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julho 23, 2008
POSTO DE ESCUTA
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Marilyn Crispell - "Vignettes" Marilyn Crispell (piano) Lugano (Suiça), Abril de 2007 Apesar da já longa ligação de Marilyn Crispell (n. 1947) à ECM, “Vignettes” é o primeiro disco a solo da pianista para a editora germânica e surge, em larga medida, na esteira dos lançamentos anteriores, “Amaryllis” (2001) e “Storyteller” (2004). Nos anos mais recentes, Crispell tem vindo a explorar com crescente insistência o lado mais lírico, reflexivo e intimista do seu pianismo, contrastando com as abordagens mais agressivas e ásperas que caracterizam boa parte do seu trabalho anterior. De formação barroca e clássica, Crispell descobriu o jazz ao escutar “A Love Supreme”, e, mais tarde ao embrenhar-se na obra de Cecil Taylor. A parceria com Anthony Braxton permitiu-lhe continuar a explorar novas soluções, catapultando-a para as altas esferas do jazz mais livre e da música improvisada. O título escolhido é perfeitamente apropriado, visto a pianista nele alternar peças previamente compostas, com improvisações espontâneas, a que chamou precisamente “Vignettes”, miniaturas sonoras polvilhadas ao longo do disco. A música é límpida e cristalina, feita de detalhes e subtilezas, onde os jogos com o silêncio e o espaço deixam transparecer diferentes sentimentos e emoções. As influências de Paul Bley (na precisão) e do jazz do Norte da Europa (há uma peça sugestivamente intitulada “Sweden”) fazem-se sentir de forma evidente, essencialmente ao nível da construção de atmosferas gélidas e de grande contenção. A toada é meditativa, poética, introspectiva (“Cuida Tu Espiritu” – soberbo –, “Gathering Light”), o que não significa que não hajam passagens de maior abstracção, como a peça de abertura, “Vignette I”. Nos momentos improvisados, a pianista percorre, com rara elegância, o espectro das emoções, da etérea “Vignette II” à mais enérgica “Vignette III”. A ligação à mais convencional tradição do jazz – aqui entendida no seu sentido mais lato – é feita em “Time Past”, porém com a pianista a subvertê-la à sua estética pessoal. A peça que encerra o disco, “Little Song for My Father” é uma tranquila canção de embalar de espantosa eloquência. Para os cultores do piano solo este é um disco a não perder. Belíssimo. Publicado por António Branco às julho 23, 2008 05:22 AM |
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