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outubro 31, 2007

MATTHEW SHIPP TRIO ESTA NOITE NO LUX

Matthew Shipp Trio no Lux

Integrado nas Lux Jazz Sessions, toca esta noite (23h00) o trio do pianista norte-americano Matthew Shipp, com William Parker (contrabaixo) e Guillermo E. Brown (bateria). O trio virá apresentar o disco "Piano Vortex".

"A rematar as quartas feiras de um já transbordante Outubro, o Lux acolhe um trio de excepção, liderado pelo toque subtil, imprevisível e energético de Matthew Shipp, pianista norte-americano que começou a ganhar visibilidade no mítico quarteto do saxofonista David S. Ware, do qual faz parte desde o início dos anos 90 - década ao longo da qual gravou e compôs intensivamente, acabando por liderar um trio com os restantes elementos das duas secções rítmicas que Ware alimentou no seu período dourado compreendido entre 1992 e 1998: o contrabaixista William Parker e, alternadamente, os bateristas Susie Ibarra e Whit Dickey. Em 2000, Shipp assumiu a curadoria das eclécticas, iconoclastas e visionárias “Blue Series” da editora Thirsty Ear, pela qual lançou igualmente o seu novo registo, “Piano Vortex”, uma obra que nasce do encontro - já habitual (mas sempre surpreendente...) nas suas composições - entre o free jazz e uma certa música erudita dos nossos tempos. Acompanhar Shipp é tarefa para uma minoria iluminada. Nesta sessão, teremos o privilégio de testemunhar uma sinergia rara entre o pianista e outros dois músicos que se destacam pela sua clarividência e eminente comunicação telepática: William Parker, uma referência incontornável na história do jazz, consequência de ser o maior baixista que o mundo ouviu desde Charlie Mingus, é hoje um veterano e uma figura vital na cena da música improvisada nova- iorquina; e, ao seu lado, na bateria, o jovem instrumentista, produtor e artista multidisciplinar Guillermo E. Brown, dono de uma carreira que conta já com cerca de 30 gravações, inúmeras colaborações com grandes nomes das margens mais cerebrais do free jazz, do hip hop e de algumas das suas derivações de impossível rotulação - de David S. Ware (de cujo quarteto é o actual baterista) a Anti-Pop Consortium, passando por Anthony Braxton, George Lewis, Carl Hancock Rux, El-P, Mike Ladd, DJ Spooky ou os Spring Heel Jack -, para além de integrar ainda o The Cut Up Quintet e o recente colectivo BiLLLLz. Em suma, três dos mais inconformistas e criativos músicos da actualidade, reunidos numa actuação que só pode mesmo ser adjectivada de uma forma: im-per- dí-vel. " (texto da organização)

Publicado por António Branco às 06:56 AM | Comentários (0) | TrackBack

JAZZ AO CENTRO 2007 - 2ª PARTE

Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra 2007

Apesar de todos os contratempos relacionados com a falta de financiamento por parte do IA, arranca amanhã (1 de Novembro) a segunda parte do Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra 2007, que se prolongará até sábado. O festival, organizado pelo Jazz Ao Centro Clube, contará com a participação do Zé Eduardo Unit, Henry Grimes e Elliot Sharp e terá lugar no Salão Brazil (lotação limitada a 120 espectadores), na Baixa de Coimbra, onde anteriormente decorriam os after-hours.

O programa é o que se segue:

Quinta-feira, 1 de Novembro (21h45)
Zé Eduardo Unit

Zé Eduardo (contrabaixo), Jesus Santandreu (saxofone-tenor) e Bruno Pedroso (ateria).
Este concerto será gravado para posterior edição.

Sexta-feira, 2 de Novembro (21h45)
Henry Grimes

Henry Grimes (contrabaixo e violino), Andrew Lamb (saxofones e flauta), Newman Taylor Baker (bateria).

23h30
Zé Eduardo Unit

Zé Eduardo (contrabaixo), Jesus Santandreu (saxofone-tenor) e Bruno Pedroso (ateria).
Este concerto será gravado para posterior edição.

Sábado, 3 de Novembro (21h45)
Elliot Sharp toca Thelonius Monk
Elliot Sharp (guitarra)

23h30
Zé Eduardo Unit

Zé Eduardo (contrabaixo), Jesus Santandreu (saxofone-tenor) e Bruno Pedroso (ateria).
Este concerto será gravado para posterior edição.

Todos os concertos têm transmissão em directo na RUC – Rádio Universidade de Coimbra.

Concomitantemente com os concertos, estará patente até 9 de Novembro, uma exposição de fotografia no
Bar Quebra (ao Quebra Costas).

Os ingressos para o festival custam :

Quinta-feira
Geral – € 10
Sócios do JACC – € 4

Sexta-feira
Geral – € 10
Sócios do JACC – € 5

Sábado
Geral – € 10
Sócios do JACC – € 5

Publicado por António Branco às 06:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 30, 2007

VGO NA CASA DA MÚSICA

vgo NA cASA DA mÚSICA

O Abdul Moimême acaba de disponibilizar no seu podcast a gravação do concerto da Variable Geometry Orchestra na cidade invicta, na passado dia 12 de Outubro.

Aqui fica o elenco que naquela noite subiu ao palco da Casa da Música:

Ernesto Rodrigues – direcção, violino
Chiara Picotto - voz
Ricardo Pinto - trompete
Johannes Krieger - trumpete, french horn
Eduardo Chagas - trombone
Gil Gonçalves - tuba, euphonium
Bruno Parrinha - clarinete, clarinete alto
Jorge Lampreia - flauta, saxofone soprano
Alípio C Neto saxofones soprano & tenor
João Martins - saxofones soprano & alto, gadgets
John Gruntfest - saxofone alto
Nuno Torres - saxofone alto
Peter Bastiaan - saxofone alto, melodica, poesia
Megan Bierman - saxofone tenor
Abdul Moimême - saxofone tenor
Rodrigo Pinheiro - piano
Armando Pereira - acordeão
Nuno Rebelo - guitarrra eléctrica
António Chaparreiro - guitarra eléctrica
Albrecht loops - cordas, electrónicas
Carlos Santos - electrónicas
André Gonçalves - electrónicas
Adriana Sá - electrónicas
O.Blaat - electrónicas
Damian Stewart - electrónicas
João Pinto - electrónicas
Travassos - electrónicas
Guilherme Rodrigues - violoncelo
Hernâni Faustino - contrabaixo
Henrique Fernandes - contrabaixo
Pedro Lopes - percussão
José Oliveira - bateria
Gustavo Costa - bateria

E atenção a “Stills “, disco triplo da VGO na Creative Sources.

Publicado por António Branco às 05:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

HENRY GRIMES TRIO AMANHÃ NA ZDB

Henry Grimes Sublime Communication

O trio Sublime Communication, do veterano contrabaixista Henry Grimes actua amanhã à noitena Galeria Zé dos Bois (Rua da Barroca, nº 59, em Lisboa). A formação completa-se com Andrew Lamb (flauta, saxofone) e Newman Taylor Baker (percussão, bateria).

"A vida do contrabaixista Henry Grimes é stranger than fiction. Um dos músicos mais activos entre a vanguarda nova-iorquina ao longo da década de 60, membro da formação de Albert Ayler que gravou para a ESP o mítico "Spirits Rejoice", Grimes desapareceu misteriosamente de cena em 1967. Contra todas as expectativas, em 2003 foi encontrado em Los Angeles, completamente alheado de qualquer realidade musical. De então para cá, voltou a pegar no contrabaixo (uma prenda do fã William Parker) com a profundidade e controlo avassaladores que o haviam caracterizado décadas antes, actuando regularmente em diversos festivais nos Estados Unidos e na Europa e voltando às gravações (Live At The Kerava Jazz Festival, editado pela Ayler Records em 2005). Primeiro concerto em Lisboa deste genial insurrecto, verdadeira lenda viva do free-jazz norte-americano. (texto da organização)

Publicado por António Branco às 06:32 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 29, 2007

POSTO DE ESCUTA

Joe Fiedler Trio -

Joe Fiedler Trio - "The Crab" (Clean Feed, 2007)
Joe Fiedler (trombone), John Hebert (contrabaixo) e Michael Sarin (bateria)

Depois de um magnífico disco dedicado à obra de Albert Manglesdorff, o trombonista norte-americano Joe Fiedler regressa com mais um excelente disco na Clean Feed, "The Crab",... em audição atenta...

