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julho 30, 2008

KÜHN/SCLAVIS DUO SÁBADO EM ESTREIA NACIONAL

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Louis Sclavis/Joachim Kühn

É apresentada no próximo sábado, nas Caldas da Rainha, a première nacional do duo formado pelo pianista alemão Joachim Kühn e pelo clarinetista e saxofonista francês Louis Sclavis.

O concerto é às 22h00 no grande auditório do Centro de Congressos das Caldas da Rainha.

"Ainda que muitos tenham como assente que o mundo é governado pelo Acaso, há coisas cuja inevitabilidade parece mesmo obra do destino. Uma delas era (e vai ser nas Caldas da Rainha) a apresentação ao vivo do duo formado por Joachim Kuhn e Louis Sclavis, dois músicos com percursos paralelos nas lides da música criativa de matriz jazz, mas que raramente ser tocaram no passado, excepto numa única e acalamada vez em duo, no ano passado. Vamos agora ter o prIvilégio de vê-los e ouvi-los juntos, pela primeira vez em Portugal, no mais directo dos “tête-a-têtes”, clarinetes em si bemol e baixo e saxofone soprano de um lado, piano do outro. Não estranhará que algumas das composições a servir de base para o trabalho improvisacional de ambos provenham de outros discos destes reconhecIdos compositores, mas neste contexto soarão a algo de muito diferente. Com uma maior crueza, provavelmente, mas também com um reforço de imediatismo. A fórmula escolhida estará, sem dúvida, carregada de referências das músicas “eruditas” contemporânea mas também clássica (Rameau é uma referência para Sclavis e Bach representa o mesmo para Kuhn) mas igualmente de experimentalismos vários e até das sonoridades mais Jazz, terreno comum para ambos e que fácilmente irá despontar neste concerto. Poderão igualmente acontecer alguns motivos relacionados com a música tradicional francesa, muito presente no discurso de Louis Sclavis, ou outras, para Kuhn serve de referência o majestoso “Journey to the Center of na Egg” com o oudista Rabih Abou Khalil. Não há, de qualquer modo, pastiche de estilos nestes procedimentos, nem piscadelas de olho à facilidade ou superficiais pretenciosismos “pós-modernos”. Este é um jazz-esponja que tudo absorve e torna seu. E por mais que se tente fazer prever o que irá acontecer, génios destes são tudo menos previsíveis… Como músico prodígio, Joachim Kuhn, começou a tocar profissionalmente em 1961 e com o seu próprio trio, fundado em 1964, apresentou pela primeira vez o free jazz europeu na Alemanha ocidental. Tocou em Berlim e Newport e gravou com nomes dos dois lados do oceano atlantico, Gato Barbieri, Don Cherry, Karl Berger, Slide Hampton, Philly Joe Jones, Phil Woods, Joe Lovano, Michael Brecker, Tony Malaby, Scott Colley, Chris Potter, nos Estados Unidos, e Albert Mangelsdorff, Aldo Romano, Jean-Luc Ponty, Michel Portal na Europa. Formou com Jean-François Jenny Clark e Daniel Humair um super trio, aclamado como um dos mais importantes ensembles de piano no Jazz. Com eles tocou desde o seu primeiro encontro em 1985, até à morte do contrabaixista Jenny Clark em 1998. Em 1990, foi possível a Joachim Kuhn voltar a tocar na Alemanha de leste depois de 23 anos fora. Depois de muitos anos a gravar para a Verve (onde gravou um mítico dueto com Ornette Coleman), é actualmente a alemã ACT que dá guarida ás suas gravações a solo ou em trio. Herdeiro em vida de Michel Portal, com quem, de resto, actua regularmente, Louis Sclavis é reconhecido como um dos mais inventivos clarinetistas do planeta jazz e seus arredores, tendo colaborado já com muitas das luminárias da improvisação livre ou estruturada, de Cecil Taylor a Fred Frith, passando por Evan Parker e Mark Dresser. Cada álbum que lança é mais do que uma colecção de peças avulsas, obedecendo a um conceito específico, como foi o caso da pintura mural de Ernest Pignon-Ernest homenageada em “Napoli’s Walls”. As suas composições são realçadas pela invoção dos seus conceitos musicais e cada projecto deste músico Francês é aguardado com enorme expectativa pelo mundo do Jazz. O seu Trio com Aldo Romano e Henri Texier correu mundo (inclusivé algumas viagens de exploração musical por Africa que lhes serviram de inspiração para a música criada) e é, talvez, o mais forte grupo do Jazz Europeu dos últimos anos." (texto da organização)

Mais informação, aqui: http://www.ccc.eu.com/artigos/artigo.asp?nid=101&sec=8.

Publicado por António Branco às julho 30, 2008 07:34 AM

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