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janeiro 18, 2010

IMPROVISOS AO SUL - FIM

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Chega hoje ao fim o blogue Improvisos Ao Sul.

Foram seis anos (cumpridos hoje mesmo!) de uma experiência muito enriquecedora, a todos os níveis: muitas amizades duradouras, muitos concertos, muitos discos, muito JAZZ!

Não quero deixar de agradecer a todos os amigos que, directa ou indirectamente, ajudaram a construir este blogue ao longo de todos estes anos.

Continuarei no Clube de Jazz do CRBA, na revista jazz.pt e em Jazz 6/4.

A todos, muito obrigado!

Do Not Fear Mistakes. There Are None” (Miles Davis).

Publicado por António Branco às 10:00 AM | Comentários (7) | TrackBack

JAZZ 6/4 - SITE SOBRE CDs DE JAZZ

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O site JAZZ 6/4 reúne a opinião de seis críticos e divulgadores nacionais: Manuel Jorge Veloso (O Sítio do Jazz; Um Toque de Jazz - Antena 2), Raul Vaz Bernardo (Expresso), Leonel Santos (JazzLogical), Paulo Barbosa (Jazz XXI; jazz.pt; Público), Rui Duarte (jazz.pt) e António Branco (jazz.pt; Improvisos ao Sul).

Em cada edição, com periodicidade mensal, JAZZ 6/4, apresentará, para cada um de 4 CDs seleccionados, um conjunto de classificações e críticas, reflectindo as diferentes experiências e assegurando a pluralidade das opiniões.

O Jazz 6/4 está disponível em http://jazz6por4.pt.to. Passe por lá e junte-nos aos seus favoritos!

Publicado por António Branco às 09:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

MÚSICAS NO PLURAL 18 JAN 2010

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Músicas no Plural - Um programa de Rui Neves com edição de Tiago Jónatas, que se encontra disponível no site do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian.
Edição de 18 de Janeiro de 2010

"Uma reunião de excepção da nova electrónica: Oren Ambarchi, Christian Fennesz, Paul Gough, Peter Reheberg e Keith Rowe em registos inéditos no festival What is Music de Sydney em 2000; Paul Rutherford, exponencial trombonista britânico da música improvisada em registo solo inédito no festival de Pisa em 1978; o grupo Black Dice de Brooklin, Nova Iorque, titãs do anti-formalismo techno, em Repo, disco de 2009."

Para descarregar, aqui.

Publicado por António Branco às 06:16 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 17, 2010

OS SABORES DO JAZZ - EDIÇÃO 1033

"Os Sabores do Jazz" é um programa da jazz da autoria de José Ribeiro Pinto e emitido aos domingos na Antena 1 – Açores há 17 anos, entre 23h10 e as 24h00.

O programa, na palavras do seu autor, "pretende mostrar que o jazz é bonito e saboroso".

Hoje, 17 de Janeiro de 2010, vai para o ar a edição n.º 1033. Aqui fica o alinhamento desta emissão:

Nelson Cascais - "Zulu Baby" (“Guruka”)
Nelson Cascais - "1984" (“Guruka”)
Paula Sousa - "I Fall In Love Too Easily" (”Valsa Para A Terri”)
Paula Sousa - "Less Tension, Please" (”Valsa Para A Terri”)
Hugo Alves - "Velho Lagar" ("Taksi Trio")
Hugo Alves - "Esteves Aqui?" ("Taksi Trio")

Publicado por António Branco às 12:07 PM | Comentários (1) | TrackBack

JOSÉ DUARTE NA RÁDIO

Na emissão deste domingo do programa "A Menina Dança?" poderemos escutar Adriana, Frank Sinatra, Carol Sloane, Steve Tyrrel, Mel Tormé, Cleo Laine e Abbey Lincoln. A Menina Dança? é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, aos domingos, das 23h10h às 24h00.

Nas emissões desta semana do programa "Cinco Minutos de Jazz", vão estar em destaque as big bands de 'Count' Basie e 'Duke' Ellington (até sexta, 22). Cinco Minutos de Jazz é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, de segunda a sexta às 22h50 e às 03h50.

Por seu lado, nas emissões desta semana do programa "Jazz com Brancas", vai estar em destaque o saxofonista David Murray (até sexta, 22). Jazz com Brancas é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 2, de segunda a sexta às 20h05 e às 21h00.

Na região de Beja, a Antena 1 pode ser escutada em 87.7 FM (em Mértola 90.9 FM) e a Antena 2 em 91.1 FM.

Publicado por António Branco às 08:05 AM | Comentários (0) | TrackBack

UM TOQUE DE JAZZ NA ANTENA 2

Hoje vai para o ar mais uma emissão do programa "Um Toque de Jazz" com Concertos Internacionais (3): os trios do pianista norte-americano Steve Kuhn e do pianista polaco Marcin Wasilewski, ambos no Festival Jazz Baltica (Bad Salzau), respectivamente em 05 de Julho de 2008 e 04 de Julho de 2008. Gravações Euroradio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos domingosentre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Webcast: http://tv1.rtp.pt/wportal/popups/player.php?canal=2
Arquivos: http://tv1.rtp.pt/wportal/multimedia/programa.php?prog=1126&from_iframe=on

Emissão on-line: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 07:06 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 16, 2010

CICLO DE MÚSICA IMPROVISADA EM COIMBRA

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Arranca hoje em Coimbra, pelas 22h, o Double Bill – Ciclo de Música Improvisada, que terá lugar no Atelier-Galeria Ícone (Pátio da Inquisiçao, n. º23).

Este Ciclo é uma organização do AJM Collective (http://wix.com/collective_ajm/website"AJM Collective), em parceria com a Galeria Ícone. Cada evento do ciclo ciclo contará com duas apresentações separadas por um curto intervalo. Na primeira parte, actuará um grupo ou artista convidado; na segunda parte, o AJM Collective juntar-se-ão ao(s) convidado(s). O principal objectivo da iniciativa é o da criação de um espaço para a apresentação de música improvisada em Coimbra e, simultaneamente, permitir a troca de experiências entre criadores com diferentes percursos e abordagens à improvisação.

Na primeira sessão dupla do ciclo, a primeira parte estará a cargo do duo de clarinetes "Não..." (http://www.myspace.com/NPPEO"), antes conhecidos por “Não particularmente por esta ordem”, constituído por João Pedro Viegas (clarinete baixo) e por Bruno Parrinha (clarinete alto, clarinete). Ambos são membros de formações como Woods, Rive Gauche, The Dudes e Variable Geometry Orchestra. Para este projecto, estabeleceram três coordenadas de base: a exclusiva utilização de clarinetes; A exploração de amplificação por microfone; e a fidelidade à composição imediata, vulgo improvisação.

Na segunda parte, aos clarinetes dos “Não...” juntar-se-á o AJM Collective. Nesta ocasião, o colectivo será formado João Apolinário (bateria), Marcelo dos Reis (guitarra eléctrica), José Miguel Pereira (contrabaixo) e pela artista visual Kátia Sá.

Publicado por António Branco às 08:59 AM | Comentários (0) | TrackBack

AQUI JAZZ NA ANTENA 2

Hoje na Antena 2 há "Aqui Jazz", programa da autoria de José Navarro de Andrade. Não foi disponibilizada informação sobre os conteúdos a serem emitidos. "Aqui Jazz" vai para o ar aos sábados entre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Publicado por António Branco às 07:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 15, 2010

CiNEMATIC DR POEM E NOBUYASU FURUYA TRIO NA LER DEVAGAR

Esta noite (21h30), na Ler Devagar (da LX Factory, Lisboa), os Cinematic Dr Poem e o Nobuyasu Furuya Trio apresentam de Os Fragmentos do Viajante.

Em palco estarão Dennis González (trompete), Nobuyasu Furuya (saxofone tenor, clarinete baixo e flauta), Hernani Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria). Os textos são de Sofia Freire

Publicado por António Branco às 11:36 AM | Comentários (0) | TrackBack

JAZZ.PT #28 (JAN/FEV 10) À VENDA

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Já está disponível o n.º 28/strong> (Janeiro/Fevereiro 10) da revista Jazz.pt - Revista bimestral de jazz, a única revista portuguesa de jazz actualmente em publicação.

A Jazz.pt é propriedade do JACC - Jazz Ao Centro Clube. O seu Director é Pedro Rocha Santos, o Editor é Rui Eduardo Paes. O no grafismo está a cargo do atelierIdeia Ilimitada. O preço de capa da revista é de € 5,00.

Aqui fica o sumário do muito que há para ler neste número 28 da Jazz.pt:

CAPA
Hermeto Pascoal
EDITORIAL (jazz.pt)
CARNE VIVA (Carlos "Zíngaro")
BREVES
AGENDA DE CONCERTOS
JAZZ BRIDGES (Rui Miguel Abreu)
Roland P Young - "Boogie Woogie Isofónico"
NEW YORK IS NOW (Kurt Gottschalk+Joe Holmes)
A ESTANTE DO MIGUEL (Miguel Martins)
CIBERJAZZ (Daniel Augusto Sequeira)
BLUES.PT (António Ferro)
PERFIL (António Branco)
Desidério Lázaro
ÀS ESCURAS (Abdul Moimême)
Hermeto Pascoal
REPORT
Portugal Jazz (JACC)
Guimarães Jazz (Gonçalo Falcão+João Peixoto)
Seixal Jazz (António Rubio+CMS)
Angrajazz (António Branco+António Araújo)
Jazzores (Rui Eduardo Paes+Fernando Resendes)
Jazz im Goethe Garten (Nuno Catarino+Nuno Martins)
Ciclo Internacional de Jazz de Oeiras (Pedro Lopes+António Rubio+Carlos Paes)
Festival de Jazz da Alta Estremadura (José Miguel Pereira+Luís Aguiar)
Rendezvous (Setúbal) (Rui Eduardo Paes+Hervé Hette)
Creative Sources Fest (Rui Eduardo Paes+Nuno Martins)
ENTREVISTAS
Dave Burrell (João Pedro Viegas)
João Lobo (Paulo Barbosa+Renato Nunes)
MELHORES 2009
Melhores discos internacionais
Melhores discos nacionais
Melhores reedições
Melhores concertos
Músico do ano
Acontecimento do ano
33 1/3 RPM
"1964 - Ano de transição"
PONTO DE ESCUTA (crítica de discos por Gonçalo Falcão, Nuno Catarino, António Branco, Rui Eduardo Paes, Paulo Barbosa, Pedro Lopes, João Martins, João Pedro Viegas, Abdul Moimême, Rui Duarte, Alberto Mourão, António Rubio, Miguel Martins e Vanessa Cardoso)
DISCOS DA MINHA VIDA
Hugo Alves

Pode efectuar a assinatura da revista enviando um e-mail para: assinaturas@jacc.pt.