Publicado por António Branco às 05:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 27, 2007

UM TOQUE DE JAZZ

Na emissão de hoje de "Um Toque de Jazz", Novos discos portugueses (4) – "Open Textures" e "Open Waves Concert" pelo flautista Carlos Bechegas, respectivamente com Barry Guy e Joëlle Léandre (contrabaixo); "Surface" pelo saxofonista Rodrigo Amado, com Carlos Zíngaro (violino), Thomas Ulrich (violoncelo) e Ken Filiano (contrabaixo).

Amanhã será a vez de Concertos internacionais (4) – A versão moderna de "Birth of The Cool" (obra histórica do trompetista Miles Davis) pelo Caratini Ensemble (França) com Claude Egea e Pierre Drevet (trompetes), Denis Leloup (trombone), François Touiller (tuba), François Bonhomme (trompa), André Villeger e Rémi Sciutto (saxofones), Pierre de Bethmann (piano), Thomas Grimmonprez (contrabaixo) e Patrice Caratini (contrabaixo e direcção) no Théatre de Verdure (Montréal, Canadá) em 19 de Agosto de 2006. Uma gravação Eurorádio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos sábados e domingos entre as 23h00 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM, e Mértola 92.2 FM)).

Emissão on-line disponível em: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 08:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 26, 2007

FEE-FI-FO-FUM EM MONTEMOR-O-NOVO

Amanhã à noite (22h30), nas Oficinas do Convento, em Montemor-O-Novo, concerto com o quarteto Fee-Fi-Fo-Fum, constituído por Carla Furtado (voz), Michael Kotzian (piano), Zé Lima (contrabaixo) e Carlos Vieira (bateria).

Os músicos deste projecto luso-alemão, unidos pela linguagem internacional de jazz, pretendem partilhar com o público a sua cumplicidade em palco. O quarteto é composto por um músico alemão e três músicos portugueses de Lisboa e do Porto. Surgiu por iniciativa do baterista Lisboeta Carlos Vieira e do pianista alemão Michael Kotzian. No seu repertório actual o grupo interpreta modernjazz de Wes Montgomery, Herbie Hancock e Kurt Weill tal como música brasileira e cubana influenciada de Jazz de Edu Lobo e Paquito de Rivera, evidenciando o swing norte-americano e os ritmos latinos. Completa o seu programa com originais do pianista Michael Kotzian que escreveu para o quarteto. Fee-Fi-Fo-Fum estreou-se em 1999 e tocou desde então concertos nos festivais e teatros em todo o país, dos quais se destacam actuações na X. Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, no 6° Ciclo de Jazz de Guarda, no programa cultural da Feira das Actividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira (FACECO), no Cineteatro João Ribeiro em Vouzela e no Teatro Municipal de Vila Real. Está previsto uma digressão na Alemanha." (texto da organização)

Publicado por António Branco às 07:59 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 25, 2007

JAZZ A PARTIR DE HOJE EM PONTA DELGADA

Henry Grimes Trio em Ponta Delgada
Henry Grimes

Tem hoje início a nona edição do Festival de Jazz de Ponta Delgada, no belíssimo Teatro Micaelense.

O evento recebe, logo mais, o projecto In Loko, do contrabaixista Carlos Barreto. Para além do líder, o projecto conta com as participações de Bernardo Sassetti (piano), Mário Delgado (guitarra), João Moreira (trompete), Sebastian Sherif (percussões) e José Salgueiro (bateria).

Amanhã será a vez do trio do pianista nova-iorquino Cooper-Moore (com Assif Tsahar no saxofone-tenor e clarinete-baixo e Michael Wimberly, na bateria).

No sábado apresenta-se trio o lendário contrabaixista Henry Grimes - que se completa com Andrew Lamb (flauta, saxofone) e Newman Taylor Baker (percussão, bateria). Absolutamente a não perder!

Mais informações em www.teatromicaelense.pt.

Publicado por António Branco às 03:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

CASAGRANDE/DAVIS 4TET NO HOT

Esta noite, amanhã e depois (23h00) no Hot Clube de Portugal (praça da Alegria, 39, em Lisboa), concerto com Jeffery Davis (vibrafone), Frederico Casagrande (guitarra), Stefano Senni (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria).

Publicado por António Branco às 06:06 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 24, 2007

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA FÓRUM

Educação Artística FORUM

Está aberto um novo fórum na net, o "Educação Artística FORUM", que se propõe, numa atitude de incentivar uma cidadania activa e participada, estimular um debate público e aberto sobre os rumos da Educação Artística em Portugal.

Num momento em que foi publicado um "Roteiro para a Educação Artística", um "Relatório de Avaliação do Ensino Artístico" e se leva a cabo uma "Conferência Nacional de Educação Artística", é indispensável a existência de um espaço de opinião livre e independente, onde os mais directamente envolvidos - os pedagogos da área, os artistas, os pais, os alunos, os directores pedagógicos de escolas de educação artística e seus gestores - possam ter voz e ser ouvidos, coisa que até ao momento parece ainda não ter sido possível.

Para mais informações, consultar: http://ideias-soltas.net/educacao-artistica-forum.

Publicado por António Branco às 07:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

iNTeRLúNio EM LISBOA

INTeRLúNio (Raimund Engelhardt)

O projecto INTeRLúNio, do baixista Ricardo Freitas - a que se juntam Gonçalo Lopes (clarinete baixo, clarinete), Eduardo Lála (trombone) e Raimund Engelhardt (tabla, percussão) - inicia esta noite um pequeno périplo por salas lisboetas:

Hoje (22j30)
Fábrica Braço de Prata - Ler Devagar / Eterno Retorno (rua Fernando Palha, Poço do Bispo, Lisboa)

Amanhã (19h30)
Trem Azul Jazz Store (rua do Alecrim 21-A, Cais Sodré, Lisboa)

Sábado (22h30)
Bacalhoeiro (rua dos Bacalhoeiros, 125 2º, Campo das Cebolas, Lisboa)

Publicado por António Branco às 06:23 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 23, 2007

BOUNDARIES

Don Cherry
Don Cherry

Quem falou em fronteiras no jazz?

"When people believe in boundaries, they become part of them." (Don Cherry)

Publicado por António Branco às 06:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 22, 2007

JÚLIO RESENDE ESTREIA-SE COM "DA ALMA"

´Júlio Resende lança disco de estreia

Já é possível escutar no site do pianista Júlio Resende (em www.julioresende.com) três dos temas que estão incluídos no seu disco de estreia, que será lançado oficialmente na próxima quarta-feira, no Lux, em Lisboa. São eles: "Move it!", "Da Alma" e "Filhos da Revolução".

Alexandra Grimal toca saxofone-tenor "Move it", Zé Pedro Coelho toca em "Da Alma" e "Filhos da Revolução", João Custódio no contrabaixo marca presença nos 3 temas e na bateria João Lobo toca em "Move It" e "Da Alma", e João Rijo em "Filhos da Revolução".

"Da Alma" tem chancela da imparável Clean Feed.

Publicado por António Branco às 06:38 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 20, 2007

UM TOQUE DE JAZZ

Na emissão de hoje de "Um Toque de Jazz", Novos discos portugueses (3) – "Portology", pelo saxofonista norte-americano Lee Konitz com a Orquestra de Jazz de Matosinhos sob a direcção de Oham Talmor; "Story Teller" pelo quarteto da cantora Marta Hugon; "In Loko" pelo sexteto do contrabaixista Carlos Barretto.

Amanhã será a vez de Concertos internacionais (3) – O trio "Gatecrach" do trompetista Eric Vloeimans (Holanda) com o pianista Anton Goudsmith e o pianista Harmen Fraanje, no Pequeno Auditório do Concertgebouw (Amesterdão) em 11 de Fevereiro de 2005. Uma gravação Eurorádio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos sábados e domingos entre as 23h00 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM, e Mértola 92.2 FM)).

Emissão on-line disponível em: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 08:28 AM | Comentários (0) | TrackBack

JEFF DAVIS 4TET HOJE NO CONTRABAIXO BAR

Esta noite (22h30) no Contrabaixo Bar, concerto com Jeffery Davis (vibrafone), Frederico Casa Grande (guitarra), Stefano Senni (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria).

