixo), Frank Kimbrough (piano) e Michael Sarin (bateria).

O disco abre com um magnífico "Respiration", onde o piano de Frank Kimbrough desempenha um papel fundamental na construção do edifício melódico. Destacam-se neste disco outros temas, como o excelente "Green Al", com espantosas intervenções de Michael Blake, para além do curioso tema título, no qual são utilizados pequenos "truques" (o buzz é conseguido através de pequenos sacos de sementes atados nas cordas do contrabaixo e de moedas e clips entre as teclas do piano!) e de uma versão de "Erato", de Andrew Hill. A fechar uma outra interessante versão, desta vez de "Across the Universe", da dupla Lennon/McCartney.

Na opinião do "Improvisos Ao Sul" estamos perante um dos melhores discos de jazz de 2004.

Nota: Ben Allison vai estar em breve no nosso país, primeiro no Angra Jazz (a 2 de Outubro) e depois no Festival de Jazz da Alta Estremadura (a 4 de Outubro), ambos com o The Herbie Nichols Project.

Publicado por António Branco às 05:06 PM

setembro 15, 2004

IVEY-DIVEY

Tem saída prevista para o próximo dia 21 de Setembro o novo disco do clarinetista Don Byron, intitulado "Ivey-Divey", o seu quinto título para a Blue Note.

Nascido a 8 de Novembro de 1958, em Nova Iorque, Don Byron esteve desde tenra idade exposto a um variado leque de estilos musicais. A sua mãe era pianista e o seu pai tocava contrabaixo num grupo de calypso. Começou a dedicar-se mais ao jazz após ter-se matriculado no prestigiado New England Conservatory of Music, em Boston.

Mais tarde, estabeleceu-se em Nova Iorque, tendo aí trabalhado com músicos incontornáveis como David Murray, Marc Ribot, Bill Frisell, entre outros.

Discos como "Tuskegee Experiment", "Music For Six Musicians", "Bug Music" ou "Nu Blaxploitation" são testemunhos da versatilidade de Byron como músico e improvisador.

Neste novo disco, Don Byron escolheu para tocar a seu lado o pianista Jason Moran e o baterista Jack DeJohnette, assumindo a herança do trio de Lester Young, com Nat "King" Cole e Buddy Rich, em meados da década de 40.

Diz Byron "I didn.t want this just to be .Don Byron Plays Lester Young".

O trio cresce para quarteto ou quinteto em algumas faixas, com a entrada do contrabaixista Lonnie Plaxico e do trompetista Ralph Alessi.

O disco inclui 4 temas do repertório de Lester Young, "I Want to Be Happy", "Somebody Loves Me", "I Cover the Waterfront" e "I.ve Found a New Baby", dois de Miles Davis, "Freddie Freeloader" e "In a Silent Way", e ainda quarto temas originais de Byron.

Quanto ao estranho título do disco, trata-se de uma expressão muito utilizada por Lester Young, que, em bom português, significa qualquer coisa como "vamos ver no que dá...".

Publicado por António Branco às 03:43 PM

setembro 13, 2004

WYATT

Robert Wyatt foi o motor, o baterista e o vocalista responsável pelos três primeiros álbuns dos Soft Machine, um dos mais importantes grupos britânicos de rock experimental da década de 60. Depois de deixar os Soft Machine trabalhou ainda com os Matching Mole.

Em 1972, um trágico acidente deixou Wyatt paraplégico. Em vez de seguir o caminho mais previsível, o de abandonar o mundo da música, reuniu todas as capacidade físicas que lhe restaram e aliou-as à intocada visão conceptual, para produzir o seminal "Rock Bottom", de 1974.

Seguiu-se um período caracterizado por uma mais vincada intervenção política, essencialmente através de singles Como "Shipbuilding", "Strange Fruit," e "Stalin Wasn't Stallin´".

Em 1997 lançou "Shleep", disco que foi a banda sonora do "Improvisos Ao Sul" durante o passado fim de semana.

Para este disco, Wyatt convidou nomes como Brian Eno (Wyatt considera-o um virtuoso do século XXI), o guitarrista belga Phillip Catherine ou Evan Parker ("There is no more formidable saxophonist playing today.", refere Wyatt). O resultado é absolutamente espantoso e completamente inclassificável, em termos estilísticos. Um caldeirão onde cabem jazz, rock, psicadelismo e música de intervenção política.

Woman wishing for wings
(too large a lump to pass for bird)
hopes that by wishinghard enough
she will cast off the ballast
And the swallows
will politely accept her waving arms
as wings,
as she will join in with them,
as she will rise up with them,
and she will
fly.

[em "September the Ninth", cd "Shleep" de Robert Wyatt (Rykodisc, 1997)]

"Maryan" (com a guitarra perfumada de Catherine), "The Duchess" (Parker excelente no sax soprano) ou "September the Ninth" são temas estranhos, cerebrais, belíssimos. Carregados de uma aura mística, hipnotizadora.

Um disco a revisitar, sempre.

Publicado por António Branco às 01:14 PM

setembro 08, 2004

TGB NO ALL ABOUT JAZZ

Finalmente, o jazz que se faz em Portugal começa a ser notado lá fora. O sítio All About Jazz publicou em Julho uma crítica ao disco de estreia dos TGB.

Aqui fica o texto, da autoria de Clifford Allen:

"The title TGB is not necessarily a Portuguese translation of .Taking Care of Business,. though it certainly could be. In this case, the acronym only refers to the instrumentation: Tuba, Guitarra y Bateria (tuba, guitar and drums), certainly one of the more original instrumental combinations to occur in the history of improvised music. Joe Daley and Ray Draper, after all, had to rely on much more traditional instrumentation for their rare leadership opportunities (Draper's band including John Coltrane, among others), but the uniqueness of instrumentation naturally yields to a unique and cooperative ensemble voice.

TGB is formed of some of the most uncompromising and acclaimed musicians in Portugal: the young tubaist Sérgio Carolino, guitarist Mário Delgado and drummer Alexandre Frazão. Though they have played a number of concerts in their home country, this is their first recording as a unit. Delgado is probably the most noted improviser in the group; he currently leads a frantic quintet with Frazão and the ubiquitous Carlos Barretto in the bass chair, a group that recalls some of Tim Berne's and Ray Anderson's bands in both instrumentation and feel.

Delgado's guitar playing is an interesting and complicated stylistic hodgepodge of rock, jazz, country and traditional Mediterranean influences, moving from heavily distorted gutbucket shenanigans to the most fleet (yet still dissonant) maneuvers. Carolino is a serious technician, as he parallels (rather than smears along with) Delgado's guitar lines throughout the often freewheeling head arrangements and approaches multiphonics with all the verve of trombonists like Albert Mangelsdorff (see the intro to .Lilli's Funk.).

There is a rather strong rock element to the proceedings, though the complexity of interaction between the three and the intricacy of the arrangements certainly spells .jazz.. Much of this is, of course, due to the combination of Delgado's pyrotechnics and the insistent propulsion of Frazão, but if it is a jazz-rock hybrid, then certainly it has fallen far from the tree. After all, these elements coalesce to create a balanced whole rather than a dichotomy of influence, and the seamless way in which textural jumps are completed just serves to bolster the TGB manifesto. It is with this in mind that explorations of themes by Ellington, Monk and Powell can stand up alongside a Led Zeppelin cover, funky jaunts and moody freedom, and all the better for it.

What could have seemed on the surface like an experiment in instrumentation over a few choice themes or a lapse into noodling is in reality a prime example of not only a unique and telepathic ensemble unity, but an approach that circumvents all conventions of both rock and improvised music. Delgado, Carolino, and Frazao would probably hate to hear it uttered, but if .fusion. really equals synthesis, then they have created one of the most valuable fusion records of the past thirty years."

[Retirado de: http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=14094]

Publicado por António Branco às 08:28 AM

setembro 07, 2004

A JAZZAR NO ZECA

Após o sucesso do projecto "A Jazzar no Cinema Português" (onde se incluíam dois temas da autoria de José Afonso, "Grândola, Vila Morena" e "Os Índios da Meia-Praia") e na sequência de toda uma vivência humana e musical, Zé Eduardo teve a ideia de prestar homenagem a José Afonso, um dos mais importantes autores nacionais de todos os tempos e um dos nomes mais importantes da luta anti-fascista e da REVOLUÇÃO – sim, REVOLUÇÃO - de Abril.

Activista confesso, Zé Eduardo foi estudante de arquitectura até 1974, tendo convivido de perto com as movimentações estudantis contra o antigo regime. Tornou-se músico de "estúdio" em 1975 e até 1982 tocou e gravou com alguns dos mais importantes nomes da música portuguesa, como Fausto, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Adriano Correia de Oliveira, Carlos do Carmo, e com o próprio José Afonso. Fundou e foi director da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e da Orquestra de Jazz do Hot Clube. Mudou-se para Barcelona, onde viveu entre 1982 e 1995, tendo aí desenvolvido actividade intensa como director do conhecido Taller de Músics. Tocou também com grandes nomes do jazz internacional, como Steve Lacy, Kenny Wheeler, Art Farmer, Harold Land, Tete Montoliu, entre outros. Tem tocado em inúmeros festivais, um pouco por toda a parte. Com o Zé Eduardo Unit gravou dois discos em Espanha, respectivamente em 1989 e 1990. Regressado a Portugal, acentuou a sua vertente pedagógica. Fundou a Escola de Jazz do Barreiro e foi director do Departamento de Jazz da Escola Profissional de Música de Almada, para além de ter leccionado em inúmeros "workshops" e em outras acções formativas. Em 2002 dá início a uma nova fase da sua carreira, com o novo formato do seu Unit, em trio, acompanhado pelo baterista Bruno Pedroso e o pelo saxofonista Jesus Santadreu.

A escolha dos temas incluídos em "A Jazzar no Zeca" (Clean Feed, 2004) ficou a dever-se mais às letras do que propriamente e pela música, "... basicamente pelo que representam e pela força das palavras, campo onde o Zeca era um mestre...", referiu Zé Eduardo, acrecentando ainda que "... é claro que a música do Zeca também faz sentido sem a poesia, mas foi graças à sua união com as palavras que o todo se tornou definitivo nesse momento histórico crucial".

