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João Lobo
Nos últimos tempos tem sido alvo de (merecidos) encómios um pouco por toda a parte. Enrico Rava considerou-o mesmo como um dos bateristas mais interessantes que ouviu nos últimos anos. Entre Lisboa e Bruxelas, João Lobo falou-nos sobre o seu trajecto e sobre o que quer fazer daqui para a frente.
Como surgiu o interesse pela música? Tem familiares músicos ou deu os primeiros passos por sua conta e risco?
O meu pai é um melómano. Tem imensos discos, ouve muita música. Tenho a imagem muito presente de o ver a trabalhar ao fim de semana, em casa, a ouvir música clássica a alto volume. (nunca percebi bem como era capaz). A minha mãe tocava guitarra e cantava bastante bem e cantava e tocava uma versão lindíssima de “Romaria” (que a Elis Regina cantava também). O meu irmão (mais velho) também foi uma forte influência porque também ele ouvia muita música e eu, por arrasto e admiração, ouvia a música que ele ouvia. Ele chegou a aprender uns acordes na guitarra, com a minha mãe, e chegámos a tocar os dois. Também o meu padrinho cantava canções dos tempos da revolução, suas e do Zeca Afonso. Tinha umas belas canções e uma voz grave, quente com uma respiração asmática entre as palavras de que sempre gostei muito. Também o meu avô era um melómano e, devido a uma memória notável e uma curiosidade enorme, conhecia muita música, sobretudo clássica. Foi ele quem me gravou a minha primeira cassete de jazz com música das orquestras do Duke Ellington e Gene Krupa com longos solos de bateria deste ultimo e do Sam Woodyard. Foram os meus primeiros nomes de referência para a bateria. Não há, no entanto na família nenhum historial de músicos profissionais (pelo menos que eu saiba), mas com todo este interesse na família é natural que também eu me interessasse.
A bateria foi primeira escolha como instrumento? Quais os aspectos que determinaram esta opção?
Sim. Não me lembro de ter escolhido a bateria como instrumento. Foi uma coisa muito natural. Recentemente, o meu pai descobriu um boletim da professora de música da minha pré-primária (tinha eu 4 ou 5 anos) que dizia que o meu instrumento preferido era o tambor. Não me lembro dessas aulas mas pelos vistos o gosto pela percussão começou muito cedo. Depois dum período a tocar nos tupperwares e baldes e sofás de casa acabei por decidir comprar uma bateria quando tinha 11 ou 12 anos. Logo a seguir a fazê-lo arrependi-me durante uma semana por não ter comprado uma consola Nintendo com aquele dinheiro. Mas depois lá fui começando a tocá-la e o arrependimento rapidamente desapareceu.
Tem estudos musicais "formais"? Em que medida estes foram (são) importantes?
Sim. Tenho um Bachelor em bateria jazz que fiz no Conservatório Real da Haia (Holanda). Tive um professor, Erik Ineke, que foi importante para mim logo ao princípio porque insistia muito com a importância de ter um bom som e do swing e também me fez conhecer as big bands do Thad Jones e Mel Lewis e do Bob Brookmeyer às quais provavelmente não chegaria sem a sua influência. Não era um músico que me emocionasse mas também não era pretensioso e tinha bastante experiência tendo tocado com nomes como Dexter Gordon, Tete Montoliu ou Dave Liebman. Também foi importante ter tido um bom professor de harmonia ao piano e de ter tocado na big band da escola com um grande saxofonista e professor, John Ruocco, como maestro. Mas o melhor dos estudos não foram as aulas em si nem os professores que tive (com algumas excepções). O melhor foi ter conhecido músicos de todo o mundo (era uma escola bastante internacional) com um nível mais avançado que o meu quando entrei. Aprendi muito com os meus colegas e a outra coisa boa deste conservatório é que tinha boas condições: salas para praticar, para fazer sessões, para gravar, dar concertos. É bom estar num ambiente onde toda a gente se interessa pela música, por aprender, por experimentar e onde existe uma certa concorrência saudável que não nos permite estagnar. Mas, na minha opinião, deve-se saber manter a distância entre a nossa relação pessoal com a música e aquela que às vezes a instituição nos impõe. Uma das melhores coisas para mim enquanto músico foi precisamente acabar a escola. Foi um alívio grande deixar de me sentir aluno e começar a sentir-me músico. Mas eu nunca me dei muito bem com escolas e o melhor destas foi sempre as amizades que fiz e o facto de ter acabado.