Publicado por António Branco às 07:07 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 19, 2007

JOE LOVANO ESTA NOITE EM LISBOA

Joe Lovano
Joe Lovano

O saxofonista norte-americano Joe Lovano está esta noite de regresso a Portugal, tocando a partir das 21h30 na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Acompanham-no o pianista James Weidman, o contrabaixista Dennis Irwin e o baterista Francisco Mela.

Publicado por António Branco às 05:25 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 18, 2007

BERNARDO SASSETTI NA CASA DAS MUDAS

Bernerdo Sassetti esta noite na Casa das Mudas

Um concerto comentado de Bernardo Sassetti, em piano solo, inaugura este sábado à noite (21h30), o Mudas Jazz Sessions, no Centro das Artes – Casa das Mudas, Calheta (ilha da Madeira).

O projecto Mudas Jazz Sessions visa apresentar mensalmente, até ao final de 2007 e ao longo de 2008, concertos por vários músicos consagrados no cenário nacional ou internacional da área do jazz.

Mais informações aqui: mudasjazz.blogspot.com.

Publicado por António Branco às 07:17 AM | Comentários (0) | TrackBack

CHICK COREA DE REGRESSO A PORTUGAL

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Chick Corea

Prestes a comemorar os setenta anos de idade, o pianista Chick Corea está de regresso a solo a palcos nacionais para dois concertos: o primeiro é no sábado - 21h00, no grande auditório do Centro Cultural de Belém. O segundo é domingo, no Coliseu do Porto.

"Com uma carreira que começou a dar que falar ainda durante a década de sessenta, Corea elegeu precocemente (aos 4 anos) o piano como o instrumento perfeito para se expressar e apresentar a música que lhe ia na alma. O músico norte-americano é, juntamente com Herbie Hancock e Keith Jarrett, um dos nomes de topo do jazz contemporâneo e regressa a Portugal para subir ao palco do Grande Auditório do CCB apresentar, pela primeira vez, um espectáculo totalmente a solo. Chick Corea é um dos músicos de jazz mais prolíficos e um dos espíritos mais critativos das últimas décadas. As influências de Bud Powell e Thelonious Monk e, o trabalho com Stan Getz, Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan e Miles Davis transformaram-no num verdadeiro camaleão: do avant-garde ao bebop, compôs também música infantil, e passou pelo jazz de fusão e sonoridades mais clássicas. Vencedor de inúmeros prémios, Corea juntou à sua vasta colecção um Grammy de melhor álbum de jazz instrumental, com The Ultimate Adventure, em 2006. Autor de standards como Spain, La Fiesta ou Windows, o norte-americano nunca parou de surpreender os amantes de jazz ao longo das últimas décadas, quer se apresentasse a solo, com o quarteto Circle – formado nos anos setenta com Dave Holland, Anthony Braxton e Barry Altschul – ou com a sua Chick Corea’s Elektric Band." (texto da organização)

Publicado por António Branco às 06:13 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 17, 2007

HENRY GRIMES EM PONTA DELGADA

No próximo dia 27 de Outubro - apresenta-se o Henry Grimes Trio - no qual ao mítico contrabaixista se juntam Andrew Lamb (flauta, saxofone) e Newman Taylor Baker (percussão, bateria) - no Festival de Jazz de Ponta Delgada. A não perder!

A nona edição do Festival tem início no dia 25 de Outubro, no belíssimo Teatro Micaelense. O evento recebe, no primeiro dia, o projecto In Loko, do contrabaixista Carlos Barreto. Para além do líder, o projecto conta com as participações de Bernardo Sassetti (piano), Mário Delgado (guitarra), João Moreira (trompete), Sebastian Sherif (percussões) e José Salgueiro (bateria). No dia 26 de Outubro será a vez do nova-iorquino The Cooper-Moore Trio subir ao palco.

Mais informações em www.teatromicaelense.pt.

Publicado por António Branco às 05:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 16, 2007

TECNOLOGIA E GUITARRA EM WORKSHOP @ AGM

AGM organiza workshop com Joan Sanmarti e Ricard Franch

Depois dos workshops de Mário Delgado e Paulo Barros, a Associação Grémio das Músicas (AGM), liderada pelo contrabaixista, compositor e pedagogo Zé Eduardo, prepara-se para encerrar um ciclo dedicado à guitarra com um consagrado guitarrista catalão, Joan Sanmarti, acompanhado por Ricard Franch, pianista, teclista e especialista em tecnologias aplicadas à música. Esta iniciativa terá lugar nos dias 25, 26 e 27 de Outubro.

Mais informações brevemente online em www.gremiodasmusicas.org.

Publicado por António Branco às 06:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 15, 2007

JAZZ NO "CONCERTO ABERTO" AO FINAL DA TARDE

A Antena 2 passa aqui a pouco (19h00) o concerto realizado no passado dia 21 de Setembro, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, com Filipe Melo (piano), Bruno Santos (guitarra), Bernardo Moreira (contrabaixo), André Sousa Machado (bateria) e Donald Harrison (saxofone).

O concerto pode ser ouvido online (http://antena2.rtp.pt/) e passa no programa "Concerto Aberto".

Publicado por António Branco às 04:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

AJMMA SUPERA EXPECTATIVAS

Atelier de Jazz e Música Moderna do Algarve

As inscrições para o Atelier de Jazz e Música Moderna do Algarve (AJMMA) - projecto cultural da Associação Músicas no Sul - , apresentado publicamente do passado dia 15 de Setembro, excederam as expectativas do seu responsável, o trompetista Hugo Alves. "As inscrições na AJMMA formalizaram-se, permitindo concluir-se, pelo número de alunos inscritos, que é desde já uma iniciativa de sucesso nesta fase., pode ler-se em nota de imprensa agora divulgada.

O ano lectivo teve início do passado dia 10 de Outubro, nas instalações da Associação Músicas No Sul / Orquestra de Jazz de Lagos, sitas na Rua Combatentes da Grande Guerra, n.º 10, em Lagos, iniciando-se assim o périplo desta workshop permanente.

O curso da AJMMA tem um colectivo de 8 professores distribuídos por outras tantas disciplinas, e está programado para uma duração de três anos lectivos. É a primeira iniciativa do género no Algarve e permite agora o alargamento dos horizontes daqueles que querem aprender sobre estas linguagens musicias. A AJMMA segue os conteúdos programáticos normalmente usados em escolas de jazz, quer sejam nacionais ou internacionais e está vocacionada em primeira mão para o ensino dos instrumentos: trompete, saxofone, trombone, piano, guitarra, bateria e baixo.

A AJMMA aceita no entanto alunos de qualquer outro instrumento, desde que tenham um dominínio razoável do mesmo que permita ao aluno autónomamente estudar os meandros da música improvisada. Propõe ainda um nível zero baseado no projecto Jazz Na Escola, particularmente destinado a crianças a partir dos oito anos de idade. Ali têm a hipotese de obter a sua iniciação musical com um conceito base de experimentação da improvisação.

Publicado por António Branco às 05:30 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 13, 2007

UM TOQUE DE JAZZ

Na emissão de hoje de "Um Toque de Jazz", Novos discos portugueses (2) – "Given Soul" pelo quarteto do trompetista Hugo Alves; "Whishful Thinking" pelo quinteto do saxofonista Alípio C. Neto; "Memórias de Quem" pelo pianista João Paulo Esteves da Silva; "Espaço" pelo trio do pianista Mário Laginha.

Amanhã será a vez de Concertos internacionais (2) – O trio da cantora-pianista Denna DeRose (EUA) com Martin Wind (contrabaixo) e Matt Wilson (bateria), no Festival Jazz Baltica (Bad Salzau, Alemanha) em 2 de Julho de 2006. Uma gravação Eurorádio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos sábados e domingos entre as 23h00 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM, e Mértola 92.2 FM)).

Emissão on-line disponível em: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 08:38 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 12, 2007

VGO HOJE NA CASA DA MÚSICA

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

A Variable Geometry Orchestra, sob a direcção de Ernesto Rodrigues, apresenta esta noite (23h00) na Casa da Música (Sala 2), no Porto uma mistura de sonoridades acústicas, eléctricas e electrónicas, ao sabor do LIVRE improviso. Não percam!