O site da revista pode ser visitado em www.jazz.pt.

Publicado por António Branco às 09:53 AM | Comentários (2) | TrackBack

LAMPREIA/CHAGAS/LIMA/TRINITÉ NA ARTHOBLER

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A Granular apresenta amanhã à noite (22h30) na Arthobler/Ler Devagar (rua Rodrigues de Faria - LX Factory, em Lisboa), uma formação constituída por Jorge Lampreia (saxofone soprano, flauta), Paulo Chagas (saxofones), Nuno Lima (electrónica) e Monsieur Trinité (percussão, objectos).

Jorge Lampreia e Monsieur Trinité têm de comum a passagem pelos Plexus de Carlos "Zíngaro", o primeiro no período final dessa formação nos anos 1980, em contexto electroacústico, o outro na década anterior, tendo sido um dos pioneiros em Portugal das estéticas do free jazz e da improvisação total. As colaborações entre os dois músicos surgiram mais tarde, com a participação do saxofonista e flautista em diversos projectos do percussionista que colaborou também com Sei Miguel, sendo Potlatch talvez o mais saliente – é desse colectivo, de resto, que vem o bruitista Nuno Lima. O multi-instrumentista Paulo Chagas seguiu um trajecto diferente, tendo estado envolvido num grande número de grupos do rock progressivo. O seu gosto pela experimentação e pelo formato jazz ditaram-lhe, porém, as confluências com estas práticas que foram marcando a sua personalidade musical. Com o presente quarteto, a música criativa, vulgo nova, surge com o saber e a experiência de quem, por cá, a inventou e continua a reinventá-la." (texto da organização(

A entrada custa € 5.

Publicado por António Branco às 09:01 AM | Comentários (2) | TrackBack

PORTALEGRE JAZZFEST 2010 EM FEVEREIRO

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Já é conhecido o programa definitivo da oitava edição do Poratalegre JazzFest, que terá lugar nos dias 18, 19, 20, 26 e 27 de Fevereiro de 2010, no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.

Sob a direcção artística de Joaquim Ribeiro, o programa completo do evento é o seguinte:

18 Fevereiro (quinta-feira, Praça da República, 14h30)
Open Gate 5

"O projecto Open Gate 5 é um ensemble musical constituído por objectos e esculturas sonoras, que são por sua vez manipuladas ao vivo pelos músicos Henrique Fernandes, Gustavo Costa, João Filipe e Ana Veloso. Dos Open Gate faz parte também a voz da cantora Antónia Reis. Este projecto insere-se na denominada "Sound Art" e tem como uma das suas principais linhas orientadoras a manipulação do som residual ou ambiente. A primeira apresentação deste projecto teve lugar no "Serralves em Festa 2009", tendo sido vencedor do "Concurso de Projectos Artísticos – Serralves em Festa 2009"". (texto da organização)

19 Fevereiro (sexta-feira, Grande Auditório CAEP, 21h30)
Carlos Barretto Trio
Carlos Barretto (contrabaixo), Mário Delgado (guitarra) e José Salgueiro (bateria e percussões)

"Quando se fala de jazz em Portugal, o nome de Carlos Barretto é uma referência incontornável. Músico/compositor/pintor/activista, Barretto tem percorrido desde os anos 90 o país de lés a lés, marcando presença em praticamente todos os Festivais de jazz nacionais, tendo recentemente alargado a sua actividade profissional à vizinha Espanha, onde actua regularmente. A natural internacionalização da actividade de Carlos Barretto levou já a sua música à Grécia, Inglaterra, China, Bélgica, Itália, Finlândia e Cabo Verde, entre outros países, representando com qualidade o jazz português além-fronteiras. Cúmplices de longa data, Mário Delgado e José Salgueiro completam um trio que é já uma das referências do panorama artístico nacional, actualmente preparando a edição do seu mais recente trabalho de originais, a lançar no início de 2010 e a apresentar em primeira mão nesta edição do Portalegre JazzFest. As composições do Carlos Barretto Trio são de uma musicalidade surpreendente e universal, uma fusão de improvisações narrativas com um ensemble de cordas e percussões." (texto da organização)

19 de Fevereiro (sexta-feira, Café Concerto CAEP, 23h30)
Pocketbook of Lightning
Nuno Rebelo (guitarra eléctrica e objectos amplificados), Marco Franco (bateria e electrónica) e Tom Chant (saxofone e clarinete) (músico convidado)

"“Pocketbook of Lightning”, o duo de Nuno Rebelo e Marco Franco (neste concerto com a colaboração especial de Tom Chant, uma estreia nacional), foi apenas recentemente baptizado com este nome, mas Rebelo e Franco já tocam juntos desde 1994, com músicos convidados tais como Kato Hideki, Shelley Hirsch, Audrey Chen, John Bisset, Carlos Zíngaro, Damo Suzuki (ex-vocalista dos Can), Massimo Pupillo, etc. Nuno Rebelo, conceituado guitarrista, distinguiu-se nos anos 80 como mentor do grupo Mler Ife Dada. Nos anos 90, distanciou-se do pop-rock e formou os “Plopoplot Pot”, um grupo instrumental enraizado no hard rock e free jazz. Desde aí, Rebelo tem mantido uma intensa colaboração com realizadores de cinema, encenadores e coreógrafos, leccionando workshops de improvisação e de técnicas experimentais para guitarra. Marco Franco, percussionista, iniciou o seu percurso musical como baterista de vários grupos de rock hardcore no final dos anos 80. Nos anos 90, interessou-se pelas músicas experimentais e pelo jazz, tendo tocado com os músicos acima mencionados e também com Chris Speed, Jim Black, bem como com os nomes mais significativos da cena improvisada portuguesa. Compositor e coreógrafo, foi membro do quarteto de baterias “TimTim por TimTum”, baterista de Maria João/Mário Laginha, Rui Caetano Trio, etc. Actualmente, dirige o seu próprio projecto, os Mikado Lab. Tom Chant é um músico irlandês, inspirado na sua adolescência pelo free jazz e composições modernas, com uma carreira extensa, sendo actualmente membro dos influentes Cinematic Orchestra, grupo com os qual gravou o clássico álbum "Man with a Movie Camera", entre outros, e do Eddie Prévost Trio, destacando-se ainda colaborações com os portugueses Telectu, Gerry Hemingway, Jason Swinscoe, Bernard Purdey, Fontella Bass, Sunny Murray, Toshimaru Nakamura, Ben Drew, entre outros." (texto da organização)

20 de Fevereiro (sábado, Grande Auditório CAEP, 21h30)
Jose James Quintet
Grant Windsor (piano), Neil Charles (baixo), Richard Spaven (bateria), Jose James (voz) e Jordana De Lovely (voz secundária)

"José James nasceu em Minneapolis, E. Unidos, e desde cedo foi exposto às influências da cena musical e de performances de Chicago e Detroit. Isto levou a uma mais profunda exploração da música de John e Alice Coltrane, Leon Thomas, Betty Carter, assim como do blues sentido de Billie Holiday, Joe Williams e Marvin Gaye. Relacionando a influências destes génios musicais com a música e os samples contemporâneos de A Tribe Called Quest, Digable Planets, Pharcyde e Ice Cube, James começou a escrever as suas próprias letras, sob o tapete sonoro de solos de Coltrane, Dexter Gordon e Miles Davis. Depois de mudar para Nova Iorque, estudou na “New School for Jazz and Contemporary Music”, no Programa Vocal, com Junior Mance, Chico Hamilton e Janet Lawson, como professores, expandindo as suas concepções musicais para elaborar o que seria o seu aclamado álbum de estreia, "The Dreamer". Mais recentemente, têm feito extensas digressões pelo mundo inteiro, actuando em conceituados festivais de jazz, e gravando com nomes reconhecidos como Gilles Peterson, Bassment Jaxx, Nicola Conte, Toshio Matsuura, etc. O seu próximo álbum, “Black Magic” será lançado em Fevereiro de 2010, e merecerá estreia nacional no Grande Auditório do CAEP." (texto da organização)

20 de Fevereiro (sábado, Café Concerto CAEP, 23h30)
Trio Lisboa-Berlim
Luís Lopes (guitarra), Robert Landfermann (contrabaixo) e Christian Lilling (bateria).

"O Trio Lisboa-Berlim, mais uma estreia exclusiva nacional no JazzFest, é composto por Luís Lopes, músico eclético, que se dedica actualmente à área do Jazz, à música improvisada e experimental, canalizando sempre também energias para projectos onde desenvolve as suas próprias composições. Das suas extensas colaborações, destacam-se projectos com Sei Miguel, Rodrigo Amado, Aaron e Stefan Gonzalez, Adam Lane, Igal Foni, com os quais editou recentemente pela Clean Feed o álbum “What is When”. Robert Landfermann, músico desde tenra idade com estudos em conservatórios alemães, têm recentemente tocado com um grande número de músicos de peso internacional, tais como Joachim Kühn, Achim Kaufmann, Markus Stockhausen, Ben Perowski, etc. Em 2006, fundou o trio "Die Freundliche Übernahme", com Niels Klein e Burgwinkel Jonas, com os quais escreve as suas próprias composições e em 2008 o ensemble melancólico "Calado", em que funciona como músico e compositor. Christian Lilling começou a tocar bateria com a idade de 13 anos. Depois de anos de estudo com vários mestres, começou em 2002 a colaborar com diversos projectos, nomeadamente o trio “Kid” e o seu grupo “Grund”, com o qual gravou o muito bem recebido “First Reason” (Clean Feed Records). Recentemente, tem colaborado com vários músicos, como Mathias Schubert, Rolf Kühn, Tobias Delius, Joe Williamson, Theo Jörgensmann, entre outros." (teto da organização)

26 de Fevereiro (sexta-feira, Grande Auditório CAEP, 21h30)
Tord Gustavsen Ensemble
Tord Gustavsen (piano), Mats Eilertsen (contrabaixo), Jarle Vespestad (bateria) e Tore Brunborg (saxofone)

