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junho 14, 2007

A GENEALOGIA DAS NOVAS MÚSICAS

Decorre hoje ao final da tarde (18h00), na Fonoteca Municipal de Lisboa, a conferência-debate "A Genealogia das Novas Músicas", com as intervenções de Rui Eduardo Paes, Sei Miguel e José Marmeleira.

"Numa época em que as novas músicas, ou as “músicas de vanguarda”, compreendem e sintetizam, um pouco por todo o mundo, uma gama de abordagens e influências que abrangem todos os últimos 30/40 anos de livre-improvisação, de folk, de música psicadélica, de minimalismo e de free-jazz, importa perceber de que modo essa confluência acontece, quais os percursos, e como se deu a formação das influências de toda uma geração de músicos na casa dos 25/30 anos que constitui, de certa forma, uma comunidade (ainda que não assumida pelos próprios, ou talvez sim) que parece ver na liberdade e num absoluto primado da auto-expressão o fio condutor da sua obra. Que traços em comum podemos encontrar? Julian Cope aventou, há poucos meses, a possibilidade de a “banda-sonora interior” desta geração nascida nos anos 70 e inícios de 80 ser maioritariamente constituída pelo heavy-metal e pelo grunge que informaram a sua adolescência. Será então o mundo da música “pop” o co-responsável, juntamente com um acesso privilegiado às franjas mais “underground” da música do século XX, por este surgimento de uma geração de músicos que é capaz de, como Julian Cope também referiu, querer “chegar a toda a parte a todo o momento”? É precisamente esta tentativa de explicar o “passado” (os vários “passados” possíveis, até) das “novas músicas”, que gostaríamos que orientasse esta conferência. Pelo caminho, poderão ser também inevitavelmente abordadas questões que passam pelos percursos e história da música improvisada, pelas clivagens e pontos de contacto entre o free-jazz e a livre-improvisação, e pela sempre polémica questão académica que põe em causa a noção de músico e não-músico (questão que se arrasta há décadas, e que se reflecte em discursos de pura sinestesia, como o de Brian Eno, quando na década de 80 declarou que a sua forma de pensar a composição era declaradamente visual e não musical), e, consequentemente, a discussão da dicotomia “técnicas avançadas” / “ausência de técnicas”". (texto da organização)

Publicado por António Branco às junho 14, 2007 07:23 AM

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