"A improvisação livre é o ponto de partida para a música da Variable Geometry Orchestra, que traz à Sala 2 uma mistura de sonoridades acústicas, eléctricas e electrónicas. Formada por duas dezenas de elementos, intérpretes de instrumentos de cordas, sopro, percussão e de uma secção electrónica, a Variable Geometry Orchestra é dirigida pelo violinista/violetista Ernesto Rodrigues. Através da estruturação da orquestra em naipes instrumentais, a composição em tempo real oscila entre a organização formal do caos, do “tutti” orquestral, e situações de diálogo entre pequenos grupos. Joga-se com o ruído e com o silêncio, sendo este a ausência de um som identificável. Cada músico da Variable Geometry Orchestra pode participar em toda a espécie de acontecimentos sonoros que estejam a ocorrer nesse preciso momento no espaço envolvente, ou simplesmente escutar o que outro músico tenha começado entretanto a fazer, sem a preocupação de responder imediatamente. A construção da composição em tempo real é organizada através do delicado equilíbrio entre as diferentes massas sonoras que preenchem o espaço acústico, revelando justaposições de instrumentos específicos que actuam como células sonoras móveis no todo orquestral, sempre sob o olhar atento do regente, que fornece indicações gestuais aos diversos grupos. Ernesto Rodrigues nasceu em Lisboa, em 1959, tendo acumulado experiências em estilos tão variados como a música contemporânea, o free jazz, a música popular, a música improvisada e a música electrónica. Activo como músico em diferentes áreas de criação, desde a dança, performance, cinema e video, criou, em 1999, a editora discográfica Creative Sources Recordings, inicialmente com o intuito de editar os seus próprios trabalhos, alargando-a mais tarde a centenas de músicos improvisadores de todo o mundo." (texto da organização)

A entrada custa € 10.

Publicado por António Branco às 07:27 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 11, 2007

NEVER CAPTURE IT AGAIN

Eric Dolphy

"When you hear music, after it´s over, it´s gone, in the air, you can never capture it again" (Eric Dolphy)

Publicado por António Branco às 05:51 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 10, 2007

POSTO DE ESCUTA

Em audição atenta:

John Handy -

John Handy - "Live at the Monterey Jazz Festival" (reed. Jazz Beat)

Disco histórico, gravado ao vivo no Festival de Jazz de Monterey Jazz Festival, a 18 de Setembro de 1965.

Tocam John Handy (saxofone alto), Mike White (violino), Jerry Hahn (guitarra), Don Thompson (contrabaixo) e Terry Clarke (bateria)

Esta reedição inclui ainda uma faixa bónus "Tears of Ole Miss (Anatomy Of A Riot)" (gravada no Village Gate, de Nova Iorque, a 8 de Juho de 1967), em que tocam, para além de John Handy, Bobby Hutcherson (vibrafone), Pat Martino (guitarra), Albert Stinson (contrabaixo) e Doug Sides (bateria).

Publicado por António Branco às 07:28 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 09, 2007

RESCALDO ANGRAJAZZ 2007

Monk´s Casino - Rudi Mahall
Monk´s Casino - Rudi Mahall (foto. Jorge Monjardino)

Cumpriu-se a nona edição do Angrajazz – Festival Internacional de Jazz de Angra do Heroísmo, evento de referência no panorama dos festivais de jazz em Portugal. O momento maior foi o oferecido na última noite pelo projecto Monk´s Casino.

Sendo a Terceira a mais musical das nove ilhas que compõem o arquipélago dos Açores, não espanta o prestígio que este festival vem granjeando, ano após ano, junto de um público fiel, local, mas não só. Este ano reduzido de quatro para três noites de concertos duplos (imagem de marca do evento, apesar das comentadas desvantagens), o Angrajazz 2007 teve lugar, como habitualmente, à volta do feriado de 5 de Outubro, no funcional Centro Cultural e de Congressos daquela cidade património mundial. A aposta da organização recaiu numa tentativa de diversificação no que diz respeito ao leque de propostas apresentadas, procurando não só cimentar a reputação adquirida junto de segmentos de público mais receptivos a um jazz de cariz “mainstream”, como também lançar pontes para outro tipo de vertentes estéticas, menos habituais por aquelas paragens.

A primeira noite do festival (4 de Outubro, quinta-feira, véspera de feriado) foi dedicada ao jazz vocal, opção que naturalmente se compreende, dada a penetração que este tem junto de largas fatias de audiência, constituindo também, de certa forma, um chamariz para as noites seguintes. Tudo começou com o quinteto do trompetista, cantor e compositor Laurent Filipe, homenageando Chet Baker, projecto que o músico vem acalentando há muito, mas que só se consubstanciou discograficamente no ano passado, com a edição de “Ode to Chet”. Acompanhado por Bruno Santos (guitarra), Filipe Melo (piano), Paulo Bandeira (bateria) e o estreante na formação João Custódio (contrabaixo), Laurent Filipe – sentado, ao centro do palco – dividiu-se, ao estilo do mestre, entre o trompete e a voz, interpretando num registo médio/lento a grande maioria dos temas incluídos no disco, com destaque para “You Don´t Know What Love Is”, “The Days Of Wine And Roses”, “Everything Depends On You” (sem bateria, como Chet o gravou) e “Nightbird”, um original do pianista italiano Enrico Pieranunzi. Um concerto de jazz bem comportado, que se deixou ouvir com agrado.

A noite prosseguiu com o quarteto de Roberta Gambarini, cantora nascida em Itália e a viver nos Estados Unidos, que se apresentou pela primeira vez no nosso País. Com ela estiveram os veteranos Kirk Lightsey – velho companheiro de Dexter Gordon – ao piano, Reggie Johnson no contrabaixo e Doug Sides, na bateria. Apesar da sensualidade da sua presença, o certo é que as coisas dificilmente poderiam ter corrido pior para a cantora. Apoquentada desde o início do concerto por problemas vocais (uma aparente irritação na garganta) nunca se conseguiu encontrar verdadeiramente. Do naufrágio salvaram-se “I Hadn´t Anyone ´Till You” (tema clássico de Ray Noble) e uma leitura rápida de “It Don´t Mean A Thing (If It Ain´t Got That Swing)”, emblema “ellingtoniano”, momentos que quebraram a monotonia sensaborona que caracterizou a maioria da actuação. Valeu à cantora a experiência do pianista – secundado pelos outros dois músicos, em especial o baterista –, que a partir de certa altura tomaram conta dos acontecimentos e evitaram que a prestação tomasse proporções ainda mais negativas. Terminou com um tema cantado em italiano, que, como quase tudo o resto, não deixou saudades.

A noite de 5 de Outubro (sexta-feira) arrancou com a prata de casa, a habitual presença da Orquestra Angrajazz, que se apresenta desde a edição de 2002. Sob a direcção de Pedro Moreira e Claus Nymark, a formação é constituída por músicos terceirenses, oriundos de bandas filarmónicas, orquestras ligeiras e do Conservatório Regional, a quem é proporcionado um sempre saudável contacto com a linguagem do jazz. Apresentou um repertório que abarcou, entre outros, temas de Coltrane, Mingus, Thad Jones e Horace Silver. Dando continuidade a uma prática iniciada em 2004, a orquestra contou com um convidado especial, desta feita o guitarrista Afonso Pais. Apesar das limitações evidenciadas (compreensíveis, dado o teor da formação) o empenho e o trabalho continuado destes músicos continua a ser mote para apreciações encorajadoras. Mas começa a ser tempo de dar um passo em frente…

O serão prosseguiu com um dos momentos mais aguardados, o regresso de Benny Golson, verdadeira lenda viva do jazz. O veterano saxofonista e compositor norte-americano, a quem a idade já não permite as aventuras de outros tempos, liderou um sexteto de constituição inusual (com dois trompetes). Interpretou alguns dos seus temas mais emblemáticos, como “Whisper Not” (que abriu o concerto), “Along Came Betty”, a balada “I Remember Clifford” ou, já em encore, o inevitável “Blues March”. Recordou com nostalgia os momentos passados com John Coltrane, tocando uma versão de “Mr. PC”, e as lendárias jam-sessions de Filadélfia, em “Confirmation”, de Charlie Parker. Na balada “Portrait Of Jenny”, espaço para o trompetista Eddie Henderson se exibir em bom plano. Nota para a secção rítmica – com a desarmante simplicidade de processos do contrabaixista Reggie Johnson à cabeça –, que assegurou que tudo decorria com naturalidade e fluidez, e para alguns apontamentos mais fogosos do outro trompetista, Philip Harper.