"O jazz contemporâneo de Tord Gustavssen tem impressionado os críticos, que não hesitaram em considerar o músico como uma das grandes revelações da década. Autor dos álbuns “Changing Places”, “Ground” e “Being There”, Gustavssen idealizou uma trilogia marcada por uma sonoridade minimalista, capaz de transportar o ouvinte para universos oníricos onde as palavras dão lugar a notas musicais. Antes de ter uma carreira em nome próprio, Tord Gustavsen era já uma importante figura na cena jazz escandinava, tendo integrado projectos com alguns dos melhores intérpretes noruegueses como Silje Nergaard, Siri Gjære, Kristin Asbjørnsen e Maria Roggen. “Restored, Returned”, o seu último álbum, apresenta uma nova formação em quarteto (ao vivo) ou quinteto (álbum). É um prolongamento natural do trabalho do trio, uma procura contínua de honestidade artística através de uma beleza despojada. Esta nova formação introduz novas cores e dimensões na sua música, através da sensibilidade de alguns dos mais intrigantes. instrumentistas da vibrante e ecléctica música folk escandinava, mas também de música das Caraíbas e gospels, tudo transformado e integrado numa universo diferente e original." (texto da organização)

26 de Fevereiro (sexta-feira, Café Concerto CAEP, 23h30)
The Fish
Jean Luc Guionnet (saxofone alto), Benjamin Duboc (contrabaixo) e Edward Perraud (bateria)

"Em estreia nacional no nosso país, a música dos The Fish é claramente free jazz, sem meias palavras, por mais que o termo assuste alguns. Este free jazz deve-se entender como uma estrutura e não como uma tradição, é música livre da sua própria tradição, um exemplo de como se pode fazer muito mais que invocar o passado. Os seus concertos deixam o público a ofegar, num extâse total. Os The Fish são um grupo raro no panorama do jazz europeu, pela organicidade e crueza da sua abordagem menos virada para a mente e mais para o coração. O primeiro impacto chega-nos pelo som brutal, depois pelo ritmo e pelas dinâmicas que utilizam na música. Jean-Luc Guionnet é desde há uns anos a esta parte um dos mais importantes instigadores do novo jazz francês, através do seu saxofone, seja ele mais proximo do free jazz (os The Fish) ou da nova corrente reducionista (os Hubbub), ou dos discos que passa no seu programa de rádio. Edward Perraud começou por ser um músico auto-didacta. Estudou depois no IRCAM (Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique) e no Conservatório de Paris. Foi também aluno de Daniel Humair e a sua obsessão pela música leva-o a utilizar várias abordagens musicais, especialmente no campo do jazz e da música improvisada. Benjamin Duboc é uma voz muito forte no contrabaixo em França dos ultimos anos. Estudou com Jean-François Jenny-Clark e com Bernard Cazauran e tocou com nomes como Ernest Dawkins, Roy Campbell, Sunny Murray, John Betsch, Tom Chant, Jack Wright e com Henry Grimes fez um dueto de contrabaixos memorável em Paris. Compôe também música electroacústica para cinema, dança e teatro." (texto da organização)

27 de Fevereiro (sábado, Grande Auditório CAEP, 21h30)
Tony Malaby's Apparitions Quartet
Tony Malaby (saxofones tenor e soprano), Drew Gress (contrabaixo), John Hollenbeck (bateria, percussão, vibrafone e melódica) e Tom Rainey (bateria)

"Já não será uma surpresa, mas ainda assim, chega o aviso: o novo trabalho dos Apparitions, de Tony Malaby, em estreia nacional, sob o título "Voladores" (Clean Feed), é uma obra-prima, contendo a melhor música que o saxofonista já colocou em disco. Ao segundo álbum, depois de "Apparitions", o projecto com duas baterias do músico de Nova Iorque aprimorou-se e está na sua melhor forma. Michael Sarin foi substituído por John Hollenbeck, que acrescenta o vibrafone e até a melódica à sua bateria, mas se estes novos recursos abriram a paleta tímbrica do grupo, o principal motivo que explica esta extraordinária música não é a mudança de instrumentistas, mas sim a conquistada maturidade da fórmula utilizada, das ideias em jogo e da maneira como todos tocam – Malaby está no topo das suas capacidades, o contrabaixista Drew Gress deixa-nos de queixo caído, Tom Rainey tornou-se numa figura incontornável na arte de utilizar duas baquetas e Hollenbeck encaixa na banda como se sempre tivesse feito parte dela. "Estarmos rodeados por todos estes sons e podermos mergulhar neles, é como estar num confortável sofá, ou tomar um banho de água quente", referiu Tony Malaby sobre a oportunidade de ter dois bateristas por detrás de si. “Coltrane fê-lo com Elvin Jones e Rashied Ali para conseguir esse mesmo efeito, e agora é a nossa vez de termos o privilégio de sentir o mesmo”." (texto da organização).

27 de Fevereiro (sábado, Café Concerto CAEP, 23h30)
Toral/Nakatani Duo
Tatsuya Nakatani (percussão) e Rafael Toral (guitarra)

"O JazzFest e o CAEP irão receber a primeira apresentação nacional do duo Toral/Nakatani, estreado em Filadélfia em Maio de 2009. Tatsuya Nakatani e Rafael Toral são dois músicos profundamente diferentes, mas com uma preocupação comum com o espaço. A riqueza da paleta sonora e a precisão do ataque de Nakatani, por um lado, e a clareza do fraseado abstracto na electrónica de Toral, por outro, completam-se num equilíbrio perfeito e surpreendente. Tatsuya Nakatani é um percussionista japonês, prolífico e inovador, que cria os seus próprios instrumentos, além de utilizar gongos, címbalos, objectos de metal, campainhas, etc, de forma a criar um som intenso e orgânico, que desafia categorias e géneros. A sua música é baseada no free jazz, rock e noise, mantendo ao mesmo tempo o sentido de espaço e a beleza que se encontram na música tradicional japonesa. Nakatani é também criador de atmosferas sonoras para cinema e televisão, além de leccionar “masterclasses” e “workshops” de jazz em universidades e dirigir o seu estúdio e editora musical. Rafael Toral é um músico e artista que se notabilizou pelo trabalho com guitarra e electrónica, tendo sido considerado nos anos 90 pelo jornal Chicago Reader, “um dos guitarristas mais dotados e inovadores da década". Colaborou com artistas de nomeada, como John Zorn, Jim O'Rourke, Alvin Lucier, Christian Marclay e Evan Parker, mantendo uma importante e duradoura relação de trabalho com Sei Miguel." (texto da organização)

Mais informação sobre o Portalegre JazzFest 2010 em http://caeprograma.blogspot.com.

Publicado por António Branco às 07:19 AM | Comentários (0) | TrackBack

POSTO DE ESCUTA

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Positive Catastrophe - "Garabatos Volume One"
Cuneiform Records, 2009

Taylor Ho Bynum (corneta, fliscórnio); Abraham Gomez-Delgado (percussão, voz); Jen Shyu (ehru, voz); Mark Taylor (trompa, melofone); Reut Regev (trombone, fliscórnio); Matt Bauder (saxofones tenor e alto, clarinete); Michael Attias (saxofone barítono); Pete Fitzpatrick (guitarra); Álvaro Benavides (baixo eléctrico); Keith Witty (contrabaixo); Tomas Fujiwara (bateria).

Nova Iorque, 18 de Agosto e 3 de Setembro de 2008

Imaginemos o que aconteceria se Sun Ra e Eddie Palmieiri se reunissem para fazer música após uns mojitos num bar cubano de Manhattan. O resultado talvez fosse próximo do que podemos escutar no disco de estreia do projecto Positive Catastrophe, decateto liderado por Taylor Ho Bynum e Abraham Gomez-Delgado. Ligamos estes dois nomes e soam campainhas. Bynum, artista multidisciplinar, é actualmente um dos mais destacados cornetistas e compositores do jazz de vanguarda nova-iorquino, discípulo de Braxton e líder de uma miríade de projectos, com reconhecimento crescente. Menos conhecido, o porto-riquenho Gomez-Delgado é percussionista e tem desenvolvido actividade sobretudo nos domínios do jazz latino de feição mais aventurosa, nomeadamente à frente da big band Zemog El Gallo Bueno. A seu dispor estão um punhado de músicos do mais alto quilate, como Matt Bauder. Michael Attias e Reut Regev, todos eles líderes de reconhecida valia. O próprio arsenal instrumental foge bastante ao cânone, constituindo-se como rastilhos para experimentações e cruzamentos vários. Apesar da frenética actividade de todos eles, a formação tem-se apresentado desde 2007 de forma regular, impressionando pela vigor e colorido das suas actuações. “Plena Organization”, que reúne luxo tímbrico e vigor rítmico, conta com Bynum, Bauder e Attias em estado de graça e a linha de baixo a estabelecer pontes entre os vários instrumentos. A suite “Travels” – dividida em quadro partes e dedicada a Sun Ra – parece constituir-se como o núcleo central do disco, em especial as magníficas partes 3 e 4, gravadas ao vivo no clube Zebulon, de Brooklyn. Se “Stilness/Life” é uma balada com swing à moda antiga, “Plena Quicksand Monument” tem guitarras eléctricas e convida à dança. Escutem-se ainda peças como “Post Chordal” ou “Revamped” para perceber a vitalidade e a energia que brotam sem freio. Desaconselhável a puristas de todas as espécies e francamente recomendado a quem entende a música como um espaço privilegiado de intersecção criativa de estilos e culturas.

Publicado por António Branco às 06:11 AM | Comentários (0) | TrackBack

QUARTETO PAULO GOMES/FÁTIMA SERRO EM BRAGA

O Espaço Cultural Pedro Remy, em Braga, apresenta, amanhã, pelas 22h, o Quarteto de Paulo Gomes/Fátima Serro, com Fátima Serro (voz), Gileno Santana (trompete), Paulo Gomes (piano) e Hugo Carvalhais (contrabaixo).

Publicado por António Branco às 05:48 AM | Comentários (1) | TrackBack

DAVE BURRELL EM PORTUGAL

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Dave Burrell

Apresenta-se esta noite (22h) ao vivo na Culturgest Porto, o pianista e compositor norte-americano Dave Burrell. No domingo (17) será a vez do músico se apresentar, pelas 18h30, no Cabaret Maxime, em Lisboa, acompanhado pelo Sei Miguel Edge Quartet.

No seu vocabulário convivem referências como Jelly Roll Morton, Coltrane ou Bernstein. Num percurso com altos e baixos, avultam as colaborações com Archie Shepp , Sonny Sharrock, Marion Brown, Pharoah Sanders e Sunny Murray.