Aqui fica a forma como Zé Eduardo analisa os temas de José Afonso incluídos em "A Jazzar no Zeca":

"Era de Noite e Levaram"
Uma cordial visita da polícia política nas horas de "expediente". Música cinematográfica.

"Grândola, Vila Morena"
No seu tempo um “hino”. Agora uma proposta de uma revolta que vamos adiando porque para avestruzes caminhamos. Música cinematográfica.

"Canto Moço"
Outro “hino” que, há anos - fora do contexto – foi "banalizado" por aqueles a quem estava destinado. Uma pena. Permiti-me fazer dele uma "reggae". Já agora também o banalizo.

"O Que Faz Falta"
Mais um "hino". Muito no estilo "seventies". Últimos anos das "frentes" eleitorais impossíveis e das transições pacíficas... Dele fizemos festa. O Zeca cantava-o como tal.

"Coro da Primavera"
Letra incomodamente actual. Ainda bem que os "media" estão "atentos" para proteger as nossas mentes de todo o pecado. Obrigado.

"Traz Outro Amigo Também"
Um convite para actividades politicamente "incorrectas". Um tema jazzisticamente mais correcto. Puro espírito de contradição, dirão alguns.

"Cantar Alentejano"
Um “requiem” por uma Combatente da Liberdade. Música cinematográfica (mal inspirada alusão às acelerações e desacelerações dos jeeps das forças da ordem nas searas alentejenas de então). Acaba com o funeral e uma "quote" a um "hino" da época. É só mudar o tema de menor a maior. Fica para adivinhar.

"Escandinávia-Bar"
Cantiga de "escárnio e maldizer" de um Zeca que já estava a ver o que lhe (nos) veio a cair em cima. Entretanto já nos caiu mesmo em cima. "Quote" ao velho "blues" seguida de passagem reiterativa. Fica a adivinha.

[Retirado das liner notes do CD "A Jazzar no Zeca", Clean Feed, 2004]

O disco "A Jazzar no Zeca" foi apresentado ao vivo na "Festa do Avante!", no passado Sábado, 4 de Agosto. Neste concerto, Zé Eduardo, bem ao seu estilo, sempre cáustico e irreverente, fez-se acompanhar por Jesus Santandreu (sax tenor), Marc Miralta (bateria) e por um convidado especial, o trompetista norte americano Jack Walrath. Foram interpretados os temas "Era de Noite e Levaram", "Escandinávia-Bar", "Cantar Alentejano", "Grândola, Vila Morena", "Traz Outro Amigo Também" e "O Que Faz Falta".

Zé Eduardo Unit ao vivo na Festa do "Avante!" 2004
Foto: AB

José Afonso, em "Coro da Primavera":

Venha a maré cheia
duma ideia
p´ra nos empurrar

Só um pensamento
no momento
p´ra nos despertar

Eia mais um braço
e outro braço
nos conduz irmão

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

Palavras sempre actuais que continuam a incomodar muita gente...

Publicado por António Branco às 11:17 AM

setembro 03, 2004

NOVIDADES CLEAN FEED/TREM AZUL

A Clean Feed/Trem Azul, importante editora/distribuidora nacional de jazz, está a mudar-se de armas e bagagens para as suas novas instalações, que ficam junto ao Cais do Sodré (em concreto, na Rua do Alecrim, n.º 21-A), em Lisboa, onde irá brevemente abrir a loja Trem Azul Jazz Store. A abertura deste novo espaço acontecerá lá mais para os finais de Setembro.

Quanto a novos lançamentos discográficos, merecem grande destaque o último de Zé Eduardo, intitulado "Jazzar ao Zeca" e o do brasileiro Ivo Perelman, "Black on White".

Ainda para este mês estão também previstos mais quatro discos novos, designadamente de Laurent Filipe, Jullius Hemphill Sextet, LIP e Bernardo Sassetti.

O "Improvisos Ao Sul" certamente não deixará de visitar este espaço, até porque as novidades são muitas e boas!

Publicado por António Branco às 09:01 PM

agosto 31, 2004

"THE OUT-OF-TOWNERS" HOJE À VENDA

É hoje, 31 de Agosto, colocado à venda pela editora ECM o novo disco do trio Keith Jarrett (piano), Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria), intitulado "The-Out-of-Towners".

Os temas que fazem parte deste disco são os seguintes:

Intro - I Can’t Believe That You’re In Love With Me
You’ve Changed
I Love You
The Out-of-Towners
Five Brothers
It’s All In The Game

Todos os temas foram gravados ao vivo em Julho 2001.

Como fã incondicional deste trio, o "Improvisos Ao Sul" não vê a hora de lhe colocar os ouvidos em cima!

Publicado por António Branco às 08:38 AM

agosto 27, 2004

ORNETTENOR

Ornette Coleman escreveu história soprando o seu alto.

"Something Else", "Tomorrow Is The Question", "The Shape Of Jazz To Come", "Change Of Century" ou "Free Jazz" são títulos de discos seus gravados nos finais da década de 50, princípios da de 60, do século passado, que desenharam os contornos do jazz que ainda estava para acontecer.

Ornette é um dos maiores nomes da história do jazz.

Toca, para além do seu célebre sax alto de plástico branco (que dizia possuir um som único que correspondia aquilo que pretendia em termos sonoros), trompete, violino, de forma muitas vezes não convencional, fora dos cânones habituais.

Talvez por isso tenha sido (e ainda o seja, em muitos aspectos) incompreendido por algumas facções mais "tradicionalistas" do jazz.

No fundo, Ornette "apenas" toca blues. Filtrados pela sua forma muito particular de estar e de sentir a música.

Ornette Coleman também toca sax tenor. Mas nunca como o fez no absolutamente imprescindível "Ornette On Tenor", a primeira vez que gravou com este instrumento depois de uma longínqua sessão de gravação de rhythm´n´blues em 1950.

Quando A. B. Spellman, autor das liner notes originais, lhe perguntou por que razão tinha gravado este disco em sax tenor, Ornette respondeu "The tenor is a rhythm instrument, and the best statements Negroes have made, of what their soul is, have been on tenor saxophone. Now you think about it and you´ll see I´m right. The tenor´s got that thing, that honk, you can get to people with it. Sometimes you can be playing that tenor ad I´m telling you, the people want to jump across the rail. Especially that D Flat blues. You can really reach their souls with that D Flat blues."

Neste disco, gravado em Nova Iorque, em Março de 1961, Orrnette é acompanhado pelos seus habituais companheiros Don Cherry (trompete), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Ed Blackwell (bateria).

"Cross Breeding", "Mapa", "Enfant", "Eos" e "Ecars" são peças a escutar atentamente.

Como diz o crítico Nat Hentoff: "Ornette seizes the listener."

Esta reedição de "Ornette On Tenor", de 2004, com o selo Atlantic Jazz Masters, via Rhino, é, sem dúvida, uma excelente ocasião para reencontrar Ornette.

Publicado por António Branco às 04:06 PM

agosto 17, 2004

NOVAS AQUISIÇÕES

Aproveitando a realização da "VIII Feira do Disco", que teve lugar em Lagos entre 12 e 15 de Agosto, o "Improvisos Ao Sul" não deixou escapar a oportunidade para fazer duas aquisições discográficas, a um preço irresistível:

McCoy Tyner - "Live At Newport" (Impulse!, grav. 1963, ed. 1963, reed. 1999)

Bem vistas as coisas, este disco nem era para ter sido gravado. McCoy Tyner estava nervoso e cansado, depois de ter tocado até altas horas da madrugada anterior em Montreal. Tinha dormido apenas 3 horas. "Gravar? Em quinteto? Mas quem são os outros?". O trompetista Clark Terry era um deles, mas tinha deixado a trompete esquecida na bagageira de um carro qualquer. Pediu uma trompete emprestada a Bill Berry que estava em Newport à espera de que algum trompetista da orquestra de Duke Ellington ou de Maynard Ferguson tivesse um imprevisto e não pudesse tocar. O saxofonista Charlie Mariano nunca tinha tocado com Tyner. Bob Cranshaw? Também nunca tinha tocado com Tyner. E Mickey Roker? Bem, pelo menos já tinha tocado com Tyner em Filadélfia, antes de este ter partido com Coltrane...

Estava assim reunido o quinteto, apesar as peripécias. Depois das (curtas) apresentações subiram ao palco. E começou a gravação.

"Newport Romp" é um blues em tempo rápido, com excelentes intervenções de Terry e Mariano. Estava criado um novo original.

"My Funny Valentine", standard imortal da dupla Lorenz & Hart, é tocado com mestria e inteligência.

"All of You", original de Cole Porter, em contexto de trio, com o piano a marcar a toada, suportada pelo contrabaixo e pela bateria.

"Monk´s Blues" é o único tema preparado por McCoy Tyner a ser incluído neste disco.

"Woody ´N´ You", é um tema escrito escrito por Dizzy Gillespie para a orquestra de Woody Herman, aqui re-trabalhado por Tyner, Cranshaw e Roker, com intervenções oportunas de Terry e Mariano.

Pharoah Sanders - "Thembi" (Impulse!, grav. 1970 e 1971, ed. 1971, reed. 1998)

Finalmente. Já tinha ficado fora da lista das compras por diversas ocasiões, mas desta foi de vez. Companheiro de Coltrane na sua fase mais experimentalista, Pharoah Sanders é acompanhado neste disco por Michael White (violino e percussões), Lonnie Smith (piano, piano eléctrico e percussões), Cecil McBee (contrabaixo e percussões), Clifford Jarvis (bateria, percussões e outros acessórios), Roy Haynes (bateria), Chief Bay, Majid Shabazz, Anthony Wiles e Nat Bettis (percussões).

"Astral Meditations", a peça que abre o disco, é absolutamente fantástica, percursora das modernas tendências electrónicas, tão em voga na Alemanha ou na Áustria, por exemplo. Aconselha-se vivamente os seguidores destas sonoridades a procurar as suas origens, e a não pensar que se trata de algo que tem 10 anos... Sanders sublime no sax soprano.

"Red, Black & Green" começa por ser uma cacofonia free, adquirindo depois contornos mais definidos, acabando por ser uma das melhores peças do disco.