Quais são as suas principais referências? (bateristas, não-bateristas…)
As minhas principais referências no instrumento especificamente são várias: as primeiras foram (como já disse) Gene Krupa, Sam Woodyard. Mais tarde fui descobrindo o Philly Jo Jones, Elvin Jones, Paul Motian, Tony Williams, Mel Lewis, Ed Blackwell, Jack De Johnette, Billy Hart, Jon Christensen, Joey Baron, Jim Black, Pal Nilssen-Love. À parte dos bateristas são tantas as referências que nem me lembro de todas para além da lista estar sempre a aumentar, mas posso dizer os primeiros que me vêm à cabeça: J.S.Bach, M.Davis, Jim O’Rourke, Elis Regina, J.Coltrane, K.Jarrett, P.Bley, O.Coleman, Arve Henriksen. Depois existem aqueles músicos com quem tenho ou tive o prazer de tocar que são referências e fontes de inspiração tão ou mais importantes que estes grandes nomes. É o caso de bateristas como Marek Patrman, Oriol Roca, Marco Franco, pianistas como Giovanni Di Domenico, Michal Vanoucek, Giovanni Guidi, João Paulo, Augusto Pirodda. Contrabaixistas como Manolo Cabras, Stefano Senni. Saxofonistas como Alexandra Grimal, Dan Kinzelman, Francesco Bigoni, Joachim Badenhorst, guitarristas como Nico Roig, Norberto Lobo, Nuno Rebelo, Nelson Veras (com este toquei apenas uma vez mas foi uma experiência marcante), a extraordinária cantora belga Lynn Cassiers, e claro (mas estes sendo nomes mais sonantes) o Enrico Rava, Gianluca Petrella e o Carlos Bica.
Vê a música como um veículo de expressão? O que mais lhe interessa na música?
Sim. A música é um modo de comunicar. Interessam-me muitas coisas na música. O facto de não haver fronteiras na música e de esta permitir um entendimento entre todas as pessoas e de apelar à sensibilidade e inteligência delas e de poder ser usada de tantas maneiras para nos fazer melhores e de tão poucas para nos fazer piores, fascina-me. Outra vertente que me atrai na musica é a do contacto entre músicos e entre músicos e público. Através da música fiz muitas e grandes amizades e isso é maravilhoso. A música dá esperança porque é uma daquelas belas coisas que o Homem sabe fazer.
E o jazz? Quando e como surgiu o interesse mais profundo por este universo?
Como já disse antes, o primeiro contacto que tive com o Jazz foi através do meu avô (eu devia ter uns 15 anos). Mas aquela cassete foi também o resultado de eu me começar a interessar por aquela música. O facto de tocar bateria tem muita a ver com isso, porque da mesma maneira que um violoncelista não pode evitar as suites de Bach, um baterista não pode evitar o jazz, que é de onde a bateria vem, para cuja música foi inventada. Essa foi a primeira razão. À medida que fui ouvindo, a minha curiosidade foi aumentando, também porque requeria alguma atenção e porque me parecia uma música bastante misteriosa. Lentamente, fui entrando mais e mais nesse mundo e o facto de ter entrado na escola do Hot Clube e de ter tido como primeiro professor de combo o Pedro Moreira foi também uma injecção de motivação. Ele deu-me a primeira definição de swing e até agora foi a melhor que ouvi. Ele foi também uma pessoa bastante importante para mim no curto espaço de tempo em que o tive como professor. Ele encorajou-me muito quando decidi ir para a Holanda estudar com a pouca preparação que tinha. Desde então fui aprofundando este interesse, e cada vez me identificava mais com essa linguagem.
Na área do jazz tem tocado com muitos dos nomes emergentes do panorama nacional, mas também com figuras de referência. Trace-nos um breve historial da sua actividade como baterista de jazz.