Neste concerto na Culturgest irá apresentar, além de algumas das suas composições mais importantes, um repertório de vários standards que vem revisitando e desconstruindo há décadas, de Gershwin, a Monk, a Ellington. Um solo de piano que funciona como preciosa oportunidade para ver a história da música de um país a reinventar-se, pelas mãos de quem tem ajudado a defini-lo.

Publicado por António Branco às 05:10 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 14, 2010

CRBA DISCUTE O JAZZ NOS MEDIA EM PORTUGAL

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O Clube de Jazz do Conservatório Regional do Baixo Alentejo apresenta esta noite, no Auditório Prof.ª Ernestina Pinheiro (CRBA, Beja), pelas 21h30, uma sessão subordinada ao tema "O Jazz na Comunicação em Portugal".

Sinopse:

O jazz começou a chegar a Portugal em meados dos anos 1920, com a vinda de músicos e companhias norte-americanas em digressão pela Europa. Este género musical desde logo captou a atenção de jornalistas e articulistas portugueses, surpreendidos com o vigor e o impacte dos frenéticos ritmos de origem afro-americana. Geralmente, porém, esses artigos não pretendiam informar os leitores sobre a génese e as características destas músicas, mas sim denegri-las e ridicularizá-las, em artigos dominados pelo sarcasmo e pelo desdém. Mas houve excepções...

Só na década de 1940 é que, pela mão de pioneiros como Luís Villas-Boas e Manuel Guimarães, entre outros, o jazz começou a ter alguma visibilidade ea ser tratado com seriedade nos órgãos de comunicação social. Mais tarde, progressivamente, divulgadores como Manuel Jorge Veloso e José Duarte, entre outros, difundiram o jazz na imprensa, na rádio e na televisão. No final dos anos 1990, o jazz chega à internet e, no inicio do século XXI, aos blogues e às redes sociais.

Ao longo desta sessão pretende-se, em suma, traçar um breve historial e reflectir em torno da forma como o jazz foi tratado pelos vários meios de comunicação social em Portugal, desde meados os anos 1920 até aos nossos dias. No final da sessão será aberta uma fase de discussão, em que os participantes poderão intervir.

Publicado por António Branco às 05:05 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 13, 2010

PREC HOJE NA TREM AZUL

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PREC

A Trem Azul Jazz Store (rua do Alecrim, 21A, ao Cais do Sodré, em Lisboa) recebe hoje ao final da tarde (19h30) um concerto com o PREC - Projecto Ressonante Experimental Criativo, constituído por Paulo Chagas (saxofones, clarinetes, oboé, flauta), Fernando Simões (trombones, objectos) e Paulo Duarte (guitarras).

Música improvisada numa abordagem electro-acústica que percorre oscaminhos do free-jazz e do avant-garde entre outros. A linguagem é a das fusões contemporâneas e desenvolve-se utilizando material proveniente do imaginário musical dos intérpretes, onde coabitam, em sucessivos flashes e de forma por vezes paradoxal, as estruturas caóticas e as soluções de referência.

A entrada custa € 3.

Publicado por António Branco às 12:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

MARC COPLAND A SOLO EM TORRES NOVAS

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Marc Copland

O pianista Marc Copland apresenta-se no Teatro Virgínia, em Torres Novas (21h30) no próximo dia 6 de Fevereiro, num concerto a solo, único no nosso país.

Com dois discos editados recentemente, “Night Whispers”, em trio, e “Alone”, a solo, Copland é considerado um dos mais inventivos e populares pianistas na cena jazz internacional. Uma extensa discografia, unanimemente aclamada pelo público e pela crítica, e um invulgar talento musical fazem dele um dos músicos que mais tem influenciado a nova geração. Em concerto, a solo, a sua música é revelada na sua forma mais pura, frente a frente com os seus espectadores.

Marc Copland, nascido em Filadélfia em 1948, começou a sua carreira musical nos anos 60 como saxofonista. No final dos anos 80 era já um pianista com uma estética única.

Publicado por António Branco às 11:47 AM | Comentários (1) | TrackBack

ENTREVISTA RUI SALGADO (BANSURI COLLECTIF)

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Rui Salgado (Bansuri Collectif)

É contrabaixista e vive em Bruxelas. Quer contar-nos um pouco do seu trajecto musical até aqui?
Começo por tocar baixo eléctrico. Desperto para esse instrumento por um baixista de rap/hip-hop numa loja em Nova Iorque que por sorte visitei aos 13 anos. Passei pela Escola de Jazz do Porto onde o prof. Alberto Jorge Piedade me passou as bases da Harmonia e Linha de Baixo sobre as melodias do Charlie Parker. A grande escola dessa altura foram as garagens onde tocávamos as nossas composições roqueiras com uma cervejinha a acompanhar. Fiz uma pausa pelos 19 anos pois era preciso estudar... Economia... No último ano do curso fui para Nantes em Erasmus e comprei um contrabaixo. Já decidido a viver da música, tive a sorte de num mês terminar os exames da economia e aproveitar cada milisegundo dos outros 8 meses para aprofundar este novo instrumento e esta nova paixão: o jazz. De volta a Portugal, três anos de musica clássica - a voz da consciência dizia que o contrabaixo requeria bastante técnica! Entretanto, e após duas tentativas falhadas, entro na Escola Superior de Música do Porto onde faço os três primeiros anos. Vou trabalhando como contrabaixista de jazz e dando aulas mas... a paixão vai se perdendo pois encontro-me num circuito comercial de sobrevivência: Hotel, Casino, Festa... No terceiro ano inscrevo-me novamente em Erasmus para fugir da teia e encontro-me em Setembro de 2006 a estudar em Leuven, uma pequena cidade perto de Bruxelas onde os professores são quase exclusivamente músicos da Brussels Jazz Orchestra - o que fez com que o meu amigo Carlos Azevedo - que os conhece - me aconselhasse como destino.

Um dos projectos que mantém é o Bansuri Collectif. Em que circunstâncias surgiu esta formação?
Esta formação surge da necessidade de pôr as minhas composições no ar. Estavam fartas de repousar no papel à espera de serem animadas. Como tinha de apresentar o recital de fim de curso em Portugal, em Setembro de 2007, aproveitei a energia e montei o projecto baseado em composições próprias. Assumi-me como líder, coisa que até então nunca tinha feito. a tarefa da procura de oportunidades para um colectivo, da organização do material, dos contactos. É uma experiência engraçada. O grupo fez alguns concertos na Bélgica, depois fomos a Portugal e à Galiza onde organizei 10 concertos finalizando com uma FNAC onde podemos gravar uma boa demo, e com o recital de fim de curso, onde a música foi bastante apreciada. De volta à Bélgica, essa demo serviu para concorrer ao concurso Brussels Jazz Marathon para o qual fomos seleccionados e acabamos por ter o primeiro prémio.

Como define musicalmente o Bansuri Collectif?
O Bansuri Collectif começou por ser um grupo de jazz moderno, chamemos-lhe assim. Com o passar do tempo e as experiências musicais que vivemos: o duo de secção rítmica foi ao Chile em tour por um mês tocar musica improvisada, a frequência das jams de musica improvisada em Gent lideradas por Bart Maris, os concertos e festivais que se podem apreciar em Gent, Antuérpia... Fomos naturalmente mudando a nossa musica para algo mais dinâmico, menos preso às estruturas. Os arranjos e as novas composições pretendiam ser mais orgânicos e subjacente encontrava-se sempre uma preocupação com a pesquisa sonora, qual cientistas que investigam... As fórmulas que resultam ficam depressa obsoletas e os músicos desanimam de tocar as mesmas composições sempre da mesma maneira. Abri então espaço para improvisar mais e mais, sem estrutura só com o ouvido disponível, a emoção do momento e um sentimento e um vocabulário colectivo criado através da nossa história.

O que o atrai no som desta flauta da tradição indiana?
Esta flauta tem uma relação mágica de beleza e simplicidade. Como pode um bocado de bambu com sete buracos produzir um som tão extraordinário? As questões que esta pergunta levantam são uma preocupação constante ao nível filosófico e de pensamento. será que podemos guardar a nossa simplicidade na essência e fazer evoluir e complexificar o nosso trabalho e resultado final? O processo de criação é puro e máximo em termos de energia se os criadores estiverem no presente, não projectarem nem esperarem, se forem simples como este mágico pedaço de bambu.

Como procura conciliar as sonoridades inspiradas pelos sons da natureza e as electrónicas? Esta junção do ancestral e do moderno constitui um desafio para si, enquanto músico?
Precisamente. Tento ser um homem do presente mas procuro conjugar com um modo de vida antigo, com espaço para saborear...

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O disco remete-nos para diferentes contextos musicais, da world music ao free jazz, passando pela música electrónica. Quererá isto dizer que a música para si não tem fronteiras?
O projecto procura um momento de realização global, onde vários elementos se cruzam. A riqueza desta musica não advem duma estrutura hermética onde a linguagem é explorada num desenvolvimento técnico avançado. O uso da técnica aplica-se à capacidade de gerir o fluxo de energia de elemento em elemento e, como disse, há vários que se cruzam... a dança, a electrónica, electro-acústica tocando instrumentos tradicionais de forma abstracta. digamos que vamos trabalhando e construindo personagens sonoros/visuais que vamos fazendo existir, crescer e... logicamente... morrer para dar origem a outros.

Como definiria o seu modus operandi enquanto compositor? Que importância atribui à vertente de improvisação na construção sonora?
De inicio compus melodias... Não as considero minhas. Eu ouvia-as no ar e escrevia. O colectivo desenvolveu o modo de as tratar e de passar de umas para as outras. A improvisação, ou seja a extroversão (sem limites) da história pessoal de cada um, vai tomando mais espaço pois nós vamos vivendo, mudando. Claro que no fundo penso que vamos amadurecendo e o desejo de liberdade vai crescendo. Cada história pessoal vai abrindo horizontes na improvisação, na busca do desconhecido, da aventura. Note-se que o CD “Conto” é ainda bastante estruturado pois é uma fotografia do momento actual do projecto mas tem impressões de luz de toda a história do colectivo. pensei que seria uma pena negligenciar todo o início, resolvi fazer uma ponte entre as origens e o que estamos a fazer agora em vez de gravarmos tudo como fazemos nos nossos concertos actualmente.