O tema título é também um belíssimo tema, descontraído, com Sanders a voar a grande altura.

"Love" é um solo de contrabaixo, primeiro em pizzicato e depois com arco. Cecil McBee é aquele contrabaixista que todos sabemos.

"Morning Prayer" é isso mesmo. Uma longa oração, com Sanders a espalhar a palavra.

Em "Bailophone Dance" respira-se África, com as percussões a criarem uma atmosfera tribal.

Já agora, para os que gostam de visitar as feiras do disco, informo que vai decorrer, entre 1 e 3 de Outubro próximos, a "6ª Mega Feira Internacional do Disco", na Gare do Oriente, em Lisboa.

Uma oportunidade a não perder para fazer "aquelas" compras..

Publicado por António Branco às 04:07 PM

agosto 10, 2004

RVG EDITION - NOVOS TÍTULOS

É hoje colocada no mercado pela editora Blue Note mais uma fornada da excelente colecção "Rudy Van Gelder Edition". Os títulos agora disponibilizados são os seguintes:

Art Blakey - "Free For All" (gravação 1964)

Dexter Gordon - "One Flight Up" (gravação 1964)

Freddie Hubbard - "Blue Spirits" (gravação 1965)

Jackie McLean - "Destination Out" (gravação 1963)

Joe Henderson - "In´n´Out" (gravação 1964)

McCoy Tyner - "Tender Moments" (gravação 1967)

Todos os discos foram remasterizados, pelo próprio Rudy Van Gelder, a partir das gravações originais, apresentando, muitas vezes, faixas extra não incluídas nos LP originais (diferentes versões, etc.), bem como novas (e também as originais) liner notes.

Como sempre, uma boa oportunidade para completar esta ou aquela discografia, ainda por cima com uma superior qualidade sonora.

Publicado por António Branco às 08:39 AM

agosto 05, 2004

CINEMÁTICA

Que saudades que eu tinha deste disco!

"Ode To The Big Sea", "Night Of The Iguana", "Channel 1 Suite", "Diabolous"...

Publicado por António Branco às 02:42 PM

agosto 01, 2004

VANDERMARK QUASE ENTÃO

Neste fim semana estão em audição compulsiva por estas bandas dois discos que nada têm em comum:

Por um lado o saxofone, ora gélido, ora magmático de Ken Vandermark (que temas fabulosos são "Framinghammer" ou "Tilted"!):

E por outro, a voz de fada de Paula Oliveira e o piano mágico de João Paulo (belíssimos os temas "Quase", "Outono" e "Canto Azul"):

Dois discos que o "Improvisos Ao Sul" recomenda vivamente.

Publicado por António Branco às 03:56 PM

julho 18, 2004

DIÁLOGO

Não, não vou falar de António Guterres.

Uma vez que tenho andado a redescobrir "Dialogue", disco a meu ver seminal no desenvolvimento de novas linguagens para o vibrafone no contexto do jazz moderno, vou falar de Bobby Hutcherson, um dos de vibrafonistas que obteve reconhecimento quer como instrumentista quer como compositor. Herdou a tradição jazzística clássica de Lionel Hampton e de Red Norvo, bem como as inovações introduzidas por Milt Jackson.

Bobby Hutcherson nasceu a 27 de Janeiro de 1941, em Los Angeles. Tocou com Curtis Amy e com o saxofonista Charles Lloyd, bem como num quinteto co-dirigido por Al Grey e Billy Mitchell, que o levou até Nova Iorque em 1961. Começou então a tocar com um grupo de visionários , que inclua nomes como os saxofonistas Jackie McLean, Archie Shepp, Eric Dolphy, Hank Mobley e também o pianista Herbie Hancock.

Em 1963, como resultados destas associações, Hutcherson começou a aparecer como sideman em numerosos discos da Blue Note, alguns tão importantes como "Out to Lunch", de Eric Dolphy, "Judgement", de Andrew Hill e "Life Time", de Tony Williams.

"Dialogue", gravado em 1965, é o disco que marca a sua estreia como líder, tendo a seu lado nomes como Freddy Hubbard (trompete), Sam Rivers (sax tenor, sax soprano, clarinete baixo e flauta), Andrew Hill (piano), Richard Davis (contrabaixo) e Joe Chambers (bateria).

O ambiente caribenho de "Catta", o nostálgico "Idle While" (da autoria de Joe Chambers, com excelentes solos de Hutcherson e Hubbard), "Les Noirs Marchant" (em ritmo de marcha, marcado pelo contrabaixo de Davis), "Dialogue" (um momento ímpar de orquestração livre, em regime de "no solo") e "Ghetto Lights" (um blues lento, com excelentes solos de Hubbard e Rivers) constituem momentos musicais absolutamente fantásticos.

Um disco de horizontes largos.

Publicado por António Branco às 05:33 PM

junho 30, 2004

ANDREW HILL

O pianista e compositor Andrew Hill faz hoje 67 anos.

Prenda? Escutar o fundamental "Point of Departure"...

Publicado por António Branco às 04:56 PM

RESPIRAR JAZZ

Por estes dias de imenso calor, têm marcado presença assídua no meu leitor de CD dois discos que, volta e meia, vou buscar à estante, porque lhes atribuo - é mesmo verdade - propriedades mágicas que facilitam a respiração deste ar sufocantemente alentejano.

Disco gravado ao vivo pelo brasileiro Egberto Gismonti (guitarra, piano) e pelo contrabaixista Charlie Haden, a 6 de Julho de 1989, durante o "Festival Internacional de Jazz de Montréal", no Canadá, e chama-se precisamente "In Montréal" (ECM, 2001). Acima de todos os temas presentes no disco destaco o absolutamente fantástico "Palhaço", com Gismonti a passear suavemente as suas mãos pelas teclas do seu piano e a criar uma atmosfera encantatória, de difícil tradução em palavras. Escutem, e depois digam-me... Também "Salvador", cuidadosamente dedilhado na guitarra, o gélido "Silence", da autoria de Haden, "Lôro", com um perfume brasileiro, e o longo "Don Quixote", de crescente carga dramática, acentuada pela melodia desenhada por Haden, são temas que espelham a grandeza musical destas almas. Um disco sublime.

O outro disco é o incontornável "Maiden Voyage", que junta o pianista Herbie Hancock, a Freddie Hubbard (trompete), George Coleman (sax tenor), Ron Carter (contrabaixo) e Tony Williams (bateria). Disco conceptual, inspirado na temática dos oceanos (muito antes da EXPO 98...), foi gravado a 17 de Março de 1965 nos estúdios do mítico Rudy Van Gelder, em New Jersey. No tema título e em "The Eye of the Hurricane" brilham Hancock (farol melódico), Hubbard (aventureiro) e Williams (garante do efeito marítimo, com as suas baquetas e escovas...). O terno "Little One" é um tema de uma beleza incrível. Há aqui qualquer coisa de transcendental. Para mim, um dos melhores discos de Herbie Hancock.

Quanto às propriedades mágicas destas poções, aconselho-vos a experimentar...

Publicado por António Branco às 12:08 PM

junho 27, 2004

ORNETTE, HODGES & REDMAN

Este foi o resultado da faina de ontem:

Ornette Coleman - "Free Jazz" (Rhino/Atlantic Jazz Deluxe Edition)

Se tal classificação fosse possível, diria que se trata de um dos 5 discos mais importantes da história do jazz. È um disco verdadeiramente histórico. Uma completa revolução. Um marco indelével. Foi gravado em apenas um "take" ininterrupto de 36 minutos e 23 segundos, em Nova Iorque, a 21 de Dezembro de 1960, por Ornette (sax alto), Eric Dolphy (clarinete baixo), Don Cherry (trompete), Freddie Hubbard (trompete), Scott LaFaro (contrabaixo), Charlie Haden (contrabaixo), Billy Higgins (bateria) e Ed Blackwell (bateria), um duplo quarteto. Como tema bónus traz "First Take", uma versão mais curta e ainda embrionária do que viria a ser "Free Jazz". Esta edição, diferente da habitual, inclui uma embalagem em cartão, apresentando no seu interior uma reprodução fiel do grafismo da capa do LP original, com o famoso quadro "White Light", de Jackson Pollock, bem como um ensaio enquadrador, da autoria de Gunther Schuller. Foi uma compra irresistível, ainda por mais ao preço a que estava...

"Johnny Hodges, Billy Strayhorn and The Orchestra"

Gravado durante a última década de permanência de Johnny Hodges na orquestra de Duke Ellington, este disco apresenta o lendário saxofonista numa forma plena de técnica e maturidade. Acompanhado pela orquestra de Ellington, dirigida e com arranjos de Billy Strayhorn, Hodges revisita nesta gravação, efectuada em Dezembro de 1961, diversos clássicos de Duke, entre os quais "Don´t Get Around Much Anymore", "I Got It Bad (And That Ain´t Good)" e "Day Dream" ou no menos conhecido, mas delicioso "Your Love Has Faded". Pontificavam na orquestra de Ellington nomes como Cat Anderson, Shorty Baker e Howard McGee (trompetes), Lawrence Brown e Quentin Jackson (trombones), Russell Procope (clarinete e sax alto), Paul Gonsalves (sax tenor) ou Harry Carney (clarinete baixo). Edição "Verve Master Edition".

Dewey Redman - "The Ear Of The Behearer"

Dewey Redman nasceu em Fort Worth, no Texas, em 1931. Cresceu rodeado pelo blues. Começou pelo clarinete e tocou na banda da igreja. Foi colega de escola de Ornette Coleman. Tocou com Keith Jarrett. Chegado a Nova Iorque desenvolve uma sonoridade própria. Este disco resulta de gravações efectuadas em Junho de 1973 e Setembro de 1974, com Redman (sax alto, sax tenor) a ser acompanhado por Ted Daniel (trompete), Jane Robertson (violoncelo), Leroy Jenkins (violino), Sirone (contrabaixo), Eddie Moore (bateria) e Danny Johnson (percussão). Destaque para o ciclone free de "Innerconnection", o mais intrspectivo "Imani" e o aroma magrebino de "Image (In Disguise)" e a balada "Joie de Vivre". Edição "Impulse", a um preço inacreditavelmente tentador...

