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DeJohnette, Peacock, Jarrett
É hoje!. Keith Jarrett (piano), Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) sobem ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Belém (20h00) para um concerto que se antevê histórico!
Os bilhetes, esses, estão há muito esgotados...
"Numa noite quente de Junho de 1981, o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, assistiu a uma das maiores “broncas” da sua história centenária. No auge da sua fama de solista de jazz, impulsionada pelo sucesso mundial do duplo álbum The Köln Concert, gravado ao vivo na Ópera de Colónia em Janeiro de 1975, Keith Jarrett apresentava-se pela primeira vez a solo perante o público português. Estivera aqui em 1966, com Charles Lloyd e Jack DeJohnette, e mais tarde, em 1971, com Miles Davis. Em 1981, o velho Coliseu era um lugar desconfortável, ruidoso e fumarento. Keith Jarrett interrompeu a sua actuação logo aos primeiros ataques de tosse da plateia, voltou a ameaçar parar o concerto alguns minutos depois, e, por fim, completamente fora de si, pegou na toalha e saiu do palco. Durante mais de meia hora, milhares de pessoas aguardaram o seu regresso.
Jarrett voltaria para uma actuação de um pouco mais de uma hora, quando uma parte do público já tinha abandonado a sala. A memória dessa noite irrepetível perdurou até hoje: uns pensam que foi um concerto falhado, outros que o pianista norte-americano teve uma prestação memorável.
Seja como for, a verdade é que Keith Jarrett nunca mais voltou a Portugal.Vinte e cinco anos depois, agora em trio, com Gary Peacock no contrabaixo e Jack de DeJohnette na bateria, Keith Jarrett vai subir ao palco do Grande Auditório do CCB para um concerto único, aguardado há muitos anos pela legião dos seus admiradores. Nestas duas décadas e meia, o prestígio de Keith Jarrett como incomparável solista e improvisador cimentou-se em centenas de concertos (dos quais quase metade só no Japão) e em
numerosos discos captados ao vivo, quer nas suas actuações a solo, quer em trio, com a formação que o acompanha praticamente desde meados da década de oitenta.
Keith Jarrett começou por tocar com Charles Loyd e Ron McClure. A sua estreia em concerto aconteceu no primeiro dia de 1966, tinha o artista 21 anos. Quase ao mesmo tempo, em finais dos anos sessenta, apresentou-se também com Art Blakey, Chuck Mangione, Frank Mitchell e Reggie Johnson, elementos da célebre formação The New Jazz Messengers. Em 1966, tocara pela primeira vez com Jack DeJohnette, com quem viria a estabelecer uma duradoura relação artística.
No início dos anos setenta, tocou com Miles Davis (sobretudo até 1972), e depois, ao longo dessa década, com Charlie Haden, Jan Garbarek, Paul Motian, Chick Corea e Dave Holland, entre outros.
A sua carreira orientou-se progressivamente para a longa improvisação solista e, durante os anos oitenta, foram mais os recitais a solo do que as actuações em grupo. Em 1983, no entanto, encontrava-se com Gary Peacock e, a partir daí, a sua actuação em grupo estabilizaria na actual formação.
Figura controversa (são lendárias as mudanças súbitas de humor, as pausas durante actuações, bem como o murmurar com que acompanha os seus solos), Keith Jarrett pratica uma música fortemente introspectiva e experimental, quase sempre afastada do mainstream, mesmo quando aborda o território dos standards (como em dois discos magníficos com o trio com que se apresenta em Lisboa). A partir dos anos oitenta, Jarrett aprofundou a sua relação com o repertório clássico, nomeadamente Bach, Handel e Schostakovich, tendo gravado as Variações Goldberg de Bach e os 24 Prelúdios e fugas Opus 87 do compositor russo, e ainda diversos concertos para piano de Mozart. A sua vastíssima produção discográfica eleva-se a mais de 150 títulos, a solo ou em diversas formações. Dificilmente classificável na sua constante procura de um sentido último para a música, Keith Jarrett encontrou em Gary Peacock e Jack DeJohnette os companheiros ideais para o seu exercício de soul-searching: com eles gravou já mais de uma dezena de discos. " (texto da organização)
Mais informações em: www.ccb.pt.
Publicado por António Branco às novembro 12, 2006 07:59 AM
para grande infelidcidade minha náo vou puder ir. ao que acredito ser uma grande noite.
penso que é impossivel decifrar qual o nome mais interessante em palco, talvez até fosse o Dejohnette quem sabe.. gosto muito dos ultimos trabalhos dele... uma noite que de certeza sera memoravel.
ai ai...
Publicado por: PedroLopes às novembro 12, 2006 04:52 PM
Já não se vêm muitos concertos assim, porque já não existem muitos artistas assim. Keith Jarrett é um dos maiores pianistas de sempre do Jazz e isso mesmo ficou demonstrado no CCB. Um concerto ao nível de tantos que tem gravado, e no seu caso isso não será dizer pouco. É pena que este não o tenha sido. Apenas na memória colectiva das 1700 pessoas que assistiram extasiadas a uma música jazz depurada, de excelência e entrega.
Um grupo (ainda) em estado de graça num concerto que ficará certamente na história do CCB.
Publicado por: Paulo às novembro 13, 2006 12:44 AM
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