Ao vivo, o quarteto faz-se acompanhar por um bailarino. Essa componente é um complemento à música ou pretende ser algo mais?
O Yvan Bertrem trabalha comigo a cenografia, isto é, ele aparece e desaparece em momentos especiais onde as orquestrações são reduzidas e os ambientes especiais: duos guitarra contrabaixo, bateria electrónica, etc... Realmente pretendemos que seja um espectáculo com um sentido, não uma sucessão de temas 1,2,3,...4! O disco chama-se “Conto”. Não se trata duma sucessão de temas... É um livro com vários momentos que se encadeiam e o bailarino ajuda a virar as paginas, instalar e fazer a passagem entre atmosferas, a complementar o imaginário que os sons estão a construir em cada espectador.

Têm tocado muito ao vivo? Como têm sido as reacções à vossa música?
Para já lançamos o disco em Bruxelas, Antuérpia e Amesterdão. Os concertos correram mito bem com destaque para Bruxelas no Téâtre Marni que estava cheio. O dr. Durão Barroso veio também assistir. A música foi bastante coerente e a sala é bonita... Note-se que o nosso espectáculo, devido à forte componente dança e luz resulta bem em teatros, salas bonitas, antigas. A crítica a esse concerto foi bastante boa. Jacques Prouvost que tem um blogue conhecido na Bélgica – Jazques - comparou-nos a Polar Bear, disse que era um espectáculo a não perder e teceu-nos elogios individuais bastante positivos.

Penso que haja outros músicos portugueses a estudar na Bélgica. Mantém contacto com eles?
Vejo por vezes o João Lobo e o Hugo Antunes. O Hugo Santos - contrabaixista que viveu aqui 10 anos até o ano passado, foi viver para o Algarve com muita pena minha pois somos bastante amigos. Estou em contacto, mas menos do que desejava. Três razões: sou professor de música em liceus a tempo inteiro; tenho uma filha de 1 ano - Gaya; a produção do disco roubou-me todos os segundos que me restavam para além deconcertos que vou dando com gente daqui. Com Marcelo Moncada, por exemplo, tivemos em Novembro a Jazzlab Tour - é uma tour por 10 centros culturais da Flandres (Bélgica não francófona), onde um grupo pode tocar em bons palcos com boas condições.

Como é o panorama do jazz mais criativo e da música improvisada na Bélgica?
Como lhe dizia, há associações subsidiadas que atribuem prémios e tours com condições de público, palco e financeiras dignas para poder amadurecer e expor projectos de música criativa. Fiquei surpreendido pelo bem que fez a este grupo Marcelo Moncada Space Quartet, cuja secção rítmica é a mesma dos Bansuri – o facto de dar 10 concertos com boas condições num reduzido espaço de tempo. Repare que é um apoio em que todos ganham e não há espaço para subsídiodependentes. Há um comité que escolhe quais os grupos que merecem esse apoio. O grupo não recebe nada gratuito, apenas tem a possibilidade de ir tocar. O público tem numa boa sala, um grupo que foi certificado por um comité. É o tipo de iniciativas de que o mundo precisa, todos ganham!... Eu até gosto de futebol... mas os jogos a jogar devem ser aqueles em que todos ganham!

Pensa dar a conhecer este trabalho em Portugal?
Sim, claro. "Conto" é um disco português... Título, temas, agradecimentos... tudo é português. Na Páscoa vamos apresentar o disco ao festival Metassonic organizado por Rui Eduardo Paes, e ao Porto, à Casa da Música. Nessa tour em Abril estamos a tentar programar no Centro Cultural Vila Flor que tem uma boa programação e algum Centro Cultural na região do Douro. Há uma possibilidade em aberto para um festival no Algarve a decorrer no Verão. A minha intenção é trazer o grupo tanto quanto possível. Os voos low cost tornam isso possível e os Bansuri Collectif adoram Portugal: café expresso, pastéis de nata, sobretudo sol! Quando um grupo viaja e vive junto por alguns dias, a musica recebe oxigénio.

Que planos tem para o futuro?
Os meus planos são ao nível dos, já referidos, personagens sonoros que tento criar. Esses personagens inspiram-se de tradições antigas ou modernas, cores, elementos. Neste momento estou ocupado com a fase inglesa do Fernando Pessoa. Gostava de trazer a poesia até ao colectivo. A ideia que me passou pelo espírito seria uma voz do fado a dizer e improvisar com as ideias/textos de Pessoa. Tenho uma amiga encenadora que estudou Pessoa a fundo e vou tentar desenvolver a ideia com ela. Gostaria de trabalhar com uma voz, como a de Ricardo Ribeiro ou Camané. Trazer a iconografia desta música para alguns momentos do nosso “Conto”. A Embaixada de Portugal lançou uma proposta de colaboração para a produção de um espectáculo no segundo semestre. Talvez seja o momento para essa ideia acontecer.

Mais informação sobre o Bansuri Collectif em http://www.myspace.com/bansuricollectif.

Outros recursos:

Entrevista para a RTP1:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=16194&idpod=33130&formato=wmv&pag=recentes&escolha=

Crítica no blogue Jazques (de Jacques Prouvost):
http://jazzques.skynetblogs.be/post/7532142/bansuri-collectif--theatre-marni

Demo vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=-Qu1qeCqbXg

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janeiro 12, 2010

ENTREVISTA SUSANA SANTOS SILVA

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Susana Santos Silva (foto: Carlos Azevedo)

No jazz não há “sexo fraco”. Em Portugal, porém, ainda se contam pelos dedos de uma só mão as mulheres com carreira visível neste domínio. Susana Santos Silva tem 30 anos e é uma das raras presenças femininas no jazz nacional. E não, não é cantora. É trompetista. Nasceu na cidade do Porto no ano de 1979. Em 1998 concluiu o curso de trompete no Conservatório do Porto tendo depois frequentado a Stlaatliche Hochschule fur Musik Karlsruhe, onde se licenciou. Presentemente, integra a Orquestra Jazz de Matosinhos e a European Movement Jazz Orchestra. O seu quinteto está a dar que falar. Quisemos conhecê-la melhor.


Tem antecedentes musicais na família? Como se deixou envolver pelo universo dos sons?
O meu avô materno era músico amador, tocava na Banda Marcial da Foz do Douro, fundada por sua vez pelo meu trisavô. Tocava trompete, e ensinou aos sete netos as primeiras notas de música. Aos 8 anos fiz o meu primeiro concerto com a Filarmónica e aos 10 entrei no Conservatório de Música do Porto. Aí estudei até entrar na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, depois de ter frequentado Engenharia Civil por dois anos. Fui-me deixando envolver devagarinho por esse universo dos sons, foi-se entranhando sem eu dar por isso. Quando acabei o conservatório, frequentava eu o segundo ano de engenharia, decidi concorrer à ESMAE convencida de que não entraria pois só havia uma vaga nesse ano e vários concorrentes. Mas entrei, e não foi preciso pensar duas vezes para desistir de engenharia e dedicar-me completamente ao trompete e à música.

E como/em que altura surgiu o interesse pelo jazz? Foi amor à primeira vista ou nem por isso?
Não foi amor à primeira vista mas desde sempre me conseguiu seduzir. Na realidade o primeiro grande contacto com o jazz foi através da Orquestra Jazz de Matosinhos, embora durante os meus anos de Conservatório eu tivesse frequentado uma cadeira de introdução ao jazz. No final do meu último ano fizemos uma audição e na plateia estava o Carlos Azevedo. Foi ele que me levou para a OJM. Foi talvez aí que o enamoramento tenha começado… até aos dias de hoje. Entretanto estava dedicada à música erudita e a aprender a técnica do instrumento mas a experiência de tocar com a OJM e com todos os músicos extraordinários que por lá passaram foi tão enriquecedora e arrebatadora que facilmente percebi que era por aí que queria seguir.»

Porque escolheu o trompete? O que tem este instrumento de tão especial que lhe despertou a atenção?
Acho que a escolha foi minha mas muito provavelmente porque o meu avó também tocava trompete e eu senti-me desde logo atraída por esse instrumento tão poderoso e fascinante. A verdade é que, embora seja um instrumento difícil e que me provoca por vezes sérias dúvidas existenciais (lol), não consigo imaginar-me a dedicar a minha vida a outro.»

Quais são as suas principais referências (trompetistas, mas não só…)?
Miles Davis foi o primeiro trompetista que ouvi. “Kind of Blue” o primeiro disco de jazz que comprei e que ouvi vezes e vezes sem conta. Sem dúvida que foi e será sempre uma das minhas mais marcantes referências. Freddie Hubbard foi talvez o trompetista que mais me conquistou de entre muitos que ouvi como o Dizzy Gillespie, Kenny Dorham, Clifford Brown, Lee Morgan, Fats Navarro, Woody Shaw e sem contudo poder dizer que estes mestres do trompete me tenham influenciado verdadeiramente. Cedo percebi que a expressão da minha música não passaria pelo uso da linguagem do jazz mais tradicional de cariz marcadamente americano. Das minhas mais importantes referências enquanto intérprete e compositor é o Kenny Wheeler, de quem gosto particularmente. O Dave Douglas é um dos trompetistas que ouço com muita atenção e interesse. A sua capacidade criativa é impressionante. O Chris Cheek é alguém que me surpreende a cada nova melodia que cria e desenvolve, um verdadeiro contador de histórias... Alguns outros nomes... Mark Turner, Keith Jarrett, Brad Meldhau, Wayne Shorter, Lee Konitz...»

Passou pelo Conservatório do Porto (onde terminou o curso de trompete) e depois pela ESMAE (já terminou a licenciatura?). Quer falar um pouco sobre este seu período "de formação"?
A minha passagem pelo Conservatório foi o que me manteve ligada à música num período em que os meus planos futuros passavam pela Engenharia. Só no momento em que entrei na ESMAE e me apercebi que realmente seria possível seguir os estudos na música, quando até então tinha sido apenas um passatempo, é que a vontade de ser músico emergiu de mim. Estudar trompete em Portugal não foi para mim tarefa fácil. Foram anos de muita persistência e alguns momentos de desânimo. No entanto tudo o que aprendi, inclusive as coisas menos positivas que também existiram, contribuíram para o meu crescimento enquanto músico e que definem em grande parte o que sou hoje. No meu penúltimo ano na ESMAE participei numa Masterclass com um trompetista de seu nome Reinhold Friedrich, por quem me “apaixonei” imediatamente. Um músico íncrivel e um ser humano fantástico que me aceitou de imediato como estudante de Erasmus na sua classe em Karlsruhe durante o meu último ano da Licenciatura. Foi um período muito intenso e muito importante onde aprendi além de componentes técnicas do instrumento a verdadeira essência do ser músico, do fazer música pela música, com alma e sem medo de falhar. A classe era constítuida por trompetistas de várias nacionalidades, a convivência era muito saudável e a experiência foi muito enriquecedora. Estudei também trompete barroco com o Prof. Dr. Edward Tarr. Foi uma experiência única que guardarei para sempre e cujos frutos continuo a colher. No final desse ano, quando me preparava para estender a minha estadia na Alemanha, apercebi-me que o que realmente queria era estudar jazz e aventurar-me nesse mundo da improvisação, quebrar correntes e ultrapassar as fronteiras da música escrita. E assim foi, regressei ao Porto e ingressei novamente na ESMAE, desta vez no curso de jazz que acabei o ano passado.»