Publicado por António Branco às 02:32 PM

junho 25, 2004

QUINTETO DE ANTÓNIO CABRITA LANÇA "PICTURES"

É hoje apresentado ao vivo, no Jazz ao Centro Clube (JACC), situado no 1º andar do Scotch Club (Coimbra), o CD "Pictures", do quinteto do pianista António Cabrita, o qual, para além do próprio, integra Quentin Collins (trompete), Christian Brewer (saxofone), Phil Donkin (contrabaixo) e Tiago Angelino (bateria).

O CD "Pictures" resulta de um trabalho de dois anos de composição e arranjos de António Cabrita, compositor e músico que residiu em Macau e em Londres. Este disco insere-se na área do jazz contemporâneo, com influências da cultura portuguesa e latina.

Com este novo CD, o autor pretende contribuir para o desenvolvimento da cultura em Portugal, numa área em crescimento e a abranger cada vez mais ouvintes. Segundo palavras do próprio "O jazz não tem que ser americano, pode ser português... de autores portugueses!".

O "Improvisos Ao Sul" não pode exprimir a sua opinião sobre o CD em causa, porque ainda não teve a oportunidade de o escutar.

Mais informações sobre este evento no sítio do JACC.

Publicado por António Branco às 12:17 PM

junho 05, 2004

GOOD OLD SWING

Durante todo este fim de semana, cá para estas bandas, só se ouvem grandes orquestras:

Duke Ellington
Jimmie Lunceford
Fletcher Henderson
Benny Goodman
Count Basie
Stan Kenton
Woody Herman

Porque sim.

Publicado por António Branco às 08:40 PM

junho 02, 2004

MILES HISTÓRICO

Mais uma vez escrevo sobre Miles Davis.

Ao escutarem-se as históricas gravações incluídas em "Birdland 1951" (Blue Note, 2004), tem-se de imediato a certeza de que estamos perante música com uma força e um poder dificilmente traduzíveis em palavras. Apesar da fraca qualidade sonora das gravações, à distância de 53 anos, é notável como estes temas respiram uma energia e uma frescura incríveis.

Os solos sinuosos do trompete de Davis, do sax tenor de Sonny Rollins e do trombone de J.J. Johnson, ou os rufos do Art Blakey, tudo tem uma carga telúrica que nos deixa a alma desinquieta. "Move", "Half Nelson", "Down", "The Squirrel" ou "Lady Bird" são demonstrações da intemporalidade militante destas gravações.

Tal como já aqui tinha escrito aquando do lançamento deste disco, tratam-se de gravações ao vivo, efectuadas a 17 de Fevereiro, 2 de Junho (estas totalmente inéditas - fazem hoje 53 anos!) e 29 de Setembro de 1951, que foram transmitidas na rádio WJZ, no programa de Symphony Sid.

As mesmas foram alvo de um tratamento sonoro, a cargo do engenheiro Kurt Lundvall, no sentido lhe ser conferida a melhor qualidade de som possível. "The source of this material was discs cut from the original broadcasts and the fidelity is primitive. Every effort has been made to obtain the best possible sound for this historic music.", pode ler-se na capa do CD.

Não se tratando, como já deu para perceber, de um disco para testar as potencialidades sonoras da nova aparelhagem lá de casa, é a prova de como as remasterizações e os bits contam, afinal de contas, tão pouco, perante música com tamanha força.

Publicado por António Branco às 11:44 AM

maio 31, 2004

WARNER JAZZ MASTER SERIES

Já foi colocada no mercado discográfico uma nova formada de 20 CDs pertencentes à colecção "Warner Jazz Master Series", em novas edições remasterizadas e com muita informação, mas tendo o cuidado de manter a traça gráfica muito próxima da original.

A lista dos novos títulos é a seguinte:

Rene Bloch - "Mr. Latin"
Ray Charles - "The Great Ray Charles"
The Billy Cobham & George Duke Band - "Live on Tour in Europe"
Ornette Coleman - "Ornette on Tenor"
John Coltrane - "Coltrane Plays the Blues"
John Coltrane - "Coltrane´s Sound"
John Coltrane & Don Cherry - "The Avant Garde"
Bill Evans & Herbie Mann - "Nirvana"
Richard "Groove" Holmes - "Book of the Blues"
Keith Jarrett - "Life Between the Exit Signs"
Yusef Lateef - "Yusef Lateef´s Detroit"
Les McCann & Eddie Harris - "Swiss Movement"
John McLaughlin - "Belo Horizonte"
Sérgio Mendes - "Swinger From Rio"
Charles Mingus - "Oh Yeah"
Charles Mingus - "The Clown"
The Modern Jazz Quartet - "Porgy & Bess"
Hermeto Pascoal - "Slaves Mass"
Max Roach - "Drums Unlimited"
Steps Ahead - "Steps Ahead"

A julgar pelos discos desta colecção que possuo (são da fornada anterior), a mesma não fica muito atrás, em termos de qualidade sonora e de informação documental, das mais conhecidas e prestigiadas "The Rudy Van Gelder Edition" (da Blue Note) ou "Verve Master Edition" (da Verve).

Para mais informações sobre esta colecção, consultar este sítio.

Publicado por António Branco às 12:54 PM

maio 25, 2004

AQUISIÇÕES RECENTES

Tendo em conta os preços, muitas vezes absolutamente exorbitantes, a que estão a ser vendidos os CDs, e como qualquer comprador habitual de discos, também o "Improvisos Ao Sul" costuma aproveitar as Feiras do Disco para efectuar algumas compras a preços muito convidativos.

Desta vez, numa feira que teve lugar no passado fim de semana na cidade de Beja, as compras foram as seguintes:

Arild Andersen - "Molde Concert" (ECM, 1982)
Disco gravado ao vivo durante o Festival de Jazz de Molde, em Agosto de 1981, em que o contrabaixista norueguês é acompanhado por Bill Frisell (guitarra), John Taylor (piano) e Alphonse Mouzon (bateria).

Keith Jarrett / Gary Peacock / Jack DeJohnette - "Inside Out" (ECM, 2001)
Quatro temas da autoria de Keith Jarrett e um standard, gravados ao vivo por Jarrett (piano), Peacock (contrabaixo) e DeJohnette (bateria), no Royal Festival Hall, em Londres, nos dias 26 e 28 de Julho de 2000. Excelente a re-leitura de "When I Fall In Love".

Gary Peacock - "Voice From The Past Paradigm" (ECM, 1982)

O veterano contrabaixista Gary Peacock, senhor uma extraordinária sonoridade, é acompanhado neste disco por Jan Garbarek (sax tenor e soprano), Tomasz Stanko (trompete) e Jack DeJohnette (bateria). Fabulosos diálogos Garbarek/Stanko, suportados pela hercúlea secção rítmica Peacock/DeJohnette.

Archie Shepp - "Four For Trane" (Impulse, 1964)

Como o próprio nome indica, Shepp atira-se de cabeça (e pulmões) a quatro temas da autoria de John Coltrane ("Syeeda´s Song Flute", "Mr. Syms", "Cousin Mary" e "Naima"). Neste disco, gravado nos estúdios de Rudy van Gelder em Agosto de 1964, Shepp é acompanhado por John Tchcai (sax alto), Alan Shorter (trompete), Roswell Rudd (trombone), Reggie Workman (contrabaixo) e Charles Moffett (bateria). Aos quatro temas de Coltrane, junta-se nesta edição "Rufus (Swung, his face at last to the wind, then his neck snapped)", da autoria do próprio Shepp.

Bernardo Moreira Sexteto - "Ao Paredes Confesso" (Universal, 2003)

Finalmente! Estava para comprar este disco desde que o mesmo saiu, em 2003. O preço foi agora irresistível! Sendo um grande apreciador da música de Paredes, estava muito curioso para ouvir a leitura jazzística construída sobre os seus temas. O sexteto de Bernardo Moreira (contrabaixo) é composto pelo seu irmão João Moreira (trompete), André Fernandes e Nuno Ferreira (guitarra eléctrica), André Sousa Machado (bateria) e Quiné (percussões). Pedro Moreira toca sax soprano num tema. Quatro temas originais de Carlos Paredes (Dança dos Montanheses", "Verdes Anos", "Sede e Morte" e "Variações Sobre uma Dança Popular") juntam-se a três da autoria do Bernardo Moreira ("Canção para Carlos Paredes", "Casa do Alto" e "Ao Paredes Confesso").

Publicado por António Branco às 11:06 AM

maio 18, 2004

ScoLoHoFo

Scofield John
Lovano Joe
Holland Dave
Foster Al
Todos grandes
Juntos
"Oh"
Alegria
"The Winding Way"
Gozo
"Bittersweet"
Talento
"In Your Arms"
Sempre
É grande o JAZZ.

Publicado por António Branco às 08:51 PM

NOVIDADES ECM

A editora alemã ECM tem no mercado discográfico algumas novidades interessantes:

Charles Lloyd/Billy Higgins - "Which Way Is East"
Charles Lloyd (saxofones, flauta, taragato, piano, percussão, voz) e Billy Higgins (bateria, guitarra, percussões, voz).

Enrico Rava Quintet - "Easy Living"
Enrico Rava (trompete), Gianluca Petrella (trombone), Stephano Bollani (piano), Rosario Bonaccorso (contrabaixo) e Roberto Gatto (bateria).

Jacob Young Group - "Evening Falls"
Jacob Young (guitarra), Mathias Eick (trompete), Vidar Johansen (clarinete baixo), Mats Eilertsen (contrabaixo) e Jon Christensen (guitarra).

Marilyn Crispell Trio - "Storyteller"
Marylin Crispell (piano), Mark Helias (contrabaixo) e Paul Motian (bateria).

Arild Andersen - "The Triangle"
Arild Andersen (contrabaixo), Vassilis Tsabropoulos (piano) e John Marshall (bateria).

John Abercrombie Quartet - "Class Trip"
John Abercrombie (guitarra), Mark Feldman (violino), Marc Johnson (contrabaixo) e Joey Baron (bateria).

O "Improvisos Ao Sul" está especialmente curioso para escutar o disco da dupla Charles Lloyd/Billy Higgins, o do trompetista italiano Enrico Rava e o do John Abercrombie Quartet.

