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julho 11, 2007

POSTO DE ESCUTA

WishfulThinking

Wishful Thinking - "Wishful Thinking"
Clean Feed / Trem Azul

Johannes Krieger (trompete); Alípio C Neto (saxofone tenor); Alex Maguire (piano); Ricardo Freitas (baixo eléctrico); Rui Gonçalves (bateria)

Seixal, 12 de Julho de 2005

As ondas de choque provocadas por esse verdadeiro meteorito musical chamado Alípio C Neto continuam a fazer-se sentir em todas as direcções. A miríade de projectos que lidera consubstancia uma inabalável vontade de procurar e seguir novas pistas, de olhar para trás com os olhos postos no futuro. Um devir musical constante, alicerçado na literatura, na filosofia, no saber multifacetado. É aqui que o saxofonista pernambucano feito lisboeta tem realmente dado cartas, agitando as águas do tantas vezes chão mar jazzístico nacional. Depois da aclamada estreia em disco do IMI Kollektief – justamente considerado um dos melhores do ano transacto, engendrados em território nacional – Alípio volta à carga, desta feita à frente do colectivo multinacional Wishful Thinking, com o qual explora, de acordo com os seus ângulos de abordagem muito próprios, diversas épocas e estilos. Neste disco, os músicos atiram-se de corpo e alma àquilo que realmente a todos deveria importar em primeira instância – a música, as emoções, os desejos – valendo sobretudo pela sua força enquanto conjunto íntegro e rodado. À excepção do baterista, todos contribuem com composições originais, enriquecendo o resultado final. Aqui, olha-se para a tradição em busca de referências, sendo certo que, acto contínuo, as mesmas são subvertidas e integradas num universo particular, seja nos jogos de sopros derivados do hard-bop (ouçam-se “John´s Fragment”, “Zombra” ou o notável “448”), no piano borbulhante de Alex Maguire ou no irrequieto baixo funky (“Hina´s Fate”). Nesta paleta de emoções, tudo aqui se encontra; da festa de “Buffalo Bill”, até ao profundo e delicado “Urs Epitaph – Der Hirt”, dedicado a um amigo do saxofonista já desaparecido. “Ao Lunaj” tem uma linha de baixo que não se esquece com facilidade. O fascínio do Oriente está bem patente em “Shi Jing”, a peça que encerra o disco de modo mais abstracto e espiritual. Pensamentos mais do que positivos.

Publicado por António Branco às julho 11, 2007 06:26 AM

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