É presentemente trompetista na Orquestra Jazz de Matosinhos. Gosta de trabalhar em ambiente de big band? Porquê?
Muito. A OJM tem sido uma verdadeira escola. É muito bom quando fazemos parte de um grupo de 17 músicos que funciona como uma família, onde se partilham momentos de boa música e alguns de puro êxtase. Quando se pisa e partilha o palco do Carnegie Hall com o Lee Konitz tudo faz sentido e esta vida de músico vale mesmo a pena. Ou se toca no jazz standard durante 4 noites com um dos músicos que fez a história do jazz. Ou se grava um disco e partilha palcos com um dos músicos que mais admiro como o Chris Cheek. E com o Mark Turner, Rich Perry, Jordy Rossi, Kurt Rosenwinkel, John Hollenbeck, Maria Scnheider e todos os outros que já tocaram com a OJM.»

Quais as principais mais-valias que a presença na OJM lhe tem trazido enquanto instrumentista?
As mais valias passam pelo treino de leitura, de tocar em naipe, que exige uma boa afinação, bom ritmo e um som bem projectado e que funda bem. Exige que se ouça o que se passa à nossa volta. E claro está, tudo aquilo que apreendo dos músicos incríveis que têm tocado com a orquestra. Vale mais do que várias horas de aulas e de estudo.»

De todas as experiências que já teve nos domínios do jazz e da música improvisada, quer destacar duas ou três que a tenham marcado particularmente?
Ter tocado com a OJM e o Lee Konitz no Carnegie Hall em 2007 e quatro noites no Jazz Standard em 2009 foi certamente das experiências mais gratificantes que já vivi. Ser dirigida pela Maria Schneider e tocar a música encantadora que ela escreve. Ter tocado a música do John Hollenbeck. Todos os concertos que a OJM fez com o Chris Cheek e o Mark Turner.»

É um estigma, mas é assim: quando se fala de mulheres no jazz, fala-se sobretudo de cantoras, poucas vezes de instrumentistas... Como vive essa realidade? É frequentemente confrontada com ela?
É verdade que já me perguntaram algumas vezes se era cantora e claro que já ouvi alguns comentários mas nunca desagradáveis ou intimidatórios. Na realidade quando digo que toco trompete a reacção das pessoas é de surpresa mas sempre positiva. Eu cresci dentro desse mundo predominantemente de homens e convivo com essa realidade muito bem. É o que é… é o que sou…»

No plano artístico, o que procura então? Assume-se como compositora do seu próprio repertório?
O que procuro na minha música, assim como na vida, em última análise é ser fiel a mim mesma e verdadeira enquanto contadora de histórias… é isso que procuro quando me atrevo a compôr. Na realidade, ainda é complicado assumir-me como compositora, ainda que toque a minha própria música. São sentimentos um pouco contraditórios, os que sinto em relação a isso. Por um lado acredito profundamente que devemos desenvolver, também na composição, a nossa verdadeira essência, sem tentarmos ser alguém que não somos ou copiando alguém em quem não acreditamos. Assim sendo, a música que me proponho tocar é aquilo que sinto, aquilo que sou… enquanto músico e enquanto pessoa… Por outro lado, ainda não me consegui libertar do meu eu mais crítico e pessimista e, por conseguinte, vivo com a dúvida constante de não saber se aquilo que faço neste momento é válido e digno de ser mostrado aos outros. E, se não o for por outros motivos, pelo menos tento acreditar que o será porque é feito com verdade e paixão.»

Como encara a tradição jazzística? Como elemento central ou como rampa de lançamento para outras aventuras?
Definitivamente como rampa de lançamento para o que está para além do passado e do agora… Estou à procura… E espero que essa procura seja uma constante em toda a minha vida. Quando se pára de procurar já acabou… Respeito muito a tradição jazzística, aliás, respeito tanto que não consigo imaginar-me a tentar tocar como o Kenny Dohram ou o Fats Navarro ou Freddie Hubbard ou o Woody Shaw. Eram únicos e fantásticos mas é o passado, sem o qual nada do que hoje se faz em termos de música moderna dentro do jazz faria sentido. Mas é preciso seguir o caminho do futuro.»

Qual o seu conceito de "improvisação"? Como concilia composição com improvisação? Qual dos pratos pesa mais no seu processo criativo?
Por um lado é como se as composições fossem a forma e as improvisações o conteúdo... ou seja, o fim é improvisar mas para que não aconteça do nada existe uma composição que serve de ponto de partida para a improvisação, por vezes pode ser só um motivo ou uma melodia. Por outro lado, existem composições que valem por si mesmas e em que a improvisação não tem um papel preponderante e não vai acrescentar muito mais à música. E no meio do caminho encontra-se um equilíbrio que considero interessante entre composição e improvisação em que ambas desempenham papéis igualmente importantes. Gosto de explorar todos os caminhos... no entanto grande parte do que experimento fica por isso mesmo, pela experimentação de quem está à procura mas nem sempre encontra. Apesar disso seria talvez mais sensato da minha parte dizer que estou sempre a improvisar (às vezes tenho mais tempo para pensar outras nem por isso).»

O quinteto é o seu principal projecto. Como se formou, quem o integra actualmente e o que representa para si?
O quinteto começou no último ano da ESMAE, pela necessidade de me exprimir enquanto músico e de poder tocar com os músicos que admiro. Em 2007, convidei o Zé Pedro Coelho no saxofone, Eurico Costa na guitarra, o Miguel Ângelo no contrabaixo e o Marcos Cavaleiro na bateria. Gostei muito de trabalhar com eles e muito lhes tenho a agradecer por, desde o princípio, estarem comigo e contribuírem para que a minha música tenha tomado forma e vida. Entretanto ficou tudo em suspenso quando fui para Roterdão fazer o mestrado em Jazz Performance. Agora decidi recomeçar o quinteto com o André Fernandes na guitarra e o Demian Cabaud no contrabaixo. Estou muito contente que este quinteto possa realmente começar a acontecer e muito feliz por poder partilhar o palco com estes músicos que muito admiro e respeito.

Tem planos para gravar o quinteto?
Para já tenho um sonho, espero que um dia destes o sonho passe a plano e então que possa finalmente acontecer.»

Em que outros projectos está envolvida presentemente?
Além da OJM, que tem sido o projecto mais importante ao qual estou ligada, faço parte de uma outra orquestra, a European Jazz Orchestra, que integra músicos de Portugal, da Eslovénia e da Alemanha. Quando fui para Roterdão, em Outubro de 2008, surgiu a oportunidade de desenvolver um projecto em trio, com o Gonçalo Almeida no contrabaixo e um baterista canadiano, Greg Smith, que me tem dado muito prazer e com o qual estamos, os três, muito contentes e muito empenhados em descobrirmos o que temos para descobrir!»

Também desenvolve actividade docente (na Escola Jazz ao Norte). É gratificante para si ensinar? O que procura transmitir de essencial aos seus alunos?
Sim, é muito gratificante quando temos alunos com quem conseguimos comunicar e obter feed-back daquilo que tentamos transmitir. Além de que ensinar permite-me também aprender sempre mais. O essencial que tento passar aos meus alunos é que devem sempre ser honestos com a música e com eles próprios. E depois é trabalho árduo... E é importante que haja a consciência que não existe o absoluto (o que funciona para uns pode não funcionar para outros) e portanto o nosso melhor aliado é o conhecimento do que existe para depois podermos escolher o que melhor se adequa a nós próprios. No final das contas, nós é que somos o nosso melhor professor, ou pior, se for esse o caso...»

Entre os trompetistas portugueses, encontra afinidades musicais especiais com algum(ns) dele(s)? Quer dizer porquê?
O trompete é um instrumento sem grande tradição no nosso país, querendo com isto dizer que existem muito poucos trompetistas e alunos de trompete. De alguma forma foi por isso que fui para Roterdão, principalmente para ter aulas com o Eric Vloiemans, mas onde também tenho aulas com o Jarmo Hoogendijk e o Wim Both. Na ESMAE, tive aulas com o Laurent Filipe, em quem admiro o som e o fraseado. Gosto sempre de ouvir o João Moreira, respeito-o muito enquanto músico.»

Se lhe fosse concedida essa possibilidade, com quem gostaria de trabalhar em Portugal? E a nível internacional?
Se me dessem a escolher qualquer músico em Portugal para tocar no meu quinteto escolheria exactamente aqueles que tenho o prazer de ter ao meu lado neste momento. Tenho tocado (com a OJM) com alguns dos músicos que mais admiro, como o Chris Cheek, o Mark Turner, o Lee Konitz, o Kurt Rosenwinkel… e tantos outros. Não me posso queixar!»

Como analisa o panorama do jazz em Portugal?
Difícil… eu acho que há cada vez mais músicos a tocar muito bem… e também temos grandes músicos não-portugueses a passar por cá e a tocar com músicos portugueses, o que é sempre bom, o intercâmbio de ideias e sons… temos muitos festivais de jazz por Portugal fora… já vamos em 3 escolas superiores com o curso de jazz a funcionar… faltam talvez mais oportunidades para quem está a começar… mais espaços para se tocar regularmente… não sei.»

Quer estabelecer as diferenças entre as cenas do Porto e de Lisboa?
Isso agora… mais oportunidades em Lisboa do que no Porto... é preciso trabalhar para igualar a pontuação!»

O que costuma ouvir regularmente?
Tento sempre ouvir muita música e de tudo um pouco dentro do jazz e da música improvisada. Tenho necessidade de estímulos musicais variados e frescos… gosto de descobrir música nova que me surpreenda. Nestes dias que correm ando a ouvir e a descobrir Peter Evans… impressionante! E também Tom Arthurs... por vezes acho que devo ouvir mais trompetistas do que sinto vontade!»