A descobrir.

Publicado por António Branco às 01:53 PM

maio 10, 2004

TELAPATIA

Brad Mehldau não pára.

Depois de inúmeras colaborações, entre as quais refiro a presença no disco do saxofonista valenciano Perico Sambeat ou o disco partilhado com Joel Frahm, está de volta com o seu trio, em que o pianista partilha os créditos com o contrabaixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy.

O novo disco chama-se "Anything Goes" (Warner, 2004). Trio de formato clássico, tem apostado na exploração do universo dos standards de uma forma muito particular, incorporando não só temas clássicos do repertório jazz, mas também temas do universo pop/rock mais recente, conferindo-lhes um roupagem jazzística, sempre interessante e estimulante do ponto de vista criativo.

No campo mais ligado à tradição do jazz, merecem destaque as leituras de temas de Cole Porter ("Anything Goes"), Thelonious Monk ("Skippy") e do calmo e introspectivo "Nearness Of You", de Hoagy Carmichael.

Fiquei, porém, especialmente agradado com a fantástica e inesperada versão de "Still Crazy After All These Years", de Paul Simon, e com a desconstrução de "Everything In Its Right Place", dos Radiohead, grupo britânico particularmente apreciado por Mehldau, de quem, aliás, já tinha feito outra versão.

O jornal "New York Times" referiu que se trata de um trio telepático.

Em minha opinião, é um disco interessante, de um trio com provas dadas, mas que me parece estar prestes a esgotar esta fórmula. Urge procurar novos caminhos, para evitar a estagnação criativa que vislumbro no horizonte...

Publicado por António Branco às 08:00 PM

maio 02, 2004

ATÉ QUE ENFIM PERCY!

Percy Heath é uma das lendas vivas do contrabaixo.

Tem hoje 80 anos. Tocou durante 43 anos com o Modern Jazz Quartet, tendo participado em mais de 300 gravações, ao lado de nomes como Miles Davis, Clifford Brown, Fats Navarro, Dizzy Gillespie, Horace Silver, entre muitos outros.

Muitos anos depois, acaba de lançar o seu álbum de estreia como líder, "A Love Song" (Daddy Jazz, 2004). Acompanham Percy Heath (contrabaixo e violoncelo), Jeb Patton (piano), Peter Washington (contrabaixo) e o seu irmão Albert "Tootie" Heath (bateria).

Afirma Percy Heath a propósito deste disco: "Everything I know is from 40 years of John Lewis [pianista do Modern Jazz Quartet] writing music I couldn´t play and had to learn how to play it. And the experience of playing the instrument for 50-some years."

Após mais de 50 anos no topo da montanha do jazz, é caso para se dizer que mais vale tarde que nunca...

Publicado por António Branco às 05:10 PM

abril 29, 2004

O REGRESSO DE ALICE


Alice Coltrane

A pianista, organista e harpista Alice Coltrane, viúva de John Coltrane, actualmente com 67 anos, entrou recentemente em estúdio para gravar aquele que será o seu primeiro disco de jazz em 28 anos (o último foi "Eternity" (Warner Bros, 1976)).

Na cadeira de produtor está sentado o seu filho, Ravi Coltrane, que também toca saxofone tenor. As sessões de gravação têm contado com as participações de Charlie Haden, no contrabaixo e Jack DeJohnette, na bateria.

Alice estudou jazz com Bud Powell e tocou, entre outros, com Kenny Burrell, Johnny Griffin, Lucky Thompson e Yusef Lateef.

Em 1966, substituiu McCoy Tyner na banda de John Coltrane, um ano após ter casado com este. A sua influência ficou especialmente marcada em "Live In Japan".

Depois da morte de John em 1967, Alice liderou os seus próprios grupos e encorajou a carreira de diversos músicos, tais como Pharoah Sanders e Rashied Ali ( antigos companheiros de Trane), ou Joe Henderson.

Tem sido ao longo dos anos muito criticada, essencialmente por assumir uma postura mais espiritual do que propriamente musical.

O novo disco deverá conhecer a luz do dia lá mais para o final do ano.

Publicado por António Branco às 08:41 AM

abril 26, 2004

A HORA MÁGICA

Saí da loja. Voltei a entrar. Rondei-o. Qual cão, farejei-o. Raramente tive tantas dúvidas quanto à aquisição de um disco. Finalmente, lá me decidi: vou levar "The Magic Hour", o novo disco do quarteto de Wynton Marsalis, em estreia para a Blue Note.

Wynton Marsalis é um músico que gera muita polémica à sua volta. Não pela ousadia da sua música ou das suas posições sobre o jazz. Pelo contrário, pelas reticências que habitualmente coloca às novas tendências (tal como em "Jazz", série televisiva da autoria de Ken Burns, exibida recentemente pela RTP2).

No outro prato da balança está o facto de se tratar, sem dúvida, de um extraordinário músico, com um papel pedagógico muito importante (desenvolvido no Jazz@Lincoln Center).

O disco tem 8 temas, com Marsalis (trompete) a ser acompanhado por Eric Lewis (piano), Carlos Henriquez (contrabaixo) e Ali Jackson (bateria).

O já um pouco gasto Bobby McFerrin canta em "Baby, I Love You". A sublime Dianne Reeves deslumbra em "Feeling Of Jazz", um fantástico tema com sabor a blues. Retenho também a forte ambiência bop de "Free To Be" e a calmaria da balada "Sophie Rose-Rosalee".

As liner notes estão, como não poderia deixar de ser, a cargo de Stanley Crouch, outra das opiniões dominantes em "Jazz".

Está uns furos abaixo de "Blue Interlude" (em formato septeto), o meu preferido, mas, ainda assim, sem preconceitos, considero-o, realmente, um bom disco.

Publicado por António Branco às 08:02 PM

abril 21, 2004

TRIO DEP LANÇA CD DE ESTREIA

O trio DEP, constituído por Peixe (guitarra), Eduardo Silva (baixo) e Hugo Danin (bateria), cujo som o "Improvisos Ao Sul" teve a oportunidade de conhecer por alturas do Festival de Jazz de Portimão 2003, lança hoje à noite, pelas 21h30, no Pequeno Auditório do Rivoli, no Porto, o seu CD de estreia, intitulado "Esquece Tudo o Que Aprendeste".

Este CD, composto por oito temas produzidos por Mário Barreiros, foi gravado em Dezembro do ano passado e Fevereiro deste ano, e conta com as participações especiais de Maria João e do saxofonista espanhol Perico Sambeat.

O "Improvisos Ao Sul" conta em breve dizer mais sobre este disco.

Publicado por António Branco às 08:19 AM

abril 19, 2004

A EVOLUÇÃO SEGUNDO STEFON HARRIS

Pouco mais de um ano depois do aclamado "The Grand Unification Theory", é lançado amanhã no mercado o novo CD do vibrafonista Stefon Harris, intitulado "Evolution", o 5º como líder para a Blue Note.

O "Improvisos Ao Sul" tem estado a aguardar este disco com alguma expectativa, já que vai ser interessante saber qual vai ser o passo seguinte de Stefon Harris, se vai dar continuidade (ou não) ao fôlego conceptual (por alguns considerado desmesurado para um músico tão jovem...) do disco anterior.

Harris parece seguir, contudo, uma direcção completamente diferente, estreando uma nova formação, os Blackout, de que fazem parte o saxofonista Casey Benjamin, o teclista Marc Cary, o baixista Darryl Hall e o baterista Terreon Gully.

A julgar pela imprensa internacional, o som combina jazz com elementos R&B e hip hop, num híbrido electro-acústico, que se deverá aproximar do desenvolvido por outros músicos, como Roy Hargrove.

Harris em discurso directo: "We grew up listening to music that thumped. We love jazz and respect it and we think jazz should thump"

Resta-nos ficar a aguardar como será a evolução.

Publicado por António Branco às 12:31 PM

abril 18, 2004

ROSENWINKLE E O USO DA LUZ

Às voltas com relatórios, directivas e normas, papéis e mais papéis, passei uma boa parte desta tarde cinzenta a escutar o disco "The Next Step" (Verve, 2000), do guitarrista norte americano Kurt Rosenwinkel, acompanhado por Mark Turner (sax tenor), Ben Street (contrabaixo), Jeff Ballard (bateria).

Confesso que ainda não lhe tinha dedicado toda a atenção que, percebo-o agora, lhe é devida. Momentos: "Minor Blues", "Path Of The Heart", "Filters".

Mas "Use Of Light" é mesmo um tema fabuloso.

Publicado por António Branco às 09:30 PM

abril 14, 2004

ESTRANHA LIBERTAÇÃO

Tenho nas mãos um disco fantástico.

É o mais recente de Dave Douglas, um dos mais interessantes e inventivos trompetistas e compositores de jazz da última década.

Chama-se "Strange Liberation" (Bluebird-RCA/MG, 2003) e, ao escutá-lo, sente-se isso mesmo: uma sensação de liberdade e de arrojo criativo, com um pé na tradição e outro na reinvenção das formas e dos sons.

Acompanhado por Bill Frisell (guitarra), Uri Caine (Fender Rhodes), Chris Potter (sax tenor e clarinete baixo) , James Genus (baixo eléctrico e acústico) e Clarence Penn (bateria e percussão), Douglas apresenta-nos grandes momentos de jazz em peças como "Just Say This", "Mountais From The Train", "Seventeen", "Rock Of Billy", "The Frisell Dream", ou no absolutamente genial "Skeeter-ism".

Um dos melhores discos que ouvi nos últimos tempos.

Publicado por António Branco às 05:21 PM

abril 13, 2004

TUBA, GUITARRA & BATERIA

O "Improvisos Ao Sul" está muito curioso para conhecer o disco de estreia dos TGB - Sérgio Carolino (tuba), Mário Delgado (guitarra) e Alexandre Frazão (bateria), uma das mais interessantes e invulgares combinações do jazz nacional.

O disco novo, editado pela Clean Feed, foi apresentado ao vivo no passado dia 5 de Abril, no Pequeno Auditório do CCB. Para além dos temas já conhecidos da maqueta ("Lili´s Funk", de Carolino, "3, 4, 7", de Carlos Barretto, "", de Jorge Palma e "Black Dog", dos Led Zepellin) e dos concertos ao vivo, o novo disco incluirá temas como "Inércia", de Frazão, e "Pascoal Joins The Dark Force", de Mário Delgado.