O historial é mesmo breve. O primeiro concerto de jazz que fiz foi com uma big band de Lisboa, que acho que ainda existe, chamada Lisbon Swingers. Era (ou é) um grupo de amadores e amantes do jazz que encontravam tempo nas suas vidas ocupadas com outras coisas para se dedicarem um pouco ao repertório de Sam Nestico, Count Basie, Duke Ellington. Tive de tocar só com dois ensaios, uma música que conhecia mal e com os meus muito limitados dotes de leitura. Foi no princípio do meu segundo ano no Hot Clube. Foi assustador e deve ter soado muito mal mas tenho um certo orgulho no facto de o ter feito. Depois comecei com aulas de combo no Hot Clube e fazendo algumas sessões com colegas. Depois fui para a Holanda e aí, numa cidade que era um terço de Lisboa, havia jam sessions praticamente todos os dias em vários sitios que eu comecei a frequentar. Depois havia as muitas sessões com colegas do Conservatório. Começaram os grupos e concertos. Entretanto fazia parte dum grupo chamado As Guests 4tet com o qual vencemos a mais importante competição holandesa, a Dutch Jazz Competition, que nos permitiu gravar um álbum e tocar no prestigiado North Sea Jazz Festival. Depois comecei a dar cada vez mais concertos, a ter cada vez mais grupos, a tocar fora da Holanda e quando acabei o conservatório comecei de imediato a ter algum trabalho. Foi nesse ano que comecei a tocar com o Giovanni Guidi, pianista italiano que tinha conhecido no workshop de Siena, onde também conheci o Enrico Rava, e que me ligou um dia para fazer uma série de concertos no Umbria Jazz. Depois fui conhecendo mais músicos, um bocadinho por acaso. Comecei a tocar com o Scott Fields graças ao Pedro Costa da Clean Feed, e depois tive o convite dos meus sonhos, o de substituir o Roberto Gatto no quinteto do Enrico Rava, no Canadá. Pouco depois passei a fazer parte do grupo New Generation do Enrico, e ainda menos depois surgiu o convite do Carlos Bica para fazer uns concertos no final de 2007 e no verão de 2008 com um grupo de ilustres do jazz português. Foi um segundo sonho tornado realidade porque sempre gostei muito do Bica, quer individualmente como músico quer como lider do trio Azul. Além desta recente colaboração com o Bica, João Paulo e Mário Delgado, as minhas colaborações com músicos de jazz portugueses resumem-se a uns poucos concertos com a cantora portuense Sofia Ribeiro e alguns concertos e participação no primeiro disco do pianista Júlio Resende.
Como se posiciona esteticamente, enquanto músico?
Eu gosto de imensa música diferente e mesmo como músico (e sobretudo como jovem que sou no mundo musical) interessa-me tocar um pouco de tudo. Mas tenho, é claro, as minhas preferências. Gosto sobretudo de música com liberdade e onde tenha a liberdade de tocar aquilo que oiço. Por isso gosto de improvisar e por gostar de improvisar gosto do jazz. Também me interessa a música de carácter mais experimental mas não necessariamente pelo resultado final. E gosto, é claro de música enraízada no rock/pop/alternativo/independente/hip-hop/baião (não gosto muito da classificação de estilos musicais) que é o que ouvi em grande parte da minha adolescência.
Na recorrente questão "swing vs. não-swing" para que lado se inclina?
O swing, como o entendo eu, pode ter 3 significados. Ou define uma época da história do jazz (que não me parece ser o sentido usado aqui), ou define um padrão rítmico no sentido académico do jazz (o que não me interessa) ou descreve uma tensão rítmica que, de uma maneira um pouco misteriosa, dá movimento a qualquer tipo de música. Eu gosto dessa tensão, desse movimento.
A improvisação é para si um elemento central? Gosta de impor limitações à improvisações?
A improvisação é , para mim, muito importante. É uma forma de composição e, como qualquer outra forma de criação, é ao mesmo tempo a coisa mais difícil de fazer e a mais fácil. É também um grande desafio que requer muito do músico. As limitações às vezes vêm por bem e quando assim é são bem-vindas. Depende das limitações. Se são para se defender do risco, não gosto. Se são por uma razão específica, para servir a música, pode ser.
De entre as novas correntes do jazz, sente afinidade especial com alguma(s) dela(s)? Qual é o seu jazz? Quer referir nomes actuais com os quais se identifique?
É muito difícil para mim, definir, cortar, separar, descrever estilos, correntes. Também tento não perder muito tempo com isso porque não me interessa. A minha música é muita e diversa e identifico-me com muitos músicos, sobretudo aqueles com quem toco...
Em que projectos está actualmente envolvido?