Quais os planos que tem em carteira para os próximos tempos?
Os meus planos, em primeiro lugar, passam por acabar o mestrado em Jazz Performance na Codarts, em Roterdão. Depois quero continuar a tentar escrever música para o Quinteto e para o Trio. Gostava muito de ter oportunidade de tocar muito porque de momento sinto falta de tocar mais em pequenas formações, tocar regularmente de forma a que haja tempo para haver uma evolução pessoal e colectiva. E ainda gostava muito de conseguir concretizar um plano feito em duo com uma pianista eslovena, Kaja Draksler. A ver vamos…

Para saber mais http://www.myspace.com/susanasantossilva/

[Este entrevista serviu de base para a elaboração do Perfil de Susana Santos Silva publicado no n.º 27 da revista jazz.pt (Setembro/Outubro 2009)]

Publicado por António Branco às 06:47 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 11, 2010

MÚSICAS NO PLURAL 11 JAN 2010

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Músicas no Plural - Um programa de Rui Neves com edição de Tiago Jónatas, que se encontra disponível no site do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian.
Edição de 11 de Janeiro de 2010

"Midnight Torsion do pianista Eric Watson, música para a obra cénica Lettres, inspirada no poema O Corvo de Edgar Allan Poe, estreada em Strasbourg em 2007; a Circulasione Totale Orchestra aglutinada e dirigida desde 1984 pelo saxofonista norueguês Frode Gjerstad, perpetuando o expressionismo free, em Bandwidth, colecção de registos em concerto."

Para descarregar, aqui.

Publicado por António Branco às 10:07 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 10, 2010

OS SABORES DO JAZZ - EDIÇÃO 1032

"Os Sabores do Jazz" é um programa da jazz da autoria de José Ribeiro Pinto e emitido aos domingos na Antena 1 – Açores há 17 anos, entre 23h10 e as 24h00.

O programa, na palavras do seu autor, "pretende mostrar que o jazz é bonito e saboroso".

Hoje, 10 de Janeiro de 2010, vai para o ar a edição n.º 1032. Aqui fica o alinhamento desta emissão:

Zé Eduardo Unit - "Noddy" ("A Jazzar Live In Capuchos")
Zé Eduardo Unit - "Abelha Maia" ("A Jazzar Live In Capuchos")
Dennis González/João Paulo - "Spacegrace" ("Scapegrace")
Dennis González/João Paulo - "First Song" ("Scapegrace")
Charles Lloyd New Quartet - Concerto no dia 4 de Outubro no Angrajazz 2009 (pequeno extracto)

Publicado por António Branco às 03:26 PM | Comentários (1) | TrackBack

UM TOQUE DE JAZZ NA ANTENA 2

Hoje vai para o ar mais uma emissão do programa "Um Toque de Jazz" com Concertos Internacionais (2): o quinteto Alias de Peter Danemo & Iain Ballamy na Hörsalen da Kulturhuset (Estocolmo) em 05 de Abril de 2008; e o trio de Christof Lauer (com o convidado Michel Godard) nos Estúdios Rolf Liebermann (Hamburgo) em 10 de Julho de 2008. Gravações Euroradio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos domingosentre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Webcast: http://tv1.rtp.pt/wportal/popups/player.php?canal=2
Arquivos: http://tv1.rtp.pt/wportal/multimedia/programa.php?prog=1126&from_iframe=on

Emissão on-line: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 09:21 AM | Comentários (1) | TrackBack

JOSÉ DUARTE NA RÁDIO

Na emissão deste domingo do programa "A Menina Dança?" poderemos escutar Adriana, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Carol Welsman, La Vergne Smith, Barbara Long e Jacinta. A Menina Dança? é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, aos domingos, das 23h10h às 24h00.

Nas emissões desta semana do programa "Cinco Minutos de Jazz", vão estar em destaque blues (até sexta, 15). Cinco Minutos de Jazz é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, de segunda a sexta às 22h50 e às 03h50.

Por seu lado, nas emissões desta semana do programa "Jazz com Brancas", vão estar em destaque: James Carter (segunda, 11); Jesús Santandreu (terça, 12); Thelonious Monk (quinta, 14) e Virxilio da Silva (sexta, 15). Jazz com Brancas é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 2, de segunda a sexta às 20h05 e às 21h00.

Na região de Beja, a Antena 1 pode ser escutada em 87.7 FM (em Mértola 90.9 FM) e a Antena 2 em 91.1 FM.

Publicado por António Branco às 08:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 09, 2010

AQUI JAZZ NA ANTENA 2

Hoje na Antena 2 há "Aqui Jazz", programa da autoria de José Navarro de Andrade. Não foi disponibilizada informação sobre os conteúdos a serem emitidos. "Aqui Jazz" vai para o ar aos sábados entre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Publicado por António Branco às 08:05 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 08, 2010

DOWNBEAT JAN10

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Está disponível o número de janeiro de 2010 da revista norte-americana Downbeat.

Eis um breve sumário do que há para ler nesta edição:

CAPA
Best CD´s of the 2000´s
FIRST TAKE (Frank Alkyer)
“The Beauty of a Rambling Boy”
CHORDS & DISCORDS
THE BEAT
"4 Strings, 70 Years Honored in D.C. – Bassist Ben Williams takes top prize... ”
“Bostonians Cheer Cotton´s Blues Decades”
“New York Jazz Musicians Rally for Pension Contributions”
RIFFS
THE QUESTION IS…? (John Corbett)
“How important is radio-broadcast, online, satellite – to the jazz world today?”
(Brian Haas, Myron Walden, Alexis Cuadrado, Brian Bromberg, Bill Mays, Cecil McBee)
VINYL FREAK (John Corbett)
Joseph Scianni “Man Running” (Savoy, 1965)
CAUGHT
“Ornette Coleman Remains Unpredictable in Jazz at Lincoln Center Debut”
“Bradford Honored, Young Talent Represented at Seventh FONT"
“Murphy Scholarship Concert Promotes Sisterhood”
PLAYERS
“Linda Oh – Destiny´s Diversity”
“Aruán Ortiz – Personal Language”
“James Carney – Cinematic Gospel and Gargoyles”
“Clay Ross – Maracatu Odyssey”
BEST CD´S OF THE 2000S
“Catering to the Minority”
“Artists´ Perspectives on the 2000s”
“History Repackaged”
“Music and Retail”
“A Grand Convergence?”
“Best CDs of the 2000s”
DOWNBEAT U JAZZ SCHOOL
“The Art of Expression”
WOODSHED
“Master Class”- "Applying The Axis Concept To Improvisation” (Pete McCann)
“Master Class”- "Composing Contrafacts On Standard Chord Changes” (Greg Abate)
“Solo” – “Brad Shepik´s Guitar Solo on “Carbonic”” (Nick Fryer)
“Solo” – “Joe Lovano´s Chromatic Tenor Saxophone Solo on “Oh!”” (Jimi Durso)
“Legal Session” – “Compulsary License Provisions Of Copyright Law” (Alan Bergman)
JAZZ ON CAMPUS
“California´s Jazzschool Launches Degree Program”
“School Notes”
TOOLSHED
“Gear Box”
REVIEWS
Hot Box
Jon Irabagon – “The Oserver”
Soullive – “Up Here”
Charlie Mariano – “The Great Concert”
Jeff Hamilton Trio – “Symbiosis”
Books
“Will You Take Me As I Am: Joni Mitchell´s Blue Period” (Michelle Mercer, Free Press)
BLINDFOLD TEST
Enrico Pieranunzi

Publicado por António Branco às 07:53 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 06, 2010

ENTREVISTA COM VIRXILIO DA SILVA

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Virxilio da Silva

O jovem guitarrista Virxilio da Silva é um dos mais consistentes nomes que têm nos últimos anos vindo a emergir da dinâmica cena jazzística da Galiza, em especial daquela que gravita em torno do Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra. O impulso decisivo dado por músicos como Paco Charlín e Abe Rábade tem permitido a descoberta de jovens talentos, que começam a evidenciar-se dos dois lados da fronteira. Conhecido dos portuguesas por via da sua colaboração com a Orquestra Jazz de Matosinhos, Virxilio da Silva lança agora o seu disco de estreia como líder. O Improvisos Ao Sul conversou com ele.

Depois de vários discos de outros músicos e projectos (Paco Charlín, SOS Trio, SPJ Group, etc.), chegou a vez de editar o seu primeiro disco como líder, "Odysseia". Como caracteriza este seu disco?
"Odysseia" é um disco em que trato de ser o mais sincero possível tanto na minha maneira de tocar como na minha maneira de escrever. As músicas que lá estão são um espelho daquilo que eu ando a fazer e a estudar agora. É, simplesmente, a música que eu tenho na cabeça neste momento. Acho que se vêem reflectidos nele o meu gosto pela tradição jazzística e os standards.

Em termos musicais, como guitarrista e compositor, como se posiciona?
Não sei se consigo dar uma resposta a isso, somente sou uma pessoa curiosa em procura de alguma coisa que não sei realmente o que é; mas desfruto imenso nesse meu processo de procura.

Quer falar-nos um pouco sobre como é o seu processo criativo? Como balança as componentes de composição e improvisação?
Considero-me mais improvisador do que compositor por enquanto. Acho que na maior parte dos casos as minhas músicas são pretextos para me encontrar na seccão de solos com a gente que comigo está a tocar, e tratar de fazer música entre todos, contar historias. A respeito do meu processo compositivo, às vezes é uma melodía moito simples na minha cabeça, um motivo, uma ideia harmónica, coisas que depois tento desenvolver e dar-lhes forma.

No disco, é perceptível um claro respeito pela tradição do jazz. Na música, como analisa a importância de olhar para trás para poder caminhar em frente?
Olhar para tras é fundamental. É preciso conhecermos a tradição, amá-la e respeitá-la. Doutra maneira não seria possível caminhar rumo a nenhum lugar interessante.

É influenciado pelos blues ou prefere outro tipo de linguagens?
Sou muito influenciado pelos blues. Os primeiros músicos que eu adorei foram Robert Johnson, Son House, Blind Willie Johnson, Muddy Waters, Albert King, Freddie King, Albert Collins e um longo etcétera...