A derradeira noite do Angrajazz era também a mais aguardada, dados os pergaminhos dos músicos em presença. Primeiro o trio de Jim Hall, provavelmente o mais importante dos guitarristas de jazz em actividade. À beira dos oitenta anos, Hall apresentou-se visivelmente debilitado – tocando, porém, sempre de pé – acolitado pelo pianista Geoffrey Keezer e pelo notável contrabaixista que é Scott Colley. Tudo acabou por funcionar melhor individualmente do que como conjunto, notando-se uma certa falta de ligação entre os músicos. Melhor nos tempos mais lentos (“All The Things You Are”, “Skylark”), o guitarrista deu mostras da elegância das suas linhas melódicas, ancoradas numa musicalidade ímpar. Confessou humildemente ter-se esquecido de “Ouagadougou” – sendo obrigado a recorrer à pauta –, facto que não impediu este de ser o momento mais dinâmico de todo o concerto. Tempo ainda para a interpretação de um tema de Sonny Rollins (com quem colaborou no magistral “The Bridge”) e de uma composição da autoria de Colley, intitulada (se bem ouvi) “Americana”, marcada pela sonoridade austera do contrabaixo tocado com arco e carregada de simbolismo político. Valeu sobretudo pelo peso histórico do momento, mais do que propriamente pela relevância da música apresentada.

Para o final estava guardada – atrevo-me a dizer – a mais ousada de todas as propostas apresentadas ao longo das nove edições do Angrajazz: o projecto Monk´s Casino, liderado pelo pianista alemão Alexander von Schlippenbach – nome de proa do jazz mais livre e da música improvisada dos últimos quatro decénios – dedicado a revisitar de forma profunda o eterno legado de Thelonious Monk. Relembre-se que a caixa com 3 CD´s editada em 2005 – que inclui a totalidade da obra composta por Monk – constitui um dos mais monumentais registos discográficos dos últimos anos, sendo de audição absolutamente obrigatória. O quinteto arregaçou as mangas e atirou-se de alma e coração à reconstrução consequente da obra de um dos mais geniais criadores da história do jazz, particularmente apetecível para exercícios desta natureza. E fá-lo demonstrando que é possível olhar para trás, sem uma atitude de cunho passadista, antes investindo na imaginação e na criatividade. Não obstante, a maioria dos arranjos não surge assim tão distanciada da traça original, como, pelo menos à partida, era crível que pudesse vir a acontecer. Apesar de o líder se ter revelado mais recatado do que noutras ocasiões, a secção rítmica (Jan Roder no contrabaixo e Uli Jenessen na bateria) esteve verdadeiramente imparável, constituindo o suporte para as deambulações dos espantosos improvisadores que são Rudi Mahall (clarinete baixo) e Axel Dörner (trompete). Um grande concerto de música VIVA que se espera venha a servir de tónico para que o Angrajazz alargue fronteiras em futuras edições, quem sabe a começar já na do ano que vem, quando se celebrar o décimo aniversário do festival. As expectativas estão bem altas.

Publicado por António Branco às 08:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

HERB GELLER HOJE NO HOT

JNPDI! convida Herb Geller

Para comemorar o seu quarto aniversário, o blogue Jazz no País do Improviso!, da autoria de João Moreira dos Santos, promove o regresso a Portugal, 45 anos depois, do saxofonista Herb Geller, músico que acompanhou entre outros Benny Goodman, Chet Baker, Dinah Washington e Clifford Brown. A actuação será no Hot Clube de Portugal (praça da Alegria, Lisboa) hoje, pelas 23h00, acompanhado por músicos da geração seguinte à que com ele tocou em 1962, integrado num quarteto liderado pelo pianista Filipe Melo, com Bruno Santos (guitarra), Demien Cabaud (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria).

Em 1962, o norte-americano Geller passou por Lisboa, a caminho da Alemanha, onde fixaria residência até ao presente. Luís Villas-Boas aproveitou então a sua estadia para o convidar para uma série de concertos no Hot Clube de Portugal e até a participar numa revista do Parque Mayer.

No dia 8 de Outubro, pelas 18h00, Herb Geller realiza ainda na Escola de Jazz Luís Villas-Boas/Hot Clube (junto à antiga FIL) um workshop sobre "Técnicas de Improvisação".

Publicado por António Branco às 06:19 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 06, 2007

UM TOQUE DE JAZZ

Na emissão de hoje de "Um Toque de Jazz, Novos discos portugueses (1) - Vários grupos nacionais (Bernardo Sassetti, João Moreira, Mário Laginha, Pedro Moreira, Paula Oliveira), ao vivo, no Jazz Fest 2006 realizado em 24, 25 e 26 de Agosto na Quinta Splendida (Madeira).

Amanhã será a vez de Concertos internacionais (1) – O quinteto do trompetista Terell Stafford (EUA), com Tim Warfield (saxoxofones soprano e tenor), Mulgrew Miller (piano), Martin Wind (contrabaixo) e Matt Wilson (bateria), no Festival Jazz Baltica (Bad Salzau, Alemanha) em 02.07.06. Uma gravação Eurorádio.

"Um Toque de Jazz" é um programa realizado e apresentado por Manuel Jorge Veloso, que vai para o ar aos sábados e domingos entre as 23h00 e a meia-noite na rede nacional de frequências da Antena 2 (Beja – 91.1 FM, e Mértola 92.2 FM)).

Emissão on-line disponível em: mms://rdp.oninet.pt/antena2.

Publicado por António Branco às 08:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 04, 2007

... E O JAZZIN´ TONDELA TAMBÉM

Jazzin´ Tondela 2007

Tem hoje início a 4ª edição do festival Jazzin´ Tondela, uma organização da ACERT. Eis o programa do festival:

Hoje
Magik Malik Orchestra
Malik Mezzadri (flauta e voz), Jean-Luc Lehr (baixo), Maxime Zampieri (bateria) e Jozef Dumoulin (piano e teclados).

"Nome incontornável de uma geração inovadora do universo jazzístico, Magic Malik demonstrou desde cedo uma sensibilidade especial para a dimensão musical. Talvez assim se explique que este artista se tenha invariavelmente norteado pela sua intuição, ao longo de um percurso que foge das linhas direitas e simples para se desdobrar em destinos de sonoridades inexploradas, conquistadas ao sabor das circunstâncias. Das pulsações house e dos sons urbanos de St. Germain ao jazz do Groove Gang de Julien Lourau, sem esquecer a incursão pelo pop clássico, Malik sempre imprimiu um sentido claro às suas cumplicidades artísticas, dotando-as de humanidade e elegância. Posteriormente, o seu trabalho adquiriu uma dimensão particularmente singular no contexto de um projecto a solo, que abriu caminho a um jazz inovador, cerebral e avant-garde. Fazendo-se acompanhar por uma orquestra de grande qualidade, Malik oferece ao público uma formação impregnada de espírito de aventura, sede de mudança e gosto pela pesquisa e experimentalismo musical, na fronteira do jazz e da música electrónica. Ao longo da viagem deste artista contam-se encontros com Steve Coleman, Cachaito Lopez, (Buena Vista Social Club), Nelson Veras, o Quinteto de Pierrick Pedron, os Akamoon ou os Trouble Makers, de Marselha, a par de muitos outros nomes com os quais Malik se multiplicou em estilos e colaborações. No fundo, verdadeiros “ateliers de trabalho”, que permitiram a este flautista ecléctico alargar os seus horizontes e percorrer as mais distintas direcções" (texto da organização)

Sofia Ribeiro & Marc Demuth Duo
Sofia Ribeiro (voz) e Marc Demuth (contrabaixo)

"A partir de uma cumplicidade musical iniciada em Barcelona há três anos, a cantora portuguesa Sofia Ribeiro e o contrabaixista luxemburguês Marc Demuth têm vindo a construir um projecto ao longo das suas já numerosas prestações em clubes de jazz e festivais, por toda a Europa e nos EUA. Uma colaboração muito bem sucedida, que resultou na gravação do seu primeiro disco, intitulado “Dança da Solidão”, ao vivo no “L’Inoui” (Luxemburgo).
Surpreendente na escolha que faz de temas de diferentes estilos, esta formação peculiar revisita compositores tão diversos como Milton Nascimento, Cole Porter, Pixinguinha, Janita Salomé e Carl Perkins, adaptando-os à sua linguagem artística única. À mistura temos muita improvisação e, sem dúvida, a comunicação e a cumplicidade entre estes dois instrumentos (voz e contrabaixo) que, apesar de extremos, se completam.
" (texto da organização)