Tenho vários projectos neste momento. Na Itália estou a tocar no quarteto do pianista Giovanni Guidi (que recebeu recentemente o prémio de melhor jovem talento do jazz italiano) e no grupo New Generation do Enrico Rava. Em Bruxelas comecei há pouco tempo a tocar no grupo do guitarrista catalão Nico Roig chamado “os meus shorts” com o qual fizemos alguns concertos em Portugal em Dezembro passado. Sempre nesta cidade continuo a colaboração que já vai em 5 anos com o Giovanni Di Domenico: temos um duo (piano-bateria e outros instrumentos) chamado Verdes Sons dedicado à música de Carlos Paredes e também à improvisação. Gravámos em 2003 para a compilação “Movimentos Perpétuos - Música para Carlos Paredes” e gostavamos muito e estamos mais que preparados para gravar um álbum mas ainda não encontrámos modo de o fazer. Entre Bruxelas e Paris tenho também um quarteto com a saxofonista parisiense Alexandra Grimal, o pianista Giovanni Di Domenico e o contrabaixista Manolo Cabras. É um projecto colectivo com um som muito especial com o qual toco já há alguns anos mas que teima em sair pouco da gaveta apesar da qualidade e originalidade que tem. Ganhámos a competição de Avignon o verão passado e o 3º prémio no Festival de la Defense em Paris e, em princípio, editaremos um álbum em breve. Entre Bruxelas e Roterdão um quarteto de improvisações italo-portuguesas com o Daniele Martini no saxofone tenor, Giovanni Di Domenico no piano e o Gonçalo Almeida no contrabaixo (somos os Tetterapadequ) com o qual tocámos já algumas vezes em Portugal. Em Colónia toco no trio do Scott Fields com o qual saírá este ano um novo album pela CleanFeed. Em Lisboa tenho o meu mais antigo grupo, os Norman, com o qual espero este ano editar um album e fazer mais do que os habituais 3 concertos por ano, e também um muito recente quarteto com Norberto Lobo, Ana Araújo e Marco Franco chamado Microméchant. Para além, é claro, de fazer parte do grupo do Carlos Bica com o Mário Delgado e João Paulo.
Desenvolve actividade de composição? Está nos seus planos gravar e editar projectos enquanto líder?
Componho muito pouco mas espero fazê-lo mais no futuro. Está nos meus planos editar um disco que não falta muito para acabar com a minha banda mais antiga, os Norman. Somos 3 (eu na bateria, Norberto Lobo na guitarra electrica e Manuel Lobo nos teclados e baixo) que co-lideramos e escrevemos música para um projecto que nos é muito querido e que esperamos editar até ao fim deste ano que começa. Também está nos meus planos gravar e editar um disco com o quarteto de que falei antes (com a Alexandra Grimal, Giovanni Di Domenico e Manolo Cabras). Espero editar também este ano com os Tetterapadequ um disco que já está gravado. Enquanto líder não tenho nenhum projecto nem planos de o fazer. Além de escrever pouca música, interessa-me mais, neste momento, trabalhar em colaboração com outros músicos. Tenho em mente também um projecto a solo, que começou por incentivo do meu amigo e grande músico Manolo Cabras que gravou algumas vezes, durante pausas de sessões com grupos dos quais fazíamos parte os dois, pequenas improvisações minhas, a solo, algumas das quais se podem ouvir no meu MySpace. A ideia é gravar mais improvisações e co-produzi-las com o Manolo. Por isso, mesmo neste caso seria um projecto de colaboração.
Tem tocado em diferentes contextos musicais. Em qual(ais) dele(s) se sente mais à vontade? Onde está o segredo para esta constante adaptação?
Para mim é muito importante a relação pessoal que tenho com os músicos com quem toco. Isso é já um factor importante para me sentir mais ou menos à vontade. Mas é certo que há situações musicais em que me sinto mais à vontade e quase sempre são contextos de música improvisada (mas depende também muito de quem se trata) e jazz.
Não existe segredo para a adaptação. Acho que é importante manter abertura em relação a qualquer tipo de música, respeitar a sua tradição, saber imitar (é a melhor maneira de aprender) e levar a sério as sugestões dos outros músicos. A partir daí tentar encontrar a própria voz nesse contexto.
Como vê o actual panorama do jazz em Portugal (músicos, discos, editoras, festivais, etc.)? Como pensa que este vai evoluir nos próximos tempos?