Espera-se originalidade e audácia, imagens de marca desta formação, que já actuou em Beja por duas vezes, uma das quais a convite do "Improvisos Ao Sul".

Publicado por António Branco às 01:14 PM

abril 10, 2004

AQUISIÇÕES RECENTES

A mais recente visita às lojas de discos da baixa lisboeta resultou em algumas aquisições:

Charles Mingus - "Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus"
Este é um dos discos onde, em minha opinião, Mingus revela toda a dimensão das suas qualidades como contrabaixista, compositor e arranjador. Gravado em 1963, contém 8 temas, um dos quais ("Freedom") não faz parte do LP original. Fazendo-se rodear de excelentes músicos (Jaki Byard, Eric Dolphy, Don Butterfield, Booker Ervin, Quentin Jackson, Charles Mariano, etc.), Mingus apresentam-nos temas originais como "I X Love", "Celia" ou "Theme for Lester Young" (composto na noite em que Mingus soube que Young tinha morrido). O disco contém também uma interessante re-leitura de "Mood Indigo" (de Ellington).

Sonny Stitt - "Stitt Plays Bird"
Procurei este disco durante bastante tempo. Apenas agora consegui encontrá-lo. Trata-se de uma reedição, integrada na colecção "Atlantic Jazz Masters", de um disco originalmente lançado em 1966, em que Sonny Stitt presta tributo a Charlie Parker. Acompanhado por John Lewis (piano), Jim Hall (guitarra), Richard Davis (contrabaixo) e Connie Kay (bateria), Stitt reinventa temas históricos da carreira de Bird, como "Ornithology", "Scrapple From The Apple", "Confirmation", e os blues "Parker´s Mood" e "Hootie Blues" (da autoria de Jay McShann, cuja alcunha era Hootie). A propósito de ser considerado um dos poucos saxofonistas capazes de recriar a música de Bird em toda a sua plenitude, conta-se que, algumas semanas antes de morrer, Parker terá dito a Stitt "Man, I´m not long for this life. You carry on. I´m leaving you the key to the kingdom".

David Holland Quartet - "Conference Of The Birds"
Disco essencial. Tinha-o em cassete gravada a partir de um velho vinil. Encontrei-o agora a preço especial, integrado na colecção "ECM - Discoveries From The 70´s". Não hesitei! Dave Holland (contrabaixo e composição) é majestosamente acompanhado por Sam Rivers e Anthony Braxton (sax, flauta) e Barry Altschul (percussão, marimba). Temas como "Four Winds", "Conference Of The Birds", "Interception" ou "See-Saw" são fundamentais. A propósito deste disco diz Holland "During the summer around 4 or 5 o´clock in the morning, just as the day began, birds would gather here one by one and sing together, each declaring its freedom in song. It is my wish to share this same spirit with other musicians and communicate it to the people".

Publicado por António Branco às 11:51 AM

abril 01, 2004

AL & ZOOT

O meu "disco de cabeceira" de ontem à noite foi "You´N´Me", do quinteto liderado pelos saxofonistas Al Cohn e Zoot Sims.

Músicos experimentados e com um vasto currículo, de que sobressai a presença nos célebres "Four Brothers", de Woody Herman.

Nas liner notes originais do disco, o crítico Leonard Feather escreve:

"TYPE OF MUSIC: Free-swinging modern jazz by two celebrated alumni of Woody Herman´s celebrated "Four Brothers" team, each individually known as a tenor sax stylist."

Este disco, gravado em Junho de 1960 por Cohn e Sims (sax tenor e clarinete), acompanhados por Mose Allison (piano), Major Holley (contrabaixo) e Osie Johnson (bateria), revela uma verdadeira máquina de swing, com os dois tenores a dialogarem em temas como "The Note", "You´N´Me", no irresistível "The Opener" ou no mais relaxante "On the Alamo". Verdadeiramente genial é "Angel Eyes", um tema Major Holley onde vocaliza em uníssono com o contrabaixo tocado com arco a que se sobrepõe, por overdubbing, uma linha em pizzicato. Cohn e Sims tocam, discretamente, clarinete. O disco encerra com um fantástico "Improvisation for Unaccompanied Saxophones" onde, como o próprio título indica, os dois saxfonistas improvisam, de forma absolutamente assombrosa, sem qualquer acompanhamento.

Um disco que o "Improvisos Ao Sul" recomenda.

Publicado por António Branco às 04:41 PM

março 29, 2004

TRUMBOLOGY

Chicago nos anos 20 era um caos. Viviam-se os tempos da proibição. A cidade era comandada por gangsters, que controlavam o submundo do jogo, da droga, do álcool e da prostituição. Ajustes de contas e tiroteios eram o pão nosso de cada dia. O jazz era a banda sonora perfeita para este estado de coisas. Foi neste enquadramento, qual oásis no deserto, que despontou um músico de sonoridade requintada, elegante e de grande sensibilidade chamado Bix Beiderbecke.

Quando escutamos músicos como Lester Young, Clifford Brown ou Miles Davis surge-nos muitas vezes o fantasma de Bix. Ao morrer com apenas 28 anos, tornou-se uma espécie de herói trágico, martirizado pelo álcool, pelo perfeccionismo e pela solidão. Recordei-o nesta manhã de céu escuro, ao lado de Frankie Trumbauer e da sua orquestra, ouvindo "Trumbology", tema gravado a 4 de Fevereiro de 1927.

Era bom que não nos esquecessemos de quem foi Bix Beiderbecke.

Publicado por António Branco às 01:46 PM

março 27, 2004

JAZZ & CHUVA

No meu imaginário, desde sempre o jazz e a chuva formaram um enquadramento quase inexplicável, à beira do místico. Sem pretensões a borda-de-água, também o "Improvisos Ao Sul" apresenta algumas sugestões para servirem de banda sonora a um fim de semana molhado e recatado:

Miles Davis - "Kind of Blue"
Pat Metheny & Charlie Haden - "Beyond the Missouri Sky"
Ben Webster - "Ben Webster & Associates"
Paula Oliveira - "Quase Então"
"Clifford Brown with Strings"
Patricia Barber - "Verse"

Publicado por António Branco às 11:59 PM

março 24, 2004

COMPRAS

Na minha lista de compras para os tempos mais próximos já estão apontados:

Dave Douglas - "Strange Liberation" (não costumo perder de vista os discos deste trompetista)
Tomasz Stanko Quartet - "Suspended Night" (na sequência do fantástico "Soul of Things")
The Bad Plus - "Give" (estou muito curioso para ouvir a versão dos Black Sabbath)
André Fernandes - "Howler" (um dos mais interessantes guitarristas nacionais)

Após uma visita (prolongada como sempre...) aos sítios do costume, de certo que esta lista irá aumentar...

Publicado por António Branco às 02:35 PM

março 23, 2004

NOVOS TÍTULOS BLUE NOTE/RVG EDITION

Continua a crescer a colecção Rudy Van Gelder Edition, editada pela Blue Note.

Os discos desta colecção têm a particularidade de terem sido todos remasterizados em 24-bits pelo próprio Van Gelder, a partir das gravações originais. Todos eles apresentam, para além das liner notes originais, novos e interessantes ensaios enquadradores. Desta feita foi lançada uma nova fornada, que inclui os seguintes títulos:

Freddie Hubbard - "Ready for Freddy"
Horace Silver - "The Cape Verdean Blues"
Jackie McLean - "Right Now!"
Jimmy Smith - "Rockin´ the Boat"
Cecil Taylor - "Conquistador!"
Stanley Turrentine - Never Let Me Go
Donald Byrd - "At the Half Note Café" (2 cd´s)
Donald Byrd - "Free Form"
Grant Green - "Goin´ West"
Sonny Rollins - "Newk´s Time"
Duke Pearson - "Sweet Honey Bee"

Para mais informações sobre estes e os restantes títulos da Rudy Van Gelder Edition, consultar o sítio da Blue Note.

Publicado por António Branco às 09:47 AM

março 21, 2004

THE WATER IS WIDE

"The Water is wide, I can not cross over,
neither have I wings to fly,
Give me a boat that can carry two,
And I will row, my love and I
"

Já aqui escrevi que certos discos são como que amigos especiais.

Confesso que não estava com este amigo havia já algum tempo. No entanto, é sempre um prazer renovado reencontrá-lo, para reviver experiências passadas. Este amigo foi gravado em Dezembro de 1999, em Los Angeles, por músicos de diferentes gerações: Charles Lloyd (sax tenor), John Abercrombie (guitarra) e Billy Higgins (bateria), veteranos, Brad Mehldau (piano) e Larry Grenadier(contrabaixo), de fornadas mais recentes.

Este facto não conduz a nenhuma fractura musical, antes pelo contrário, potenciando as diferentes personalidades e as capacidades discursivas de cada músico.

É um disco embebido na mais pura tradição jazzística norte americana, sendo composto, quase na sua totalidade, por tempos lentos, de um beleza acolhedora e radiosa, como "Georgia" (de Hoagy Carrmichael), "The Water Is Wide" (Lloyd ao seu melhor nível), "Ballade And Alegro" (Mehldau a voar a grande altura), "Lotus Blossom" (de Billy Strayhorn - grande cúmplice de Ellington) e, a fechar o disco, "Prayer" (assombroso diálogo Lloyd - Abercrombie).

É um amigo com um sorriso nos lábios, tranquilo e ponderado, daqueles a quem se pode pedir conselhos.

Se não o conhecem, terei o maior prazer em apresentá-lo. Chama-se "The Water Is Wide".

Publicado por António Branco às 02:29 PM

março 16, 2004

THE GIRL IN THE OTHER ROOM

Será este o título do novo disco da cantora e pianista canadiana Diana Krall, a ser editado no próximo dia 9 de Abril.

Neste disco, Krall deixará de lado os standards, optando por um repertório actual, em parte escrito a meias com o seu marido Elvis Costello.