Amanhã
Mário Laginha Trio
Mário Laginha (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria)

"“Espaço”, o mais recente trabalho da formação Mário Laginha Trio, pretende explorar os pontos de contacto, as coincidências conceptuais e as “inspirações” mútuas entre os universos musical e arquitectónico. A música situa-se, assim, num ponto equidistante entre o universo acústico e a forma. Nesta nova aventura artística, o pianista Mário Laginha conta com a cumplicidade de grandes músicos, que já o haviam acompanhado em gravações e nos numerosos concertos com a cantora Maria João. O espectáculo no Festival revelará este último álbum, lançado em Junho de 2007 e forte candidato a disco de jazz nacional do ano. Eis um encontro raro no qual a arquitectura serviu de pretexto para um grande trabalho de jazz, numa viagem insuflada por uma aguçada curiosidade e uma originalidade inconfundível. Mário Laginha é considerado um dos mais talentosos e inovadores músicos portugueses. Pianista e compositor, foi distinguido com vários prémios e convidado a participar em inúmeros festivais nacionais e internacionais. Tocou e gravou com Wayne Shorter, Ralph Turner, Manu Katché, Trilok Gurtu, Toninho Horta, Gilberto Gil, Julian Argüelles, Django Bates, entre muitos outros, e também com a Hannover Philharmonic Orchestra. Envolveu-se em variadíssimos projectos e foi convidado a compor para pequenos e grandes ensembles. O trabalho em duo tem assumido uma importância central na sua carreira: com Maria João, com quem já partilhou oito discos, e em projectos com Pedro Burmester e Bernardo Sassetti." (texto da organização)

Sábado
Richard Bona
Richard Bona (baixo, voz), Etienne Stadwijk (teclados), Adam Stoler (guitarra), Taylor Haskins (trompete) e Samuel Torres (percussão)

"Poucos músicos reúnem tanto consenso como este camaronês, cuja qualidade tem sido reconhecida nas actuações com alguns dos mais sonantes nomes da cena musical da actualidade. Bona construiu um percurso único. Na fronteira do jazz, criou uma música com impressões digitais que a transformam e que a tornam carismática e inconfundível, temperando-a com um gostinho genuinamente universal. Neste concerto, integrado na digressão mundial de apresentação do seu último álbum, “Tiki”, Bona transporta-nos aos mais profundos meandros de África, local de mitos e de intimidade ancestral. E não se pode esquecer, naturalmente, a importância da sua banda inter-racial, composta por músicos provenientes de África, da América e da Europa, com quem o artista cria um mapa de sonoridades muito características, no qual o público é convidado a participar activamente. Multi-instrumentista, compositor e exímio contrabaixista, Bona possui uma voz suave, à qual não será alheia uma pitada de nostalgia. Ainda jovem, Bona chegou a construir os seus próprios instrumentos (flautas de madeira e um violão de seis cordas). A sua determinação em aprender guitarra, flauta e percussão valeu-lhe o convite para formar uma banda. Começou a causar sensação na terra natal. Um extraordinário álbum de Jaco Pastorius, numa colecção de LPs que lhe foi disponibilizada, funcionou como antecâmara para o universo do jazz. Aos vinte anos parte para Paris, onde estuda e toca com Salif Keita, Manu Dibango e prestigiados artistas franceses.Em 1995 vai para Nova Iorque, alcançando o estatuto de um dos mais requisitados artistas do universo jazz e da world music. Larry Coryell, Mike Stern, George Benson, Bobby McFerrin, Paul Simon, Pat Metheny, Herbie Hancock, Branford Marsalis ou Bobby McFerrin são somente alguns dos nomes com os quais partilhou o palco, em paralelo com uma produção discográfica singular." (texto da organização)

Mais informação em www.acert.pt.

Vídeo de promoção em: www.youtube.com/watch?v=eKB5pIcEzpk.

Publicado por António Branco às 07:49 AM | Comentários (0)

ANGRAJAZZ 2007 COMEÇA HOJE...

Angrajazz 2007

Arranca hoje a nona edição do Angrajazz - Festival Internacional de Jazz de Angra do Heroísmo. Os seis concertos que compõe o Angrajazz realizam-se no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, que para o evento se transforma num clube de jazz.
Aqui fica o prgrama completo:

Hoje (quinta-feira)

21h30

Laurent Filipe Quinteto (Portugal)
Laurent Filipe (trompete e voz), Bruno Santos (guitarra), Filipe Melo (piano), João Custódio (contrabaixo) e Paulo Bandeira (bateria)

23h30

Roberta Gambarini 4tet (EUA)
Roberta Gambarini (voz), Kirk Lightsey (piano), Reggie Johnson (contrabaixo) e Alvin Queen (bateria)

Amanhã (sexta-feira)

21h30

Orquestra Angrajazz com Afonso Pais (Portugal)
Afonso Pais (guitarra), Luis Sousa (saxofone alto), Rui Borba (saxofone alto), Rui Melo (saxofone tenor), Davide Corvelo (saxofone tenor), Mónica Goulart (saxofone barítono), Paulo Almeida (clarinete), Márcio Cota (trompete), Paulo Borges (trompete), Tony Barcelos (trompete), Bráulio Brito (trompete), Manuel Almeida (trombone), Paulo Aguiar (trombone), Evandro Machado (trombone), Adriano Ormonde (trombone), Antero Ávila (tuba), Paulo Cunha . (guitarra), Eduardo Ornelas (contrabaixo) e Nuno Pinheiro (bateria); Pedro Moreira e Claus Nymark (direcção)

23h30

Benny Golson Sextet (EUA)
Benny Golson (saxofone), Eddie Henderson (trompete), Philip Harper (trompete), Mike LeDonne (piano), Reggie Johnson (contrabaixo) e Carl Allen (bateria)

Sábado

21h30

Jim Hall Trio (EUA)
Jim Hall (guitarra), Geoffrey Keezer (piano) e Scott Colley (contrabaixo)

23h30

Monk´s Casino (Alemanha)
Alexander von Schlippenbach (piano), Axel Doerner (trompete), Rudi Mahall (clarinete baixo), Jan Roder (contrabaixo) e Uli Jenessen (bateria)

Como actividades paralelas haverá uma Feira do Disco, com a presença das editoras Trem Azul, Discantus e Dargil, uma Exposição de Fotografia de António Araújo subordinada ao tema “Jazz”, e venda dos produtos Angrajazz.

Os bilhetes estarão à venda no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo a partir de 25 de Setembro.

Para mais informações consultar o site www.angrajazz.com.

Publicado por António Branco às 05:28 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 03, 2007

WHAT IS JAZZ?

William Parker
William Parker

"How dare we spend so much valuable energy aswering such questions such: "What is jazz""? (William Parker)

Alguém sabe a resposta?

Publicado por António Branco às 06:58 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 02, 2007

HERB GELLER 45 ANOS DEPOIS EM PORTUGAL

Para comemorar o seu quarto aniversário, o blogue Jazz no País do Improviso!, da autoria de João Moreira dos Santos, promove o regresso a Portugal, 45 anos depois, do saxofonista Herb Geller, músico que acompanhou entre outros Benny Goodman, Chet Baker, Dinah Washington e Clifford Brown. A actuação será no Hot Clube de Portugal (praça da Alegria, Lisboa) no dia 9 de Outubro, pelas 23h00, acompanhado por músicos da geração seguinte à que com ele tocou em 1962, integrado num quarteto liderado pelo pianista Filipe Melo. Junta-se de Maria Viana, que em 2007 celebra 30 anos de carreira.

Em 1962, o norte-americano Geller passou por Lisboa, a caminho da Alemanha, onde fixaria residência até ao presente. Luís Villas-Boas aproveitou então a sua estadia para o convidar para uma série de concertos no Hot Clube de Portugal e até a participar numa revista do Parque Mayer.

No dia 8 de Outubro, pelas 18h00, Herb Geller realiza ainda na Escola de Jazz Luís Villas-Boas/Hot Clube (junto à antiga FIL) um workshop sobre "Técnicas de Improvisação".

