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Prossegue hoje no Conservatório Regional do Baixo Alentejo (CRBA) o Curso de Iniciação à História do Jazz, intitulado “Os Trilhos do Jazz”. A sexta sessão está marcada para logo à noite no Auditório Prof.ª Ernestina Pinheiro (CRBA, (Beja), pelas 21h30.
Esta sexta sessão do curso será subordinada ao tema "Estilhaços: o Free Jazz e o Jazz-Rock.
Sinopse:
Em meados dos anos 1950, o rock´n´roll substituiu o jazz – que havia sido a “banda-sonora” da América (anos 1920-1940) – nas preferências do público. Mas o jazz não demorou a dar resposta… Muitos músicos oriundos da corrente hard-bop começaram a explorar domínios mais experimentais (John Coltrane, Cecil Taylor, Ornette Coleman…). Estes artistas queriam que o free jazz (o jazz livre, traduzindo à letra) fosse, também, uma arma política, de certa forma a face musical da luta pelos direitos civis da população negra. Reclamavam não apenas a liberdade nas estruturas musicais, mas, e sobretudo, a libertação definitiva do povo negro afro-americano oprimido durante mais de três séculos, a luta pelos direitos civis, a igualdade das condições e oportunidades e o fim definitivo do racismo na sociedade norte-americana. Nos anos 1960 viviam-se nos EUA tempo sócio-políticos conturbados. O movimento free jazz constituiu-se, pois, como uma reacção da comunidade musical negra, mais interventiva e consciente dos seus direitos. Este conjunto de músicos tinha em mente a abolição dos cânones que regiam a estrutura clássica harmonia/melodia/ritmo, defendendo que o jazz deveria caminhar para a improvisação total. Tal como o bebop, duas décadas antes, o free jazz foi mais do que uma mera etapa, como tantas outras, no decurso da história do jazz, foi (outra) verdadeira revolução, que veio dinamitar muitos dos conceitos que enformavam o modelo de improvisação até então vigente. O final dos anos 1960 ficou marcado pela aliança entre o jazz e o rock (chamada, muitas vezes, de “jazz de fusão”…), recebida com algum desdém por parte dos sectores mais puristas da crítica e do público, que a viam como uma clara cedência à música fácil... Estava aberta a porta à electricidade, aos amplificadores e às electrónicas. O jazz voltava a atrair as atenções do público…
Recorde-se que este Curso está dividido em 8 sessões, com uma duração de cerca de 60 minutos cada. Pretende-se que os participantes adquiram conhecimentos na área do jazz: enquadramento histórico, principais correntes, músicos e discos mais marcantes, etc.. Esta iniciativa surge como uma oportunidade para reunir os apreciadores do jazz – e aqueles que o desejem vir a ser – e contribuir para uma sempre estimulante troca de conhecimentos e experiências sobre esta temática. No final de cada sessão semanal será aberta uma fase de discussão, em que os presentes poderão participar.
A entrada é livre.
Publicado por António Branco às março 12, 2009 06:03 AM
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