De entre os temas que figurarão em "The Girl In The Other Room" contam-se "Stop This World" (de Mose Allison), "Black Crow" (de Joni Mitchell), "Temptation" (de Tom Waits) , "I´m Pulling Through" (de Arthur Herzog, também cantado por Billie Holiday) e "Almost Blue" (de Elvis Costello).

Aguardemos.

Publicado por António Branco às 10:59 AM

março 15, 2004

:RARUM

A editora alemã ECM, dirigida por Manfred Eicher, tem disponíveis no mercado, até ao fim deste mês de Março e a preço especial, todos os discos da colecção :rarum (Selected Recordings), onde os vários artistas escolhem temas de entre as suas próprias gravações para a editora.

O rico catálogo engloba gravações de Pat Metheny, Dave Holland, Egberto Gismonti, Jack DeJohnette, John Surman, John Abercrombie, Carla Bley, Paul Motian, Tomasz Stanko, Eberhard Weber, Arild Andersen, Jon Christensen, Keith Jarrett, Jan Garbarek, Chick Corea, Gary Burton, Bill Frisell, Art Ensemble of Chicago, Terje Rypdal e Bobo Stenson.

Gravações com o selo de qualidade ECM.

Publicado por António Branco às 10:32 PM

TRANQUILIDADE

Depois de uma semana atribulada, com Congressos, aulas e viagens, o fim de semana foi para descansar.

No leitor de CD´s rodaram "Kind Of Blue" de Miles Davis (absolutamente incontornável e sublime), "One Quiet Night" de Pat Metheny (o título do disco é auto-explicativo...) e "Changing Places" do trio do pianista norueguês Tord Gustavsen.

Três fontes de tranquilidade e paz de espírito!

Publicado por António Branco às 11:15 AM

março 09, 2004

UP FOR IT

Há discos que têm a capacidade, quase sobrenatural, de influenciar o comportamento de quem os escuta.

Estou em crer que todos nós temos um conjunto de discos mágicos aos quais recorremos em situações específicas, nas diversas fases da nossa vida. Como se precisássemos de um amigo especial.

No meu caso pessoal, o disco a que actualmente mais recorro chama-se "Up For It" e foi gravado ao vivo por um dos mais prestigiados trios de jazz do mundo - Keith Jarrett (piano), Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) - em Juan-les-Pins (França).

Escutar standards absolutos, como "Someday My Prince Will Come", "Autumn Leaves", "My Funny Valentine" ou "Scrapple From The Apple", revisitados magistralmente por estes músicos é um sempre bálsamo.

Publicado por António Branco às 05:30 PM

março 06, 2004

FRAHM & MEHLDAU

Joel Frahm e Brad Mehldau são dois velhos amigos. Conheceram-se depois de Frahm se ter mudado com a família para West Hartford, onde começou a frequentar a William H. Hall High School. Certo dia, depois das aulas, o jovem Joel decidiu ir assistir a um ensaio do coro de jazz. Embora não guarde grandes memórias do coro, lembra-se de ter ficado fascinado com o pianista. Soube, algum tempo depois, que o dito pianista respondia pelo nome de Brad Mehldau. Tornaram-se então amigos inseparáveis, desenvolvendo em conjunto o gosto pelo universo do jazz. Depois de se terem ambos formado, seguiram caminhos separados, com cada vez menos oportunidades para tocarem juntos.

Mehldau começava então a ganhar cada vez mais notoriedade. Depois de já ter gravado dois discos em nome próprio para a Palmetto Records ("Sorry No Decaf", de 1999, e "The Navigator", de 2000), Frahm contactou Mehldau e convidou-o para reviver experiências passadas e por de pé um disco em formato de dueto.

Joel Frahm, que se reparte entre o saxofone tenor e o soprano, e Brad Mehldau, que considero um dos mais interessantes pianistas da última década, trazem-nos "Don´t Explain", um disco pintado com cores suaves, com o pianista, sem se perder em rodriguinhos desnecessários, a proporcionar a base melódica para as figuras desenhadas por Frahm.

Da audição retive particularmente as leituras de "Round Midnight #1" e "Round Midnight #3" (de Thelonious Monk), "Oleo" (de Sonny Rollins) e uma delicada versão de "Mother Nature´s Son" (da dupla Lennon & McCartney), com Frahm sublime no sax soprano e um "Away Frm Home", onde o saxofonista mostra as suas capacidades como compositor. "Don´t Explain" é um disco sem grande novidade, mas ideal para escutar repousadamente.

O "Improvisos Ao Sul" prescreve-o como medida de combate ao stress da vida moderna.

Publicado por António Branco às 10:28 PM

fevereiro 26, 2004

BIRDLAND 1951

A editora Blue Note acaba de lançar em disco a gravação de três emissões do programa de rádio de Symphony Sid efectuadas em 1951, a partir do clube Birdland, em Nova Iorque.

Nas sessões efectuadas a 17 de Fevereiro e 2 de Junho de 1951 acompanham Miles, J.J. Johnson (trombone), Sonny Rollins (sax tenor), Kenny Drew (piano), Tommy Potter (contrabaixo) e Art Blakey (bateria).

Na terceira sessão, efectuada a 29 de Setembro do mesmo ano, estão Eddie "Lockjaw" Davis e Big Nick Nichols (sax tenor), Billy Taylor (piano), Charles Mingus (contrabaixo) e Art Blakey (bateria).

O som destas emissões foi remasterizado digitalmente, de modo a conferir a melhor qualidade possível às gravações. As gravações de 2 de Junho e de 29 de Setembro estiveram disponíveis ao longo dos anos em diversos discos piratas. A gravação de 17 de Fevereiro está disponível pela primeira vez.

Um disco histórico, vivamente recomendado pelo "Improvisos Ao Sul".

Publicado por António Branco às 06:07 PM

fevereiro 17, 2004

AS VIAGENS DE POTTER

Chris Potter é um talentoso multi-instrumentista, cujo trabalho, a solo e integrado noutras formações (no Quinteto de Dave Holland, por exemplo) nos habituamos a admirar.

Tem participado em inúmeras digressões, o que lhe tem proporcionado o amadurecimento de uma estética e de uma sonoridade próprias, como compositor, arranjador e intrumentista, bem patentes no seu álbum "Travelling Mercies" (Verve, 2002).

Fazendo-se acompanhar de extraordinários músicos - John Scofield e Adam Rogers (guitarras), Kevin Hays (piano e teclados), Scott Colley (contrabaixo), Bill Stewart (bateria) - Potter leva-nos a fazer uma viagem através da sua musicalidade ampla e de texturas variadas.

Em "Invisible Man" invoca o universo musical de Pat Metheny, vocalizando e tocando órgão. Patenteia todo o poder do seu tenor em temas como "Children Go" (um espiritual, aqui transfigurado) e todas as suas capacidades como arranjador em "Any Moment Now", um desfilar de paisagens sonoras, e num longo e complexo "Highway One".

O disco termina com um lindíssimo dueto entre o piano e o clarinete baixo de Potter, em "Just As I Am" (um original de Willie Nelson). Um disco vivamente recomendado pelo "Improvisos Ao Sul".

Publicado por António Branco às 09:17 AM

fevereiro 13, 2004

CABLES/BARRETTO/SOIRAT

Já em diversas ocasiões aqui expressei o meu habitual cepticismo em relação à aquisição de CD´s de jazz em Beja. Porém, de quando em vez, sou presenteado com agradáveis surpresas, totalmente inesperadas.

A mais recente foi quando tropecei no CD do George Cables Trio, intitulado "Alone Together" (Groove/Movieplay, 1995), em que o pianista norte americano é acompanhado pelo baterista francês Philippe Soirat e pelo portuguesíssimo Carlos Barretto, no contrabaixo.

Este CD é composto por 7 temas, 4 da autoria do próprio Cables, 2 standards e um tema de Barretto ("Scablemates"). Belíssimas prestações de Cables. Barreto é como sempre um pilar fundamental na solidez rítmica dos temas, ao lado de um também eficaz Soirat.

Destaque para um translúcido "Body And Soul" e para uns contagiantes "Blue Nights" (com um excelente solo de Barretto) e "Scablemates".

Um disco com poucos pontos de contacto com o trabalho actualmente desenvolvido por Carlos Barretto, mas que importa descobrir para melhor compreender o trajecto artístico de um dos maiores contrabaixistas nacionais.

Publicado por António Branco às 10:32 AM

fevereiro 08, 2004

IMPROVISOS AO SUL NA FEIRA

O "Improvisos Ao Sul" deslocou-se na tarde de ontem até Évora, para visitar a "1ª Feira do Disco de Évora", que decorre até hoje à noite (começou na sexta-feira), numa tenda montada na Praça Joaquim António de Aguiar (frente ao Teatro Garcia de Resende), e em que eram anunciados mais de 30.000 títulos, em CD, DVD e vinil.

A oportunidade para adquirir discos, velhos e novos, a preços atraentes (sempre mais baixos do que os praticados na lojas) constituiu um excelente motivo para uma viagem a Évora. A feira teve, quer em termos de espaço quer de variedade de oferta, uma dimensão claramente inferior à realizada em Beja, em Junho de 2003, por ocasião da Bejalternativa, mas, ainda assim, esteve bastante concorrida.

Neste tipo de certames, a "sorte", para quem gosta de jazz, é a de que as bancas dedicadas a este género musical são, regra geral, as menos visitadas, o que permite uma procura mais minuciosa, em busca daquela pérola...

Apesar de tudo, fiz algumas aquisições (o preço médio dos discos comprados foi de € 10):

"Jason Moran - The Bandwagon"
Disco de 2003, de um dos melhores trios da actualidade com Jason Moran (piano), Tarus Mateen (contrabaixo e baixo eléctrico) e Nasheet Waits (bateria) Tinha uma cópia, mas pelo preço a que estava o CD original, não resisti).

Pat Metheniy + Ornette Coleman + Charlie Haden + Jack DeJohnette + Denardo Coleman - "Song X"
Nomes fundamentais do jazz reunidos numa gravação de 1986. Ornette toca sax alto e violino. Metheny é referência na guitarra.

Bud Powell - "Jazz Giant"
Pioneiro do be-bop, Powell aparece nestas gravações de 1949 e 1950 acompanhado por Max Roach (bateria), Ray Brown e Curly Russell (contrabaixo). Verve Master Edition.