Publicado por António Branco às 06:07 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 01, 2007

ENTREVISTA BERNARDO SASSETTI

Bernardo Sassetti
Bernardo Sassetti

No ano em que comemora duas décadas de actividade profissional e o décimo aniversário do seu trio, o pianista Bernardo Sassetti prepara-se para iniciar um período de pausa e reflexão. O músico – que pretende reestabelecer-se em Londres –, fez um ponto de situação em relação à sua carreira, não deixando de perspectivar o que está para vir.

«Sou um pianista de qualquer coisa livre», assim se define Bernardo Sassetti (n. 1970, Lisboa), voz essencial no jazz nacional da actualidade. Ao longo de anos de maturação, o músico tem vindo a desenvolver uma linguagem própria, matizada por diferentes influências e burilada num processo que o próprio apelida de intuitivo. Desenvolvendo intensa actividade em diversos campos artísticos, tem adquirido um estatuto que o faz ser constantemente requisitado para compor, arranjar e tocar com nomes provenientes de vários quadrantes musicais. O seu toque de Midas é de todos bem conhecido. Apesar de tudo, mostra reservas quando se fala do seu lado de compositor, preferindo atribuir esse título a outros. Os seus discos mais recentes, para além de terem recebido invariavelmente os laudos da crítica especializada, nacional e internacional, têm também constituído um invejável sucesso de vendas, atingindo números impensáveis há alguns anos para um músico de jazz no mercado português. Num momento de balanço, Bernardo Sassetti fala-nos de música, de fotografia, de cinema, do silêncio.

Improvisos Ao Sul: Consegue precisar o momento em que tomou consciência de que seria na música que encontraria a sua forma preferencial de expressão?
Bernatdo Sassetti: Aconteceu tarde. Não sei precisar mas posso garantir que foi já numa fase avançada da minha carreira: fim dos anos 90, talvez por aí.

E o piano, foi amor à primeira audição?
Não. E quando começamos a aprender a tocar o instrumento deparamo-nos com as dificuldades técnicas e de expressão. Passaram-se 15 longos anos – ou mais – até que eu me apercebesse de que já conseguia fazer qualquer coisa, apesar de nessa altura ainda “mentir” muito ao piano.

Nesses tempos iniciáticos quais eram as suas principais referências?
Todos os grandes pianistas de jazz. Todos! São muitos. Passei anos a tentar copiá-los. É o que se faz geralmente até chegar a altura de se encontrar uma voz mais pessoal.

Considera-se um músico e compositor de jazz ou tal afirmação é demasiado redutora para a música que faz?
Acho que me posso considerar um pianista de qualquer coisa livre, sem a limitação que determinados rótulos impõem. Nasci no jazz. E sim, já escrevi muita música mas sobre o título de compositor tenho muitas dúvidas… Bach, Mozart, Stravinsky, Messiaen, entre muitos outros, foram verdadeiros compositores; Duke Ellington e Thelonious Monk foram genuínos compositores. Parece-me que existem demasiados títulos de “compositor” nos dias que correm – e aí me incluo –, muito mais do que compositores com C grande. Hoje, todos são compositores, todos são actores, todos são músicos, todos escrevem; e estão todos ao mesmo nível, o que é espantoso! – é um mal moderno de difícil resolução.

Atrevo-me a afirmar que muita da música que escreve tem os pilares assentes em certa formas do piano clássico... Concorda?
Concordo. É apenas uma questão de sonoridade, de procura de todas as subtilezas que a linguagem musical pode oferecer, seja ela clássica, erudita ou intimamente ligada à vertente da improvisação – isto tendo como princípio de que a improvisação também se trabalha técnica e conceptualmente. Os motivos musicais que, geralmente, acabam em temas do meu repertório nascem sempre de improvisos.

Que espaço concede à componente de improvisação?
O maior possível, se bem que, muitas vezes, seja estruturado e obedecendo quase sempre a um centro tonal; mas tenho experimentado cada vez mais a atonalidade e os sons experimentais, sobretudo como formas de dinâmica e tensão. O caminho para a resolução é na grande maioria das vezes o meu principal objectivo. Mas os gestos de liberdade na música representam tudo para mim enquanto intérprete.

Gustav Mahler dizia que “tudo está escrito numa partitura, excepto o essencial”…
Concordo… e o essencial não se explica, vive dentro do intérprete. Ouçam-se as dezenas de versões das Variações Goldberg (de J. S. Bach) ou as centenas de interpretações dos vários temas de Thelonious Monk; assim talvez se explique muita coisa.

A escrita para cinema e teatro constituem duas áreas que tem explorado com alguma regularidade. Como garante a cumplicidade entre o que se passa na tela ou no palco e a música que compõe?
Não garanto. Neste meio de colaboração como é o teatro ou o cinema – muito importantes para a minha carreira, aliás – trata-se de equilibrar as sensibilidades de uns e de outros e, no caso da música, contribuir solidamente com elementos que possam transmitir o que está escondido para além dos textos ou das imagens. Este é, para mim, o maior interesse desta actividade colaborativa, ainda que, apesar de tentar, eu não possa garantir que exista uma verdadeira cumplicidade entre a representação musical – que me é proposta – e as personagens, os sentimentos ou as mais variadas situações circunstanciais de uma história. Cabe ao realizador ou encenador decidir se a música é ou não apropriada.

A fotografia é outra das suas paixões… Fotografia e Música são artes que de alguma forma se completam no seu imaginário?
A fotografia persegue-me diariamente. Não é uma paixão, é uma necessidade de olhar para o mundo através daquele visor rectangular ou, não tendo a câmara comigo, imaginar simplesmente as imagens, as sombras e a luz que poderiam resultar de um determinado momento. E às vezes acontecem pequenos inesperados milagres! As imagens da música e a música das imagens complementam a criação artística que persigo.

Criou-se à sua volta a imagem de um músico metódico, perfeccionista, solitário… Fale-nos um pouco sobre o seu processo de criação…
Não é tão metódico quanto isso… é mais intuitivo. O meu método de trabalho é muito irregular. De uma coisa tenho a certeza: preciso de muito tempo de introspecção e espaço para pôr as ideias em prática, ao piano ou em partitura.

Entendo muita da sua música como exercícios de diálogo com o silêncio... Qual é a sua relação com o silêncio? Considera que numa sociedade ruidosa, como esta em que vivemos, o silêncio é uma necessidade? É-o também para si?
É do silêncio que nasce tudo. Para mim, o vazio é sempre o princípio de qualquer representação artística, do real e do imaginário. Isto pode parecer uma teoria muito abstracta mas eu acredito que, mais do descrever o processo, se pode e deve trabalhar este conceito interiormente. Por outro lado, o silêncio na música só pode fazer sentido se existir o seu extremo oposto, imediata ou gradualmente.

A sua música encerra uma grande carga emocional, um sentimento de ausência e nostalgia que diria muito português... É assumido?
Não. Nunca pensei realmente sobre se é ou não português. Foi em Portugal que nasci e dei os primeiros passos na música; depois fui para Nova Iorque e Barcelona, mas só assentei definitivamente a minha carreira em Londres – no princípio dos anos noventa e durante quase 9 anos; depois voltei a viver mais regularmente em Lisboa; agora vivo mesmo em Lisboa com saídas cada vez mais regulares. Mas estou já a pensar em sair outra vez: acredito que o faça muito brevemente… mas, lá está, depois cansar-me-ei e voltarei sempre para Lisboa. Acho que tem razão na sua afirmação: isso é que é ser português. Obrigado… Nunca tinha pensado nesses termos…

Depois de ter estado cerca de sete anos sem gravar em nome próprio, regressou aos discos em 2002, com “Nocturno”, acompanhado por Carlos Barretto e Alexandre Frazão. Este momento terá sido, de alguma forma, um ponto charneira na sua carreira?
É talvez o momento que mais relembro e que maior importância teve no meu percurso, a par com a experiência de escrever a banda sonora para o filme “Quaresma”, de José Álvaro Morais. Passei anos às voltas com uma música que pouco me dizia respeito. No entanto, esses 7 anos e todos os que para trás ficaram não foram um equívoco mas sim uma aprendizagem: o jazz de uma ponta à outra, os sons afro-latinos, as saídas de Portugal, etc.… Mas só com este trio é que fui descobrindo uma interioridade e uma relação com a música muito mais profundas.