Acho que não sou a pessoa mais indicada para falar disso já que não passo muito tempo em Portugal. Mas parece-me que público não falta. Parece-me também que há cada vez mais concertos, mais festivais, mais discos, já há 2 (se não estou em erro) editoras (TOAP e Clean Feed) sendo uma delas mesmo uma referência internacional (Clean Feed). Há mais músicos mas continua a não haver muitos. Ainda assim tenho a impressão que o número aumentou bastante. Até já existe, no Porto, um curso superior (que não existia quando fui para a Holanda). Espero que continue a crescer.
O que ouve habitualmente? Tem gostos eclécticos?
Oiço muita música e muito variada. E gosto de muito do que oiço. Gosto de descobrir música nova e de procurá-la, mas também há sempre aqueles discos aos quais volto sempre. É o caso da música brasileira, do Miles Davis, do Coltrane, do Arve Henriksen, do Carlos Paredes, do Bach, dos Tethered Moon, Stevie Wonder, Beatles, entre outros tantos…
Considera que existem traços que permitem definir um "jazz português"? Interessa-lhe esta vertente?
Não me interessa muito definir o “jazz português” e confesso que não o conheço muito bem. Conheço mais os nomes do que a sua música. Da música que conheço acho que a “cena” de jazz portuguesa é tão pequena que é difícil defini-la (para além de eu ser um mau definidor). Acho que o Mário Laginha é uma coisa, o Carlos Bica outra, o Carlos Barreto outra, o André Fernandes outra, o João Paulo outra, o Marco Franco e os Mikado Lab (adoro!) outra. De maneira geral, e olhando para a minha geração de músicos de jazz portugueses mas também as gerações anteriores, vejo que muitos se viram para os Estados Unidos como referência principal. É normal que tal aconteça mas também existem muitas “cenas” interessantes na Europa e às vezes tenho a sensação que não chegam a Portugal (e vice-versa) apesar de estarem bem mais perto tanto geograficamente como musicalmente. Mas também vejo que isso está a mudar um bocadinho. No ano em que fui para a Holanda eramos dois portugueses no departamento de jazz (eu e o Rui Silva). No ano seguinte já eramos uns 5 entre várias cidades da Holanda e entretanto perdi-lhes a conta.
Se lhe fosse concedida a oportunidade de trabalhar com um músico importante da cena internacional, quem escolheria? Porquê?
É uma pergunta difícil mas acho que teria de ser o Ornette Coleman. Para além de ser um dos músicos que mais me influenciaram (e continua a fazê-lo), ele faz música intemporal que emana liberdade. Acho que é isso que mais me fascina na sua música: a liberdade que os músicos têm e como isso não compromete a música mas, pelo contrário, dá-lhe maior coesão e força. Além disto tudo é um saxofonista único com um som que adoro e um compositor fora de série com um sentido mágico para melodias. Adoro tocar a sua música.
O que podemos esperar do João Lobo nos tempos mais próximos?
Durante este ano podem esperar (e espero que comprar…) discos nos quais participo: o novo disco do Scott Fields Freetet, “Bitter Love Songs”, um outro com o Scott Fields em quarteto com Scott Roller e Sebastian Gramssch que será gravado em Janeiro para a Dalmart, o segundo disco do quarteto do Giovanni Guidi que vai ser gravado em Fevereiro e sairá ainda este ano pela CamJazz. Espero também editar o disco dos Tetterapadequ, acabar o de Norman, e gravar com Verdes Sons. Durante este ano gostava também de criar pontes entre os vários projectos em que estou envolvido e conseguir trazer projectos da Bélgica ou Itália a Portugal e levar grupos portugueses lá fora, porque me encontro em várias “cenas” diferentes e vejo que há muito potencial e muito em comum entre todas elas, e por isso gostava de tentar “entrelaçá-las”.
DISCOGRAFIA
Scott Fields Freetet –“Bitter Love Songs” (Clean Feed, 2008)
Júlio Resende –“Da Alma” (Clean Feed, 2007)
Tetterapadequ – “FNAC Novos Talentos 2007” (compilação) (FNAC, 2007)
Giovanni Guidi – “Indian Summer” (CamJazz, 2007)
Munchen – “Fala Mongue” (edição de autor, 2005)
As Guests 4tet – “Enter” (Baileo, 2005)
“Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes” (compilação) (Universal, 2003)
Para saber mais: http://www.myspace.com/joaolobo.
Publicado por António Branco às maio 21, 2008 06:22 AM
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