Jimmie Lunceford & His Orchestra - "For Dancers Only"
Gravações clássicas do período 1935-1937 de uma das maiores orquestras do período áureo do swing.

Andrew Hill - "Point of Departure"
Disco Blue Note, recentemente reeditado na colecção Rudy Van Gelder Edition, com uma formação de luxo: Andrew Hill (piano), Eric Dolphy (sax alto, flauta, clarinete baixo), Joe Henderson (sax tenor), Richard Davis (contrabaixo) e Tony Williams (bateria).

Stan Kenton And His Orchestra
Gravações efectuadas entre 1940 e 1944, por uma orquestra onde pontificavam nomes como os de Stan Getz, Art Pepper, Anita O´Day, etc..

Muito há, pois, para ouvir nos próximos dias.

Regressei com a carteira mais leve, mas com a alma cheia!

Publicado por António Branco às 07:21 PM

fevereiro 07, 2004

ETELVINA A CAPPELLA

O grupo português Canto Nono, com a canção "Etelvina" (da autoria de Sérgio Godinho) está nomeado na categoria de "Best Jazz Song" dos "Contemporary A Cappella Recording Awards 2004", galardões atribuídos todos os anos pela "Contemporary A Cappella Society", uma organização norte americana que se dedica a divulgar a música a cappella.

O tema em causa está incluído no álbum "O Porto a Oito Vozes", que conta com direcção musical de José Mário Branco e é dedicado ao universo da cidade invicta.

Etelvina com seis meses já se tinha de pé
foi deixada num cinema depois da matinée ...

Publicado por António Branco às 11:57 AM

fevereiro 06, 2004

PARIS JAZZ CONCERT

Comprei recentemente, numa já aqui mencionada grande superfície comercial em Beja, três CD´s, da colecção "Paris Jazz Concert" (ou melhor, comprei dois e levei três!). O preço de cada CD foi € 6,78, o que posso considerar simpático, dada a qualidade e importância das gravações.

Estes CD´s são uma pequena parte das centenas de horas de jazz gravadas pela rádio Europe 1, entre 1955 e 1980, e até agora indisponíveis em LP ou CD. O grande responsável por estas gravações foi Frank Tenot, recentemente desaparecido.

O primeiro CD é de Julian "Cannonball" Adderley e tem a particularidade de constituir um registo histórico da primeira e segunda actuações de Cannonball em solo gaulês (respectivamente, na Salle Pleyel, a 25 de Novembro de 1960 e no Olympia, a 15 de Abril de 1961). Cannonball surge acompanhado pelo seu irmão Nat Adderley (trompete), Victor Feldman (piano e vibrafone), Sam Jones (contrabaixo), Ron Carter (em princípio de carreira, toca violoncelo num tema) e Louis Hayes (bateria). Destaco a versão de "Work Song" (de Nat Adderley) e um fantástico "Bohemia After Dark" (de Oscar Pettiford).

O segundo CD é de Lionel Hampton, e foi gravado na Salle Pleyel a 9 de Março de 1971. A acompanhar Hampton estão, entre outros, os históricos Illinois Jacquet (sax tenor) e Milt Buckner (piano e órgão). Ainda tenho nos ouvidos o incontornável "Flying Home", um soberbo "Midnight Sun" e um frenético "Hamp´s Boogie Woogie".

Para completar o trio, falta referir o CD de Duke Ellington, gravado a 29 de Outubro de 1958. Com Duke estão, entre outros, nomes grandes do jazz como Cat Anderson, Clark Terry, Ray Nance, Quentin Jackson, Johnny Hodges, Paul Gonsalves, Russell Procope ou Sam Woodyard. Não faltam temas como "Take The "A" Train" e um medley que inclui "Black and Tan Fantasy", "Creole Love Call" e "The Mooche".

É ficar atento para ver que outras surpresas poderão aparecer nos próximos tempos.

P.S.: Acreditem que não é má vontade da minha parte, mas convém referir que estes três CD´s estavam de secção dedicada à "Música Brasileira"!

Publicado por António Branco às 12:14 PM

fevereiro 03, 2004

FEATHERS

Existirão palavras que descrevam fielmente o que se sente ao escutar a beleza cortante do sax alto de Eric Dolphy em "Feathers" (CD "Out There")?

Publicado por António Branco às 02:26 PM

fevereiro 01, 2004

KIT DE JAZZ PARA PRINCIPIANTES

A entrada no mundo do jazz pode, para muitos, ser uma tarefa árdua. O sítio Jazz Online pretende a dar uma ajuda a todos aqueles que tenham dificuldades em saber por onde começar. Para quem se quer iniciar nestas andanças, são aconselhados alguns discos fundamentais (a lista é obviamente subjectiva, como qualquer outra):

Louis Armstrong & Oscar Peterson - "Louis Armstrong Meets Oscar Peterson"
Chet Baker - "My Funny Valentine"
Count Basie - "April in Paris"
George Benson - "Breezin"
Art Blakey & The Jazz Messengers - "Best of Art Blakey & The Jazz Messengers"
Clifford Brown & Max Roach - "Study in Brown"
Dave Brubeck - "Time Out"
Betty Carter - "The Audience with Betty Carter"
Ornette Coleman - "The Shape of Jazz To Come"
John Coltrane - "A Love Supreme"
Chick Corea - "Light As A Feather"
Miles Davis - "Kind of Blue"
Miles Davis - "The Complete Concert 1964"
Miles Davis - "In A Silent Way"
Duke Ellington - "Ellington Indigos"
Bill Evans Trio - "At the Village Vanguard"
Ella Fitzgerald - "The Complete Ella in Berlin"
Stan Getz/Joao Gilberto - "Getz/Gilberto"
Benny Goodman - "Live at Carnegie Hall 1939"
Charlie Haden & Pat Metheny - "Beyond The Missouri Sky"
Herbie Hancock - "Headhunters"
Johnny Hartman & John Coltrane - "Johnny Hartman & John Coltrane"
Billie Holiday - "Silver Collection"
Al Jarreau - "Look To The Rainbow"
Keith Jarrett Trio - "Standards Live"
John Klemmer - "Touch"
Mahavishnu Orchestra - "Inner Mounting Flame"
Brad Mehldau Trio - "Songs: Art of the Trio, Vol. 3"
Pat Metheny Group - "Offramp"
Charles Mingus - "Black Saint & The Sinner Lady"
Charlie Parker - "Confirmation: Best of Verve Years"
Tito Puente - "El Rey"
Joshua Redman - "Moodswing"
David Sanborn - "Hideaway"
Pharoah Sanders - "Karma"
Mongo Santamaria - "Afro Blue: The Picante Collection"
Nina Simone - "My Baby Just Cares For Me"
Sun Ra - "Space is the Place"
Cal Tjader - "Soul Sauce"
Weather Report - "Heavy Weather"
Cassandra Wilson - "New Moon Daughter"

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Publicado por António Branco às 06:30 PM

janeiro 29, 2004

A BATALHA DOS TENORES LOUCOS

Um dos discos que tenho andado a ouvir mais insistentemente por esta altura é "Tenor Madness", do Quarteto de Theodore "Sonny" Rollins.

Neste disco, gravado em Nova Iorque a 24 de Maio de 1956, Rollins é acompanhado pelos músicos que compuseram o histórico quinteto de Miles Davis (que, relembre-se, foi o principal impulsionador da carreira de Rollins, estando, no entanto, ausente nesta gravação): Red Garland (piano), Paul Chambers (contrabaixo), "Philly" Joe Jones (bateria) e John Coltrane (sax tenor).

Um disco onde Rollins se destaca, demonstrando toda a sua enorme dimensão musical. Pessoalmente, não me canso de ouvir até à exaustão a "batalha" que Rollins e Trane travam no tema título do disco, "Tenor Madness", um épico de 12 minutos e 15 segundos de puro deleite!

Como curiosidade, convém referir que, quando terminavam um tema, Sonny Rollins costumava, no pessimismo que lhe era peculiar, abanar a cabeça e dizer: "Nothing´s happening".

Importa-se de repetir?

Publicado por António Branco às 10:56 AM

janeiro 22, 2004

POWELL & BYAS

Encontrei este disco em Lisboa a um preço simpático e comprei-o de imediato.

Registo gravado em Paris, a 15 de Dezembro de 1961, em que Bud Powell (um dos pais do piano jazz moderno) e Don Byas (um dos saxofonistas-chave da transição swing-be bop - gravou com Amália Rodrigues) juntam-se a Kenny Clarke (baterista pioneiro do be-bop), Idrees Sulieman (trompetista) e Pierre Michelot (contrabaixista francês) para prestarem tributo a Julian "Cannonball" Adderley, o enorme (literalmente) saxofonista alto, que, para além de produzir este disco, participa num tema.

Recomendo, para além de um "Cherokee", com o próprio Cannonball, uma versão de "I Remember Clifford" (de Benny Golson). Sublime.

Publicado por António Branco às 11:30 AM

janeiro 20, 2004

I GET A KIKO (OUT OF YOU)

As boas vozes masculinas de jazz estão em vias de extinção. Em Portugal, então, nem se fala... De vozes femininas até estamos bem servidos - Maria João, Jacinta, Maria Viana, Paula Oliveira, Fátima Serro, Maria Anadon, Joana Rios - mas de vozes masculinas... nada... até que...

Francisco "Kiko" António Pereira nasceu em Newark (EUA) há 33 anos.

Hoje, trabalha como assistente de inspecção sanitária na lota de Matosinhos e... canta jazz! E muito bem! Lançou o seu primeiro álbum em nome próprio em 2003, "Raw" (ed. Discaudio), praticamente todo em regime de auto-financiamento. Neste disco, Kiko patenteia todos os seus admiráveis dotes vocais, desde a luminosidade soul de "Overjoyed" (de Stevie Wonder), à delicadeza de "Day Dream" (de Duke Ellington e Billy Strayhorn), ao swing contagiante de "I Get A Kick (Out of You)" (de Cole Porter).

Uma voz a reter... e a ouvir com atenção no próximo "Improvisos Ao Sul".

Publicado por António Branco às 09:12 AM