A partir de então tem editado a um ritmo assinalável…
É verdade. Chegou agora a altura de desacelerar. Vou mesmo parar com as edições discográficas por dois ou três anos, reaprender a tocar piano e experimentar coisas novas…

O seu ambicioso projecto "Unreal: Sidewalk Cartoon" extravasou os limites da música, alargando-se ao vídeo e à palavra escrita. Ficou satisfeito com o resultado? Pensa empreender no futuro outros projectos que aglutinem diferentes linguagens artísticas?
Fiquei muito contente. Foi um projecto que levou quarto anos de muito trabalho a preparar visualmente e dois anos a executar musicalmente. Mais de oitenta pessoas estiveram envolvidas nos processos de criação e edição do CD, do livro, do filme e do espectáculo “Unreal”. Mal sabia eu onde me estava a meter! Foi também a primeira vez que senti uma divisão enorme da crítica e do público em geral na apreciação de um projecto meu – o que me é extraordinariamente estimulante. Tenho quase a certeza de que o futuro das artes é o de juntar as visuais com as auditivas.

Os seus últimos discos têm conquistado um significativo sucesso comercial, sem precedentes no panorama do jazz nacional. Como lida com este facto?
Não conheço os números de discos vendidos. Sei que os japoneses gostaram, por exemplo, do “Nocturno” [risos]. A minha relação com a editora Clean Feed é estritamente musical e existe um esforço e uma necessidade conjuntos de manter vivo aquilo que penso e faço. Sei também que o “Nocturno” foi o grande “sucesso” de vendas; a partir daí é (e será) sempre a descer – é uma “regra” quase infalível. Tudo isto para dizer que me importo pouco com as vendas, a coisa vai-se compondo; o que eu quero mesmo é tocar!

Alguns críticos têm manifestado uma fúria quase inquisitória contra a importação de material estranho ao jazz: lembro-me de Brad Mehldau, Ethan Iverson (dos The Bad Plus) – responsáveis por versões de temas rock – Uri Caine ou Joachim Kuhn, que se têm debruçado sobre obras de compositores clássicos. Vê com bons olhos este entrecruzar de universos musicais?
“Fúria”? Isso é muito bom! Quer dizer que provoca qualquer coisa nas pessoas… Digam-me quem são eles!... É apenas uma questão de gostos e de escolhas. É legítimo. Ponto. E esses músicos que citou são todos magníficos e fazem a sua música com extrema liberdade e coerência. Isso é que me parece importante. A “inquisição” de que fala é patética, ou não será?

António Pinho Vargas referiu recentemente a sua dificuldade em imaginar que “em 2047 o grande acontecimento musical seja uma nova integral das sinfonias de Beethoven”. Considera que no jazz se está a passar o mesmo? Olha-se demasiado para trás?
No jazz, no jazz… Alguns olham para trás; outros bloqueiam e só se dedicam a um estilo; existem ainda os outros que se estão nas tintas e só querem fazer música; mas os meus preferidos são aqueles que se estão mesmo nas tintas, olham para trás e para a frente e vêem na música um desafio, um revivalismo, uma atracção pelo desconhecido – com ou sem zimbadim [expressão que define o acompanhamento clássico da bateria no jazz, isto é, o swing]! – e também uma nova integral das sinfonias de Mahler em 2087, passe a ironia.

Tem trabalhado em diversas ocasiões o repertório de José Afonso, nomeadamente no dueto com Mário Laginha. O que mais lhe interessa na obra de José Afonso?
O seu lado genuíno na criação de canções, as boas melodias e a perspectiva de que se podem fazer arranjos muito interessantes e pessoais à sua volta. E porque respiro naturalmente aquela música desde que nasci.

Este é o ano do décimo aniversário do Bernardo Sassetti Trio. Que balanço faz desta verdadeira joint-venture musical?
É um projecto com o qual aprendi muito. Tenho com o Carlos Barretto e com o Alexandre Frazão uma relação musical quase telepática. Ainda bem que não o é totalmente. Se assim fosse, perderia o interesse e deixaríamos de tocar juntos.

Tem trabalhado como músico, compositor e arranjador em diferentes ambientes: solo absoluto, duetos, trios, com formações mais alargadas. Sente uma apetência especial por algum destes contextos?
Sim, pelas formações pequenas. O referido trio, os dois pianos com o Mário Laginha, o quarteto do Perico Sambeat e, claro, o eterno projecto a solo. Trabalhar com orquestra já me deu algum prazer mas, salvo raras excepções, não é ali que encontro os músicos para a música que quero fazer. E não gosto da ideia dos horários de ensaio estabelecidos com o rigor das 3 horas por dia. Nunca, em nenhuma ocasião em que toquei com orquestra, consegui ensaiar ao ponto de se criar uma verdadeira sonoridade de grupo ou trabalhar com profundidade as subtilezas de uma peça. Para além disso, trata-se apenas de uma relação profissional – algumas vezes pouco musical – e que não passa de todo por uma pessoal. E isso revela tudo.

Está a estrear-se no Fender Rhodes, no âmbito do novo projecto de Carlos Barretto, In Loko. Estas experiências têm sido estimulantes?
Já toquei e gravei muito com Fender Rhodes, acontece que foi fora de Portugal. O In Loko é um prazer absoluto, uma maluqueira e uma valente pedra! – pela liberdade de expressão inerente à própria música e pela procura de novos sons. É um projecto recém-nascido e já se escreveu que aquela “música já foi feita”. Aí sim, digo sem qualquer ironia, parece-me lamentável que ainda exista a ousadia de se pegar por aí…

Como analisa o actual momento do jazz em Portugal? De entre as gerações mais novas, destacaria alguns nomes que aprecia particularmente?
Um verdadeiro boom de malta nova a tocar bem, com amor ao jazz e muito empenho. A mais recente Festa do Jazz do São Luiz revelou uma série de jovens com imenso talento. Não destaco nenhum para não correr o risco de me esquecer de outros. Também a crítica está a evoluir bem: muita gente nova a escrever com a abertura de espírito que é necessária para transmitir a outros o que hoje se faz no jazz. Só tenho pena que o espaço para escrever na comunicação social seja tão reduzido. Fico por vezes com a sensação de que as palavras que se escrevem são vagas em relação à música a que elas se referem.

Tem ideias concretas sobre o que vai fazer a seguir?
Profissionalmente: estudar piano, tentar evoluir com os principais projectos que mencionei, ler muitos livros como sempre e continuar com a actividade fotográfica. Pretendo reestabelecer a minha carreira em Londres, onde ela efectivamente começou de forma mais activa.

Retomando o título de uma peça para a qual escreveu a banda sonora – “Dúvida (1964)” – é importante para um músico ter dúvidas?
Essa é a única certeza que tenho, possivelmente a única que me permitirá continuar esta loucura que é ser músico.

DISCOGRAFIA SELECCIONADA

Como líder:

“Dúvida (1964)” (Trem Azul, 2007)
“Unreal: Sidewalk Cartoon” (Clean Feed, 2006)
“Alice” (BSO) (Trem Azul, 2005)
“Ascent” (Clean Feed, 2005)
“Grândolas - Seis Canções e Dois Pianos nos Trinta Anos de Abril” (com Mário Laginha) (2004)
“Indigo” / “Livre” (Clean Feed, 2004)
“Mário Laginha [e] Bernardo Sassetti” (com Mário Laginha) (ONC, 2003)
“Nocturno” (Clean Feed, 2002)
“Mundos” (Emarcy/Polygram, 1997)
“Salsetti” (Groove/Movieplay, 1994)

Como sideman:

Carlos Martins com Cindy Blackman “Passagem” (Enja, 1996)
Laurent Filipe “Ad lib(itum): Vol. 1” (Groove/Movieplay, 1995)
Moreiras Jazztet “Luandando” (Groove/Movieplay, 1995)
Conrad Herwing e Trio de Bernardo Sassetti “Ao Vivo no Festival de Jazz de Guimarães” (Groove/Movieplay, 1994)
Carlos Barretto “Impressões” (Groove/Movieplay, 1994)
Eddie Henderson “Encontro em Lisboa” (Groove/Movieplay, 1994)

[entrevista publicada no n.º 14 da revista Jazz.pt (Set./Out. 07)]

Publicado por António Branco às 05:17 AM | Comentários (0) | TrackBack