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março 04, 2008

ENTREVISTA MARCO FRANCO

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Marco Franco (foto de Renato Nunes)

O multi-instrumentista Marco Franco (n. 1972) não é homem de muitas palavras. Prefere expressar-se através da sua arte, seja na bateria, na guitarra, no saxofone, ou noutros instrumentos, mais ou menos inusitados. É bem conhecido no circuito nacional do jazz e da música improvisada pela plêiade de projectos que tem integrado, assim como pelo irreprimível desejo de experimentar novos rumos, novas ideias, novas abordagens. Descreve o disco de estreia do seu projecto Mikado Lab como “muito animado e cheio de surpresas”, o multi-instrumentista e improvisador Marco Franco falou ao Improvisos Ao Sul sobre a sua música, passando em revista um rico e multifacetado percurso.

Tocas bateria desde o princípio dos anos 1980. Como surgiu o interesse mais a sério pela música?
O interesse mais sério foi talvez quando descobri que podia desenvolver outras linguagens na bateria através do jazz e da música improvisada.

E o porquê de teres escolhido a bateria? Foi a tua primeira escolha como instrumento?
Foi a primeira escolha embora toque guitarra ainda antes de ter a minha primeira bateria onde fazia as minhas primeiras músicas!

Quais os nomes que apontas como as tuas referências basilares?
Elvin Jones, Jim Black, entre outros.

És influenciado por outras artes, que não a música?
Sim, em especial pela Sétima Arte. E os clássicos da pintura, especialmente.

Com te posicionas esteticamente, enquanto músico?
Como um autor/improvisador/investigador.

Explica-nos o teu conceito de improvisação…
O conceito de improvisação é diferente em cada contexto. Sei que a improvisação livre é bastante diferente da improvisação no jazz.

Subscreves então a ideia de “composição em tempo-real”...
Sim, posso dizer que qualquer improvisador que conheça improvisa em tempo real dos acontecimentos. Não conheço nenhum que prepare anteriormente a sua improvisação, a isto chama-se estudo.

Passaste por uma fase onde ouviste (e tocaste) música extrema: thrash, hard-core, punk, progressive metal … Como músico, o que guardas desse período e dessas experiências?
Guardo boas recordações porque foi a minha escola desde o inicio e a minha primeira paixão enquanto jovem musico!

Os teus interesses musicais começaram então a virar-se para o jazz, para a música improvisada, música contemporânea… Como se processou esta transição? Foi pacífica ou turbulenta?
Foi natural e nada turbulenta, antes pelo contrário. O processo penso que tenha sido natural para qualquer músico interessado em música e não apenas em estéticas musicais.

Tens tido inúmeras experiências musicais ao longo dos últimos 15 anos… Queres destacar duas ou três que consideres particularmente relevantes?
Sim. Toquei com o Peter Kowald que infelizmente já morreu. Este concerto aconteceu em Setúbal, num sítio que não recordo, mas que estava cheio de gente a ver e não era público especializado curiosamente. A outra experiência, que se repetiu já algumas vezes, foi de tocar com o Jim Black como convidado do quarteto de baterias Tim Tim por Tim Tum, de que faço parte há mais de 10 anos. Outra foi ter recebido um telefonema do Mário Laginha a convidar-me para tocar com ele e a Maria João do qual sou colaborador regular desde então. Ainda ter conhecido o André Matos e a Ana Araújo.

Com o Nuno Rebelo tocaste durante largo tempo (Pocket Book of Lightning)... Ainda dura essa parceria? Qual o segredo para o sucesso dessa duradoura união musical?
Ainda dura e temos um disco pronto a sair. Sim, este duo é e será a minha grande preferência no que toca à improvisação livre.

No projecto Mikado Lab exploras a simbiose entre diferentes formas musicais, do jazz, ao rock, às electrónicas… Explica-nos a génese deste projecto…
O projecto nasce da minha enorme vontade de tocar com banda as minhas próprias composições. E então mostrei as canções ao André Matos e a partir daqui fiz o convite à Ana Araújo e ao Pedro Gonçalves, e a pouco a pouco fui conseguindo ensaiar até à primeira gravação que fizemos em estúdio.

Descreve-nos o disco de estreia do Mikado Lab (“Baligo”)…
É muito animado e cheio de surpresas!!!

Como surgiu a oportunidade do reputado saxofonista norte-americano Chris Speed participar no disco?
O grandioso Chris participa neste disco porque nos conhecemos há muitos anos e ele tem estado a par das coisas que tenho feito e quando lhe falei do disco ele logo acedeu.

Para além do Mikado Lab, estás envolvido actualmente noutros projectos?
Os Micro Mechant (onde toco electrónica) um grupo muito bom com o João Lobo, um grande talento nacional da bateria, o Norberto Lobo, mestre-compositor em guitarra, e a Ana Araújo em pianos eléctricos e electrónica.

O que costumas ouvir no dia-a-dia? O que está agora, por exemplo, no teu iPod?
Tenho ouvido música através do MySpace! De todo o tipo, estilo alimentação variada…

Como vês o actual panorama de festivais, editoras, discos de jazz/música improvisada em Portugal?… Nunca houve tanta abundância… E a qualidade, está a par dessa quantidade?
Vejo muitos festivais… Espero que nos contratem bastante! (risos).

O que esperas fazer nos tempos que se avizinham? Queres avançar algumas ideias que estejam a fervilhar neste momento na tua cabeça?
Estou já a preparar o próximo disco dos Mikado Lab!

Buscas algo em especial com a tua música?
O meu desejo é simplesmente que a musica seja do agrado das pessoas, sejam elas quais forem.


DISCOGRAFIA SELECCIONADA:

Mikado Lab – “Baligo” (TOAP, 2007)
Mola Dudle – “O Futuro Só Se Diz Em Particular” (Ananana, 2003)
Rodrigues/Franco/Oliveira – “23 Exposures” (Creative Soureces, 2002)
Rebelo/Franco – “On The Edge (Live in France)” (Raka, 2001)
Rebelo/Hideki/Franco – “Live at ZDB” (Raka, 2001)
Rebelo/Bica/Moore/Franco – “Azul Esmeralda” (Ananana, 1998)
Tim Tim por Tim Tum – “Diálogos de Bateria” (Farol, 1997)

Para saber mais: www.myspace.com/arcofranco
www.myspace.com/mikadolab

Publicado por António Branco às março 4, 2008 05:51 AM

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