E quem são as suas principais referências na guitarra? As influências de Wes Montgomery parecem-me bastante claras...
Acho que Wes Mongomery e Jim Hall são as minhas principais referências na guitarra. Eles têm uma presença constante no meu estudo desde que comecei a me interesar por este género. Contudo, não faltam outros não menos importantes para mim, como Charlie Christian, Grant Green, Kenny Burrell, Billie Bean, ou os máis actuais Kurt Rosenwinkel, Peter Bernstein, Jonathan Kreisberg, Lage Lund…

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De entre os guitarristas da sua geração quais são aqueles com que mais se identifica?
Posso dizer que me identifico com os companheiros que estudaram comigo no SPJ, não especialmente guitarristas, e com os que toco com frequência, sobretudo, Xan Campos, Iago Fernández, Max Gómes, José Ferro, Iago Vazquez, Juansi Santomé, etc..

O seu som estás de certa forma próximo do do guitarrista português Bruno Santos... Conhece o trabalho dele?
Não conheço o seu trabalho em profundidade, só tenho visionado alguma coisa dele na net.

Tem sido habitual a colaboração de músicos norte-americanos com músicos galegos. Como se proporcionou a participação de Walter Smith III, Derek Nievergelt e Marcus Gilmore?
Eles estiveram cá na Galiza uma semana a dar aulas no Pontejazz Workshop e fazendo uma data de gravações à volta deste evento. Foi o Paco Charlín, que faz parte da equipa do Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra, quem me ofereceu a oportunidade de gravar o disco com estes grandes músicos. Este Workshop já há anos que se organiza na cidade de Pontevedra em torno ao Festival Internacional de Jazz e forma parte da constante preocupação do Seminario por ensinar. Serve como ponto de encontro fundamental entre os alunos e músicos galegos deste género musical com grandes músicos de todo o mundo, incluidos também os músicos portugueses, além da colaboração com músicos norte-americanos.

Tenho acompanhado com alguma atenção o panorama do jazz na Galiza, em especial o trabalho desenvolvido pelo Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra. Quais são, em sua opinião, as razões de todo este dinamismo?
Á volta do ano 2000, dois músicos com ideias novas voltam à Galiza depois de realizar os estudos na Berkley College of Music: Paco Charlín e Abe Rábade. Eles e Luís Carballo, como coordenador, decidem criar um Seminário Permanente de Jazz em Cangas.Um ano mais tarde muda-se para Pontevedra, consolidando-se nesta cidade tal como hoje o conhecemos. O apoio da Câmara Municipal e, sobretudo, o empenho destas três pessoas e de alunos com muita vontade de aprender fizeram possível que o Seminario terminasse com o obscurantismo reinante na Galiza até então no âmbito do jazz e que as novas esperanças se fizeram ouvir além das fronteiras do nosso país . Não tenho dúvida alguma de que o Seminário de Jazz de Pontevedra é o responsável de que hoje na Galiza se possa falar de uma nova geração de músicos de jazz, a minha geração.

Tem tocado do lado de cá da fronteira, inclusivamente com a Orquestra Jazz de Matosinhos. Como têm sido estas experiências de intercâmbio transfronteiriço?
É sempre um grande prazer tocar com a OJM. Não há muitas big bands a funcionar tão bem como esta, com projectos tão interessantes e com uma vontade tão grande de fazer um bom trabalho.

Acha que estas relações musicais se deveriam intensificar?
Sempre é interessante o intercâmbio. Hoje em dia já temos bons exemplos destas relações. Pelo SPJ já passaram músicos como Nuno Ferreira, João Moreira, Zé Eduardo, Nelson Cascais, Bruno Pedroso, Afonso Pais, Aleixandre Frazão, Sergio Carolino, Mário Delgado, Joana Machado, João Guimarães, Zé Pedro… Neste curso 2009- 2010, Abe Rábade está a dar aulas de piano na ESMAE, eu mesmo estou a dar algumas aulas lá enquanto termino a licenciatura. Acho que o interesse pelas duas partes é mais que evidente. Temos de seguir trabalhando para melhorar ainda mais as nossas relações até que seja indiferente estar a tocar em Vigo, Porto, Lisboa ou Compostela.

O que conhece do jazz português? Os músicos portugueses são conhecidos na Galiza?
A minha apreciação é que os músicos galegos conhecem bastante bem o panorama jazzístico português e as relações são boas, mas o público não é tão conhecedor daquilo que está a acontecer além-Minho.

Já tem planos para o que fazer a seguir?
Se se referir a outro trabalho discográfico, certamente não. No entanto, estou com muita vontade de tocar as músicas que neste disco estão e dar a conhecer o meu trabalho fora da Galiza.

Publicado por António Branco às 07:31 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 05, 2010

MASTERCLASSES SONGWRITER SERIES01

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A Escola do Hot Clube de Portugal vai receber, durante uma semana - de 11 a 17 de Janeiro -, 6 figuras emblemáticas da música nacional - 6 escritores de canções e intérpretes de renome. Nestas masterclasses - intituladas Hot Club Songwriter Series 01 - moderadas por Mafalda Costa - serão abordados diversos temas: escrita de canções e de letras, gestão de carreira, interpretação e método de trabalho.

Esta série de colóquios estará aberta ao público em geral e pretende derrubar as barreiras que existem entre os diversos géneros musicais e estimular a diversidade e musicalidade dos ouvintes, missão constante no jazz e na música improvisada. Direccionada a músicos e não músicos, poderão ser colocadas todas as questões aos artistas convidados, que irão partilhar a sua experiência directamente com o público.

As masterclasses terão lugar nas instalações da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, sitas na Travessa da Galé, n.º 36, 1ºdto, em Lisboa.

Publicado por António Branco às 07:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 04, 2010

MÚSICAS NO PLURAL 04 JAN 2010

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Músicas no Plural - Um programa de Rui Neves com edição de Tiago Jónatas, que se encontra disponível no site do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian.
Edição de 4 de Janeiro de 2010

"aisagens sonoras de eco sistemas numa celebração da bio diversidade em registos de investigadores bio acústicos editados no catálogo Frémeaux & Associés: sons de macacos Siamongo, de rouxinóis, de rãs e sapos e de veados, verdadeiros concertos da Natureza."

Para descarregar, aqui.

Publicado por António Branco às 09:51 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 03, 2010

OS SABORES DO JAZZ - EDIÇÃO 1031

"Os Sabores do Jazz" é um programa da jazz da autoria de José Ribeiro Pinto e emitido aos domingos na Antena 1 – Açores há 17 anos, entre 23h10 e as 24h00.

O programa, na palavras do seu autor, "pretende mostrar que o jazz é bonito e saboroso".

Hoje, 03 de Janeiro de 2010, passa a edição n.º 1031. Aqui fica o alinhamento desta emissão:

Django Reinhardt - "Minor Swing" (“Djangology”)
Django Reinhardt - "Nuages" (“Djangology”)
Joe Lovano Us Five - "Powerhouse" ("Folk Art")
Joe Lovano Us Five - "Song For Judi" ("Folk Art")
Júlio Resende - "Shine On You Crazy Diamond" ("Assim Falava Jazzatustra")
Marty Ehrlich Rites Quartet - "Rites Rhtyhms ("Things Have Got To Change")
Dennis González/João Paulo - "Hymn for Later" ("Scapegrace")

Publicado por António Branco às 08:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

JOSÉ DUARTE NA RÁDIO

Na emissão deste domingo do programa "A Menina Dança?" poderemos escutar Adriana, Frank Sinatra, Andrews Sisters, Earth Kitt, Ella Fitzgerald, Doris Day, Perry Como, Nat Cole, Gene Autry, Elvis Presley, The Platters, Mahalia Jackson e Rosemary Clooney. A Menina Dança? é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, aos domingos, das 23h10h às 24h00.

Nas emissões desta semana do programa "Cinco Minutos de Jazz", vão estar em destaque blues (até sexta, 8). Cinco Minutos de Jazz é um programa de José Duarte que vai para o ar na Antena 1, de segunda a sexta às 22h50 e às 03h50.

Na região de Beja, a Antena 1 pode ser escutada em 87.7 FM (em Mértola 90.9 FM) e a Antena 2 em 91.1 FM.

Publicado por António Branco às 09:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 02, 2010

JAZZ 6/4 - NOVO SITE SOBRE CDs DE JAZZ

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Ano novo, site novo. Já está online o mais recente espaço nacional dedicado ao jazz.

Trata-se de JAZZ 6/4 e reúne a opinião de seis críticos e divulgadores nacionais: Manuel Jorge Veloso (O Sítio do Jazz; Um Toque de Jazz - Antena 2), Raul Vaz Bernardo (Expresso), Leonel Santos (JazzLogical), Paulo Barbosa (Jazz XXI; jazz.pt; Público), Rui Duarte (jazz.pt) e António Branco (jazz.pt; Improvisos ao Sul).

Em cada edição, com periodicidade mensal, JAZZ 6/4, apresentará, para cada um de 4 CDs seleccionados, um conjunto de classificações e críticas, reflectindo as diferentes experiências e assegurando a pluralidade das opiniões.

O Jazz 6/4 está disponível em http://jazz6por4.pt.to. Passe por lá!

Publicado por António Branco às 09:15 AM | Comentários (0) | TrackBack

UM TOQUE DE JAZZ NA ANTENA 2

Amanhã vai para o ar mais uma emissão do programa "Um Toque de Jazz" com Concertos Internacionais (1): a Big Band de Lennart Aberg (com os convidados Peter Erskine e Palle Mikkelborg na Hörsalen da Kulturhuset (Estocolmo) em 04 de Abril de 2008; e a Big Band da Rádio Frankfurt, dirigida por Jörg Achim Keller no Stadttheater de Giessen em 04 de Outubro de 2007. Gravações Euroradio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos domingosentre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Webcast: http://tv1.rtp.pt/wportal/popups/player.php?canal=2
Arquivos: http://tv1.rtp.pt/wportal/multimedia/programa.php?prog=1126&from_iframe=on

Emissão on-line: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 08:27 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 01, 2010

AQUI JAZZ NA ANTENA 2

Hoje na Antena 2 há "Aqui Jazz", programa da autoria de José Navarro de Andrade. Não foi disponibilizada informação sobre os conteúdos a serem emitidos. "Aqui Jazz" vai para o ar aos sábados entre as 23h04 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM e Mértola 92.2 FM).

Publicado por António Branco às 07:26 AM | Comentários (1) | TrackBack

FELIZ ANO NOVO!

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Publicado por António Branco às 12:00 AM | Comentários (1) | TrackBack